(...) Não vem mal ao mundo que exista um "pacto de regime" - na verdade, o mais assustador é que se mencione permanentemente a sua necessidade como se o regime estivesse em perigo e precisasse de salvação. Não está e não precisa. O regime funciona com alguma normalidade. Não existe, como em Espanha, um perigo secessionista ou a ameaça do terrorismo; mas há sectores, ligados à vida do Estado, em que é necessário haver um acordo de princípio e é provável que o da justiça esteja em primeiro plano, juntamente com o da chamada reforma da administração pública. (...)-Francisco José Viegas, no JN desta segunda-feira: Não partilho do optimismo do colunista. Então Portugal não vive a ameaça do terrorismo, como qualquer outro país da Europa? E o regime não está em perigo? O que se pode dizer de um país cada vez mais longe das médias europeias? Creio que o que é grave é não percebermos que somos um país a caminhar alegremente para a falência...
11 setembro 2006
Nem por isso, FJV
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Esta não percebo...
No estatuto dos juízes, ainda, a Associação não poderá aceitar que seja desvirtuado o conteúdo do estatuto da jubilação, pois a possibilidade de garantir aos juízes em fim de carreira a manutenção do conjunto dos deveres e direitos equiparado ao dos juízes em efectividade de funções é uma condição essencial para que os cidadãos confiem num desempenho profissional livre, independente e eticamente irrepreensível, ao longo de toda a carreira.
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Quotas
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10 setembro 2006
Perspectivas do pacto
(Na Informática do Direito - Francisco Bruto da Costa)
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Diário Político 26
E comece-se pelo óbvio: antes de partir para férias terei falado nessa estúpida guerra que o rapto de dois soldados desencadeou. Israel voltou a mostrar a sua força mas desta vez apesar da destruição causada no Líbano, do desastre ecológico provocado pela maré negra no Mediterrâneo oriental, e da prova da evidente superioridade militar exibida, a verdade é que os cidadãos israelitas acham que o passeio das suas tropas foi um erro, uma derrota e com um custo muito superior a quaisquer hipotéticos benefícios de que aliás só se descortina o de treino militar e mesmo assim....
Os raptados não foram libertados, as baixas israelitas foram importantes, a resistência do Hezbollah surpreendeu toda a gente, as estruturas deste estão intactas enquanto o seu prestígio poderá ter subido um par de pontos. E subirá ainda mais se conseguir, como prometeu e se vê nos noticiários das televisões sérias (eu disse sérias o que exclui várias, senão todas as portuguesas) reconstruir as zonas devastadas.
Mas deixemos de lado esse triste episódio, que nos deveria fazer reflectir. A quem interessar, hoje, o El País, traz um artigo de opinião de John Le Carré (esses mesmo!) sobre a tolice supina que consiste em pensar que é às cegas e à bruta que se luta contra o fanatismo.
Passemos a outra tristeza estival: um cavalheiro chamado José Lopez Obrador ia ganhando as eleições mexicanas. Ia, mas não ganhou. Por uma unha negra, é verdade. Mas em democracia a unha negra vale. Tem de valer! Vai daí, numa patética e delirante fuga à realidade, ocupou as ruas da capital, increpou as instituições caducas (a cuja presidência se tinha candidatado!...) e ameaçou mergulhar o país de Zapata e Villa, num pandemónio. Mau, Maria! vários dos seus aliados já o abandonaram, a inteligentsia está contra (veja-se por todos Jorge Volpi, novamente no El Pais de novo) e a direita ganha argumentos contra estes desvios golpistas e esquerdistóides.
Em Portugal, no caso Mateus (onde pelos vistos a Justiça regular e as suas instituições estão proibidas de meter o nariz, porventura para não caírem definitivamente mortas pela fetidez absoluta que reina no futebol nacional...) há um pequeno clube ou dois (Leixões) que paga um pato (sem laranja) que arranja os interesses de alguns grandes clubes. E uma instituição igualmente extraordinária ( a FIFA) ameaça os clubes de muitas e graves penas se outro clube não se sujeitar à lei do silêncio. Em locais igualmente extraordinários, onde pontificam empresas igualmente lucrativas (refiro-me à Sicília e à honorata societá) também essa lei é cumprida à ponta de lupara (que é uma espingardinha de canos serrados). Nada identifica estas instituições umas com as outras, claro, mas que há processos á primeira vista semelhantes, ai há, há...
Entretanto, enquanto o Verão esmorece e na messe que enlouresse estremece a quermesse (Eugenio de Castro: Oaristos) sai à duvidosa luz do dia um “pacto de regime” sobre a Justiça é anunciado. Confesso que a minha opinião (no caso perfeitamente inócua) se formará apenas e só quando vir, preto no branco, os textos completos, ou até quando vir como é que na prática as coisas vão funcionar. Não julgo essencial que a opinião pública a tenha de discutir (o mesmo todavia não se aplica ao Parlamento, que está aí mesmo para esse efeito e a quem o povo, nós, delegou essa função por quatro anos) ou que devam ser consultados os “operadores judiciários”. A democracia directa não faz parte do nosso ordenamento jurídico. Por outro lado tenho visto soçobrar muitas tentativas de legislar justamente porque se perdem nas malhas de uma opinião pública (não demasiadamente pública, as mais das vezes) e no embate com poderosos interesses corporativos que têm conseguido travar reforma pós reforma matando-as no ovo. Nos países democráticos a regra é essa, os acordos parlamentares têm existência e não são proscritos pela lei, pela doutrina ou pelos costumes. E não devemos agitar sempre o fantasma do autoritarismo de Cavaco ou Sócrates, criaturas eminentemente antipáticas é certo, mas que no caso vertente não me parece que tenham ultrapassado quaisquer limites. E no caso do último, bom será estarmos alerta para ver como é que o homem se vai comportar dentro do seu partido. Há sempre uma eleição que espreita por perto e um voto contra pronto a meter na urna. Lamento, mas é assim que as coisas se fazem em países democráticos. E os desvios á democracia combatem-se democraticamente. Como os desvios à paz nacional e internacional se combatem tendo em linha de conta as regras difíceis e dolorosas que, ao fim de muito sangue fomos, nós ocidentais, adquirindo e interiorizando (e com isto voltamos por um escasso segundo ao tema de abertura).
Prosseguindo neste saldo estival de diário político, aí temos que o senhor Bush vem dizer o que antes mil vezes desdissera: que há prisões secretas; que há prisioneiros sem nome: que a esses prisioneiros poderá ter sido aplicado um regime indefinido e fora de qualquer controle, etc., etc... E as suas mais especializadas agencias vem dizer o que todos sabíamos: que Saddam não podia com o fanatismo da Al Qaeda & similares, que se lhes tivesse posto a (pesada) mão em cima os teria tratado pior que Mafoma ao presunto; que no Iraque não havia raspas de armas de destruição maciça e que portanto os senhores Aznar, Blair e Barroso mentiram às respectivas populações ao dizer terem visto provas concretas das mesmas armas. E que o já citado senhor Bush mentiu ao dizer aos seus aliados que havia as famigeradas armas. E que portanto, tendo sido esse o argumento para a 2ª guerra do Iraque, esta tornou-se uma guerra injusta e fora da lei (???) internacional. E que, por consequência, haveria que pedir responsabilidades, condenar actuações e tentar voltar à linha de partida: Ai o mundo é mesmo divertido!...
