Subitamente o escândalo
mcr, 19 de Julho 2026
As notas dos exames nacionais lá saíram.
aos tropeções e ao sábado, dia em que eventualmente as escolas deveriam estar fechadas.
Que estas notas já deveriam estar afixadas há um par de dias não suscita dúvidas a ninguém; que o atraso se deve a uma marcação imprudente de datas limite também não
Porém, as críticas foram, há que dizê-lo-lo, bem mais longe.
claro que, e antes de qualquer reflexão mais avisada e prudente, forM O Ministro e o Primeiro Ministro imediatamente postos na berlinda. E, com a habitual rapidez, aconselhados a demitir-se.
Conviria, entretanto, recordar que, ninguém, neste momento, quer eleições. Ninguém!
Portanto, o mais que, com boa vontade, se tira do aludido pedido, é que a actual coligação governava trate de encontrar um outro par de criaturas para os cargos em causa.
Pessoalmente, prefiro que estes não sejam substituídos já que pelo menos começam, espero-o, a conhecer os cantos à casa.
Sobretudo, o Ministro da Educação. É que nesse labirinto medonho onde está metido, existem dezenas de abomináveis monstros que tem engordado e crescido à sombra da inércia geral.
Estas criaturas vivem do imobilismo, da defesa acirrada dos seus pequenos privilégios e do seu exercício de décadas menos provas evidentes do que querem e, sobretudo, do que não querem.
O mesmo se vai passando no resto das instituições dependentes deste elefântico ministério que é mais um amontoado de baronias fechadas sobre si mesmas do que uma instituição que queira uma verdadeira educação das crianças, adolescentes e jovens adultos. Também nação consta que liguem muito aos professores sejam eles de que ramo forem e menos ainda aos pais dos alunos e às suas magras e ineficazes associações.
De cada vez que se anuncia uma reforma, a música bem (das)afinada é a mesma
A aclamada digitalização que na Europa já tem barbas ou, pelo menos, bigode esta(va) destinada ao mesmo rosário de imprecações.
Anteontem, numa mesa redonda televisiva, um professor relativamente novo mas fortemente fundibulário guinchava que a França tinha demorado 15 anos a avançar com a digitalização. O pobre homem esquecia-se que, se tal é verdade, essa transformação ocorreu há bastante tempo, numa época em que os meios técnicos eram outros.
Não quero, porém, deixar de notar que provavelmente, cá se avançou à bruta, estilo pega de caras se é que a imagem tauromáquica tem aqui curso.
O problema que me preocupa é o de saber quem, quando e como nos perigosos corredores do ME foi propondo esta inovação.
Um ministro vive dos pareceres técnicos do seu ministério, por junto pode escolher aquilo que todos os dias lhe é trazido. Será que alguém sensato acredita que o Ministro actual entrou de rompante pelos gabinetes uivando por uma digitalização?
Houve muita gente que se riu do caso das provas agrafadas sem sequer pensar que isso prova alguma (sou generoso) impreparação.
Outra questão que me preocupa é a de saber se a empresa encarregada da digitalização tinha os meios e a capacidade para a tarefa gigantesca em questão.
como não ouvi nenhuma menção a uma escolha de favor começo a desconfiar que foram buscar a mais barata. Se assim foi, relembro o ditado que diz que o barato sai caro...
Prosseguindo: sonhar os professores classificadores correm as mais dispares notícias. Desde professores de matemática e corrigirem provas de português enquanto os desta matéria se dedicavam a correcção de geografia. E assim sucessivamente...
ainda neste domínio hás notícias de professores chamados a quem não foram atribuídas provas!
Isto tudo pode ser verdadeiro ou falso mas atribuir ao ministro Alexandre a culpa parece-me surpreendente.
Como também é surpreendente saber ou ouvir dizer que muitas segundas folhas de provas ficaram nas escolas dias e dias só chegando à zona de digitalização nas vésperas da fixação dos resultados.
Pelos vistos, e mais uma vez, a culpa recai no ministro, como se fosse possível não haver ninguém entre o estudante examinado e ele!
Nada tenho contra ou a favor do Ministro mas toda esta gritaria e toda esta parafernália de acusações soa a postiço a politiqueiro, a venturismo,
Que as coisas não correram bem é um facto irrecusável. conviria, serenamente, ir desmontando a história e verificando onde houve falhas que, à primeira vista não são poucas. Partir daqui para bramir contra a digitalização parece, todavia, um abuso.
O Verão é (cada vez menos) época de touradas mas nem tudo o que ocorre tem ver a com tauromaquia. anda neste falatório mão, aliás voz, de reaça.
Bem sei que a silly season não é a altura ideal para pensar. Espero vivamente que todas as datas dependentes destes exames, a começar pelo acesso à universidade sofram um atraso de uma semana para que ninguém fique prejudicado ou, pelo menos, para que o prejuízo seja minorado.
Não creio que isso seja uma tarefa impossível sequer especialmente difícil. No entanto com a gesticulação frenética que grassa por aí temo vem que as coisas voltem a correr mal.
Mais tarde haverá tempo para discutir a bondade da digitalização e a existência ou não de opositores a tal reforma.
E teremos igualmente tempo para aclarar a verdade de tudo o que foi dito, coisa que, a ser levada a cabo, será uma novidade!

