15 julho 2026

estes dias que passam 1068

 Este país não é para velhos

Nem para novos...

Tão pouco para imigrantes 

(ou emigrantes...)

mcr, 8 de Julho de 2026

 

Ao invés de um onceituado professr de Direito que entendia dever começar-se pelo princípio, eu atrevo-me, com prévia licença dod leitores, a iniciar o folhetim pelo fim.

Alguns importantes reponsáveis políticos lusitanos foram de longada até ao Luxemburgo e, uma vez lá, entenderam convidar os portugueses aí felizmente instalados a regressar à pátria madrasta!

Que é que passou pela cabecinha pensadora destas importantes criaturas?

Compararam sequer a vida desses portugueses expatriados, os seu salários, o seu poder de compra com o que, eventualmente, um regresso ao”torrãozinho de açúcar” lhes proporcionaria?

Se bem me lembro, terá havido uma senhora que pôs o dedo maldoso na ferida, perguntando  se, em caso de regresso, poderia aspirar à mesma qualidade de vida.

Estou em crer que alguém lhe terá ripostado que o país tem sol, sul e sal. Como qualquer destes produtos  não aumenta o PIB, calculo o embaraço das excelentíssimas autoridades proponentes do regresso

Ou, pensando melhor: não creio que a pergunta os tenha sequer tocado.

Continuando neste ínvio caminho a passo de caranguejo, se é que os caranguejos avancem recuando,  gostaria de saber o que os vocifrantes contra os imigrantes  pensam sobre o que sucederia no caso dessa multidão, humilde e laboriosa, resolvesse, subitamente,  ao ouvir o brutal convite à sua partida e desandasse de uma vez por todas  do jardim à beira mar plantado. Lojas, agricultura, obras, pesca, entregade comida em casa, pessoal dos restaurantes, motoristas de TVDE e mais uma centena de situações mal pagas que o indígena rejeita,  poderiam fechar, fechariam de certeza. O saldo de nascimentos que já não é famoso cairia de repente, muitas escolas reabertas graças aos filhos dos imgrantes, fechariam de novo e os dinheiros da Segurança Social voltavam a fazer perigar as futuras pensões.

Sou portuga e venho de uma família que assentou raízes por cá desde os primórdios da ncioalidade.

Um antepassado de seu nome Sueiro  Martins  terá vindo no séquito de Confde D Henrique como era hábito dos filhos não primogénitos que de seu teriam um cavalo e uuma espada

Um seu longínquo desdendente, também Martins mas João,  deixou s suas terras minhotas e desandou para o Brasil , mais propriamente par o Rio Grande do Sul e amssou uma gigantesca fortuna

Uma sua descendente, a bisavó Ubalda, casou como filho de um  um médico alemão (Ernst Richard Heinzelmann) também chegado às mesma terras e começou aí, no que nos toca, a dinastia brasileira dos Heonzelmann. 

Outro bisavô, José Joaquim CR  também partiu para o Brasil  em busca de fortuna  e, bem sucedido, regressou a Portugal e fundou uma companhia exportadora de vinho do Porto. Figura, com seu filho Alcino, meu avô, no Album dos Exportadotres de Vinho do Porto, publicado pelo Gtémio da mesmaclsse em 1948

Alcino, depois de concluido o liceu, pode fazer uma espécie de Grand Tour pela Europa e durante uma estadia na Alemanha resolveu estudar química vinícola bem como outras matérias ligadas ao vihho. Completou a sua educaçãoo comercial no Brasil e aí casou com Dora Marins Heinzelmann, descendente do meu quarto avô, João Martins e do meu trisavô de origem alemã, o médico Ernst Richard Heinzelmann que deu nome a uma pequena cidade bo Rio Grande do Sul (Doutor Ricardo)

Pelo lado de minha mãe, lá está mais um trisavô, Jose Costa Alemão, descendente de uma família de origem coimbrã mas radicada no Brasil. Daí, seu  pai, partou com os filhos para o Sul de Angola. O filho José, meu trisavô fez trinta por uma linha. É dele o reconhecimento integtal do rio Bero, tarefa por muitos recusada dados os riscos derivados da belicosidade da população negra. Desempenhou, posteriormente, vários cargos  político-aministrativos, crou uma importante fazenda e aparece citado não só numa obra da autoria de  João de Almeida, militar e político   (“Sul de Angola, relatório de um governo de distrito, 1908-1910” Agência Geral das Colónias, 1936) mas em mais quatro outras Todavia, as menções mais extensas e importantes a este “capitão de 2ª linha", explorador e antropólogo avant la letre devem-se a  Alfredo Felmer  ("Apontamentos sobre a colonização  sos planaltos e litoral do sul de Angola", agencia Geral das Colónias) a  Roberto Correia  ("Angola, datas e factos", obra em 5 volues, 1998-2002) e  Ruy Duarte de Carvalho que, em “Vou lá encontrar pastores"”(Cíeculo de Leitores, 2000) e em  “A Camara, a escrita e a coisa dita" (cotovia, 2008) o refere com respeito e admiração.

Mais tarde, meu avô paterno Manuel do Rosário Patrício Curado, veio para Angola onde fez toda a sua vida militar como oficial do Exército colonial, participando em todas as campanhas, com especial menção para a 1ª Guerra. Quando jovem aspirnte casou com uma neta de José Costa Alemão, Aldina.

Uma filha de ambos , minha mãe, virá a casar-se com Marcelo Heinzelmann Correia Ribeiro, meu pai.

Finalmente , meus pais, meu irmão e eu próprio, partimos para Moçambique onde  vivi entre o 3º e o 5º ano do liceu. Os meus continuaram em África, onde o meu pai era médico, até 1973. Durante 3 anos, já na Iniversidade, voltei a Moçambique em férias tendo, de certo modo, sido testemunha não só do inicio da guerra mas, sobretudo, da gigantesca mas absolutamente tardia mudança de vida dos africanos. Inclusivamente, cheguie a conhecer o 1º presidente negro da Câmara de Nampula. Foi aí que me deparei com o que mais tarde percebi ser um activista anti colonial que sem esforço, bem pelo contrario, me torno assinante do jornal “O Brado Africano”, folhinha altamente vigiada pelos poderes da colónia mas, de algum modo, já um sinal anunciador de novos tempos. 

Tudo isto para poder afirmar que esou mais que capacitado para saber por tradição familiar e experiência própria o que é ser eimigrante, mesmo se de luxo.

Não voltei a África embora, tenha de vários modos, e durante o Estado Novo, lutado contra o colonialismo,coisa de que vários processos da PIDE me acusavam. Em tempos mais exaltantes e bem mais perigosos dos que hoje se vivem, ajudei vários desertores e/ou refractários a passar a fronteirta. Nesse lote de contrabandeadas pessoas, inclui-se um africano, negro e angolano, que passou largos anos no Tarrafal devido à sua militância num efémero “partido comunista angolano” . Ao que hoje sei, depois do exílio nas europas, terá regressado a Portugal onde, creio, terá morrido sem regressar à terra natal.

Agora, neste ano da (des)graça de 2026  cruzo-me diariamente ou quase com imigrantes, na maioria brasileiros, amáveis e bem dispostos qur por cá tentam ganhar a vida com baixos salartios e fazendo o que os portugueses já não querem nem saem, fazer.

Por isso, ainda não percebi como é que um partido político (pelo menos um!...) se enraivece cotra trabalhafores essenciais, prestáveis, baratos sobre quem não recai especial prova de má confuta, de actividades criminosas ou de especial militância político-religiosa que faça perigar o curioso cristianismo português ou os costumes nacionais que, cada vez mais, são internacionais e cosmopolitas.

Em boa verdade, as centenas de milhares de emigrantes portuguess, porventura milhões, quando regressam ainda que temporariamente ao país, já trazem tantas e tais indlências cilizacionais que este Portugal de hoje em quase nada se parece com aquele em que cresci.

E isso, para continuar este descosido discurso, verifica-se muito com os velhos. Acabaram as famílias numerosas que garantiam aso mais velhos, uma defesa familiar. Agora são atirados para um lar, muiras vezes, ilegal quando não permanecem meses ou anos num hospital sem que alguém os venha buscar depois da alta. 

