Há uns tempos, a propósito de uma acção levada a cabo pela Universidade Católica (Faculdade de Direito do Porto), em conjunto com o Centro de Estudos Judiciários, sobre a nova legislação laboral, uma professora queixava-se da pouca participação dos magistrados. Dois magistrados, com cerca de trinta anos de serviço, que ouviram o desabafo, justificaram-se, a eles e à classe, invocando a falta de tempo face às tarefas que lhes estariam cometidas.
Tratou-se, obviamente, de uma desculpa de ocasião mas que traduz a ideia errada da generalidade dos magistrados sobre a importância da formação.
As grandes transformações doutrinárias e legislativas, ou os diferentes espaços de conflitualidade, ou o novo enquadramento social em que a justiça se exerce, ou a importância das tecnologias na gestão dos processos, impõem aos magistrados uma formação contemporânea que lhes permita um exercício actualizado da função. Essa, porém, tem sido uma vertente descurada. Há uma cultura judiciária que não lhe é favorável.
Ao longo dos últimos vinte anos, a formação destinada à actualização dos magistrados tem sido precária e dispersa. Com uma participação em regime de voluntariado, os magistrados não a sentem como uma obrigação profissional.
Seria interesante saber, nos recentes concursos de graduação para o Supremo Tribunal de Justiça, quantos magistrados teriam documentado o seu percurso profissional com acções de formação.
Tem-se dado uma relevância predominante à formação inicial, numa perspectiva de preencher, com urgência, a insuficiência de quadros. Persistir nessa política, num momento em que os números, ou a insuficiência deles, deixam de ser preocupação. Relevante será re-formar os magistrados, começando por aqueles que desenvolvem as suas tarefas em instâncias de recurso ou tem funções inspectivas.
In direitos
28 julho 2004
Formação descontínua
Marcadores: formação de magistrados, L.C.
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3 comentários:
"Direitos" tem postado uns comentários interessantes sobre formação. Rui do Carmo tem consabida experiência sobre a matéria e tem diversos textos publicados sobre o tema (ver, p. exemplo, separatada revista do MP; infelizmente o relato que fez ao congresso da Justiça continua na clandestinidade, os organizadores do evento lá saberão porquê).
"Direitos" e R.C. parecem coincidir não só nas preocupações, mas também sobre algumas análises (sendo que R.C. avança também propostas).
Contudo, parecem discordar num ponto: o papel a desempenhar pelos Conselhos Superiores no âmbito da formação. Questão que não é de somenos.
Já percebemos que "Direitos" não é dado ao debate, o que seguramente empobrece a blogoesfera. Mas não quererá, ao menos como anónimo, contribuir aqui neste post com algumas achegas sobre o seu ponto de vista sobre a referida questão? E R.C. com os seus?
Que Formação para os Magistrados Hoje?
Comunicações apresentadas no Encontro promovido pelo SMMP sobre Recrutamento, Selecção e Formação de Magistrados
Pelo menos, já percebi que Madame Min é magistrada.
"A nossa sociedade é mais diagnóstica do que terapêutica. O que falta, portanto, é a terapêutica".
"Os pensamentos políticos e filosóficos" - Vol. I
Janeiro 2003
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