22 dezembro 2004

Cunhas e cunhas

Meter uma cunha por um filho pode não ser bonito, mas até se compreende e, de certo modo, se tolera. O que não se tolera é que sejam reveladas, na praça pública, escutas telefónicas de conversas sobre cunhas dessas.
Espera-se que, quem de direito, não deixe passar em claro esta flagrante violação de segredo de justiça.

4 comentários:

Joaquim Manuel COUTINHO RIBEIRO disse...

Caro Gastão:
É claro que os crimes de violação de segredo de justiça não devem ficar impunes. Mas essa não é a questão essencial: um juiz que mete cunhas é, provavelmente, um juiz que aceita cunhas. O que é mais preocupante...

tania laranjo disse...

Depois do que disse o carteiro nada mais posso dizer.... Mas é pena que o essencial nunca seja discutido. Afinal, a culpa é sempre do mensageiro

Gastão disse...

Cara Tânia Laranjo:
Não sei se a mensagem que divulga tem interesse público ou não. Terá se for inserida num fenómeno de corrupção, por exemplo, o que pressupõe contrapartidas (ou promessas) mútuas, do que duvido. Mas uma coisa sei: que é muito grave o acesso que revela ter de escutas telefónicas que estão necessariamente em segredo de justiça, e a sua revelação pública sem direito ao contraditório (nos locais próprios, evidentemente). Num estado de direito nem tudo vale!

tania laranjo disse...

Caro Gastão. Ainda que discorde, penso que o interesse público é demasiado evidente. O contraditório também foi feito. O caso só foi publicado, quando foi possível chegar à fala com o visado, no caso o juiz. Quanto ao resto..... permita-me que discorde. Mal seria que só o tribunal fosse o local próprio para tornar públicos os factos. Além disso, não se trata apenas de um cunha. Trata-se de uma cunha que motivou a intervenção policial e a apreensão do contracto.
Mas mais grave que tudo isto, na minha opinião, é a promiscuidade da justiça com o futebol. Às vezes não basta ser sério, também é preciso parecer sério. E isso, salvo raras excepções, não vejo ninguém discutir.
Já agora..... Um bom natal para todos os leitores do Incursões