Finalize-se com a grata notícia (espera-se que seja uma grata notícia...) da saída de um livrinho sobre a crise de 1969 em Coimbra. Pela parte que me toca, diverti-me como um cabinda, senti-me livre como nunca antes me sentira, comovi-me e comovo-me ainda hoje, fiz amigos para a vida inteira e, se os leitores me aturarem um destes dias contarei a louca aventura da fuga clandestina e estival deste vosso criado, do encontro com outros fugitivos igualmente divertidos e de nome Orlando Leonardo e João Bilhau numa noite lisboeta de copos e Vává, de um grupo de meninos que num reboliço inimaginável viveram uma aventura (dos seis, que tantos eram eles) de proteger um fugitivo escondido no chão de um carro imenso, graças ao facto dessas seis guinchantes e entusiasmadas criaturas irem num confuso monte em cima dele!!!) Abençoados sejam! Em 1969 éramos assim e nem a cadeia posterior ou o tempo retiram um milímetro que seja de alegria e de fraternidade a essa época ou à recordação dela.
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09 setembro 2006
Vendam-me o Expresso em 2ª mão
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SMMP inicia reflexão
Muito em breve se dará aqui nota pormenorizada do programa da Conferência.
Fonte: site do SMMP
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Parabéns
Cliquem aqui
e também vocês, colaboradores e leitores do Incursões, farão coro comigo:
Parabéns, compadre!
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08 setembro 2006
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Vieira apanhado
Vieira, que ultimamente se tem apresentado como o mártir, o perseguido, a vítima dos complots, qual “virgem pudica” do famigerado sistema, é, afinal, mais um a condicionar, a sugerir, a arranjar, a ludibriar, a procurar benefícios para o seu clube em prejuízo de uma competição limpa e justa.
Já diz o povo que, quem tem telhados de vidro, não pode querer ser o primeiro a lançar a pedra…
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Mentecaptos
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Proteção social no desempregonovas regras
O Conselho de Ministros aprovou ontem, entre outros diplomas, o Decreto-Lei que estabelece o novo regime jurídico de proteção social no desemprego dos trabalhadores por conta de outrem.
Desenvolvimento aqui.
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Méritos
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O que diz o pacto...
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07 setembro 2006
Eu sou a favor do pacto para a Justiça
Ninguém apoiou a minha sugestão. O PS tencionava ganhar as eleições. O PSD não queria comprometer-se. Os partidos pequenos sentiam que eu estava a ostracizá-los.
Hoje, quando leio que PS e PSD se entenderam num pacto para a Justiça, sinto-me reconfortado. Havia razoabilidade na minha posição. Enquanto durar o pacto, sabemos que ele responsabiliza os dois partidos que representam a grande maioria da população portuguesa. E há mais: a oposição (esta ou a que vier)não poderá fazer da Justiça arma de arremesso, como tem acontecido nos últimos anos. Pode ser quer agora as coisas melhorem neste importante esteio do Regime.
O artífice do pacto terá sido, ao que tudo indica, Cavaco Silva. Um bom ponto. Não terá agradado muito à sua base de apoio - pelo menos a quem se preocupa mais com o tacticismo do que com os problemas do país - mas prestou um grande serviço ao país. Recorde-se que Sampaio também tentou este pacto. Mas não conseguiu.
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Não tiro
Não tiro os meus olhos do mar,
não disponho as mãos geométricas,
calmas, sobre o colo.
Mantenha-se distante ,
diz o aviso em minha testa.
Não evitarei o lugar do corpo,
- o lugar natural ao qual ele pertence -
ou o da voz. Não evitarei a canção.
Não darei voltas ao redor
do óbvio : círculos são formas repetitivas.
Não navego no discurso vazio,
os dias são poucos e raros
para silenciar a fala
com a palavra vã.
Não renego o que digo
nem aceito arreios a atormentar-me os versos.
Não me dobram as noites longas,
cujo céu cresce, onda negra
no silêncio em torno.
O tempo não corre trajetos exatos,
amanhã cantarei a lua, o dia.
Não me cales as palavras
de qualquer ordem
- não me calarei para que durmas em paz,
não me importas.
Não as enfeito com lirismo
elas têm brilho próprio.
O poema é a matéria
que tenho nas mãos.
Silvia Chueire
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Silvia Chueire
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Primavera na Justiça versus
Inverno do Descontentamento
Aprovado hoje em Conselho de Ministros:
- Propostas de Lei de alteração dos Códigos Penal e de Processo Penal;
- Proposta de Lei que cria um regime de mediação em processo penal;
- Proposta de Lei que autoriza o Governo a alterar o regime dos recursos em processo civil, o regime dos conflitos de competência e a competência dos julgados de paz.
No domínio dos recursos em processo civil, a Proposta de Lei visa iniciar uma reforma norteada por três objectivos fundamentais: simplificação do regime de recursos, maior celeridade processual e economia processuais, racionalização do acesso ao Supremo Tribunal de Justiça.
Em matéria de conflitos de competência, o diploma visa, igualmente, imprimir maior simplicidade e celeridade num regime que tende a consubstanciar-se na eternização da discussão sobre uma matéria que é prévia à discussão material sobre a causa.
Foi ainda aprovada uma Resolução que desenha orientações e procede à calendarização de um conjunto de iniciativas legislativas que o Governo pretende apresentar à Assembleia da República, tendo em vista aprofundar a eficiência do sistema judiciário e os direitos fundamentais dos cidadãos e das empresas no acesso à Justiça, estabelecendo a calendarização da sua concretização.
Assim,o Governo deve apresentar à A.R:
no prazo de 90 dias:
uma Proposta de Lei de simplificação e modernização do regime jurídico das custas processuais.
No prazo de 120 dias:
- uma Proposta de Lei de revisão do modelo de acesso à magistratura, adoptando-se um figurino de formação que reflicta as diferenças entre o exercício das magistraturas judicial e do Ministério Público e compreenda áreas de actividade social onde os litígios surgem com mais frequência, bem como a existência de módulos de formação comuns com outras profissões jurídicas.
- uma Proposta de Lei sobre o acesso e formação de magistrados para os Tribunais Administrativos e Fiscais, com vista à concretização do plano de acção do Governo para a melhoria da justiça tributária.
- uma Proposta de Lei de revisão dos Estatutos dos Magistrados Judiciais e do Ministério Público, incluindo a aproximação aos princípios gerais em matéria de aposentação e jubilação, a adopção de provas públicas para o acesso aos tribunais superiores e a criação de uma quota de juízes conselheiros de preenchimento obrigatório por juristas de mérito não pertencentes às magistraturas.
- uma Proposta de Lei que proceda às alterações necessárias ao aprofundamento da autonomia do Conselho Superior da Magistratura.
- uma Proposta de Lei que proceda ao aperfeiçoamento do regime jurídico do acesso ao direito e aos tribunais
no prazo de 180 dias:
- uma Proposta de Lei que proceda à revisão do mapa judiciário, no seguinte sentido:
- uma Proposta de Lei que viabilize alterações ao regime da acção executiva, promovendo a sua celeridade e eficiência, designadamente o acesso de licenciados em direito, nomeadamente de advogados, ao exercício de funções de agente de execução.
