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25 agosto 2008

Ainda os Jogos Olímpicos

Terminaram as Olimpíadas de Pequim e começaram as de Londres. Na hora do balanço, há que registar sem dúvida a tentativa de abertura da China ao mundo, mas também as muitas “chinesices” a que assistimos durante este mês, desde as mentiras da cerimónia inaugural à proliferação de agentes destacados para vigiar os cidadãos estrangeiros, particularmente os jornalistas.

A nível nacional, o final dos Jogos Olímpicos é sempre o momento de carpir mágoas. Pelo que não fizemos e pelo que não conseguimos. Lembram-se do desastre total de Barcelona 92? Com efeito, depois de gastarmos muitos milhões de euros na preparação dos Jogos, há que fazer uma avaliação rigorosa em todas as modalidades, em conjunto com as federações, os técnicos e os atletas. Não pode haver intocáveis.

A realidade é que ao ouro de Nélson Évora e à prata de Vanessa Fernandes se juntaram poucos lugares de honra. Os vinte e oito pontos alcançados são a pior classificação desde há muito. Se outrora o nosso objectivo era conseguir apurar o maior número de atletas, hoje isso já não nos basta e devemos ter como meta fazer um conjunto de bons resultados (não estou só a falar de medalhas) em várias modalidades. Mais do que ter dois ou três atletas de elite mundial, essa panóplia de resultados é que reflecte a política desportiva de um país.

02 abril 2008

Eu portista me confesso

A minha costela de adepto e sócio do FC Porto tem andado meio envergonhada face às suspeitas, primeiro, e às acusações, depois, que recaem sobre o meu clube e o seu presidente, Jorge Nuno Pinto da Costa.
Quem alguma vez acompanhou o futebol por dentro, ou conhece alguém que por lá circule, seja nas competições profissionais ou nas divisões mais modestas, conhece bem o ambiente de promiscuidade existente entre dirigentes e árbitros, onde estes últimos estão longe de ser apenas vítimas, quando muitas vezes são eles próprios os fautores da “miscambilha”. Encostar-se aos dirigentes certos era meio caminho andado para subir na carreira, ganhar prestígio e poder, aparecer nos grandes momentos, ganhar mais dinheiro.
Posto isto, dir-se-á que quem perde acha sempre que quem ganha, ganha apenas porque se manobra melhor nesse mundo promíscuo, no malfadado “sistema”. O meu FC Porto, que teve invariavelmente as melhores equipas e os melhores treinadores ao longo dos últimos vinte anos, viveu sempre com esse ónus de ser o manobrador por excelência. Não sei se é ou se foi, mas sei que Pinto da Costa e seus pares se dão bem com esses ares, onde o maior brilho cintila pela calada da noite. Foi competente? Sem dúvida. Rompeu com os equilíbrios que vinham do estado novo? Pois claro que sim. Isso foi uma afronta aos poderes (clubes, federações, jornais, televisões, etc.) de Lisboa? Certamente. Custa muito que um clube do Porto ganhe mais do que todos os outros juntos e vença troféus que os outros nunca alcançaram? Imagina-se…
Pinto da Costa é atingido e arrasta o clube por causa dos amores, que parece ser o seu elo mais fraco. A falta de escrutínio, no clube e no seu círculo de amigos, permitiu que entronizasse como primeira-dama alguém sem um pingo de classe, de carácter. Pinto da Costa paga por isso e faz-nos pagar a todos nós, portistas.
Nos tribunais comuns, Pinto da Costa vai ser julgado pelo crime de corrupção desportiva. Nos órgãos disciplinares da Liga de Clubes, impende sobre si e sobre o clube a acusação da prática de duas tentativas de corrupção. Tudo isto no ano em que o FC Porto foi a melhor equipa da Europa e do Mundo, ao vencer a Liga dos Campeões e a Taça Intercontinental.
Não discuto as considerações de natureza jurídica, nem as motivações das equipas de investigação. Não comento os cruzamentos de provas e as diferentes velocidades da justiça comum e da justiça desportiva. Não quero antecipar a possibilidade de virmos a ter decisões diferentes em ambos os casos e o que tal representaria para o descrédito da justiça.
Pinto da Costa saberá o que fazer em termos individuais. Quanto ao meu clube, quero que os seus dirigentes tenham o discernimento de defender o nome e a honra do FC Porto e dos seus associados e adeptos, recorrendo até às últimas instâncias das acusações que enfrenta. É nisso que quero acreditar, sem recurso a tacticismos oportunistas que poderiam recomendar que mais vale aceitar o castigo dos seis pontos agora, que não fazem falta, do que ser penalizado nas próximas épocas. A honra não se troca por campeonatos.

06 fevereiro 2008

El poder del fútbol

A entrevista que o ministro dos Negócios Estrangeiros da Colômbia, Fernando Araújo, deu ao Diário de Notícias de ontem é elucidativa sobre as condições que teve de suportar durante o longo sequestro de que foi alvo.