Ser velho,, neste país de “brandos”  costumes, é na melhor das hipóteses uma condenação à solidão quando  não à pobreza, ao abandono. Começam a ão ser raros (pelo que quase já não é notícia...) suicídios, descoberta de pessoas mortas há vários dias  semanas ou até meses, em casa sem que ninguém dê conta do seu desaparecimento. Mesmo no litoral, registam-se casos destes, o que não contecerá no interior de onde deseetaram serviços públicos de toda a espécie, bancos, lojas  e comércio em geral. 

Volta e meia, a televisão mostra os centros urbanos de cidades e vilas onde já ninguém vive (nem vale a pena referir as aldeias...), as casas se degradam e o património arquitectónico e artístico que está em ruína avançada.

Esta cada vez mais isolada multidão é o que resta da fortíssima emigração que começou nos anos 60 e que continua imparável.

Com uma diferença. Dantes emigravam os mais desafortinaos, os pobres entre os pobres, os analfabetos e os quase analfabetos. Agora emigram licenciados, profissionais  (com destaque para enfermeiros) , pessoas com estudos. Vão em busca de um futuro que, não parece ser possível em Portugal. Também aqui pode radicar alguma da baixa se natalidade que só a imigração tem escondido ao mesmo tempo que faz ressuscitar muiras escolas primárias abandonadas.

Mas nada disto abranda o ódio irracional contra os que chegam e humildemente nada mais pedem que trabalho, paz e algum elementar respeito pelos seus direitos enquanto humanos. 

O mesmo que pediam os portugueses que demandaram o Brasil, as Áfricas, a Venezula ou as Franças e Araganças. 

O mesmo que os meus antepassados quiseram e obtiveram sob céus estranhos

 

 

 

 

 

 

  

 

08 julho 2026

estes dias que passam 1067

 



O futebol e o resto, sobretudo o resto

mcr, 7 de Julho


  • Sem o futebol, eis-nos subitamente  órfãos. 
  • Restam-nos os fogos, essa quase tradição nacional e as pequenas, pequeninas, muito pequeninas, birras do Verão.
  • Não vou tecer especiais comemtários ao desastre perante a Espanha porque não sou exactamente (nem inexactamente, de resto...) um especialista. Nem sequer um interessado. Porém, e como já aqui referi, tenho um neto e sobrinhos netos que terão ficado tristes. 
  • Ainda há minutos, a CG mostrava um vídeos com o Nuno Maria e um grupo de amigos, vestidos a rigor e a cantar o hino nacional.  
  • A derrota, para que, obviamente, não estavam preparados, não é boa para ninguém e menos ainda para a miudagem que este ano, ainda por cima, andou perdida numa colecção de cromos que hão de ter dado bom dinheiro à FIFA 
  • Exactamente a mesma FIFA que repete as fífias a que já nos habituou.
  • Depois do prémio estranhíssimo da paz ao sr Trump, eis que a pedido (ordem) deste reverteu um castigo a imposto a um jogador da equipa americana
  • Em boa verdade de nada lhe serviu, visto que a Bélgica goleou os EUA por uma expressiva marca 
  • Portanto, o futebol vai de férias por uns tempos, leva com ele o sr Martinez que, ao que leio, não deixa saudades.
  • Entretanto, a América fez 250 anos de Declaração de independência. Como era suposto, Trump apoderou-se da data e veio dizer um par de baboseiras patrioteiras (melhor dizendo, patritaças...)  que desdoura uma herança nobre mesmo que com altos e baixos.
  • A Declaração de Independência e os documentos posteriores que se devem aos pais fundadores é  (são) um texto de grande dignidade, muito bem escrito e, de certo modo o documento fundador de múltiplas e posterires constituições 
  • O regime político que dela resulta é uma construção quase perfeita de equilíbrio de poderes e uma garanti de direitos democráticos que hoje são património da humanidade mesmo quando, no seu próprio país de origem, cresçam as ameaças quanto ao seu cumprimento. 
  • Faço, porém, parte daqueles que ao olharem para a América, vem Licoln, Roosevelt, Obana  e, permitam-me, um presidente severamente injustiçado no meu tempo de jovem aguerrido, Lyndon Johnson o homem que ouviu e entendeu Martin Luther King e possibilitou a integração real da minoria negra.
  • Claro que muito ficou por fazer, mas neste caso, o famoso “balanço “ (e neste ponto recordo ainda espantado, o balanço positivo que boa parte da Esquerda desses anos terríveis atribuía Stalin) da acção de Johnson  ultrapassa muitos dos seus antecessores e sucessores. 
  • Trump, entre outras pérolas, afirmou que os EUA fizeram uma imensidão  coisas boas, entre as quais, provavelmente, e na sua especial optica, estarão as múltiplas intervenções na América Latina, seja no Panmá, em Granada, ou mais recentemente na Venezuela, onde finalmente deixou tudo tão arruinado como antes  levando consigo uma triste figureta de ditador que não será julgado no seu país, sob acusações mais que evidentes mas em Nova Irrque como líder de narcotraficantes. 
  • E, como sempre, as promessas de tornar a Venezuela de nocvo rica, democrática e justa, ficaram no tinteiro, juntamento com a ruína das instalações petrolíferas e, como se não bastasse, o cataclismo do terramoto.
  • Neste momento, olha-se para as exéquias do “Guia Supremo” iraniano e pergunta-se para que serviu a guerra se da possível,  mas não garantida, paz futura, o pouco que há a esperar é o regresso a um statu-quo pré Fevereiro de 2026.
  • Claro que haveria ainda que perguntar porque houve uma tal soma de destruições que pouco terão afectado o regime, os seus torcionários,   e a esperada incerteza que já era norma na região. Sobram, das restantes boas coisas, as duzentas meninas mortas na escola onde aprendiam a ler. a dor o luto das famílias e, provavelmente, sobrará um número indeterminado mas medonho de vítimas indefesas dos Guardas da Revolução que, neste período teráo exterminado largos milhares de suspeitos.
  • A minha américa é gigantesca, desde Withman aPound ou a Rose Gluck,  desde Fenimore Cooper a Pynchon com passagm por cem nomes notáveis desde  Emily Dickinson a Fulkner, Heminguay Miller, Mailer Roth ou Salinger. Nem vale a pena falar da constelação do Jazz, da outra do cinema ou da música popular. Se me fosse permitido bastar-me-ia referir Armstrong, Mahalia Jackson, Bessie Smith ou Aretha Franklin . Ou a Janis Joplin e o Chuck Berry. 
  • Em boa verdade os EUA são quase um continente onde tudo cabe, incluindo o Al Capone ou a KKK. Com uma pequena diferença em relação aos dias de hoje. Eram criminosos, foram, na medida do possível apanhados e julgados e nunca ninguém pensou em garantir-lhes uma perpétua impunidade!!!
  • Claro que sempre se poderá dizer que, os homens passam e que a História cedo ou tarde, os alcança com severidade.  No entanto, nunca se foi tão longe, tão perigosamente longe, para tentar sair incólume da possível justiça necessária. 
  • E o pior é que o Ocidente, se perder  América, fica ainda mais frágil frente a blocos que numca foram seus amigos, a começar pela Rússia e a continuar pela China  que, além de ameaçarem os seus nacionais, estão prontos e determinados a tratar o restante mundo como inimigo. 

  • Nota: esta é a versão final do texto que abaixo aparece com o mesmo título e substancia mas crivado de gralhas absurdas de que sou inteiramente responsável. Espero não repetir  tão desastrosa publicação e como única desculpa só me resta a estafada afirmação de que ainda estou a tentar gerir este novo velho local de publicação


07 julho 2026

estes dias 1067

  O futebol e o resto, sobretudo o resto

mcr, 7 de Julho

Sem o futebol, eis-nos subitamente  órfãos. 

Restam-nos os fogos, essa quase tradição nacional e as pequenas, pequeninas, muito pequeninas, bieeas do Verão.

Não vou tecer especiais comemtários ao desastre perante a Espanha porque não sou exactamente (nem inexactamente, de resto...) um especialista. Nem sequer um interessado. Porém, e como já aqui referi, tenho um neto e sobrinhos netos que terão ficado tristes. 

Ainda há minutos, a CG mostrava um vídeos com o NunoMaria e um grupo de amigos, vestidos a rigor e a cantar o hino nacional.  

A derrota, para que obviamente, não estavam preparados, não é boa para ninguém e menos ainda para a miudagem que este anom ainda por cima, andou perdida numa colecção de cromos que hão de ter dado bom dinheiro à FIFA 

Exactamente a mesma FIFA que repete as fífias a que já nos habituou.