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O que fazer? (cont.)
Durão Barroso, como se vê aqui, parece apenas preocupado em impedir que os imigrantes cheguem ao arquipélago espanhol.
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Recomendo
Revista Minguante : http://www.minguante.com
Revista LaGioconda : http://www.lagioconda.art.br
Rascunho - Jornal de Literatura : http://rascunho.ondarpc.com.br/index.php
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Silvia Chueire
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Au Bonheur des Dames nº30
te sentirás perdida o sola
tal vez querrás no haber nacido...*
Conta-me a Luísa Felix que numa janela das torres gémeas havia alguém que acenava desesperadamente um lenço branco. Provavelmente, lá, daquela altura desconforme, acompanhava o aceno com um pedido muito simples “tirem-me daqui”, daqui, deste centésimo andar coroado de fogo, longe dos homens e mais longe ainda da mão de Deus.
Pouco a pouco, continua a Luísa, os acenos foram sendo menos fortes, mais calmos quase, mais cansados de certeza. Até que chegou um momento em que cessaram de todo e o lenço soltou-se da mão e, serenamente, lentamente, veio por aí fora, caindo desse andar esquecido pela piedade. Com uma graça leve, revoluteava sustido pela brisa do Hudson ali tão perto e quem o viu pairar entre as ruas Vesey e Murray pensou numa pomba perdida ou numa gaivota aturdida pelas sirenes dos bombeiros, pelo crepitar das chamas, pelos gritos da rua.
E, ao contar-me isto, o rosto da Luísa era uma pedra dividida ao meio pelo parco sol outoniço que, pela esquerda, vinha da janela do café onde num domingo, onze dias depois, nos encontrámos. O João Félix enterrava os olhos e o bigode numa chícara de café e eu tentava suster pela enésima vez uma lágrima teimosa e quente.
Tínhamos os três estado em nova Iorque e, por várias vezes, comentado as respectivas viagens, juráramos regressar a uma terra que o nosso comum amor ao cinema e ao jazz tornara também nossa. Até já conhecíamos três ou quatro sítios em “downtown” onde se podia tomar um café verdadeiro, dos nossos, mais espuma que líquido, enfim, uma bica, um cimbalino como por cá se diz. E havia, depois, um rosário de recomendações que iam desde o hotel, barato e bom, até ao pequeno restaurante italiano no village que, segundo a Laurinda Simas, servia a melhor “Sachertorte” a oeste de Viena (de Áustria!).
Há muitos, muitos anos, quarenta provavelmente, um amigo trouxe de França uma edição poche de “Paroles” de Prévert. E o primeiro poema que nos leu, numa tarde de praia e vento na figueira, foi o “Barbara” que tem esse verso único e terrível “quelle conerie la guerre”. E, entre todos nós, em idade de carne para canhão, nesse ano difícil de mil novecentos e cinquenta e nove, ressoou longamente a litania “rappelle toi Barbara”, e termos acabado um pouco mais cedo a nossa adolescência. Dois anos depois, a “conerie” instalava-se e ameaçava-nos a todos. Alguns morreram numa terra africana tão desconhecida como inútil e os que ficaram recordam-nos aliviados e envergonhados por estarem vivos.
São estes mortos que agora nos vêm bater à porta de mistura com outros, muitos outros, desde uma basca chamada Yoyes até um menino palestino agarrado a um pai desesperado que, coincidência fatal, pede a paz e a vida por um telemóvel igual aos que se usaram nas torres. E tão inútil como esses...
Ainda ninguém sabe porque se atacaram as torres, ou melhor, ninguém consegue perceber o efeito útil do ataque. Milhares de mortos, de sessenta e tal nacionalidades, o dobro dos órfãos, provam o quê? Que a America também se abate? Para isso bastava uma bomba na estátua da Liberdade! Para extirpar o grande satã das terras santas de Meca e Medina? Deixem de usar dólares! Para vingar os mortos da Intifada? Parem um só dia a retaliação! Ou matem os matadores!
Os mortos das torres nem sequer representavam o capitalismo triunfante ou a desregulação dos mercados e a exploração desenfreada dos recursos do planeta. Na esmagadora maioria, e logo pela manhã, nas torres só estavam empregados subalternos das empresas aí instaladas. E ascensoristas, mulheres da limpeza, contínuos. E turistas ansiosos por ver a cidade desde aquela imensa altura. Não morreu um único capitão da indústria, um banqueiro, sequer um guru das novas tecnologias. O capitalismo continua intacto, eventualmente mais forte. Em contrapartida, a nossa liberdade vai ser reduzida, os nossos passos e as nossas opiniões vão ser mais seguidos. Virá o tempo em que analistas de olhos frios prescrutarão as intenções mais subtis deste papel que enfim consigo escrever e poderão ver nele uma ameaça ao sistema, um recado de Alá, de Yhavé ou de uma qualquer outra divindade vingativamente justiceira.
Paralelamente há-de haver por aí um compagnon de route dos deserdados e oprimidos que censurará em nome da história e dos amanhãs radiosos, este degenerado que se comove com a morte dos ricos em vez de perpetuamente chorar o destino dos pobres. E explicará, uma mão num Evangelho apócrifo e nobelizável, e outra a tapar as fossas comuns dos gulags, dos laggers, do primeiro, segundo e terceiro mundos, as raízes deste gesto vil mas compreensível à luz dos olhos cegos dos autoproclamados defensores da nova ordem internacional.
Perdoname
No sé decir nada más
pero tu comprende
que aun estoy en el camino...*
(*José Agustin Goytisolo)
Este texto que aqui dou não é original: publicou-se num jornal de pouca expansão e já desaparecido em 11 de Setembro de 2002. Terá merecido honra idêntica num jornal de província, mais propriamente Castelo Branco em data desconhecida porque nunca o vi. Entrego-o agora, à leitura generosa dos confrades e leitores porque, apesar do acima dito, ter a vaga percepção que este escrito continua a ser actual e, na medida do possível, justo. Será porventura muita prosápia minha mas continuo, vários anos depois, a identificar-me com o que aqui escrevi, como de costume numa penada, com mais emoção do que razão, mas que querem?, fui assim feito e já há não mezinha que me endireite.
Na altura (cerca de um mês depois dos acontecimentos) ofereci-o (e a oferta mantém-se) aos meus amigos Luisa e João Felix que são, como mais uma pequena ruidosa e alargada caravana de pessoas generosas, meus amigos, o mesmo é dizer o sal da terra.
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Dormex
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Já contei tudo sobre isto no blog do João
em www.juventudena-net.blogspot.com
Confirma-se, João: a nova Microlândia do Arrábida vai mesmo ter um bowling. Mas ainda não abriu, nem tenho informação sobre o dia de abertura. A parte nova (modernaça, com côr e muita luz) já está a funcionar - abriu hoje. Tem vários restaurantes novos, embora nem todos estejam ainda abertos. O pior é a parte velha. Como agora os antigos resturantes vão dar lugar a lojas, está quase tudo fechado, ainda em obras. Mas, não tarda, estará tudo a funcionar em pleno. Quanto ao mais, espero que também tu comeces a funcionar em pleno, isto é, a escrever. Beijo do pai.