Poder sentir, pelas suas palavras, que os relatos radiofónicos do futebol português, lá bem longe dos Montes de Maria, eram uma preciosa ajuda para “matar” o tempo e manter a cabeça distraída, merece que nos regozijemos com esse facto. Aqueles que estão sempre prontos a depreciar o futebol deviam aprender que há poucas coisas que aproximem tanto os povos como o futebol, um desporto popular, sem fronteiras, fácil de entender e de que (quase) todos gostam.

Saber que no seu cativeiro, Fernando Araújo acompanhava e gostava do meu FC Porto, é um motivo acrescido de orgulho e de satisfação. Sobretudo por recordar que, durante o seu sequestro, ocorreu a última vitória internacional do FC Porto, precisamente frente à equipa colombiana do Once Caldas, derrotada na final da Taça Intercontinental, no Japão, em finais de 2004.

23 setembro 2007

Estes dias que passam 77


Marcel Marceau

Só quem o viu! E quando digo viu, falo disso mesmo. Ver. Ver um homem num palco nu, sem uma palavra, ele e o seu gesto. Ah, anos 50, gloriosos anos para o teatro que viram autonomizar-se uma arte maior, o mimo. E durante muitos anos, mimo e Marcel Marceau quiseram dizer a mesma coisa. O milagre do teatro, desta vez sem um dos seus elementos maiores, a palavra. Mas a mesma intensa comoção, a beleza calorosa do gesto, o amor por uma história bem contada.
Aos noventa e quatro anos Marcel Marceau navega pelos espaços siderais, os anjos que se acautelem pois este viajeiro nunca precisou de asas para se erguer no palco.

Uma senhora, uma grande senhora, já aqui o disse, e repito, deu mais uma lição às tristes criaturas que nos governam: Ângela Merkel, uma conservadora, recebeu o Dalai Lama na Chancelaria. Só numa republica semi-bananneira como esta em que nos estamos a transformar é que o diktat chinês (se é que o houve, pois dizem-me que a não recepção ao Dalai-Lama foi toda saída da cabecinha dos nossos governantes) teve força suficiente para fingir que o Dalai-Lam é mais um emigrante clandestino .

Aliás parece que a triste vergonha vai continuar: desta vez receberão com folares e cavalhadas o tirano do Zimbabué, um empedernido criminoso que governa a chicote um pais desfeito em vias de rapidamente se tornar o exemplo absoluto da pobreza provocada. Ao que parece, Gordon Brown, primeiro ministro britânico não virá justamente porque não quer encontrar-se com a detestável criatura. E resta saber se outros políticos europeus não lhe seguirão o exemplo. É que, convém dizê-lo, Mugabe tem desde há muito a entrada proibida na União Europeia. A cimeira perde assim tudo ou quase, porquanto perderá grande parte da sua reduzida relevância sem a Grã Bretanha. O desejo de protagonismo do governo português leva a estes extremos de ridículo.

Pouco a pouco, por todo o pais vão-se erguendo vozes sobre a vergonhosa omissão dos jogos de uma equipa nacional na televisão pública. Por uma vez sem exemplo uma equipa de gente vulgar ou quase tem mostrado que Portugal pode ser mais do que fado, Fátima e futebol. De todos os lados, e nos mais prestigiados meios de informação tem podido ler-se homenagens a gente nossa, em três jogos dois jogadores portugueses foram considerados os homens do jogo, e uma equipa vencida mas não batida, a portuguesa tem saído dos estádios sobre o aplauso unânime do público.
Pois bem, a gentinha da televisão e quem nela manda continua mouca como um portão de quinta. E defendem-se com a sport tv, como se não tivesse sido possível um acordo amigável com este grupo privado.
Não há quem faça uma placagem a estes fulanos e os mande para fora do campo por uns tempos?
Este apontamento pertence à série “ o rugby que você não vê”.

