Este país não é para velhos
Nem para novos...
Tão pouco para imigrantes
(ou emigrantes...)
mcr, 8 de Julho de 2026
Ao invés de um onceituado professr de Direito que entendia dever começar-se pelo princípio, eu atrevo-me, com prévia licença dod leitores, a iniciar o folhetim pelo fim.
Alguns importantes reponsáveis políticos lusitanos foram de longada até ao Luxemburgo e, uma vez lá, entenderam convidar os portugueses aí felizmente instalados a regressar à pátria madrasta!
Que é que passou pela cabecinha pensadora destas importantes criaturas?
Compararam sequer a vida desses portugueses expatriados, os seu salários, o seu poder de compra com o que, eventualmente, um regresso ao”torrãozinho de açúcar” lhes proporcionaria?
Se bem me lembro, terá havido uma senhora que pôs o dedo maldoso na ferida, perguntando se, em caso de regresso, poderia aspirar à mesma qualidade de vida.
Estou em crer que alguém lhe terá ripostado que o país tem sol, sul e sal. Como qualquer destes produtos não aumenta o PIB, calculo o embaraço das excelentíssimas autoridades proponentes do
Ou, pensando melhor: não creio que a pergunta os tenha sequer tocado.
Continuando neste ínvio caminho a passo de caranguejo, se é que os caranguejos avancem recuando, gostaria de saber o que os vocifrantes contra os imigrantes pensam sobre o que sucederia no caso dessa multidão, humilde e laboriosa, resolvesse, subitamente, ao ouvir o brutal convite à sua partida e desandasse de uma vez por todas do jardim à beira mar plantado. Lojas, agricultura, obras, pesca, entregade comida em casa, pessoal dos restaurantes, motoristas de TVDE e mais uma centena de situações mal pagas que o indígena rejeita, poderiam fechar, fechariam de certeza. O saldo de nascimentos que já não é famoso cairia de repente, muitas escolas reabertas graças aos filhos dos imgrantes, fechariam de novo e os dinheiros da Segurança Social voltavam a fazer perigar as futuras pensões.
Sou portuga e venho de uma família que assentou raízes por cá desde os primórdios da ncioalidade.
Um antepassado de seu nome Sueiro Martins terá vindo no séquito de Confde D Henrique como era hábito dos filhos não primogénitos que de seu teriam um cavalo e uuma espada
Um seu longínquo desdendente, também Martins mas João, deixou s suas terras minhotas e desandou para o Brasil , mais propriamente par o Rio Grande do Sul e amssou uma gigantesca fortuna
Uma sua descendente, a bisavó Ubalda, casou como filho de um um médico alemão (Ernst Richard Heinzelmann) também chegado às mesma terras e começou aí, no que nos toca, a dinastia brasileira dos Heonzelmann.
Outro bisavô, José Joaquim CR também partiu para o Brasil em busca de fortuna e, bem sucedido, regressou a Portugal e fundou uma companhia exportadora de vinho do Porto. Figura, com seu filho Alcino, meu avô, no Album dos Exportadotres de Vinho do Porto, publicado pelo Gtémio da mesmaclsse em 1948
Alcino, depois de concluido o liceu, pode fazer uma espécie de Grand Tour pela Europa e durante uma estadia na Alemanha resolveu estudar química vinícola bem como outras matérias ligadas ao vihho. Completou a sua educaçãoo comercial no Brasil e aí casou com Dora Marins Heinzelmann, descendente do meu quarto avô, João Martins e do meu trisavô de origem alemã, o médico Ernst Richard Heinzelmann que deu nome a uma pequena cidade bo Rio Grande do Sul (Doutor Ricardo)
Pelo lado de minha mãe, lá está mais um trisavô, Jose Costa Alemão, descendente de uma família de origem coimbrã mas radicada no Brasil. Daí, seu pai, partou com os filhos para o Sul de Angola. O filho José, meu trisavô fez trinta por uma linha. É dele o reconhecimento integtal do rio Bero, tarefa por muitos recusada dados os riscos derivados da belicosidade da população negra. Desempenhou, posteriormente, vários cargos político-aministrativos, crou uma importante fazenda e aparece citado não só numa obra da autoria de João de Almeida, militar e político (“Sul de Angola, relatório de um governo de distrito, 1908-1910” Agência Geral das Colónias, 1936) mas em mais quatro outras Todavia, as menções mais extensas e importantes a este “capitão de 2ª linha", explorador e antropólogo avant la letre devem-se a Alfredo Felmer ("Apontamentos sobre a colonização sos planaltos e litoral do sul de Angola", agencia Geral das Colónias) a Roberto Correia ("Angola, datas e factos", obra em 5 volues, 1998-2002) e Ruy Duarte de Carvalho que, em “Vou lá encontrar pastores"”(Cíeculo de Leitores, 2000) e em “A Camara, a escrita e a coisa dita" (cotovia, 2008) o refere com respeito e admiração.