(Página pessoalíssima)
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Continuo à espera do estudo que vai garantir que fumar faz bem à saúde...
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o sibilo da serpente
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Finalmente, os jornais descobriram o que os blogs já andavam a discutir há uns dias
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Pois: queriam escrever nos blogs à custa do lavrador :-)
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E também o que são 200 mil euros? Se o MP arquivou é porque era de arquivar, pois então...
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Preocupados?
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Os comentários
A responsabilidade do blogger II
Sentença judicial brasileira considera que os comentários são parte do blog.
O brasileiro Fernando Gouveia, responsável pelo blog Imprensa Marrom foi condenado, em primeira instância, a pagar uma indemnização no valor de R$ 3.500,00 (cerca de € 1.200) devido a um comentário anónimo considerado ofensivo.
De acordo com a sentença, "Embora não seja o requerido (o blogueiro Fernando Gouveia) o autor das palavras ofensivas, por certo que, disponibilizando o espaço, tem responsabilidade perante o ofendido", acrescentando que "a responsabilidade do requerido se mantém, pois que, ao disponibilizar o espaço para divulgação democrática (termo utilizado na contestação) do conteúdo inserido por terceiros, assume o risco sobre as expressões ofensivas veiculadas".
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06 setembro 2006
Onde está a verdade?
É longa e penosa a polémica acerca do constrói, não constrói, o Centro Materno Infantil do Norte. O debate leva uns 20 anos e tantos foram os intervenientes que já se terá perdido a memória e a vergonha.
No mesmo dia em que uma criança de 6 anos, queimada no Porto, teve que ser transferida para um hospital da Corunha porque no Porto não existe uma unidade de queimados pediátrica e o Hospital de D. Estefânia (Lisboa) está em obras, no mesmo dia, os jornais dão-nos as seguintes notícias acerca do futuro CMIN: enquanto o Jornal de Notícias anuncia que está para breve a decisão para avançar com o Centro Materno Infantil e o Primeiro de Janeiro refere que isso vai acontecer até ao final de Setembro, o Diário de Notícias anuncia que a ideia do Centro Materno Infantil está definitivamente abandonada. Ficamos na mesma. Pior: ficamos mais confusos.
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O meu olhar
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O que fazer?
A UE, terra dos sonhos para povos de países ameaçados pela guerra, pela fome, pela miséria, em suma, pela ausência de condições mínimas de desenvolvimento, deve empenhar-se activamente em combater as razões que estão na base desse êxodo em busca do milagre europeu. Fomentando programas de auxílio e de incentivo ao desenvolvimento económico-social nesses países, pressionando os governos no sentido de respeitarem os direitos humanos e o estado de direito, contribuindo para o surgimento de estados com infra-estruturas mínimas de funcionamento, criando condições para que essas sociedades possam gerar oportunidades, atrair empresas, criar riqueza, sem a mão opressora das oligarquias dominantes. Será pedir o impossível?
A verdade é que a UE necessita de mão-de-obra imigrante mas não suporta esta avalanche de repatriados. O caminho será definir regras e quotas razoáveis. De nada adianta abrir a porta, criar ilusões, se depois não podemos corresponder às expectativas de quem pensa vir encontrar o el dorado.
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O tempo esse grande simplificador 3
que desistiu de entregar correio
carteiro de outros e vultuosos méritos
pelo recoveiro do Foco
Um carteiro do doce pais do spaghetti, entendeu lutar contra o sistema, metendo na formidável máquina do Estado omnipotente, o seu pequeno grão de areia. Poderia ter pegado num par de litros de gasolina e numa caixa de fósforo e deitado fogo a uma mata próxima da via Appia; poderia ter carregado um carro velho com botijas de gás, muitos pregos, um relógio despertador e mais uns quantos artefactos fáceis de arranjar e enviar tudo aquilo contra o Quirinale ou San Pietro in Vaticano e bum!; poderia escrever duas cartas anónimas à Ornela Mutti ameaçando revelar ao mundo que ela (impossível sonho de tantos anos atrás!) era de facto um travesti chamado Bernardo e antigo amante do onorevole Andreotti, encarregado pela N’dranghetta napolitana de vigiar-lhe os passos e suavizar a política anti-crime da antiga Democrazia Cristiana de fraca memória.
Poderia, com mais trabalho, mais combustíveis e provavelmente mais cúmplices carrear para o Vesúvio combustíveis e provocar uma erupção terrível como a que sepultou Pompeia, cidade pecadora por excelência como se pode comprovar pelos lupanares que se revelam impudicos aos olhos do turista ingénuo.
Enfim poderia pôr açúcar na gasolina do Ferrari onde corre esse gajo que ganha tudo e provocar um desastre, uma derrota, uma explosão, desfazendo a carripana o piloto e alguns elementos do respeitável público como outrora em Roma os émulos de Ben Hur faziam quando se zangavam.
Fez qualquer coisa dessas? Não. Matou alguém? Não consta. Roubou valores, enriqueceu à custa alheia, pregou algum susto às doces velhinhas que à tarde vão tomar ruidosamente uma tisana ao Caffè Grecco na Via Condotti, atacou acaso as prostitutas que noite pós noite, deambulam pela via Cavour e enquanto esperam um cliente se encomendam a um santo amigo, ali mesmo na quarta grande igreja da Cristandade, Santa Maria Maggiore, que estende a sua sombra protectora pela pobre humanidade que se assoma ao seu adro?
Nada, sempre nada!
Por junto o nosso carteiro, pobre e pequeno Robin Hood em luta contra o sheriff de Nothingham moderno (ou seja o presidente dos CTT italianos) entendeu não distribuir todas as cartas que por mister havia de entregar. Provavelmente, guardou com ternuras de mamma italiana as cartas com tarja preta, anunciando lutos tremendos, desgostos amargos, arrependimentos tardios (lá se foi o Peppino e eu que já não lhe telefonava há anos!...), igualmente desviou do seu triste e utilitário destino cartas comerciais, anúncios exagerados, propostas irrecusáveis que um monte de empresas enviava aos pobres tansos encontrados numa lista telefónica. O que estes terão poupado em sonhos impossíveis, em despesas incomportáveis, em angustiadas respostas, em calafrios ao pagar a centésima “cambiale” devida pela compra de um artigo inútil, caro e feio. Terá igualmente desviado citações de tribunais, sempre ameaçadoras para quem as recebe, idem do fisco, meu Deus o fisco italiano é quase tão perverso, porco, feio e mau quanto o lusitano. Pior: é mais eficiente! Finalmente, que eu não pretendo fazer aqui a lista exaustiva da correspondência desviada (note-se desviada e não destruída) que se encontrou em casa deste combatente da liberdade contra o monopólio estatal da distribuição de cartas, terão sido postas a bom recato cartas de desamor, rompimentos de promessas de noivado, lancinantes apelos de maridos traídos, soluços de mães solteiras abandonadas por sedutores que de Mastroianni nem sequer um Marcello teriam, frenéticos apelos de colegiais internas aos cantores da moda italianos que de S. Remo lhes prometem pão amor e fantasia mas que de mais perto só lhes querem uma coisa, que eu por pudor não digo, e depois não te vejo nem te conheço.
O tempo ou a sua passagem simplificam tudo mesmo as cartas urgentes.
Receba um abraço forte, deste seu colega mais velho em coimbrice menina e moça risonha e recoveiro (amador) do Foco.
PS: obrigadinho por ter dado um jeito ao meu texto abaixo. Ou antes : grazie tante
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M.C.R.
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Conversas privadas que todos podem ouvir
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05 setembro 2006
77,7 milhões?!
Lê-se no Correio da Manhã. Não será isto um abuso? E pergunto: quem foram os autores de tais pareceres? E pergunto: quanto se gastou em pareceres no ano de 2004? E no ano de 2003? É só para comparar.A despesa pública com a realização de estudos, pareceres e projectos de consultoria a entidades externas à Administração Pública (AP) deverá ascender, no final de 2006, a 77,7 milhões de euros. A confirmar-se esta previsão, os gastos do Governo de José Sócrates com esta área de negócio aumentam 78 por cento face à despesa realizada em 2005.
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Grande Paulinho!
E VANESSA FERNANDES SEMPRE A SOMAR
Vanessa Fernandes, tricampeã europeia e líder dos rankings mundial e da Taça do Mundo, obteve o seu melhor resultado de sempre no Mundial, depois de ter sido 4ª classificada em 2005 e 5ª em 2004.
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E quando LC fazia autocrítica?
Autocrítica
Acho que o Incursões, nos últimos dias, tem exagerado. E eu sou o principal culpado disso.O que pretendo dizer? Que o Incursões se tem deixado hegemonizar pelos juristas e suas preocupações corporativas. Para isso, torna-se necessário alargar a outras áreas o recrutamento dos seus colaboradores e diversificar mais os temas. Com isto não quero dizer que a temática juridico-judiciária, principalmente aquela que pode interessar a um público mais alargado, não deva ter aqui guarida. Aqui fica a autocrítica e o repto, com a promessa de que será feito um esforço para equilibrar os pratos da balança. Agradecem-se sugestões e iniciativas dos "contributors" e, principalmente, dos leitores.
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leituras gratificantes 1
JAVIER CERCAS
EL PAIS SEMANAL - 27-08-2006
Este verano he descubierto el Mediterráneo. Antes por supuesto sabía que existía, lo conocía racionalmente, pero la razón es una facultad que padece limitaciones insuperables, que a veces la experiencia suple. El primer vislumbre de esa verdad evidente lo tuve una mañana de principios de agosto, en un ambulatorio. La tarde anterior había estado jugando un partido de waterpolo en una piscina y, en el fragor de la contienda, una bestia de 14 años me atizó un balonazo homicida en el ojo derecho; la criatura no actuó sola, sino con la complicidad activa de David Trueba, quien de este modo se vengaba de las torturas que le infligió un libro mío que, contra toda razón, se empeñó en adaptar al cine. Consumada la felonía, los agresores fingieron interesarse por mi ojo a la funerala, pero yo me sobrepuse con admirable entereza a la adversidad y a su cinismo, y heroicamente me negué a ser examinado por un médico. A la mañana siguiente, sin embargo, a punto estuve de desmayarme cuando vi mi ojo en el espejo, así que salí pitando hacia el ambulatorio. Tras la espera preceptiva, me recibió el oculista. Era una mujer joven, muy seria, morena y de rasgos aindiados; apenas empezó a hablar reconocí la música cantarina del peruano. Antes de que procediera a examinar mi ojo lastimado, hablamos durante un rato inesperadamente largo; luego me recriminó con suave firmeza mi retraso en acudir al oculista, con varios aparatos auscultó mi ojo, verificó el estado de mi visión, me explicó con toda exactitud qué era lo que podía haberle ocurrido a mi ojo y qué era lo que efectivamente le había ocurrido, me dio consejos, contestó sin prisa a todas y cada una de mis preguntas (relacionadas con mi ojo o no), me transmitió tal seguridad en mi estado de salud general, en suma, que cuando salí de su despacho, más de media hora después de haber entrado en él, daba tales saltos de alegría que en recepción tuvieron que llamarme al orden.
Dos semanas después tuve el segundo vislumbre del Mediterráneo. Aquel día yo había cedido a la ocurrencia suicida de convertir mi casa en la sucursal de una compañía de trata de niños. Preventivamente (y pese a la ausencia de David Trueba), me negué a jugar al waterpolo, limitándome a ejercer de capataz y a tratar de minimizar pérdidas. Sin embargo, a media tarde uno de mis rehenes empezó a ser presa audible de un ataque de asma y, un poco asustado, cargué como pude en el coche a la banda (había niños por todas partes, salvo en la baca) y me fui al ambulatorio. Allí nos atendió un médico pequeño, joven, gordito, bronceado y medio calvo, que al abrir la puerta de su despacho sonrió de oreja a oreja, abrió los brazos como si en cada mano llevara unas maracas y gritó con inconfundible acento cubano: “¡Carajo, pero si ha venido todo el colegio!”. Luego, con una alegría inagotable, apaciguó a los niños, al tiempo que me tranquilizaba examinó al enfermo, le puso una máscara de oxígeno y, mientras éste limpiaba de suciedad los pulmones, aprovechó para darles un repaso a los demás niños: curó la raspadura de una rodilla, diagnosticó un par de otitis leves, dio un par de órdenes que sonaron como consejos y contó un par de historias de médicos que reímos como chistes. Al despedirme, a punto estuve de pedirle su teléfono, para llamarle algún día y preguntarle si tenía tiempo de tomar una copa.
No hace mucho, el sabio cardiólogo Valentín Fuster aconsejaba a los médicos preocuparse menos de los avances tecnológicos y más de escuchar a sus pacientes y de atenderlos bien. Cuando salí de la consulta del doctor cubano me acordé de la oculista peruana, pero también de una dentista chilena y de un estomatólogo argelino y de un traumatólogo sirio, y sobre todo me acordé de que, casi siempre que consulto con un médico español, las consultas son muchísimo más ásperas y expeditivas, de manera que casi siempre salgo de ellas lleno de dudas y enfermo de lo que los franceses llaman pensaments d’escalier: preguntas que no tuve tiempo u oportunidad de formular donde y a quien debí formulárselas. ¿Significa esto que los médicos españoles son peores que los extranjeros? No, puesto que es un hecho que el sistema sanitario español genera desde hace tiempo profesionales muy apreciados en los hospitales de Europa y América. ¿Significa que han nacido menos atentos, más bordes o menos cordiales? No, puesto que es imposible sostener eso sin incurrir en una forma de xenofobia al revés. ¿Significa que están más hartos, más fatigados que los extranjeros, quienes no han perdido la ilusión y saben que tienen que abrirse camino y ponen todo su ímpetu y su coraje en ser mejores médicos que nadie, y que tal vez tienen que aprovechar las vacaciones de los médicos españoles para demostrar que son tan buenos como ellos? ¿Qué demonios significa eso?, me pregunté. Y entonces me pregunté si lo que vale para los médicos vale también para los arquitectos y los ingenieros y los albañiles y los camareros y los escritores y los abogados. Y entonces, en una humillante efusión de lirismo, pensé: Que vengan. Que no dejen de venir. Que se queden. Que no se vayan. Que follen. Que tengan familia. Que sean felices. Que coman perdices. Que nos enseñen. Que mejoren la raza. Que la ciudad sea suya. Y en ese momento me di cuenta de que acababa de descubrir definitivamente el Mediterráneo.
como os leitores do texto "estes dias...37" poderão verificar consegui copiar o texto belíssimo de Javier Cercas. Deste autor lê-se com evidente júbilo o excelente romance "Soldados de Salamina"editado pela ASA.