Depois do prémio estranhíssimo da paz ao sr Trump, eis que a pedido (ordem) deste reverteu um castigo a imposto a um jogador da equipa americana

Em boa verdade de nada lhe serviu, visto que a Bélgica goleou os EUA por uma expressiva marca 

Portanto, o futebol vai de férias por uns tempos, leva com ele o sr Martinez que, ao que leio, não deixa saudades.

Entretanto, a América fez 250 anos de Declaração de independência. Como era suposto, Trump apoderou-se da data e veio dizer um par de baboseiras patrioteiras (melhor dizendo, patritaças...)  que desdoura uma herança nobre mesmo quecom altos e baixos.

A Declaração de Independência e os documentos posteriores que se devem aos pais fundadores é  (sao) um texto de grande dignidade, muito bem escrito e, de certo modo o documento fundador de múltiplas e posterires constituições 

O regime político que dela resukta é uma construção quase perfeita de equilíbrio de poderes e uma garantis de direitos democráticos que hoje são património da humanidade mesmo quando, no seu próprio país de origem, cresçam as ameaças quanto ao seu cumprimento. 

Faço, porém, parte daqueles que ao olharem para a América, vem Licoln, Roosevelt, Obana  e, permitamme, umpresidente severamente injustiçado no meu tempo de jovem aguerrido, Lyndon Johnson o homem que ouviu e entendeu Martin Luther King e possibilitou a integraçãoo real da minoria negra.

Claro que muito ficou por fazer, mas neste caso, o famoso “balenço “ (e neste ponto recordo ainda espantado, o balanço positivo que boa parte da Esquerda desses anos terríveis atribuía Stalin) da acção de Johnson  ultrapassa muitos dos seus antecessores e sucessores. 

Trump, entre outras pérolas, afirmou que os EUA fizeram uma imensidão  coisas boas, entre as quais, provavelmente, e na sua especial optica, estarão as múltiplas intervenções na América Latina, seja no Panmá, em Granada, ou mais recentemente na Venezuela, onde finalmente deixou tudo tão arruinado como antes  levando consigo uma triste figureta de ditador que não será no seu país, sob acusações mais que evidentes mas em Nova Irrque como líder de narcotraficantes. 

E, como sempre, as promessas de tornar a Venezuela de nocvo rica, democrática e justa, ficaram no tinteiro, juntamento com a ruína das instalações petrolíferas e, como se não bastasse, o cataclismo do terramoto.

Neste momento, olha-se para as exéquias do “Guia Supremo” iraniano e pergunta-se para que serviu a guerra se, da possível  mas não garantida paz futura, o pouco que há a esperar é o regresso a um statu-quo pré Fevereiro de 2026.

Claro que haveria ainda que perguntar porquehouve uma tal soma de destruições que pouco terõ afectado o regime, os seus torcionários,   e a esperada incerteza que já era norma na região. Sobram, das restantes boas coisas, as duzentas meninas mortas na escola onde aprendiam a ler . aobra o luto das famílias e, provavelmente, sobrará um número indeterminado mas medonho de vítimas indefesas dos Guardas da Revolução que, neste período teráo exterminado largos milhares de suspeitos.

A minha américa é gigantesca, desde Withman aPound ou a Rose Gluck,  desde Fenimore Cooper a Pynchon com passagm por cem nomes not´veis desde  Emily Dickinson a Fulkner, Heminguay Miller, Mailer Roth ou Salinger. Nem vale a pena falar da constelaçõ do Jazz, da outra do cinema ou da música popular. Se mefosse permitido bastar-me-ia referir Armstronf, Mahalia Jacson, Bessie Smith ou Aretha Franklin . Ou a Janis Joplin e o Chuck Berry. 

Em boa verdade os EUA são quase um continente onde tudo cabe, incluindo o al Capone ou a KKK. Com uma pequena diferença em relação aos dias de hoje. Eram criminosos, foram na medida do possível apanhadoe e julgados e nunca ninguém pensou em garantir-lges uma perpétua impunidade!!!

Claro que sempre se poderá dizer que os homens passam e que aHistória cedo ou tarde os alcança com severidade.  No entanto, nunca se foi tão longe, tão perigosamente longe, para tentarsair incólume da possível justiça necessária. 

E o pior é que o Ocidente, de perder  Smérica, fica ainda mais frágil frente a blocos que numca foram seus amigos, a co,wçar pela Rússia e a continuar pela China  que, além de ameaçarem os seus nacionais, estão prontos e determinados a tratar o restante mundo como inimigo.

 

01 julho 2026

estes dias que passam 1066

 A segunda metade do ano

mcr, 1 Jul 26

Agora é sem rede. O sapo acabou ou está nas vascas da agonia. Isto é mis um prova da possibilidade da extinção das espécies.

A menos que ao pobre sapo tenha faltado o beijo salvador de alguma princesa  ainda que eu desconfie que o universo dos antigos contos infantis  tenha , também ele, desaparecido. Provavelmente caiu num buraco negro...

Estou (provisória ou definitivamente)  aquartelado no incursões antigo onde, de resto  comecei e de onde só saí por mera solidariedade com os bloggers que então restavam.

Se soubesse o que seus hoje teria continuado em ambas as versões e não estaria agora a tentar redescobrir  como é que isto  funciona. 

E se refiro funcionar é porque estou a usar um novo computador Mac como sempre mas de mesa e enorme. Se  não erro foi o maior de sempre, qualquer coisa como 28 polegadas e pot razões que não só desconheço mas provavelmente , como inflo-excluído pertinaz, nunca entenderia. Agora a apple fabrica um um pouco mais pequeno. De todo o modo este convém-me pois com os pobres olhos que ainda tenho  quanto maior for o ecrã maiores são as possibilidades de usar a máquina.

So que...

Só que já não tenho a mesma agilidade física e mental (sobretudo esta... Ou:também esta...) para conseguir rapidamente apanhar os segredos (mesmo que mínimos) do uso normal.

Sou, porém, teimoso e detesto a ideia de perder para uma máquina, Sobretudo porque ainda não anda por aqui mão de influencia artificial. Também, em boa verdade, e para voltar aos anos posteriores ao 25 A também não é perceptível "mão de reaçã" (o sacana do computador resolveu corrigir o raça para reacção, prova de que os aparelhos ainda demorarão muito tempo a perceberas virtudes da língua coloquial.

Ninguém de juízo negar que os reaccionários não desapareceram como os dinossauros e outra avantesmas do mesmo gabarito, Adaptaram-se, apenas, numa espécie de evolução à moda do senhor Lavoisier que Deus tenha. O excelente químico teve azar. Aristocrata , de pouco lhe valeu a notoriedade científica. A Revolução (quem como se sabe m come os seus melhores filhos) atirou-o para a guilhotina sob acusações sem nexo entre as quais a de vender tabaco adulterado.  

Entretanto  a suai mortal formula Na natureza nada se perde nada se cria, tudo se transforma tem hoje em dia múltiplas aplicações e os reaccionários de há pouco aparecem agora travestidos de populistas, de amigos do povo. Leitores e leitoras recordar-se-ão que o mais famoso "amigo do povo" se chamou, em seu tempo Marat. Estrela dos jacobinos, não acabou na guilhotina como Robespierre mas na banheira onde uma jovem, Charlotte Corday, o esfaqueou até à morte. não se pense que a menina Corday fosse uma anti-revolucionária. Era tão só uma girondina , um dos ramos da Revolução que, por mais moderado  (ou menos radical)  não demorou a ser acusado de tudo e mais alguma coisa.

A s revoluções tem este singular percurso que até hoje termina sempre da mesma maneira. Basta lembrar a URSS para o comprovar. Ou a patética "revolução boliviana" que viu o seu ainda mais patético líder ser tirado da cama por militares americanos e levado para um calabouço de Nova Iorque

Nós por cá e só nos últimos 150 anos já assistimos a algumas revoluções que foram sendo abatidas mais por dentro de que por fora. A começar pelo desastre da de 1910  que em dezasseis anos gastou todo o seu capital político sem deixar, obviamente, de liquidar alguns dos seu principais dirigentes como aconteceu a Machado dos Santos E Carlos Da Maia, dois dos principais dirigentes  da Revolução de 1910. A também revolução de 36 que acabou por dar origem ao Estado Novo viu os seus principais obreiros e iniciadores afastados do poder (mas não mortos, vá lá) e mais tarde assistiu à reviravolta de acrisolados e importantes membros do statu quo situacionista. Basta citar Quintão  Meireles, Humberto Delgado  Henrique Galvão ou Craveiro Lopes. 

