29 junho 2026

estes dias que passam, 1068


 A bola perde-nos 

mcr. 29-6-26


Acautelando: sou avesso ao futebol. Nunca tive jeito para a bola e nas milhentas partidas de pai em que participei, punham-me à defesa (na época dizia-se "back") porque fintar não era comigo. Carreguei esse desgosto dez verões seguidos, depois, a família fez um interregno em Lourenço Marques  e descobri que a minha inépcia atingia o andebol er o voleibol que  a "nocidade portuguesa" propunha aos rapazes que estudavam. 

quando três anos depois à mesma praia e ao mesmo maravilhoso grupo  (stessa plagia, stesso mare. canção desses anos  que ainda hoje é sucesso na Itália)  podia dar-me ao luxo de não jogar futebol. Éramos adolescentes  e isso explica tudo mesmo se ser adolescente naquela época, fins de 50, dava asas à imaginação mas não à acção

Comecei a achar graça ao rugby mas não tinha corpo para a coisa. E assim terminou a minha inexistente carreira desportiva. Ou melhor, a partir do internato num colégio passei a ser jogador de pinguepingue e aí graças a ser canhoto e ter de ganhar para não ceder o lugar a outro, fiz um percurso glorioso que durou até à faculdade. 

Posso garantir que desde 1960/1 até hoje, apenas fui a dois jogos , ambos da Académica e apenas porque as crises fervilhavam em 1952 e 1969. A minha presença no estádio era apenas para me manifestar  contra a polícia, o Ministério da Educação e o governo em geral. 

Todavia, não faço parte dos que amaldiçoam, desprezam ou rosnam sobre o futebol. Percebo perfeitamente que aquilo é um motivo de alegria, de entusiasmo, de comunhão colectiva. 

dito isto, vamos à alegada "melhor selecção de sempre e às suas poucas aventuras. E começo por isso mesmo. Desde que me lembro, a selecção ºe  sempre a melhor de sempre. Aqui para nós só uma vez vibrei com ela e terá sido quando Portugal jogou num campeonato do mundo contra a Ccoreia do Norte e aviou os coreanos por 5 a 3. Se bem recordo, eles terão começado por marcar mas subitamente o Eusébio resolveu ensinar a dança foi um ver se te avias. 

Um jofgão, um jogaço, um brilharete de alto lá com ele.  

Depois, e pouco a pouco, para minha surpresa (mas em questões de futebol a minha ignorância permite-me espantos contínuos) as equipas portuguesas começaram afirmar-se, os jogadores aa ser contratados pelos melhores clubes do mundo, os treinadores a brilhar nos quatro cantos da Terra e oa títulos a cair-nos em cima. 

Não vale a pena historiar esse percurso que qualquer leitor/a sabe muito melhor do que eu. Apenas quero dizer que se partiu para este mundial  com a equipa embrulhada num fogueteiro tremendo. 

Eu ainda ouvi um comentador explicar que as equipas europeias partiam em desvantagem dado que as congéneres sul americanas estavam mais frescas porque os respectivos campeonatos iam ainda a meio. Provavelmente o mesmo acontecerá com as equipas africanas, mas não faç finca pé nessa hipótese. 

O primeiro sinal foi o empate com o Congo, o tal resultado que sabia a derrota.  Ronaldo passou de bestial a besta e foi crucificado pela falta de golos. Eu, por minha parte, teria atirado a primeira pedra pelo comportamento da criatura no fim do jogo, saindo do campo sem saudar os  seus muitos admiradores, sem cumprimentar como todos os outros jogadores fizeram,aclaque. foi uma birra de menino parvo o que num homem de 40 anos mais parece uma estupidez e um sinal feio de mau perder. 

claro que no jogo seguinte averbou dois golos contra uma equipa que vem de um campeonato de casados contra  solteiros e de novo voltaram os elogios

O jogo contra a Colômbia foi o que se viu e um jornal titulou que os sul-americanos trouxeram o café (que aliás, é bem bom) e os portugas o sono! 

Pior não era possível. todavia lá conseguimos passar para a fase seguinte com o treinador a debitar insanidade sobre a qualidade da prestação nacional. 

Não vou alargar-me sobre as qualidades do sr Martinez, sobre a sua pertinácia em obrigar Ronaldo a jogar os 90 minutos, sobre as suas escolhas. O homem já ganhou um europeu, que diabos! 

Agora, Portugal vai para Toronto, num país carregado de portugueses emigrados. Já ouvi dizer que a Croácia tem um saldo negativo contra Portugal mas nestas coisas a surpresa é a grande rainha.

É provavelmente o momento das pessoas se acalmarem , de se lembrarem que um mundial é só um mundial e que  o mundo em que vivemos está neste momento diante de problemas de tal modo importantes que passar ou não passar à fase seguinte perde importância frente ao Verão que aí vem. e não estranhar o  calor, ou do preço dos combustíveis. O fogo espreita, e, por exemplo, mo Sudão  morre-se de tudo até de tiros.  Mas o Sudão é aonde?




Sem comentários: