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08 março 2009

Dia da mulher


Não gosto especialmente do dia da mulher. Assim como não gosto quando dizem, com ar condoído, “especialmente idosos, crianças, deficientes e mulheres”. Nunca, mas nunca mesmo, me senti discriminada. Sei que isso também se conquista, mas não basta. Sei também que essa não é a realidade que vive a grande maioria das mulheres, muito pelo contrário. E por isso, quase só por isso, acabo sempre por concordar que é importante que haja um dia que lembre o é forçoso lembrar.


Além disso, fiquei recentemente a saber que nos países de Leste é feriado no dia 8 de Março. Neste dia, as mulheres não fazem nada. Nada mesmo. Os homens cuidam dos filhos, da casa, de tudo. No final fazem uma festa em conjunto, homens e mulheres. Por sinal, no dia 9 também não trabalham porque a festa é mesmo farra e dura até às tantas. Parece-me bem. No caso dos trabalhos domésticos um dia de estágio pode ser salutar e uma ponte para algo mais. Quanto aos festejos em conjunto são muito melhores que a moda que se instaurou entre algumas mulheres ocidentais que festejam esse dia com um jantar só de mulheres, o que me pareceu sempre uma sensaboria.

10 fevereiro 2009

Diferentes Visões da Segurança Pública

O Governo acaba de anunciar que este ano vai abrir dois concursos para contratar mais 2.000 polícias, para a PSP e GNR, com o objectivo de reforçar o combate ao crime violento. O objectivo é, ainda, reforçar o controlo das fronteiras e reequipar as forças policiais com 7.000 armas de 9mm e mil coletes à prova de bala.

Esta medida, que agora se diz que vai ser executada, decorre de outros anúncios anteriores e creio que do próprio programa do Governo em fim de exercício. Os cidadãos, em geral, vão achar bem porque acreditam que com mais policiais se melhora a segurança de cada um.

Contudo, face ao clima de crise generalizada e ao desemprego que dia a dia se anuncia bem pode o governo programar já a abertura de novos concursos para a admissão de mais polícias, porque não é preciso ser sociólogo para saber que o que vem aí é mais criminalidade e que esta acompanhará (não sei em que grau) o crescimento do desemprego.

Talvez o reforço dos polícias devesse ser acompanhado pela exigência dos empresários, em particular dos grandes empresários, assumirem, finalmente, o que, em gloriosas conferências e brochuras de promoção dos ditos, se tem apelidado de “responsabilidade social das empresas”. Acredito que, nesta fase, por esta via se possa fazer mais pela segurança pública, do que pela via do reforço policial.

21 janeiro 2009

Dependências

Parece que na China se criaram centros de recuperação para dependentes da Internet. Apesar das mensalidades serem altas, perto de mil euros, a procura tem aumentado substancialmente. Dá que pensar. Que percursos, que vidas levam as pessoas até esta necessidade de apoio para largar ou gerir melhor e perder esta dependência? Dá que pensar.

19 janeiro 2009

EM BUSCA DOS PORQUÊS

Por muito estranho que pareça, segundo um estudo europeu, os portugueses são os cidadãos da União mais preocupados com o terrorismo. Na mesma linha, também são os portugueses os mais preocupados com o controlo das fronteiras. Há dias a comunicação social relatava que os portugueses são o povo de União Europeia com maior sentimento de insegurança e os que mais temem sair à noite.

O que a realidade mostra é que Portugal não é, propriamente, um alvo prioritário para os terroristas. O controlo das fronteiras não é, de facto, um problema em Portugal. Por fim, Portugal é, reconhecidamente, dos países mais seguros da União Europeia.

Então, quais os porquês da discrepância entre a realidade do país e aquilo que os portugueses verdadeiramente sentem?

Um outro estudo concluía que o português é o cidadão da União que mais televisão vê, 4 horas média/dia. O mesmo estudo mostrava que é em Portugal que os noticiários ou telejornais são mais longos.

20 outubro 2008

A D. ROSA

A D. Rosa tem existência real. Mãe preocupada com a educação dos filhos. Viúva. Nunca teve emprego certo por conta de outrem. Recebe uma pensão de sobrevivência (não sei se é assim que se chama) que lhe é atribuída e calculada (creio) com base no vencimento do falecido marido.