O regime cairia sem glória nem combate a  25 de Abril como sabido. 

Poder-se-ia continuar  explorando a ascensão e queda de alguma s sumidades de Abril mas não vale a pena. Menos ainda comentar como depois do 25 A o virar de casacas se tornou um exercício público que deu largos dividendos

E fiquemo-nos por aqui que, como de costume já derivei demasiadamente do escopo inicial da crónica

Felizmente os leitores, pelo menos os mais antigos e generosos, já sabem do que a casa gasta


30 junho 2026

estes diasquevpassam 1065

 


O escândalo dos números

mar, 30 -6-26

Somos mais, mais pobres e mais inseguros.

Passar de dez milhões e meio para onze e meio é obra! 

Estou a usar números redondos mas a verdade é que andámos demasiado tempo a julgar que eramos apenas dez milhões mais coisa menos coisa.

Agora a novidade dos onze milhões e meio (esperando que este seja o número verdadeiro e   que não apareçam mais uns quantos residentes começa a fazer ver que alguns dos problemas relativos à falta de médicos nas zonas mais expostas ao aumento populacional se devem apenas ou quase e só ao crescimento exponencial de população.

Não vale a pena divagar sobre o desastre da previsão das entidades oficiais  nem, ainda menos, nas causas de tão aberrante desconhecimento do país. 

Neste momento, as hostes do Chega devem estar a preparar-se para pôr o dedo infecto na imigração. Nunca perceberão (ou fingirão que não percebem) o facto simples de a maior parte dos imigrados estar a fazer o que ninguém quer fazer.

Como somos um país vagamente respeitador dos direitos humanos não podemos por os adeptos de Ventura a apanhar frutos vermelhos na canícula alentejana ou a servir  à mesa nos tascos algarvios. Menos ainda a serem trabalhadores de pá   e pica na construção civil.

Já agora aproveito o tema da imigração para perguntar que é que na cabecinha dos nossos mais altos responsáveis para no Luxemburgo “aperarem” ao regresso do 

emigrantes portugueses lá (felizmente) instilados.  Será que pensam que alguém que trabalha se pode dar o luxo de receber muito menos  apenas por amor à pátria dos egrégios avós?

 

 

29 junho 2026

estes dias que passam, 1068


 A bola perde-nos 

mcr. 29-6-26


Acautelando: sou avesso ao futebol. Nunca tive jeito para a bola e nas milhentas partidas de pai em que participei, punham-me à defesa (na época dizia-se "back") porque fintar não era comigo. Carreguei esse desgosto dez verões seguidos, depois, a família fez um interregno em Lourenço Marques  e descobri que a minha inépcia atingia o andebol er o voleibol que  a "nocidade portuguesa" propunha aos rapazes que estudavam. 

quando três anos depois à mesma praia e ao mesmo maravilhoso grupo  (stessa plagia, stesso mare. canção desses anos  que ainda hoje é sucesso na Itália)  podia dar-me ao luxo de não jogar futebol. Éramos adolescentes  e isso explica tudo mesmo se ser adolescente naquela época, fins de 50, dava asas à imaginação mas não à acção

Comecei a achar graça ao rugby mas não tinha corpo para a coisa. E assim terminou a minha inexistente carreira desportiva. Ou melhor, a partir do internato num colégio passei a ser jogador de pinguepingue e aí graças a ser canhoto e ter de ganhar para não ceder o lugar a outro, fiz um percurso glorioso que durou até à faculdade. 

Posso garantir que desde 1960/1 até hoje, apenas fui a dois jogos , ambos da Académica e apenas porque as crises fervilhavam em 1952 e 1969. A minha presença no estádio era apenas para me manifestar  contra a polícia, o Ministério da Educação e o governo em geral. 

Todavia, não faço parte dos que amaldiçoam, desprezam ou rosnam sobre o futebol. Percebo perfeitamente que aquilo é um motivo de alegria, de entusiasmo, de comunhão colectiva. 

dito isto, vamos à alegada "melhor selecção de sempre e às suas poucas aventuras. E começo por isso mesmo. Desde que me lembro, a selecção ºe  sempre a melhor de sempre. Aqui para nós só uma vez vibrei com ela e terá sido quando Portugal jogou num campeonato do mundo contra a Ccoreia do Norte e aviou os coreanos por 5 a 3. Se bem recordo, eles terão começado por marcar mas subitamente o Eusébio resolveu ensinar a dança foi um ver se te avias. 

Um jofgão, um jogaço, um brilharete de alto lá com ele.  

Depois, e pouco a pouco, para minha surpresa (mas em questões de futebol a minha ignorância permite-me espantos contínuos) as equipas portuguesas começaram afirmar-se, os jogadores aa ser contratados pelos melhores clubes do mundo, os treinadores a brilhar nos quatro cantos da Terra e oa títulos a cair-nos em cima. 

Não vale a pena historiar esse percurso que qualquer leitor/a sabe muito melhor do que eu. Apenas quero dizer que se partiu para este mundial  com a equipa embrulhada num fogueteiro tremendo. 

Eu ainda ouvi um comentador explicar que as equipas europeias partiam em desvantagem dado que as congéneres sul americanas estavam mais frescas porque os respectivos campeonatos iam ainda a meio. Provavelmente o mesmo acontecerá com as equipas africanas, mas não faç finca pé nessa hipótese. 

O primeiro sinal foi o empate com o Congo, o tal resultado que sabia a derrota.  Ronaldo passou de bestial a besta e foi crucificado pela falta de golos. Eu, por minha parte, teria atirado a primeira pedra pelo comportamento da criatura no fim do jogo, saindo do campo sem saudar os  seus muitos admiradores, sem cumprimentar como todos os outros jogadores fizeram,aclaque. foi uma birra de menino parvo o que num homem de 40 anos mais parece uma estupidez e um sinal feio de mau perder. 

claro que no jogo seguinte averbou dois golos contra uma equipa que vem de um campeonato de casados contra  solteiros e de novo voltaram os elogios

O jogo contra a Colômbia foi o que se viu e um jornal titulou que os sul-americanos trouxeram o café (que aliás, é bem bom) e os portugas o sono! 

Pior não era possível. todavia lá conseguimos passar para a fase seguinte com o treinador a debitar insanidade sobre a qualidade da prestação nacional. 

Não vou alargar-me sobre as qualidades do sr Martinez, sobre a sua pertinácia em obrigar Ronaldo a jogar os 90 minutos, sobre as suas escolhas. O homem já ganhou um europeu, que diabos! 

Agora, Portugal vai para Toronto, num país carregado de portugueses emigrados. Já ouvi dizer que a Croácia tem um saldo negativo contra Portugal mas nestas coisas a surpresa é a grande rainha.

É provavelmente o momento das pessoas se acalmarem , de se lembrarem que um mundial é só um mundial e que  o mundo em que vivemos está neste momento diante de problemas de tal modo importantes que passar ou não passar à fase seguinte perde importância frente ao Verão que aí vem. e não estranhar o  calor, ou do preço dos combustíveis. O fogo espreita, e, por exemplo, mo Sudão  morre-se de tudo até de tiros.  Mas o Sudão é aonde?




28 junho 2026

estes dis que passam 1064








Marilyn, Marylin

Mcr, 28-6-26

 

Faria 100 anos e mesmo assim continua um mito absoluto, um ícone como agora (e imprudentemente...) se diz. 

Eu arrisquei-me a nascer dentro de uma sala de cinema mas o meu pai que era um jovem médico prudente entendeu que devia levar a minha mãe para Coimbra e para a maternidade que, na época estava situada mnum belo edifício frente ao jardim botânico. 

Falhei, pois, o nascimento na   terra que considero minha e numa sala onde posteriormente vi centenas de fitas pendurado com o meu irmão e mais outros meninos num camarote lateral à esquerda do primior balcão. 

