28 outubro 2026

 São sempre os pobres a pagar a crise

mcr,


Há uns anos, por ocasião de incidentes graves ocorridos em Paris e, sobretudo, na sua bamlieue, escrevi como subtítulo "c'est lei puíres qui trinquent, ou seja são os pobres que se lixam.

esta é uma verdade a la Palisse que só os tolos e enfatuados fingem esquecer (ou então esquecem mesmo por mera estupidez  e incultur a viscerais)

Durante muito tempo, as centrais  sindicais  e os partidos, todos eles sem excepção, sabiam que nunca é possível garantir manifestações totalmente pacíficas pelo que se muniam de fortes dispositivos de ordem. Por seu lado, a polícia também se focava em especiais cuidados e medidas para proteger a população, sobretudo a  que se empenhava em manter as maiorias burguesas políticas.

O futuro era previsível, o Estado ia mudando lentamente as classes laboriosas iam conquistando penosamente alguns direitos  e, na generalidade,  o espaço de discussão pública não permitia grandes erupções da cólera popular que, de  resto, era canalizada pelos partidos reformistas e revolucionários para a acção parlamentar e sindical.

Remonta aos finais os anos sessenta o corte brusco com esse estado de coisas. Não  foi apenas a "grande revolução cultural e proletária", o cisma sino-soviético, a eclosão de grupúsculos  que se que se  anunciavam de extrema esquerda (questão duvidosa como posteriormente se começou a perceber) mas também a erosão dos antigos partidos  "burgueses"  que se afundaram tão ou mais depressa  do que os partidos comunistas ma URSS e satélites e nas grandes nações ocidentais (no caso em apreço basta olhar para o que se passou na Itália no curto espaço de dez vinte anos). Onde estão a Democracia Cristã, os vários partidos socialistas ou o poderoso Partido Comunista?

Claro que também se poderia perguntar que é feito das Brigate Rosse, do Potere Operaio, e de toda a restante "tralha" extra parlamentar...

Valiam mesmo a pena perguntar pela poderosa CGIL uma central sindical que revelou grandes lideres operários

Se tentarmos ver o que se passa em França o problema é quase idêntico. Dos partidos que moldaram aVª Republica nem sombras. Curiosamente, subsiste e ameaça soe vencedor o partido lepenosta. O PCF está evaporado, o PS é esquálido e a vociferante France insoumise é um monumento à indigência alegadamente de Esquerda. 

Também é verdade que, a nível mundial, as democracias estão ameaçadas ou auto-ameaçam-se. Não é só esses fenómeno de feira chamado Trump mas também o naufrágio ético de Israel que dão rédea solta aos mais baixos instintos das suas  minorias populistas.

Curiosamente quando tudo parecia resolvido no Brasil, um sobressalto popular travou o candidato Bolsonaro mas é bom lembrar que o vencedor Lula da silva está esgotado. Convenhamos: Lula é apenas um mal menor mas não parece ser a solução ideal mas o seu rival seria um desastre. Bolsonaro Junior é apenas um substituto do pai por enquanto a ferros. 


   

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