Recebe abono de família e um complemento da pensão ou RSI. Tudo somado não ultrapassará os 300 €. A D. Rosa faz parte das estatísticas que mostram o forte peso da pobreza no Norte e que o Expresso e outros jornais bem retrataram.

A D. Rosa cultiva umas terras, das quais retira batatas, cenouras, legumes, tomates, maçãs, figos, laranjas e outros produtos que a mãe-terra concede a quem a trabalha. A D. Rosa, também, cria galinhas (e até vende uns ovos e uns frangos) e tem sempre um porco na pocilga, que lhe vai dando os torresmos, chouriços, costeletas e outras carnes. Tudo sem grande custo financeiro, excepto o seu trabalho. A D. Rosa vive numa razoável casa cedida por um familiar e está a construir casa própria num terreno que lhe foi cedido por um familiar.

A D. Rosa não faz vida de pessoa rica, mas vive com conforto e com dignidade que o trabalho propicia. Mas, a D. Rosa faz parte das estatísticas da pobreza.

Sem generalizar, o exemplo da D. Rosa mostra que fora dos centros urbanos, para quem quiser trabalhar o campo, a pobreza que as estatísticas quantificam é qualitativamente diferente da pobreza urbana. É, digamos, menos pobreza, logo mais valor e dignidade humana.

A D. Rosa nada saberá de estatísticas. Estas também nada sabem da vida que a D. Rosa leva.

10 outubro 2008

Dia 17 de Outubro Levanta-te e Actua!

Em Setembro de 2000, chefes de Estado e de Governo de 189 países, incluindo Portugal, reuniram-se nas Nações Unidas. Ali assinaram a Declaração do Milénio, comprometendo-se a lutar contra a pobreza e fome, a desigualdade de género, a degradação ambiental e o vírus do VIH/SIDA. Assumiram ainda o compromisso de melhorar o acesso à educação, a cuidados de saúde e a água potável.Para avaliar o cumprimento daquele compromisso, estabeleceram 8 Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), a alcançar até 2015:

1. Erradicar a pobreza extrema e a fome
2. Alcançar o ensino primário universal
3. Promover a igualdade de género e empoderar as mulheres
4. Reduzir a mortalidade infantil
5. Melhorar a saúde materna
6. Combater o VIH/SIDA, a Malária e outras doenças graves
7. Garantir a sunstentabilidade ambiental
8. Fortalecer a parceria global para o desenvolvimento


Para apelar ao cumprimento desses objectivos foi criado um movimento a nível Mundial que pode ser visto em http://www.levanta-te.org/

Em 2006 foram 25 milhões de pessoas que se envolveram. Em 2007 foram 45 milhões, dos quais 65000 portugueses. Parece uma coisa simples: levantar pela pobreza. Muda alguma coisa? Talvez pouco ao mesmo quase nada, mas combate, pelo menos, a apatia, o que já não é pouco num mundo em que a pobreza parece ser apenas mais uma notícia.

29 setembro 2008

ASSIM NÃO!

No Sábado passado decorreu a jornada de protesto contra os preços dos combustíveis desencadeada pela DECO. Esta iniciativa contou com a adesão de outras Associações.

Quem não aderiu muito foram os automobilistas. Também não era de contar com uma adesão muito significativa. O povão protesta, protesta, mas na hora de poder materializar o seu protesto, lá se esquece das razões e... resvala. É a vida!

Esta fraca adesão levou a que um representante (?) das empresas petrolíferas concluísse, via televisão, que os portugueses estão satisfeitos com a evolução dos preços e que confiam na autoridade reguladora e nas empresas que estabelecem os preços.

Admito que esta conclusão seja um tanto ou quanto forçada. A verdade é que ninguém, incluindo a DECO, apareceu a refutar tão aligeirada conclusão.

Uma vez que o preço do petróleo teve hoje a maior queda, em quatro anos, fico na expectativa para ver com vão reagir a entidade reguladora e as empresas petrolíferas.

24 setembro 2008

Sábado: GasoliNÃO

É sabido que sempre que o crude aumentava a empresas faziam repercutir, de imediato, o efeito no respectivo preço de venda aos consumidores. Em dada altura um senhor até veio explicar que isso resultava da aplicação de uma fórmula matemática.

É sabido que durante semanas o preço do crude desceu, fortemente, nos mercados internacionais sem que a tal fórmula actuasse. Os consumidores continuavam a pagar os combustíveis ao mesmo preço, o que só poderia significar ganhos acrescidos para as petrolíferas.