Nunca esquecerei  “E tudo o vento levou”, um par de filmes do Tarzan  personificado pelo Johnny weissmuller, um atlético americano naador, campeão olímpico, ou o Danny Kaye danando à chuva. Todavia o principal filme, aquele que mais recordo, porque terá assustado ou profundamente impressionado o menino que eu era, foi  “Não há paz entre as oliveiras” (nom c’e pace tra gli olivi) uma película de Giuseppe de Santis, com Raf Valone e Luci Bose—

Porém, foi muito mais tarde já no fim do liceu ou .mesmo em Coimbra que encontrei a Marylin

E digo-o assm com sta desenvoltura porque travei épicas discussões defendendo-a dos que a acusavam de ser uma espécie de produto cinematográfico de exportaçãoo americano. Era já a rapaziada dos cahiers du cinema (que eles não liam, era o que faltava) do “Positif”  a bíblia  do cimema progressista, dos defensores a outrance do neo-realismo cinematográfico, sem perceberem qual o papel dersta escola e qual a sua real importância. De resto, muita dessa maralha ignorante torciam o nariz aos melhores (De Sica a Visconti) e nunca por nunca souberam quem eram Cesare zavatini ou  Ennio Flaiano dois argumentistas formidáveis, dois escritores d corpo inteiro. 

Para eles havia apenas o politicamente correcto  e la se iam, pela borda fora, John Ford e o western, quase todo  ocinema musical e muto dos policiais franceses, das comédias italianas ou do subversivo cinema húngaro . 

Hoje, sabe-se que essa loira tímida e inteligente, lia Faulkner e Joyce, escrevia poemas e conseguia criar personagens fabulosas. 

 

De pouco lhe serviram a inteligência, o talento, a simpatia e a bondade. Morreu, vítima de um cocktail fatal de barbitúricos, traída por muitos e não entendida por outros tantos ou mais. 

Nem Kennedy, nem Miller perceberam quem tinham à suafrente. Ou recusaram-se a ver para além do corpo esplendoroso que a atirou para a fama e para a incompreensão quase generalizada.

Fui um cinéfilo quase militante desde o ano de caloiro. De facto, um das primeiras mobilizações de que fiu alvo consistiu na obrigaçãoo de ir varrer a dala do Centro de Estudos Cinematográficos, uma secção da Associação Académica naaltura chefiada pelo Alfredo Tropa que havis, mais tarde, se converter rm realizador de cinema. 

Já não sei como mas a partir desse dia torneu sócio do CEC e não perdi nem uma sessão quese organizava. Do CEC para o cineclube foi um passo rápido e recordo com saudade os magníficos textos de apresentaçãoo de filmes escritos por Orlando de Carvalho que ainda náõ era o temível catedrático em que se tornou.

Agora, a doença mligna (macula)  que desvasta os meus pobres olhos impede-me de respirar o ar das salas onde o mistério do cinema ocorre.Há todo um universo de actrizes e actores, de realizadores e músicos de salas majestosas de cinema ou da recordaçãoo do cinema ar livre, sobretudo dosquartel de bombeiros de Coimbra onde os filmes apareciam infamemente ratados depois de inúmeras sessões em que perdiam  fotogramasobre fograma. Ainda recordo uma fita onde sem se saber vomo apareceia um cortejo impoente com uma bela rapariga num palanque. Alguem perguntava”quem é? E aresposta vinha rápida”É a filha do Grã Mogul , Depois o filme continuava sem a rapariga sm o tal gão Migul . O público delirava, reclamava e quae sempre havia um habitué que berrava;”Ó mareco, corta a fita, nós não queremos amor, queremos é mocaria!” )mocaria significava, avisaram-me, porrada a valer e em boa verdade, volta e meia estalava uma zaragata que envolvia os espectadores  até algum bombeiro começar a dar mangueiradas que deixavam tudo calmo e ensopado. E o filme láseguia aos trancos e solavancos noite fora, um “Verão violento” `moda portuguesa e coimbrã (desculpem a pequena homenagem a Zurlini e a belíssima E leanora Rossi Drago

Sessenta anos, depois , eis que à notícia do centenário da Monroe me ci em cima um marmoto de filmes, de paixões que tornam dolorosa esta “estate” que só é violenta porque a velhice que mecerca é irremediável e cruel.

Na imagem a gata Kiki de Montparnasse com Marylin ao fundo

 

 

 

estes dias que passam 1063

As desgraças nunca são apenas fruto do acaso

mãe, 27.6.26


A venezuela , melhor dizendo o povo venezuelano vive horas medonhas. E pior, vai viver, dias, meses, ou mesmo anos, sob o peso deste desastre. 

Os dois sismos, sucessivos e fortíssimos , vieram juntar o seu sinistro palmares a uma situação que já era má, para não dizer péssima, desde há muitos anos. 

A desastrada "revolução bolivariana"conseguiu tornar um país rico, embebido em petróleo, numa miserável caricatura bananeira ponde a inflação galopante, , a repressão política,  a degradação das estruturas industriais ae aliaram à corrupção generalizada.

Tudo se conjugou para desesperar os cidadãos que votaram contra um regime que, como é hábito, desconheceu o facto e seguiu em frente  como se nada tivesse acontecido. 

A isto junta-se a dramática humilhação de assistir ao rapto do presidente, capturado com inacreditável facilidade por militares norte-americanos a mando de um alucinado sequaz da antiga doutrina Monroe.

Neste momento tal doutrina já não prevê um continente livre de colónias europeias mas tão só uma america central e do sul   transformada num quintal dos EUA que toleram todos os governos autoritários desde que obedeçam ao império e intervém com violência e violando as mais elementares regras   de convivência. 

Não vale a pena relembrar a guerra hispano-americana e a "libertação" de Cuba pois já em pleno século XX o Panamá  ou Granada para não referir outros territórios foram alvo da intervenção USA 

Paralelamente, osEUA conviveram amavelmente com um conjunto de ditadores  que foram torcionários dos seus próprios concidadãos  quando não os defenderam e ajudaram a maltratar as pessoas, a domar as instituições e a desviar a riqueza. 

Brevemente, a menos que Trump se lembre de outra proeza, Cuba poderá ser alvo de uma intervenção muscular. É só conseguir sair da catástrofe iraniana, fruto da mais tonta e maléfica  incursão no Médio Oriente. Na melhor das hipóteses, caso a paz sobrevenha, o Irão ficará na mesma, mesmo se mais enfraquecido e com mais uns milhares de mortos  como se não bastasse o morticínio  levado a cabo pelas hordas dos guardas da revolução.  Desta feita não se aprisionarão, e menos ainda, se julgarão os ayatolas e o novo Guia supremo. 

Entretanto, o bloqueio a Cuba foi reforçado e, como de costume, é a gente mais pobre q    ue sofre mais A proibição de  fornecimento de petróleo  destrói todas as possibilidades de manter a ilha sem apagões com os hospitais a funcionar, as poucas indústrias a tentar sobreviver, para não falar nos cidadãos que sem luz nem possibilidades tem de cozinhar, de se aquecer, ter agua em casa. 

A Gronelândia pode esperar, o Canadá pode continuar independente porque depois de outras façanhas militares ou pacifistas, Trump tem também pela frente eleições. E ainda há milhões de imigrantes para expulsar. Eis  um país criado por emigrantes a negar a sua própria história.

E, voltando à Venezuela, eis que temos um patético Maduro aferros em Nova Iorque, à espera de um julgamento que a acontecer dentro das circunstancias propiciadas pela actual administração será eventualmente uma farsa. 

é bom lembrar que, mesmo existindo traficantes importantes na Venezuela, o transporte da droga para fora, por via marítima, é incomparavelmente menor do que o trafico via México onde cartéis poderosos nação só fazem frente ao governo do país mas, sobretudo, estão intrinsecamente ligados às máfias norte-americanas seus principais e quase únicos clientes. Nação consta que uns e outros se sintam demasiadamente tementes das hostes de Trump ou por ele dirigidas. 

O terramoto veio, uma vez mais,  por a nu a má governação venezuelana, o descaso e o desprezo pelo ambiente, o abandono e falta de manutenção das estruturas industriais vitais (caso do petróleo)\e mais grave ainda a falta de regras de construção de habitação

Sob os escombros jazem milhares de vítimas  e poucas dúvidas há de que, quando for (se for... ) conhecido o su numero final e total. Até nisto, a falta de Maduro a responder num tribunal venezuelano mostra quão deplorável é a situação. A culpa de boa parte das mortes vai morrer solteira porque os responsáveis não serão julgados. Lá e já. 


 


estes dias que passam 1062

As desgraças nunca são apenas acasos


A Venezuela, melhor dizendo  o povo venezuelano, tatá a viver horas medonhas.v E o pior ´w que serão dias, meses, provavelmente anos.

Dois siemos de violência inaudita porque muito superficiais, vieram juntar o seu sinistro recorde a uma situação que era má, ou péssima,  desde há muitos anos. 