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Estes dias que passam 35
1 Já não me lembro (e tenho preguiça de o ir confirmar em anteriores escritos meus, aqui neste blogue) se o caso Grass começou ou não antes de Agosto. Relembrando: Grass é um dos mais conhecidos e mais estimados escritores europeus. Foi galardoado com o Nobel entre dezenas senão centenas de prémios. A sua obra, relatando a dolorosa história da Alemanha, foi glosada em diferentes tons havendo mesmo quem o tenha erigido à condição de “consciência moral” do país, que bem necessitado andava nesses anos turvos de 50 a 80. Posteriormente Grass falaria também da perseguição aos alemães, aos civis alemães, derrotados e expulsos de terras onde viviam há séculos.
Grass, sabia-se, fora feito prisioneiro de guerra, pelos aliados, e passou mais de um ano num campo com outros milhares de jovens soldados vencidos. Agora sabe-se que, aos dezasseis anos, se oferecera como voluntário para os submarinos. Não tendo entrado na marinha, que de resto já quase não existia, foi incorporado numa unidade Waffen SS. Como milhares de outros miúdos! Pouquíssimos meses depois já estava vencido e preso. Nunca falou deste episódio, de resto conhecido, bastava ir ver a ficha militar dele, até ao momento de escrever a sua autobiografia. E foi o escândalo. Todos os filisteus que sempre detestaram a obra poderosa e extremamente rica de Grass vieram para a praça pública arrancar os cabelos e bater no peito acusando não o rapazola de 17 anos, educado no universo ideologicamente carcerário do nazismo, mas o escritor de mais de setenta anos. Que mentira! Que ocultara o passado sanguinário e nazi (passado com dezasseis anos de idade!!!) que isto e aquilo!
Tenho visto nesta procissão de súbitos conversos à virtude muito boa gente que, bem mais entrada em aninhos, educada em universos muitíssimo mais livres, entendeu a determinada altura da sua vida de adulto alinhar com outros ismos igualmente maus, igualmente perversos e reconhecidamente denunciados como tal. Por quem Deus nos manda avisar! Juízo, criaturas, juízo, uma pouca de vergonha na cara, que este forno (onde pretendem liquidar uma obra, uma reputação e um homem digno)) não está para bolos.
2. E já que se está com a mão na massa vamos a outro ataque de politicamente correcto: parece que um articulista (não interessa o nome) escreveu holocausto assim mesmo, com letra pequena. Ai Jesus, Maria, José que é o fim do mundo! Holocausto com letra pequena é duvidar da Shoa, do extermínio dos judeus (nunca se fala dos outros que por raça ((ciganos)), cor ((cidadãos alemães negros )) nacionalidade ((espanhóis, russos e outras raças inferiores)) encheram os campos e morreram exactamente da mesma maneira) dos fornos crematórios, de Auschwitz... É, numa palavra, revisionismo histórico. E isto terá dado direito a notas, doutas notas, de redacção no jornal onde o artigo fora publicado.
Ora, indo por partes: no dicionário Houaiss, não ha menção à famigerada maiúscula. Nem tem de haver. A palavra (que significa sacrifício de uma ou muitas vítimas pelo fogo) já contem em si própria o quantum satis de horror para valer em minúscula e, acaso, em escrita inteligente(?!) sem h. Fazer desta subtil minúscula um ataque anti-semita é, perdoarão, procurar pelos num ovo. Mais uma vez, juízo, criaturas, juízo!
3 E, já agora: a expressão revisionismo (que com histórico a seguir se aplica aos negacionistas do massacre) tem raízes nobres que convinha não abandalhar, não estragar, não usurpar. O espírito do senhor Bernstein, socialista e judeu, ficaria muito grato. E a malta que não dá para o peditório do “verdadeiro socialismo” versus torpe revisionismo, também agradece. Valeu?
4. No Iraque, segundo conspícuos meios oficiais norte-americanos, a contabilidade dos mortos ultrapassou a barreira dos cinquenta mil. Ora aqui está um argumento que o senhor Saddam Hussein faria bem em usar. De facto, cinquenta mil mortos, num pais democrático, com governo eleito, parlamento, exércitos ocupantes e milícias privadas de companhias estrangeiras igualmente ocupantes, parece um bocado exagerado. E num curto período de tempo. Saddam, uma vez mais, vê-se ultrapassado em eficácia anti-iraquiana, anti-civil. Vê-se mesmo que é arabe, burro, e inferior... E os mesmos meios oficiais, começam a deixar ouvir esta que seria espantosa se não fosse cínica e infame: o Iraque encaminha-se para uma guerra civil incontrolável. Ora toma, que já almoçaste!
5. Continuando o périplo pelos países ditos “muçulmanos”, temos que no Afeganistão, nem em Cabul as pessoas estão tranquilas. E no resto do território, nomeadamente no sul e no leste, a guerrilha domina, mata, morre e volta a matar e a morrer. As senhoras andam de burka à mesma e o governo de bons afegãos tutelado pelos ocidentais, não é obedecido por ninguém. Se neste momento, as tropas estrangeiras saíssem o dito governo não tinha tempo sequer para se assoar antes de se ver presa da guerrilha.
6. E no Líbano? Pois no Líbano as escassas tropas da ONU, a futura FINUL, vai desmontando cento e sessenta bombas de fragmentação por dia. Tendo em conta que ainda só patrulha dez por cento do sul, pode dizer-se sem receio de desmentido que terão trabalho para anos. Um aparte: as bombas de fragmentação fazem parte das armas internacionalmente proibidas contra populações civis. Detalhe pouco significativo aos olhos de Tel Aviv que considera o Líbano na sua totalidade como um viveiro de terroristas do Hezbollah...
7. No Darfur, tudo na mesma: morre-se de fome, de doença, de tiros, de tudo e, sobretudo, de falta de esperança.
8. E por falar em falta de esperança: Alguém consegue olhar de olhos secos e impávidos essa infindável caravana marítima de barcos carregados de emigrantes negros que todos os dias chegam às costas de Tenerife? Alguém consegue lembrar-se dos outros, dos que não chegam porque se afundaram nesses caminho semeado de emboscadas? Alguém explica porque é que esses homens, que não sabem nadar, se metem num “kaiuko” podre de velho, para imitar em tragédia a gesta duns portugueses malucos que iam demandar as costas do marfim do ouro e da aventura?
Alguém, entre nós, que fomos, ou tivemos na família, um ou mais emigrantes económicos, não entende este grito imenso e silencioso, de homens na flor da idade que se sujeitam a tudo, que arriscam tudo, para vir varrer as nossas ruas, apanhar fruta nos nossos campos, ser mão de obra barata, num continente que vê decrescer alarmantemente a sua população? Alguém é capaz de nos dizer o que move esta gente que, ao abandonar a aldeia, a pátria, a família, se arrisca a morrer afogada ou, no melhor dos casos, a ser detida logo à chegada a terras que poderiam ser de esperança mas não?
