uma casa portuguesa, Com certeza?
mcr, 4 de novembro 2026
Sou, com o meu irmão, senhorio de um prédio de quatro pisoes e sete apartamentos (T3)
Nenhum deles incluindo os de aluguer mais recente atinge sequer de longe o preço que, pelos vistos, sepratica em Lisboa. saliento quero prédio em questão está situado na Avenida dos Estados Unidos, em Lisboa, foi sempre alvo de obras de manutenção e que os apartamentos estão ( e estiveram) sempre ocupados salvo quando por saída do inquilino tiveram de ser profundamente restaurados. Acrescente-se que tais obras de requalificação foram sempre de montante superior a 35000 euros pois ao fim de muitos anos na posse dos mesmos inquilinos estavam, a nosso ver, profundamente degradados (chão, paredes, instalação eléctrica, casas de banho (sempre 2) e cozinha). Tal significou que o rendimento os anos que se seguiram aos restauros foram obviamente negativos .
Os arrendamentos foram escrupulosamente legais sem truques de qualquer espécie ou exigência de cauções. Aliás tudo foi feito com recurso agencias imobiliárias e sob fiscalização da Associação Lisbonense de Proprietários.
Em boa verdade tratava-se de uma herança indivisa (com a nossa mãe que acreditava na "pedra" como fonte óptima de rendimento). Pessoalmente não me sinto vocacionado para senhorio, não me apetece ser considerado como um capitalista cúpido e malfeitor que explora inquilinos e povo adjacente.
De restim aprendi com um outro prédio felizmente já vendido que cada andar vendido gerava um lucro superiora mais de uma dúzia de anos de alugueres. E isso sem contar com impostos, imi, despesas de manutenção e outras múltiplas alcavalas.
Feita a declaração de interesses, eis.me confrontado com a actual amanhã das acampadas.
Sobre o tema já li e ouvi tudo e o seu contrário. Desde um cavalheiro ( um especialista acoitado num departamento universitário) que garante que não é necessário nem recomendável construir casas por questões ambientais, até manifestantes que exigem imediatamente casas para viver mesmo sabendo que ou não as há a preços que eles considerem acessíveis ou nem sequer estão em vias de construção.
Depois, sempre no extenso rosário de queixas, culpam-se os estrangeiros ricos que compram casas de luxo, os nómadas digitais que saltitam de país em país e pagam o que se lhes pede, o alojando local que permite a entrada de milhões de turistas que mesmo por poucas divisas permitiram lucros altos e a renovação de milhares de prédios muitos dos quais devolutos e em ruína ou destruição de quarteirões inteiros para dar lugar a umas centenas de hotéis que também geram lucros, desta feita, maiores.
Finalmente, alega-se que existem centenas de milhares de casa devolutas mesmo que, neste caso, se desconheça não só o real número, a real localização e o estado de conservação das mesmas,
Ninguém lembra que em cerca de vinte anos baixou mais que significativamente o número de habitações construídas que já 30 anos atingia as 90.000 construções anuais ( agora não se atinge as30.000 nisso inclui-se casas de luxo, (sem especial significado no total, as casas para rendas altas (que onde o investidor espera obter lucros interessantes). Por seu turno, se é verdade que o actual governo tenha construído em dois anos mais do que o anterior em oito anos, esse esforço não compensa um défice acumulado de casas para quem as procura.
Há que ter en linha de conta que não só nestes últimos 25 anos houve um gigantesco movimento migratório do interior para o litoral (e nesse para Lisboa e Porto) que se junta ao acréscimo de um Milão de imigrantes entrados no país nos últimos dez anos (Eu sei que os novos habitantes atingem um milhão e meio de pessoas mas faço o desconto de 30% para zonas interirores nomeadamente Alentejo e aposto no facto de muitos dos recém chegados estarem em Portugal apenas provisoriamente à espera de poderem passar para o resto da Europa que oferece melhores salários).
Nas famosas casas devolutas, quantas, quais, onde e em que estado?, há ainda que verificar qual a percentagem de prédios de heranças indivisas ou litigiosas que, de resto potencialmente se vão degradando rapidamente.
Muitos comentadores, espécie que floresceu mais depressa do que as algas asiáticas nos nossos rios e zonas costeiras, referem sem especial precisão a acção de fundos capitalistas que compram a eito. Não sei, e duvido que alguém saiba com exactidão, qual a dimensão dessa gula rapace, bem como sazonas em que se exerce.