A desastrada "revolução bolivariana" conseguiu  tornar um pais rico, embebido em petróleo numa miserável caricatura bananeira  onde a inflação galopante, a repressão política, a  degradação das estruturas produtivas se conjugaram para desesperar os venezuelanos e para engordar uma elite saída de um golpe de Estado travestido em "revolução".
A isto juntou-se a dramática humilhação de assistir ao rapto do Presidente da República cometido com inacreditável facilidade por militares americanos a mando de um alucinado  sequaz da antiga doutrina Monroe  que, neste momento se pode definir assim. Toda a restante América  não governa pelos EUA é um quintal, um galinheiro desta potência. 
Não vale a pena tentar distinguir a antiga política que tse opunha  ao  aparecimento de colónias europeias no continente americano e aquilo que  actualmente se passa.
 Os EUA actuaram sempre como os "protectores (no sentido mafioso do termo) das republicas e republiques americanas  todas  (à excepção do Brasil) situadas no cento e n o Sul. Só o Canada escapou mesmo se, como se viu há poucos meses , a criatura que ocupa a Casa Branca tenha   tido a ousadia de o considerar como um potencial Estado dos EUA. 
A América  imperial interveio em Cuba, a pretexto de a salvar da Espanha e no século passado atacou e submeteu temporariamente vários países  e entendeu prender e julgar os seus presidente  normalmente candidatos a ditadores,. O Panamá foi criado à custad a Colombia, e foi alvo de posteriores intervenções, o mesmo sucedendo com outros Estados vizinhos.
Por outro lado, o poder norte americano conviveu  sem dificuldades com outros facinorosos ditadores e para já,  há o anúncio de uma possível intervenção em Cuba. Não seria a primeira e, mesmo que o regime cubano seja o que é, creio que compete ao seu povo, resolver o seu atribulado presente e construir um futuro melhor para a ilha. Para já os EUA estão a bloquear Cuba, a impedir que o petróleo lá chegue. Ora o petróleo no caso cubano é como o sangue no nosso corpo. Sem ele nada funciona e tudo se vai deteriorando . 
Trump está com pressa de sair  da catástrofe iraniana para tentar atropelar Cuba. No caso da Venezuela, gaba-se de agora ter ali um aliado, uma boa amizade enquanto mantém o patético Maduro numa prisão nova-iorquina sob a acusação de marco traficante. 
Aliás, em vez de combater as suas máfias que elas sim são poderosas organizações culpadas de toda a espécie de crimes incluindo a distribuição da droga, Trump entendeu mandar aprisionar Maduro que provavelmente nada terá a ver com o tráfico.  Era e ainda será um patife, mas pode duvidar-se da acusação provavelmente forjada de principal responsável  pela droga que entra nos EUA. 
  não escamoteando o contrabando marítimo, é mais que sabido que são os poderosíssimos cartéis mexicanos os principais fornecedores  dos gangs americanos.  
Até nisso, a Venezuela sairá defraudada se, e quando se puder libertar do "madurismo", do bolivarianismo  e do poder ainda lá intocado. 
Este terramoto veio, mais uma vez, pôr a nu a má governança venezuelana, o descaso, e o desprezo, pelo ambiente, , a corrupção, o abandono a que foram votadas  milhares de infra-estruturas e e património construído. 
 Não basta referir as estruturas petrolíferas em ruína, a falta de maquinaria pesada, o não cumprimento das mais elementares regras de segurança construtiva. 
Sob os escombros jazem milhares de vítimas (os desaparecidos, ou alguns deles) é é duvidoso que sejam resgatados a tempo.  E por tudo isso é que Maduro e a multidão dos seus amigos, aliados e cúmplices deviam ser julgados. Lá- E já. 

25 junho 2026

estes dias que passam, 1062

 continuar, (é difícil começar algo mas fácil acabar com tudo)

mar ,24 de Junho de 2026

Ao longo dos ano, e já são muitos, quiçá demasiados,  participei em diversas iniciativas culturais de que, por várias razões, apenas destaco duas: a Editora Centelha  e a livraria Erva Daninha. 

A editora nasceu em Coimbra, um pouco como produto da Crise Académica de 1969 e teve como primeiro grande impulsionador o João Bilhau.
Naquela altura, como alguém ainda recordará, davam-se os primeiros passos na publicação de clássicos marxistas, campo onde a Centelha, ainda com o nome "nosso Tempo" rapidamente se distinguiu. 
Na verdade, para além dos Marx, Engels, Lenin , cedo se começaram a editor heterodoxos vários para forte irritação dos que seguiam a cartilha soviética.
Além dessa pequena mas importante via editorial, cedo se iniciou a publicação de poesia que, calculo terá atingido mais de uma vintena de títulos.
Mais tarde a Centelha criou uma colecção dedicada à música pop e ao rock que também se tornou importante  e que igualmente terá ultrapassado a mesma vintena de títulos
Houve, entretanto a ideia de publicar "O Capital" mas a tentativa ficou-se pelo primeiro volume  na edição (e  tradução?)  de Vital Moreira. Mais tarde ainda se publicaram  alguns volumes de poesia alemã graças à generosidade de Paulo Quintela..
A joão Bilhau sucedeu como principal responsável, Alfredo Soveral Martins  que também morreria cedo demais. 
A editora tinha uma multidão de sócios, muitos dos quais vinham da fileira de tradutores  que recebiam acções como pagamento do seu trabalho.
Eu mesmo, organizei uma antologias sobre os "Black Panther" (com a  inestimável colaboração de Maria João Delgado que, aliás começou aí a sua  sólida carreira de tradutora). 
(como nota curiosa, o livrinho por mim organizado foi proibido ainda antes de estar impresso porquanto a  PIDE/DGS  descobriu numa tipografia exemplares já prontos da capa. Tanto lhe bastou para perseguir um livro que ainda estava por imprimir)
Entretanto, instalei-me no Porto e a minha colaboração começou a traduzir-se na aquisição de acções. A Centelha tinha uma crónica falta de capital, fora lesada por distribuidoras várias que nunca pagaram  e  perdeu igualmente muito dinheiro relativo a remessas importantes de livros para angola.
Finalmente, o entusiasmo inicial de muitos dos fundadores foi desaparecendo, a concorrência cresceu desmesuradamente e a morte do Alfredo marcou o inicio do fim. 
Desde há vários anos tenho sido abordado por um eventual comprador do espólio (que nem sei onde para...)  mas o principal problema reside  na dispersão dos accionistas.para não falar na morte de muitos e no desconhecimento de eventuais herdeiros.

Já no Porto e anos ainda viçosos do post 25 A, um amigo meu, regressado de frança lançou a ideia de criar uma livraria Quand, sabedor da minha compulsão livreira,  me abordou aceitei participar prevenindo-o entretanto que considerava o meu investimento como completa e integralmente perdido. 
A "Erva Daninha" lá nasceu e cedo comecei a verificar o resultado da minha sombria previsão.  O produto livreiro em venda na livraria  era óptimo mas reservado a uma minoria de leitores. Recordo que, entre outros autores, vendia-se o João Bernardo, um heterodoxo entre os heterodoxos, revistas francesas e italianas que quase não tinham leitores e toda uma série de edições que  pecavam  pela falta de popularidade  entre leitores comuns. Tenho a vaga sensação de que  terei sido um dos principais compradores ,mas um leitor impenitente e demasiado curioso não chega. A Erva teve algumas iniciativas pioneiras entre elas uma série de passeios organizados pela cidade com a colaboração de arquitectos que orientavam  o quarteirão de internados nos meandros da arquitectura e urbanismo do Porto.  Ainda. e à semelhança da Centelha,  se tentou editar alguma poesia mas, se berm me lembro a tentativa focou-se por M"memórias do Contencioso" de Fernando Assis Pacheco que fora um grande impulsionador da colecção de poesia da Centelha.  Na época a grande referência livreira  era a "Leitura (que começara como Divulgação ainda nos anos 50) logo seguida da Lello  e da "Latina". (é bom lembrar os seus grandes livreiros, Fernando Fernandes, Domingos Lima e a dinastia Perdigão, avô, filho e neto  )A 1ª acabou definitivamente este ano, a Latina subisiste com outros moldes e a Lello é apenas um invólucr artístico  que talvez ainda venda livros a turistas apressados que apenas pretendem encher os telemóveis de fotografias sem especial sentido .
Tenho um sinistro palmarés de livrarias desaparecidas em Coimbra ou em Paris, na figueira ou em Roma, em Madrid ou em Lisboa. O mesmo, se passa aliás com as livrarias alfarrabistas cá ou lá fora.
Por outras e últimas palavras: o deserto cresce, ai de quem acoita desertos  (Nietzsche, outro admirável poeta que devo a Paulo Quintela)
É por tudo isto que teimo em continuar o blog incursões  em incursoes.blogspot.com  onde comecei e desejo  reincidir
Agora é convosco, leitores

 

23 junho 2026


  1. "à Barca, à barca
  2. oh que gentil maré"
  3. mar, na vespera do S João
  4. (oh que saudades...)