Para os que guardam no olhar uma lágrima e na praia uma garrafa de água para dar aos desgraçados que chegam, um abraço.
9 E finalmente: Ricardo Pais, velho amigo, de outros tempos, outras guerras e muito teatro, deu há pouco uma entrevista onde mete, jucundamente e com o meu aplauso, a pata na poça: em resumidas contas, R. Pais vem dizer alto e bom som que se é verdade que há algum, parco, mecenato privado, tem sido o Estado o motor e o principal pagador da cultura pública mesmo quando as fundações que para aí pululam (Gulbenkian à parte) se esmeram em apontar para os privados que as dirigem, chamem-se elas Serralves, Casa da Música ou outro nome menos sonante. É o pagode, com os seus impostos que paga o grosso da despesa, que pagou a quase totalidade do investimento inicial e que ainda por cima pagando o seu bilhete continua a fornecer o essencial do cacau com que operam esses mecenas. Olha Ricardo, não te futuro grande futuro, mano. Eles nunca se esquecem de quem lhes levanta a bainha da calça para se ver a meia branca...
Post-scriptum: descobri com a melancolia própria de quem anda para aqui a dar água sem caneco que já postei centenas de páginas. Provavelmente “pessoais”, isto é, pensadas por mim, feitas para quem quer conversar comigo, me lê (grato favor me faz). Se isto é ou não projecto que caiba neste blog, não sei. Gostaria de pensar que cabe aqui.
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Juízes preocupados, eu nem por isso
Os juízes temem que os tribunais superiores passem para as mãos de juristas de mérito e de professores universitários se o Governo introduzir o chamado princípio da carreira plana. Trata-se de um modelo que o Executivo pretende pôr em prática até final da legislatura, mas sobre o qual ainda não deu explicações nem ao Conselho Superior da Magistratura nem aos sindicatos dos sector.
Notícia do Correio da Manhã. Eu se fosse juiz (magistrado, para ser mais rigoroso) também ficava preocupado. Como não sou, acho que isto não me preocupa rigorosamente nada. Desde que o modelo funcione, para mim está bem.
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Há carteiros e carteiros
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Contra quem?
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04 setembro 2006
PORTUGAL PARALELO
A notícia, amplamente divulgada, da enorme percentagem de desempregados inscritos no IEFP que este ano recusou empregos, não foi surpresa para mim. Apenas mais uma confirmação. Há já alguns anos, pretendendo fazer um recrutamento para uma função mais ou menos indiferenciada, recorri aquele Instituto. A lista de contactos era grande. Poucos foram os que apareceram e menos os que permaneceram no processo de selecção, apesar de a empresa empregadora ser boa, assim como as condições oferecidas. As pessoas, de uma maneira geral, estavam mais preocupadas em explicar porque é que o lugar não lhes interessava, do que em fazer valer as suas competências para conseguir o emprego. Um desatino. Uma perda de tempo (e de paciência).
Explicações para facto tão “estranho”? Há certamente muitas. A que eu encontro como mais evidente é este Portugal Paralelo em que vivemos.
Nunca sentiram, quando se impacientam na espera por mesa num restaurante, quando se sentem abafados pelo magote de gente em Centros Comerciais e Hipermercados, quando aguardam que a fila interminável do cinema se apresse, que este País não está em crise?
Qual é a crise que germina a duplicação da venda de carros de alta gama no primeiro semestre de 2006 relativamente a igual período de 2005?
Que crise é esta que vende os duplex e moradias de luxo e deixa anúncios intermináveis de T2 de baixa gama persistirem na sua luta pela mudança de proprietário?
Não, definitivamente não existe uma verdadeira crise económica em Portugal. O que existe é uma crise de valores, de responsabilização cívica e de estatísticas.
A questão que muitos dos desempregados inscritos se coloca é : “ Porque raio vou aceitar um emprego, perder outro e pagar impostos, se posso ter um subsídio, um emprego e não pagar impostos?
A questão que o comum dos portugueses se coloca é: “ Porque raio havemos de pagar impostos, se…
Se é para alimentar políticos incompetentes e corruptos?
Se “eles” são os que mais fogem aos impostos?
Se não temos saúde e educação de jeito, nem justiça atempada?
Se …?
Portanto a regra é: o subsídio de desemprego é mais uma ajuda remuneratória a juntar ao que se consegue com os biscates, com o trabalho, parcial ou por inteiro, que se obtém no mercado paralelo.
Alguém critica verdadeiramente? Não, enquanto não existir uma cultura de responsabilização de utilização dos dinheiros públicos.
Não, enquanto existir um sistema de justiça fiscal que permite a fuga de altos rendimentos e concede grandes benefícios fiscais a entidades e actividades fortemente lucrativas.
Não, enquanto não existir uma cultura neste País de responsabilização que venha de cima, exija em baixo, e que se faça cumprir a todos os níveis.
Não, enquanto este Portugal Paralelo se sobrepuser a tudo.
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O tempo de um TIL "vociado"
Também já tivemos um TIL, que escrevia assim, nos idos de Maio de 2004. Será que um dia volta?
Vócio
Não sei se blogar é um ócio ou um vício. Talvez seja um ócio num domingo à tarde e um vício numa terça-feira de manhã. A minha experiência é pequena neste escrever sem propósito. Trata-se de um exercício ao sabor do vento, procurando mais as palavras do que os assuntos. Poderei até vir a ensaiar algumas rimas, glosando o que se esconde em cada discurso. Como sou tímido, nunca saberia blogar sobre mim, mas essa insuficiência hei-de superá-la imaginando-me outro: o outro que sempre há em cada um de nós. Num certo sentido, somos dois. Um, o que não sabe escrever; o outro, o que gostaria, no mínimo, de saber tocar piano. Afinal, sendo um e o outro, e tendo dificuldade em escolher-me, resta-me este vócio sem desassossego.
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Guerras de poder
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ACABADAS AS ENCURTADAS FÉRIAS JUDICIAIS
Uma medida populista que, para além de não ter resolvido nenhum dos verdadeiros problemas com que se debate o sistema, contribuiu para os iludir e, consequentemente, atrasar o caminho da efectiva resolução das questões de morosidade e de eficácia, mas também do acesso ao direito e da qualidade da justiça.
A organização do trabalho, e dos seus tempos, é, na realidade, um dos aspectos que terá de ser considerado numa reponderação do funcionamento do sistema de justiça, constituindo a sua consideração, por si só, uma relevante alteração de atitude e de mentalidade. Mas, para além do primarismo com que foi até agora tratado, é indissociável de, pelo menos, outros dois debates, e reformas, que estão anunciados – os que respeitam ao mapa judiciário e à formação (sendo o ingresso na magistratura e a formação inicial apenas uma, cada vez mais, pequena parcela do problema). Sob pena de se poder estar a contribuir para o aumento da desordem do sistema e, seguramente, de nada se estar a fazer para a melhoria da sua oferta e da qualidade das respostas.
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03 setembro 2006
A ler
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A discussão do anteprojecto de revisão do CPP
Como é sabido, encontra-se em discussão pública o Anteprojecto de Revisão do Código de Processo Penal, entregue por Rui Pereira, coordenador da Unidade de Missão para a Reforma Penal, em 26 de Julho de 2006, ao Ministro da Justiça.