Em consequência da reacção de diversas entidades, incluindo a DECO, a empresas estão, finalmente, a baixar os preços. Contudo, ainda estão longe de os ajustar em função da descida do crude nas últimas semanas.

É por isso que a reivindicação faz sentido. E mesmo que isso apenas seja uma acção simbólica, ainda assim faz sentido que expressemos o desagrado face às petrolíferas e face a uma entidade reguladora que apenas actua ou diz que vai actuar quando sente que o barulho desceu à rua.

19 setembro 2008

Lisboa à Noite

Segundo o Público, o Governo e a Câmara de Lisboa vão dar transporte de borla ao pessoal da noite lisboeta. Tudo se passa aos fins de semana, entre as 22 horas e as 5 da manhã.

O pessoal da noite passa a usufruir de autocarros gratuitos, de 20 em 20 minutos. Para que a mobilidade seja maior, o metro e a CP vão alterar os horários matinais, tornando-os mais madrugadores, a fim do pessoal da noite poder ir dormir mais cedo. É ler emhttp://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1343287

O programa que o governo e a edilidade lisboeta acordaram também envolve a PSP, que será reforçada nas noites dos fins de semana para maior tranquilidade dos noctívagos.

O que a notícia não revela é quanto custa este programa de fomento das noitadas.

Também não revela se se trata de um programa exclusivo da capital ou se estamos perante uma experiência piloto, a ser aplicada em outras cidades do país, a começar pelo Porto, Coimbra, Braga e nos Allgarves.

Confesso que me pareceria mais racional se o Governo facultasse transportes grátis para quem se levanta de manhã e vai trabalhar.

De qualquer modo, é este o objectivo do post, não posso deixar de exprimir o meu desconforto e inquietação em saber que os impostos são aplicados desta forma.

A crise que veio para durar

Falências e nacionalizações à grande e à americana. Injecções de capitais pelos bancos centrais para segurar empresas e mercados. Queda abrupta das principais bolsas mundiais. Subida incessante das taxas de juro. Bolha imobiliária de consequências imprevisíveis. Exportações a diminuírem. Importações em quebra nos principais mercados. Empresas a fechar. Desemprego a aumentar. Preço do petróleo e cotação do euro a cair. Preço dos combustíveis a ir caindo. Dinheiro a faltar nos bolsos das pessoas. Crédito malparado a subir. Bancos a dificultarem (agora) o crédito a empresas e particulares. Quebra do poder de compra. Comércio e indústria com diminuição das vendas. A globalização no seu pior. Onde vamos parar?

Creio que estamos a viver novos tempos, para os quais ainda se não conhece nem a receita nem os remédios adequados. Tempos que afectarão sobremaneira países como Portugal, que vive uma situação fragilizada por estar demasiado exposto às contingências que afectam os nossos grandes mercados de exportação.

18 setembro 2008

A Sopa dos Pobres

Hoje, pelas 20,30 horas, a sopa dos pobres serve-se no Pátio das Nações. Ontem, como se sabe, foi servida no salão real do Palácio de Queluz. Para amanhã, caso não chova, os convivas serão servidos na Estufa Fria e, caso chova, no Salão Árabe. Para hoje prevê-se que irão ser servidos Peixes Fumados com Salada Verde, Creme Santo Humberto, Folhado de Pargo com Molho de Açafrão, Lombo de Vaca com Molho de Trufas, Toucinho do Céu com Pêras em Vinho Tinto, Café e Trufas. Também se sentará à mesa o verde branco Loureiro, o maduro Planalto, o maduro tinto Sogrape Garrafeira e o Porto Burmester Tordiz de 40 anos.

Expropriador de Bancos

El Solitário, em pleno tribunal, declarou-se como “expropriador de bancos”.

Face ao histórico recente é de crer que quando o Classificador das Actividades Económicas for actualizado passe a contemplar esta nova profissão: “Expropriador de bancos”? Entretanto, é natural que esta actividade vá fazendo o seu caminho. Com outros métodos, outros proveitos e sem o incómodo de alguém responder perante a justiça, mas sempre “com muita honra”, tal como diz sentir El Solitário.

07 setembro 2008

As Boas Intenções de Bento XVI

Segundo a comunicação social, o Papa Bento XVI denunciou, hoje, a praga do desemprego e da precariedade laboral entre os jovens, que põe em causa os projectos de vida dos jovens, disse.