  5.  Como anunciei , estou a tentar continuar o blog incursões com este ou outro nome que, a acontecer, se chamará  "Homem aso mar".
  6. Nunca frequentei as redes sociais  porquanto  entendo que um blog permite mais e melhor o confacro com os leitores e, sobretudo, a possibilidade de poder entrar em diálogo com aqueles que o queiram encetar.
  7. Como pelo menos os habituais saberão, isto é, na melhor das hipóteses, uma vaga espécie de diário.
  8. A pergunta que eventualmente me farão é porque não um autêntico diário?
  9. A resposta é fácil : sou preguiçoso e trapalhão. Um diário implica uma escrita quotidiana  que a minha propensão para-a indisciplina dificilmente permitiria. Em segundo lugar  por muito curioso que eu continue a ser, por muito interessado que ainda seja, não é todos os dias que deparo com algo que olha a pena comentar, meter-lhe o dente, ou a faca.
  10. a ,minha  queda para a trapalhice radica em duas fatalidades: pouco (ou nenhum) jeito e uma propensão para a asneira. Sempre fui alguém pouco pouco prático e demasiado dado a digressões longas quando trato de qualquer tema.
  11. Durante toda a minhavida profissional, esforcei-me demasiadamente mas com algum sucesso para  fazer berm (ou razoavelmente) e rapidamente  o quer tinha de ser feito.
  12. Logo que me apanhei livre de encargos profissionais votei-me à áurea mediocrizas e à observância da regra  da abadia de Theleme  d0o meu adorado Rabelais: "fais ce u'il te plait"
  13. Pensando melhor, é bem provável que essa regra  tenha regido toda a minha vida. 
  14. Portanto, e para encurtar: se as coisas correrem como, apesar de tudo. espero, continuarei  a intervir como até agora, e ao longo de 2000 posts fiz sem entraves de qualquer espécie, pensar o mundo em     que vivo  ou sobrevivo praticando as necessárias incursões no éter internetico
  15. Mesmo agnóstico de longa, longuíssima data, remato com o britânico "so help me God"que na Buarcos da minha infância poderia ser o nome de uma bateira valente q  ue se faz ao mar (que é um cão) Assim Deus me ajude!


22 junho 2026

Estes dias que passam 1060

 De regresso à casa antiga?

19 março 2009

A PARTIR DE HOJE ESTAMOS NO SAPO

No ano em que completa cinco anos de existência, o Incursões decidiu mudar de casa: deixámos o blogspot e aderimos ao Sapo, graças à amabilidade da Maria João Nogueira e ao engenho do Pedro Neves, que nos presenteia com um belo figurino. Obrigada aos dois, pela disponibilidade e pela simpatia com que aceitaram as nossas sugestões, nem sempre coincidentes, porque num blogue colectivo a unanimidade é quase impossível.

Ao longo destes quase cinco anos, muitas coisas mudaram no Incursões. Começou por ser um blogue quase essencialmente virado para o Direito e é, agora, um blogue generalista. Para tal mudança contribuiu decisivamente o facto de também se ter alterado o seu leque de autores.

Sentimos falta dos que já não estão e sentimos falta dos que, por um ou outro motivo, têm colaborado menos. Acreditamos, contudo, que esta mudança poderá ser o pretexto para que todos (alguns, pelo menos) voltem a empenhar-se nesta já longa aventura que acabou por se transformar este blogue numa reunião de amigos.

A partir de agora, visitem-nos, pois, no endereço
http://incursoes.blogs.sapo.pt/

E deixem as vossas opiniões. E sugestões. Gostam?

A Equipa do Incursões

18 março 2009

Diário Político 104


Vou-me embora para Pasárgada….

Não vou. Também não sou o Manuel Bandeira embora, enquanto leitor dele desde os longínquos anos sessenta (primeiros anos sessenta…) me sinta um pouco parte dele. Os amadores de poesia transformam-se, com a leitura, no poeta, chegam a acreditar que que foram eles que escreveram aqueles versos magníficos que não se cansaram de ler.
Não vou para Pasárgada mas mais simplesmente para o SAPO, com a restante “companha” desta nau incursionista. Dizem-me que nem vou dar pela diferença, logo eu que só viajo para encontrar a diferença…
A coisa está por dias, quiçá por horas. E é isso que dá urgência a este último diário no google. Não queria ir sem me despedir desta paisagem etérea que provavelmente nem difere da próxima onde aportaremos em breve. Mas que querem? A gente apega-se aos sítios, ás casas, a um clima, ás mínimas coisas…
Estava mesmo com vontade de acabar aqui este bilhete não fora dar-se o caso de um outro viajante bem mais importante e muito mais responsável andar pelas áfricas a pregar a boa (e a má) palavra. Eu não tenho nada a ver com o Vaticano, não sou crente, muito menos católico, mas as palavras do Papa Bento XVI são no mínimo perigosas. E injustas.
Sei que a Igreja é contra a libertinagem ou o que ela define como tal. Sei que condena o uso do preservativo (como antes se fartou de condenar coisas que agora tolera ou até aprova). Mas sei também, e o Papa deveria sabê-lo que a SIDA se ceva em África na carne, na vida de milhões de africanos. De demasiados africanos. Que por serem pobres e terem outros estilos de vida e outras concepções da sexualidade estão ainda mais expostos que os ocidentais europeus e americanos. Acresce que em muitas, extensíssimas, zonas de África não há informação suficiente, sequer informação deficiente. E é aí que a SIDA penetra com mais intensidade. E nos bidonvilles gigantescos das grandes metrópoles africanas, nesses depósitos de gente miserável e ignorante.
Aqui a estratégia tem de ser diametralmente oposta ao apelo da Igreja. (Duma Igreja que não está nem nunca esteve isenta de cumplicidade com os dramas históricos que abalaram as sociedades africanas, convém esclarecer). Aqui impera a urgência! Aqui não pode haver apelos pomposos nem imposição de diktats religiosos que não têm possibilidade de obter êxito. Nem sequer de ser compreendidos. Condenar o uso de preservativos é, ou pode ser, pura e simplesmente, propor o seu não uso nas relações sexuais. Porque de uma coisa o Papa pode ter a certeza: os “damnés de la terre” (para usar uma expressão de Franz Fanon) não vão deixar de usar o sexo. É mesmo a única (ou uma das pouquíssimas) coisa que lhes resta. O apelo á castidade, a que ninguém na Europa ou nas Américas, liga, sequer ouve, é algo de tão anti-natural, de tão anti-humano que forçosamente numa sociedade bem mais genesíaca do que a europeia judaico-cristã, causa escândalo. E em África, a palavra de um dirigente branco por muito religioso que ele seja, é a palavra de um “branco”. Com tudo o peso negativo que isso implica.
Já disse que o Vaticano é uma das minhas preocupações menores. Todavia faz parte do sistema em que vivo, em que me reconheço e, quer eu queira quer não, influencia tudo à minha volta. Ora, se isso é assim, e é exactamente assim, causa-me perturbação e mal-estar a declaração imprudente sobre o uso de preservativos. Mais uma vez, uma declaração do Papa, põe em causa não só o que ele representa e dirige mas o que a Europa é e o que ela representa. E é aí que bate o ponto. Hoje os telejornais das televisões europeias abriram todos com esta notícia. E com as reacções das pessoas. Depois da confusão com a guerra das civilizações, do convite á reintegração dos integristas mesmo quando eles eram ou negacionistas ou tontos de atar (como o ex-futuro bispo auxiliar de Linz que achava o desastre de Nova Orleães um castigo de deus por via dos pecados dos habitantes da cidade) esta declaração que o Ministro dos Negócios Estrangeiros da França considerou “inoportuna” e “sanitariamente imprudente” não augura nada de bom ou de exaltante.
Mesmo sabendo perfeitamente que a César o que é de César e a Deus o que é de Deus tenho por seguro que nunca os planos estiveram separados nem sequer o podem estar. É aborrecido mas é mesmo assim.
Comecei por referir uma viagem meramente virtual que iremos fazer e afinal acabo com outra feita por outrem. Não é virtual e as suas consequências são, decerto, muito mais duradouras e importantes.
Esperemos que, doravante, ambas corram bem.



