30 julho 2026

estes dis que passam 1072

 


O mistério do gabinete da Assembleia da República

mcdm, 30 de Julho de 2026 


O gabinete do sr Ventura foi encontrado aberto e virado do avesso. Pelos vistos terá sido uma empregada de limpeza quem deu pelo infausto acontecimento. Às sete da manhã ou talvez antes. 

Aflita conseguiu-o comunicar a medonha descoberta a um deputado do Chega que, pelos vistos é madrugador. Convenhamos extremamente madrugador. E havia na filmagem com o telemóvel.

Graças a esse providencial aparelho pôr no ar, melhor dizendo, no éter a lancinante imagem de um gabinete em pantanas ( o raio do computador desconhece esta popular palavra.Sinal dos tempos e, provavelmente, dos modos...) 

Até quadros jaziam pelo chão. Por milagre nenhum tinha os vidros partidos. Ele há criminosos com notória falta de jeito para a antiquíssima arte do vandalismo. Ou do roubo com violência.

Porque, a acreditar (nem que seja uma só vez...) no sr. Ventura, neste gabinete  à beira corredor plantado, estavam documentos de extrema importância para o desvendar de um outro mistério desta feita relacionado com um ministro.

Aumentemos a nossa ingénua credulidade  e aceitemos que tais documentos existiam. Torna-se, porém, difícil  aceitar que um gabinete esteja como o moinho da Joana, sempre aberto, ao Deus dará, quase que a convidar algum passeante pela AR a entrar, acomodar-se, dar uma vista de olhos aos pais e livros de um chefe de partido, levar por mera brincadeira ou como souvenir um papel, vá lá dois ou três desses que por mera  preguiça (e por fraca importância) se deixam em qualquer lado.

Acrescentemos à nossa boa vontade que haja um deputado madrugador, excessivamente madrugador, ali à mão para dar imediata notícia do infame acontecimentos do atentado à privacidade de um deputado com altas responsabilidades confiante em demasia na honradez de criaturas malignas que de noite, a coberto da escuridão  e da falta de guardas se passeia pelos corredor do venerando parlamento.

Um selecto grupo de velhos amigos meus entendeu, dada a notória importância do incidente, esboçar um quadro de imediatos comentários. W jura que houve um roubo, Y refere vandalismo, K inclina-se para a tese do roubo com vandalismo, roubo odioso e odiento, Finalmente a Juju Cachimbinha decreta que nada se passou e que tudo invenção , criação de uma desastrada  "fake news" ( a Juju formou-se, in illi tempero, em Germânicas e não pode ocasião para mostrar que  domina o inglês mesmo quanto a língua de Shakespeare roça o linguagem do sr. Trump.)

E atreveu-se  a chamar-me coisas que não repito exportando a minha "infantil" ingenuidade quando não a fatalidade dos muitos anos que já levo. "Só mesmo tu, mar, é que embarcas nessa história de gabinetes sem portas, de documentos a tomar o sol da meia noite, de solicitou parlamentares activos antes mesmo de abrirem os cafés para um pequeno almoço fora de casa..."

Confesso que fiquei acabrunhado, não tanto pela menção à minha proveta idade mas apenas ao devastador ataque `à minha "tola credulidade" (sic).

W, Y e K, não perderam a oportunidade de fazerem coro com a Juju pois o nosso círculo de amigos  não se rege   pela lei da tolerância. E vá de juntarem opiniões todas desfavoráveis ao ocupante do gabinete invadido.  Desde mentiroso compulsivo até alucinado (e penas repito as expressões moderadas...) valeu tudo. 

Dei uma volta pelas televisões e reparei que, até os comentadores mais inconspícuos, alinhava pela mesma melodia, inclusivamente afirmando que o caso era motivo para um par de gargalhadas.

Felizmente, os fogos e uma conferencia de imprensa retiraram a questão da ordem do dia e já ninguém liga a essa historieta que poderia dar azo a uma crónica policial 

´É a silly season que começa  mesmo antes da entrada oficial de Agosto. 


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