Da leitura das noticias não se percebe qual a causa ou causas que o Papa considera como responsáveis pelo desemprego dos jovens nem o que entende que governos e empresas deveriam fazer para acabar ou reduzir a precariedade laboral. Neste domínio o pensamento do Papa deveria ser mais explícito para que a mensagem passasse e se replicasse

01 agosto 2008

POESIA POPULAR (politicamente inconveniente)

O Rotary Clube de Felgueiras terá organizado um concurso de quadras populares, no âmbito do programa das festas em honra de S. Pedro, padroeiro municipal.

Nomearam um Júri. Aprovaram o regulamento e os correspondentes prémios. Anunciaram a iniciativa, com data marcada para a entrega dos prémios. Receberam as quadras concorrentes.

Tudo terá corrido conforme o programado. O Júri recebeu uma centena de quadras, que leu, apreciou e classificou. Depois, avisou os concorrentes da classificação obtida e da data da cerimónia pública para entrega de prémios.

Só que no dia marcada (ou na antevéspera) foi anunciado que o Concurso fora anulado. Já não haveria entrega de prémios nem cerimónia.

Razões? Parece que alguém não terá gostado da quadra classificada em primeiro lugar pelo incauto Júri.

Nesta história, que o JN de hoje divulga, (não consigo fazer o link) o que me surpreende é como uma instituição tão prestigiada e respeitada como o é o Rotary Club se deixe envolver assim. A não ser que tenham pretendido dar projecção e notoriedade pública a tão imaginativa quadra:
S. Pedro, santo mundano,
Louvado de norte a sul,
Reina um só dia por ano
Na terra do “saco azul”.

(Autor: Carlos José Pereira)

20 maio 2008

Portugueses mal amados

Há muitos portugueses mal amados. E como chegou esta cabeça pensante a essa brilhante conclusão? Pois, foi através da análise da forma como conduzem nas estradas esses ditos portugueses. Da forma e do respectivo meio de transporte. A quantidade de bombas que se vê por aí é impressionante. Quando se aproxima um BMW ou um Audi, todos nós, pobres ocupantes de carros “menores”, temos que deixar a passadeira livre para que possam deslizar à velocidade que lhes dá na real gana e que nada tem a ver com leis, limitações, ou essas coisas destinadas a gente menor. E a agressividade? E o encostar bem à traseira do carro da frente como quem diz “ então, não desamparas a loja?”.

Mal amados, é o que é. E vigam-se desta forma. A culpa é certamente das respectivas mãezinhas…

Há coisas boas…

Vi há pouco na RTP um programa interessante chamado, salvo erro, 30 minutos. Foram apresentados três casos.

O primeiro tinha por protagonista uma jovem de 25 anos que, devido a uma doença rara, vive num corpo de uma criança de 8 anos com limitações físicas muitíssimo complicadas que a obriga, por exemplo, a depender de uma cadeira de rodas e da ajuda de terceiros para se deslocar. Pois esta jovem, para além de tirar um curso superior, trabalha e, como se não bastasse, escreveu um livro, Como isto é façanha que persigo há anos, desfiz-me num enlevo de admiração por tal testemunho de coragem, trabalho e talento. Um exemplo para todos nós, que, basicamente, tendemos a gastar metade das nossas energias a apresentar as razões que explicam a nossa inércia.

O outro caso tinha a ver com uma outra jovem portuguesa que foi trabalhar para o McDonalds para pagar as lições de canto, já que o seu sonho era seguir uma carreira nessa área. Desistiu das aulas porque o dinheiro não era suficiente. Todavia, foi seleccionada para ser a representante portuguesa num concurso internacional para eleger a melhor voz entre os colaboradores dessa empresa. Na fase seguinte foi uma das três seleccionadas entre centenas de jovens. Foi à final e ganhou. Um conhecido produtor discográfico americano, que assistia ao espectáculo, convidou-a a ir a Los Angeles para gravar um disco. É caso para dizer: eu não acredito no destino mas que ele existe, existe.