Politicometro

Teste à posição política pode ser feito aqui.

O meu resultado foi centro-esquerda liberal!

Crise exige bom senso e flexibilidade

A propósito da notícia publicada sobre uma conceituada consultora, espanta-me as reacções dos advogados, da Administração do Trabalho e de muitos especialistas em matéria de direito laboral e de emprego.

A mim, parece-me que a manutenção do emprego e das qualificações profissionais, mediante a redução do tempo de trabalho e do salário, é uma medida inteligente e necessária. A empresa mantém os seus quadros, num período de previsível diminuição da actividade, e a sua capacidade de gerar negócio e prestar serviço de qualidade, permitindo aos seus colaboradores mais tenpo livre para a formação e a vida pessoal.

Neste país, assobiamos todos para o ar e fazemos de conta que não há crise. Para certos "fazedores" de opinião, era bem melhor o despedimento das pessoas (num contexto em que não há emprego qualificado) para poderem acusar politicos e patrões de todas as desgraças.

Falta em Portugal bom senso e flexibilidade. Invocar o Direito, por tudo e por nada, conduz-nos à inviabilidade de empresas que garantem emprego de qualidade para os nossos jovens talentos.

17 março 2009

Justiça! Justiça!

Alberto Castro explica o porquê da reforma da Justiça ser “a mãe de todas as reformas”. Muita outra gente tem reflectido sobre a lentidão da Justiça; os custos directos e indirectos que a ineficiência do sistema judicial acarreta para o país e para os particulares; a diferenciação no acesso à justiça, que leva a qualificar uma justiça para os ricos e poderosos e outra para os pobres.


Alberto Castro vai na linha do bastonário da Ordem dos Advogados, num tom mais cordato, talvez, mas nem por isso menos acutilante. A grande questão e que constitui o factor mais preocupante é que apesar de especialistas de áreas tão diversas criticarem e desesperarem por uma Justiça mais célere e sã, não se sente nem pressente que os poderes políticos ou quem domina o aparelho judicial mostre vontade de mudar. Pelo contrário, o que transmitem é a permanente justificação da ineficácia e os jogos de bastidores como o que corre há mais de um ano para a nomeação do Provedor de Justiça. Não é extraordinário?

Entretanto, como escreve Alberto Castro, “A Justiça não funciona! Vai daí, regressa-se à barbárie, ao ajuste de contas directo, ao recrutamento de cobradores mais ou menos violentos. Métodos que se tornam tanto mais populares quanto mais casos, em especial os que envolvem ricos e poderosos, se eternizam e acabam em nada. Qualifica-se a expressão anterior: o não funcionamento da Justiça aproveita a alguns. Passa um cheque sem cobertura? Se for pobre, vai parar à cadeia! Faz uma falência fraudulenta? Desde que possa pagar a bons advogados (a culpa não é deles!), é provável que nada lhe aconteça! (lembra-se de alguém condenado por essa razão?).

… a situação caótica a que chegou a Justiça portuguesa está a dar lastro a um processo subterrâneo, feito de mal-estar, que mina os próprios alicerces da democracia. Não adianta ao poder político culpabilizar o poder judicial. Ou vice-versa. Ambos são parte do problema. Ambos terão de ser parte da solução.
Enquanto duvidarmos da Justiça, duvidaremos uns dos outros. Não haverá desenvolvimento enquanto não tivermos um sistema judicial expedito, acessível a todos e justo com todos
.”

Diário Político 103


“Presente!”

Facetta nera
Bell’abissina
Aspeta e spera
Che già l’ora s’avvicina


Corre com insistência entre alguns pequenos génios provinciais uma ideia peregrina: os deputados são do partido e tudo devem ao partido. Sobretudo obediência, muita e cega obediência. Porque é o partido que os escolhe, é o partido que os propõe sempre numa ranchada, é o partido que eventualmente os elege com os votos de “muito povo” que, provavelmente, também pertencerá ao partido. Os deputados sentam o sim senhor no parlamento para dizerem “sim senhor” a toda e qualquer bojarda que passe pela cabecinha louca que manda no partido. Não o fazerem é colaborar objectivamente com a oposição, seja nas grandes como nas pequenas questões. Como nos saudosos tempos do senhor Enver Hodja, ou de qualquer dos seus santos iluminadores chame-se ele Lenin, Stalin ou Brejnev. Também aí o partido, confundido com o Estado, com a polícia politica, com a nomenklatura e outras aberrações que deram no que deram, era tudo e os seus deputados nada.
Pratiquemos um pouco nesta elucubração : se os deputados estão ali para levantar e sentar o dito cujo ao estalido de dedos ou do knut da direcção parlamentar, se só falam a favor da proposta do partido que os pariu, para que é que são necessários tantos? Não bastaria, digamos, uma dúzia, dúzia e meia, vá lá um quarteirão de criaturas divididas consoante a percentagem de votos? E poupava-se um dinheirão (que até poderia ser dividido pelos deputados remanescentes… em vez de depois se ter que lhes arranjar prebendas compensatórias como acontece amiúde) e até se poupava em espaço. Que um deputado é muito espaço perdido: ele é gabinetes, sala grande para todos, passos perdidos, parking enfim um horror! Um horror!
Aliás, só não se percebe uma coisa: se os deputados são do partido e não da populaça votante, por que é que os dividem por distritos? Assim como assim já é uma maçada identificar os deputados, já não digo de Lisboa ou do Porto, mas tão só os de Braga, Coimbra ou Aveiro. A gente vai e lê a lista desses presuntivos ínclitos filhos da Nação: conhece o primeiro, talvez o segundo, com dificuldade o terceiro e depois é o deserto dos tártaros. Uma multidão de criaturas desconhecidas, absolutamente fungíveis e, a la rigueur, desnecessárias.
Fazia-se uma lista nacional com fins meramente informativos e a gente votava nas setas, na estrelinha, na foice, na rosa e nos restantes depauperados signos. Ou, em vez disso, aparecia à votação o candidato a primeiro ministro e, depois de eleito, arranjava não só os ministros e secretários de Estado mas também os deputados necessários indicados a dedo (como aliás agora ocorre) sem a tonta despesa da mediação de uma eleição que só promete aos eleitores uma coisa: os deputados nunca se responsabilizarão perante eles.
E, convenhamos, está bem. Os eleitores não percebem patavina dos negócios de Estado, das subtilezas das finança públicas ou da complicação que é o Serviço Nacional de Saúde. O eleitor quer é o papo cheio, o subsídio de desemprego, a escola a funcionar vinte e quatro horas sobre vinte quatro horas que é preciso arrumar os filhos em qualquer parte, o hospital à porta de casa e menos impostos.
Se o eleitor se junta a outros e protesta, é porque está feito com um sindicato que está infiltrado pelos bolchevistas, pelos anarco-sindicalistas, pelos corporativistas ou por outros istas desde que não sejam os meros arrivistas que esses não protestam, não querem votos em deputados independentes, sobretudo em deputados dependentes da vontade dita popular.
Aqui estamos, aqui chegámos. Como noutras épocas, e à sombra de eleições cada vez mais restritas, se chegou aos gauleiters, aos kapos, aos gulags e a outras coisas de menor importância. Que se saiba a maioria do povo punha a pata no ar de mão estendida ou punho cerrado e aí vai disto: longa vida ao pai dos povos, heil, heil chefe bem amado, Salazar estás nos nossos corações. E para quem protestar bastam uns safanões dados a tempo…

D’oliveira fecit

Ano 120º do nascimento do nosso “António”, do igualmente nosso Adolph, 130º ano do nascimento do Yossip Djugatchivilli , pai dos povos que está vivo nos nossos corações, e 116º ano do nascimento de Benito, o abençoado, o “canibal dos padres”, o “verdadeiro herético”.

* este texto deveria ser iniciado com uma citação dos deveres do bom filiado da Mocidade Portuguesa que se não encontrou. Em troca – e para melhor – aqui fica o estribilho de “Facetta nera” hino italiano dos anos de Benito