Tudo isto para pôr em causa a teoria da "casa sem dente e gente sem casa" mesmo que não duvide que poderão ser alguns milhares de habitações nas zonas onde é maior a carência de "casas para viver"
De todo o modo a coincidência da acampada de Madrid (com a trágica se bem que previsível morte de uma senhora extremamente idosa e despejada) com as imitações de Lisboa e Porto, a tentativa de impor auto-proclamadas "assembleias populares" como orgãos representativos da multidão sem casa que até ao momento não se viu, não se ouviu nem sequer foi consultada, ,não parece de bom augúrio.
Sei perfeitamente que a democracia parlamentar não é maravilhosa mas sempre (e tenho uma longa experiência de vida, de protestos, de prisão) acreditei que este regime com todos os seus defeitos é melhor, bem melhor, do que os "amanhãs que cantam" que foram o desastre civilizacioinal do século passado e de que ainda restam laivos infames (p. e. a Ucrânia) neste anos que estamos a viver
Multidões ou pequenos grupos em fúria, real ou não, uivando slogans sem apresentar propostas claras e práticas, podem levar atido e sobretudo, como já há sobrada experiência, ao populismo infrene e aos regimes autoritários
Quando leio uma senhora jornalista que não viveu os anos duros referir que a policial actual é igual (ou pior) do que a PIDE que lhe prendeu um tio (que por acaso conheci bem) começo a temer o que ai pode vir.
Desde 1959 até 1974 estive em todas as manifestações de Coimbra , de Lisboa e do Porto.
Enfrentei dezenas de cargas policiais e nunca vi que a policia de choque sequer prevenisse os manifestantes de que iria carregar. Sempre que fui preso nesses incidentes não passei um dia ou dois na esquadra. Passei meses. Fui alvo de investigações de toda a espécie, de violação cerrada de correspondência, de provocações, de denúncias inverosímeis (houve mesmo uma bufa de seu pseudónimo Catarina, que me descreveu com propagandista do bombismo, numa reunião numa terra onde nunca fui.) Não fim da crise de 69 em Coimbra consegui, sem qualquer alegria ou entusiasmo, bater o recorde prisional dos estudantes detidos. Por essa ocasião entre as acusações que me fizeram estava a de me corresponder com as vanguardas estudantis francesa e italiana , de ser tu cá tu lá com os principais dirigentes das greves do Maio francês. enfim eu seria uma espécie de revolucionário profissional à imagem dos agentes do Komintern nos anos 30. Confesso que, de certo modo, fiquei orgulhoso tanto mais que nada me restava do que aguentar a vida miserável da prisão sem abrir o bico. anos depois, um inspector da PIDE entendeu qualificar-me de "revolucionário por conta própria" dado que não conseguia identificar-me como militante de nenhum grupo subversivo. Isto ao fim de seis mais cinco dias de pé e sem dormir.
Vir como a dita senhora e um pobre diabo arquitecto em pagina inteira no Público falar do fim de Abril e da ditadura actual é uma torpeza, uma infâmia uma mentira e um nojo- Mais, tais alegações logo repetidas na rua por imbecis iluminados só destrói uma causa que merece ser discutida, estudada e resolvida
Poderia ainda, referir-me aos números que alguns repórteres televisivos anunciam mesmo sem se aperceberem quedas imagens da televisão reduzem os seus milhares escassas centenas de manifestantes
Mo Porto, os manifestantes mesmo depois de convidados a ir à Câmara Municipal persistem em tentar obrigar um autarca eleito a comparecer numa assembleia popular que, aliás varia de composição e de número diariamente e mesmo hora a hora.
Hoje um representante de uma auto-proclamada organização de luta pela habitação dizia que Montenegro entrada numa via de confronto como se as manifestações e os seus slogans não fossarem como, de resto, naturalmente são de confronto com o Poder instituído. O homenzinho e parvo ou não sabe o que diz?
Até ao momento ainda não vi que na AR desse entrada uma qualquer proposta para a situação da falta de casas. Por junto dei-me conta do cataventismo politico da criatura do chega que com uma mão pincha contra o Governo e com a outra bate palmas à polícia
Finalmente, umas criaturas que votaram Seguro vieram agora em nome desse voto exigir que o Presidente da Republica desate a falar como se de um sósia de Marcello (com dois ll) se tratasse. Não perceberam que esse voto que eventualmente lhes custou a dar foi apenas por medo do Ventura. Seria bom recordar quantos desses campeões do ioió politico se chegaram à frente quando Seguro apresentou solitariamente a sua candidatura e solitariamente ou quase continuou durante meses