Julga-se que a blogosfera pode dar um contributo útil para a discussão.
O Dr. José António Barreiros, prestigiado especialista em processo penal, começou por dar o exemplo no blogue Cum grano salis, de que é colaborador, onde começou a fazer as suas anotações (ver os posts Estudar Direito, Processo Penal: revisionismo ou reformismo, Novo CPP: comentário ao artigo 1º, Novo CPP, suas definições e omissões: o problema do caso julgado).
Venho, assim, dar-lhe(s) conhecimento desta iniciativa, solicitando que lhe seja dada divulgação no vosso excelente blogue e incentivando os seus membros a entrarem na discussão.
Com saudações bloguistas.
Lemos da Costa (Cum grano salis)
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Ao cuidado de Kamikase
Será abuso da minha parte pedir que permitam comentários de pessoas não afectas aos vossos blogues ? Muitas vezes sinto-me tentado a comentar um post e não posso. Talvez mais pessoas partilhem desta motivação.
Deixo à consideração.
Não obstante, um abraço para os ilustres doutores Coutinho Ribeiro ("the mail man" - com muito respeito) e Vítor Sequinho dos Santos.
GC
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A room with a view
Poderia - um condicional carregado de ses...
Agora que somos já três a garantir, 24 horas por dia, páginas em branco para Incursões várias, parece haver menos motivação de quase todos para as preencher. Não será só por causa das férias, parece-me. Será quiçá consequência da saudável abertura, que neste último ano se verificou, de outras janelas, com vista para novas paisagens (ou para as mesmas, vistas por outros olhos), a par de uma eventualmente desconcertante prolixidade (ou indefinição???) temática no Inc. Ou porventura apenas circunstâncias pessoais de todos e cada um?
No meu caso será um pouco de tudo isso e porventura mais . Regressada de uns dias passados em terras longínquas, hesito em deixar aqui apontamentos, ainda que breves, de sensações e pensamentos. Que interesse poderão ter para quem acompanha o Inc na expectativa de aqui encontrar opiniões relevantes sobre o direito, a justiça, o exercício da cidadania, enfim, sobre os leitmotivs que levaram à criação do nosso blog? Fará sentido transformar o Inc num repositório de putativas páginas pessoais, pergunto-me? Sei que tenho tido sempre o vosso apoio e simpatia qualquer que tenha sido a natureza dos meus escritos, mas a dúvida (íntima mas sobretudo de género) persiste. Por isso e por ora, em homenagem (mais uma e mais que merecida) ao nosso Carteiro, aqui deixo esta foto, tirada através de uma janela de um dos maiores museus do mundo, o Hermitage – uma foto a que poderia dar o título “uma janela com vista sobre o passado e o presente “ ou, continuando na economia de palavras, simplesmente a room with a view (bem haja amigo Carteiro!)
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Kamikaze (L.P.)
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02 setembro 2006
E agora?
Vive do reboliço das palavras
Com a blogosfera, a dimensão da “espiral do silêncio” ficou menor. O INCURSÕES deu e continua a dar, para isso, a sua contribuição. Sem “anónimos” e com os pseudónimos a serem cada vez mais meras figuras de estilo, tem homenageado o exercício do dever cívico da liberdade de expressão, mesmo quando os temas são melindrosos para quem participa nos debates.
Menos irritadiço do que o seu falecido irmão mais velho CORDOEIROS, fez um ano, já teve o sarampo e a varicela e resistiu a uma virose cerebral que fez temer pelo seu passamento.
Porque blog tem idade de cão, já tem voz grossa e até já morde. E foi precoce a ter filhos, uns com maior e outros com menor sucesso como quase sempre acontece, que sabem ter aqui a sua casa-abrigo.
Está a ficar crescidinho, na idade adolescente de querer ser intelectual.Vive do reboliço das palavras e de quem, persistentemente, lhe garante uma folha branca, de adequada textura, todos os dias.
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01 setembro 2006
Troca de galhardetes
Uma das características dos blogues é proporcionar reencontros. Bem sei que também podem provocar zangas, afastamentos, crispações. Mas hoje, que é dia já suficientemente depressivo por via do regresso ao trabalho, prefiro sublinhar os reencontros. Foi o que me aconteceu com o Carteiro. E perguntam Vosselências: "Quê, o dos CTT?" Não, o Coutinho Ribeiro. Cruzámo-nos há muitos anos em batalhas partidárias e para quem não sabe, ele faz hoje excelentes Incursões. Quem sabe se não voltaremos a cruzar caminhos. Já agora uma perguntinha: quando é que actualizas a Lei de Imprensa anotada? Vá lá, que eu edito.
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Mateus ?
Acabo de ler o acórdão do CJ da Federação (disponível em http://www.fpf.pt/destaques/conselhodejustica.pdf). Está bem fundamentado e é bem claro.
Estranho o silêncio sobre o chamado "Caso Mateus". Até o título está errado. Não há nenhum problema com o Mateus; o caso é mesmo com o Gil Vicente.
O que está em causa é uma deliberação sobre se um determinado clube pode, ou não, de acordo com os regulamentos desportivos, disputar uma competição. Para mim não podem subsistir dúvidas de que esta é uma questão desportiva (em que os tribunais do Estado não se devem meter).
E depois vejo argumentar com a Constituição e o direito de recorrer aos tribunais. Até ouvi responsáveis dizer que estas coisas quem decide são os juristas. Mal anda o País quando são os juristas que mandam. Triste sina a nossa! Deus nos livre de serem os juristas a mandar: o mundo parava com intermináveis discussões e argumentos. Ainda estariamos a discutir o campeonato do mundo de 1966!
Devia ser claro explicar que os tribunais do Estado discutem o que lhes compete. E que, em certas matérias, a ordem juridica permite que as causas (e os casos!) sejam discutidos em instâncias próprias e definitivamente! Os tribunais arbitrais que julgam ex aequo et bomo são um exemplo.
Até porque alguém quer fazer crer que os tribunais do Estado é que decidem bem! Não é verdade, os tribunais, como todas as instituições humanas, também erram. Agora não pode é haver dúvidas que as decisões dos tribunais devem ser respeitadas, porque é uma regra básica da convivência social, até que sejam alteradas, seja por via dos recursos extraordinários que a lei prevê, seja por via legislativa.
Mas há matérias que estão fora do âmbito dos tribunais do Estado. Ainda um dia destes veremos um marido insatisfeito a propor uma providência cautelar para obrigar a esposa a cumprir o débito conjugal (e já agora satisfatório!). É que todos têm direito à relação ( a sua violação é fundamento de divórcio) e "a cada direito uma acção", diz o Código de Processo Civil, garantindo a Constituição direito de recurso aos tribunais para cada um fazer valer o seu direito!
E como não se ponderam os interesses! Como é possível proteger o Gil Vicente e afastar todos os clubes e selecções das competições internacionais? Ou os tribunais portugueses têm competência para mandar na FIFA e na UEFA?!!!
A novela vai continuar e todos perdem, até os juristas, cujo prestígio vai a pique! Já que estamos à beira do abismo, demos o passo em frente!
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Motivos para ficarmos descansados
Notícia DN:
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Diana era bonita
Notícia CM
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Ladrão que rouba a ladrão...
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