O terceiro exemplo foi o do Rui Costa, ex-jogador do Benfica e agora Director Desportivo do mesmo clube. Tinha já visto há dias a ternura, o orgulho e a comoção do Rui Costa e dos seus dois filhos na despedida como jogador. Foi bonito de ver e ouvir.
Como portista que sou o que me ocorre face a este último caso é o seguinte comentário: o Porto Ganhou o Campeonato, o Sporting ganhou a Taça e o Benfica ganhou um Director Desportivo. Vidas…

MAIS RIQUEZA E CADA VEZ MAIS POBRES

Tendo como pano de fundo factores como a elevada taxa de pobreza infantil (23%, quando na população adulta é de 21%),” a conclusão a tirar é que o tema das próximas campanhas eleitorais vai ser ”O Social” - "Resolver os problemas sociais".
Depois de terem criado as condições para os números que o JN revela vai ser giro ver como é que os mesmos políticos nos vão anunciar a boa nova.

Entretanto, os candidatos à liderança do PSD recusam-se a dialogar uns com os outros. É uma família desavinda, a confirmar o que há uns anos dizia um conceituado político, de um outro leque partidário, que o principal adversário de um político não está num outro partido, mas sim dentro do próprio partido e concluía: “sabe, os aparelhos partidários são estruturas pérfidas, trituradoras”.

Verdade, verdade, é que são estes aparelhos pérfidos que conquistam o poder e que governam os povos. Talvez aí estejam algumas das razões para os grandes níveis de pobreza que se observam em todos os países, mesmo naqueles em que o volume de riqueza gerada cresce ano após ano.
Enfim, o que se pode esperar quando a política se exerce, de modo concertado e geral, com o nível que esta interessante e actual crónica, publicada no mesmo JN, denuncia.

10 maio 2008

Portugal...



«... não tem meios para ser ...
Portugal»

CONVITE

Memórias do cidadão José Dias

O blog Margem Esquerda, anuncia (e convida) que José Dias vai estar no Porto, no próximo dia 13, pelas 18 horas, na FNAC, para apresentar o seu mais recente livro, Memórias do cidadão José Dias.

No dia 13, pelas 18 horas, se puder esteja na FNAC, em Santa Catarina e traga um amigo

06 maio 2008

Crise de Abastecimento de Produtos Alimentares?

Segundo a comissão europeia os produtos alimentares, na Europa, irão sofrer um aumento, este ano, de cerca de 40%. A especulação, afirmam os especialistas comunitários, será responsável em mais de 30% por este aumento.

A repentina crise no mercado dos produtos alimentares só poderia estar associada à crise financeira provocada pelo “subprime” americano e que se repercutiu globalmente. Ou seja, a crise é provocada pelos grandes especuladores que procuram compensar as perdas no mercado das acções e na queda do dólar, deslocando os seus negócios para a bolsa das matérias-primas, onde se transaccionam os produtos alimentares.

A questão que se pode colocar é a da saber qual o papel dos Governos nesta história toda. Até pode parecer que se revelam incapazes de actuar perante a força do mercado. Contudo, o que se passa é que estão a criar as condições para que se obtenha m novo equilíbrio, que o sistema se auto-regule. Os governos procurarão minimizar os estragos, conter os famintos (distribuindo pratos de arroz, alguns subsídios e porrada se for preciso) de modo a que a espiral civilizacional se eleve e passe a um novo estádio, mantendo os genes vitais.

Anote-se que nestas coisas da especulação Portugal revela grande competência. Só dois exemplos:

Primeiro, o preço do pão. Segundo os jornais o preço do trigo subiu 10% nos últimos três meses. Contudo, em Portugal o preço do pão terá subido 50% no mesmo período, pelo efeito conjugado do aumento de preço/unidade e da diminuição do peso/unidade.

Segundo exemplo, o preço dos combustíveis. Ainda segundo a comunicação social, apesar do aumento do preço do petróleo no mercado internacional, o aumento de peço praticado pelas empresas petrolíferas que actuam em Portugal é bem superior ao aumento registado pelas empresas congéneres que abastecem outros países europeus.

E o Governo que faz perante estes aumentos especulativos? Pelo menos uma coisa sei que faz, arrecada os impostos, cujo montante cresce proporcionalmente ao aumento dos preços, mesmo que provocados por agentes especuladores.

Conclusão (um tanto ou quanto enviesada): Do ponto de vista fiscal, os Governos são os segundos grandes ganhadores com os movimentos especulativos. Portanto, como é aos Governos que compete cuidar do interesse colectivo, até se poderá concluir pela bondade da especulação…