Mais tarde, meu avô paterno Manuel do Rosário Patrício Curado, veio para Angola onde fez toda a sua vida militar como oficial do Exército colonial, participando em todas as campanhas, com especial menção para a 1ª Guerra. Quando jovem aspirnte casou com uma neta de José Costa Alemão, Aldina.
Uma filha de ambos , minha mãe, virá a casar-se com Marcelo Heinzelmann Correia Ribeiro, meu pai.
Finalmente , meus pais, meu irmão e eu próprio, partimos para Moçambique onde vivi entre o 3º e o 5º ano do liceu. Os meus continuaram em África, onde o meu pai era médico, até 1973. Durante 3 anos, já na Iniversidade, voltei a Moçambique em férias tendo, de certo modo, sido testemunha não só do inicio da guerra mas, sobretudo, da gigantesca mas absolutamente tardia mudança de vida dos africanos. Inclusivamente, cheguie a conhecer o 1º presidente negro da Câmara de Nampula. Foi aí que me deparei com o que mais tarde percebi ser um activista anti colonial que sem esforço, bem pelo contrario, me torno assinante do jornal “O Brado Africano”, folhinha altamente vigiada pelos poderes da colónia mas, de algum modo, já um sinal anunciador de novos tempos.
Tudo isto para poder afirmar que esou mais que capacitado para saber por tradição familiar e experiência própria o que é ser eimigrante, mesmo se de luxo.
Não voltei a África embora, tenha de vários modos, e durante o Estado Novo, lutado contra o colonialismo,coisa de que vários processos da PIDE me acusavam. Em tempos mais exaltantes e bem mais perigosos dos que hoje se vivem, ajudei vários desertores e/ou refractários a passar a fronteirta. Nesse lote de contrabandeadas pessoas, inclui-se um africano, negro e angolano, que passou largos anos no Tarrafal devido à sua militância num efémero “partido comunista angolano” . Ao que hoje sei, depois do exílio nas europas, terá regressado a Portugal onde, creio, terá morrido sem regressar à terra natal.
Agora, neste ano da (des)graça de 2026 cruzo-me diariamente ou quase com imigrantes, na maioria brasileiros, amáveis e bem dispostos qur por cá tentam ganhar a vida com baixos salartios e fazendo o que os portugueses já não querem nem saem, fazer.
Por isso, ainda não percebi como é que um partido político (pelo menos um!...) se enraivece cotra trabalhafores essenciais, prestáveis, baratos sobre quem não recai especial prova de má confuta, de actividades criminosas ou de especial militância político-religiosa que faça perigar o curioso cristianismo português ou os costumes nacionais que, cada vez mais, são internacionais e cosmopolitas.
Em boa verdade, as centenas de milhares de emigrantes portuguess, porventura milhões, quando regressam ainda que temporariamente ao país, já trazem tantas e tais indlências cilizacionais que este Portugal de hoje em quase nada se parece com aquele em que cresci.
E isso, para continuar este descosido discurso, verifica-se muito com os velhos. Acabaram as famílias numerosas que garantiam aso mais velhos, uma defesa familiar. Agora são atirados para um lar, muiras vezes, ilegal quando não permanecem meses ou anos num hospital sem que alguém os venha buscar depois da alta.
Ser velho,, neste país de “brandos” costumes, é na melhor das hipóteses uma condenação à solidão quando não à pobreza, ao abandono. Começam a ão ser raros (pelo que quase já não é notícia...) suicídios, descoberta de pessoas mortas há vários dias semanas ou até meses, em casa sem que ninguém dê conta do seu desaparecimento. Mesmo no litoral, registam-se casos destes, o que não contecerá no interior de onde deseetaram serviços públicos de toda a espécie, bancos, lojas e comércio em geral.
Volta e meia, a televisão mostra os centros urbanos de cidades e vilas onde já ninguém vive (nem vale a pena referir as aldeias...), as casas se degradam e o património arquitectónico e artístico que está em ruína avançada.
Esta cada vez mais isolada multidão é o que resta da fortíssima emigração que começou nos anos 60 e que continua imparável.
Com uma diferença. Dantes emigravam os mais desafortinaos, os pobres entre os pobres, os analfabetos e os quase analfabetos. Agora emigram licenciados, profissionais (com destaque para enfermeiros) , pessoas com estudos. Vão em busca de um futuro que, não parece ser possível em Portugal. Também aqui pode radicar alguma da baixa se natalidade que só a imigração tem escondido ao mesmo tempo que faz ressuscitar muiras escolas primárias abandonadas.
Mas nada disto abranda o ódio irracional contra os que chegam e humildemente nada mais pedem que trabalho, paz e algum elementar respeito pelos seus direitos enquanto humanos.
O mesmo que pediam os portugueses que demandaram o Brasil, as Áfricas, a Venezula ou as Franças e Araganças.
O mesmo que os meus antepassados quiseram e obtiveram sob céus estranhos
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