15 setembro 2007

Estes dias que passam 76


De Sprinsgteen ao fado vadio,
raio de sorte a nossa

Há já muitos anos, tantos que me envergonho de os dizer (ou já não me lembro o que vem dar ao mesmo) um critico, suponho que da Rolling Stone, disse de Bruce Springsteen, por alturas da saída de “Born to Run”, que vira a face do futuro do rock. Não se enganava, claro, que o “boss” é uma máquina. Basta ouvir o disco que acabou de sair, há dias, de novo com a “E Street Band”.
Hoje vi, igualmente, a face do futuro do rugby. Em boa verdade também do passado e do presente! Vi os “all black” no jogo Portugal - Nova Zelândia. E digo vi, porque não tendo a sport tv e sabida que é a política televisiva portuguesa, pública ou privada, partilho com milhares de cidadãos essa capitis deminutio que é não poder ver uma selecção nacional a disputar um campeonato do mundo.
Já se sabe que sou um entusiasta do rugby porque já aqui o confessei. Estou contente com o pouco que consigo ver da equipa portuguesa. Hoje vi o jogo quase todo num amável restaurante de Carcavelos onde levei a minha mãe a almoçar. Enquanto ela e o tio Quim se batiam com uma dose faraónica de cozido à portuguesa, eu, de frente para um prato de jaquinzinhos com arroz de feijão regalava-me com o jogo.
A Nova Zelândia ganhou como não podia deixar de ser. Por uma diferença expressiva que todavia não envergonha os derrotados. E não envergonha porque se bateram como leões, embora a defesa tenha sido pecaminosamente frágil, há que dizê-lo. Mas o jogo teve grandeza, os neo-zelandeses não fizeram favores e, quando os portugas puderam, a coisa teve dignidade. Claro que me babei com certas jogadas dos “nossos” adversários que jogam muito e muito bonito. Tudo parece fácil com aqueles tipos. Fácil, aéreo, sereno!
No fim os jogadores portugueses aplaudiram os vencedores que por sua vez corresponderam com elegância e simpatia.
Tudo isto está a milhas desse miserável e obsceno espectáculo do futebol de há dias, do murro do senhor Scolari, das solidariedades patuscas dos jogadores que poderão jogar bem (nem por isso!...) mas só ganhariam em ficar caladinhos. Não ficaram. Igual verborreia atacou um punhado de dirigentes desportivos que acham tudo bem, tudo normal, até parece que foi o sérvio que bateu no treinador.
Parece que estas águias de voo rasante, melhor diria estes urubus, se esquecem que, mesmo no caso de provocação, o senhor treinador, devoto duma santinha nem eu sei bem donde, devia ter a presença de espírito e a dignidade (oh palavra horrível e abstrusa!) de ficar quietinho e de não dar o espectáculo que infelizmente se viu e se tem visto. Este senhor, neste jogo em particular, está a representar um país, Portugal, que lhe paga generosamente e que merece em troca ser dignificado pela boa educação do treinador nacional (insisto nacional!). Está em marcha uma campanha imbecil de desculpabilização que só nos inferioriza e sobretudo inferioriza os seus responsáveis. Não é primeira vez que se vêm cenas tristes no âmbito de uma selecção nacional. E pelo andar da carruagem vão ver-se muitas mais. Porque a histérica campanha desencadeada no sentido de absolver Scolari vai ter como frutos, cedo ou tarde, outras cenas pouco dignificantes no relvado e nesta selecção nacional. Normalmente só se pede aos jogadores pé mas convinha lembra-lhes que a cabecinha que trazem em cima dos ombros deve servir para pensar. E a carinha que acompanha a cabecinha citada deveria neste momento estar vermelha. De vergonha!
Dos dirigentes desportivos parece-me que não vale a pena falar. Já tinham mostrado de que madeira são feitos e é por estas e por outras que penso que o apito dourado é apenas a ponta mais apresentável do iceberg. E, já agora, a Portugal cabe o triste papel de Titanic.

a ilustração foi roubada ao Le Monde, meu jornal desde 1960. Bem que mereço roubar uma fotografiazinha, pas vrai, mes chers amis?

08 setembro 2007

Notícias do planeta oval
(é só por uns dias...)

A França que se pretendia favorita caiu diante da Argentina! É uma boa piada.
A Nova Zelandia arrumou uns desgraçados italianos por 76-14! Ou a prova de que o Haka (canto e dança guerreiros maoris executados no inicio do jogo(na fotografia)) e a presença em força dos nativos na equipa faz milagres.
A Australia desfez o Japão por 81-3, esperava-se a vitória mas não a exorbitância do resultado, prova que a Austrália é um dos grandes pretendentes. Finalmente a Inglaterra bateu os Estados Unidos. sem surpresa a não ser no resultado. Portugal entra em breve em cena. Sem presunção, sem grandes expectativas mas com dignidade. Aliás, a equipa portuguesa tem sido alvo de reportagens inesperadas e bastante agradáveis, São os únicos completamente amadores na competição e isso causa alguma sensação num mundo que se tem progressivamente profissionalizado.
Como de costume o amador de rugby está reduzido aos noticiários, sobretudo franceses.

07 setembro 2007

Congratulações desportivas

Congratulo-me, é claro, pelos êxitos das equipas portuguesas, quer no basquetebol, quer no rugby. Mas confesso que nenhuma das modalidades me entusiasma. O basquetebol, que entusiasma o nosso JCP, é mesmo daqueles desportos que não me diz nada. Porquê? Enquanto, por exemplo, no futebol, andam uns tantos a tentar meter a bola na baliza do adversário, o que não é fácil, no basquetebol aquilo parece-me fácil de mais. Como? Assim: correm uns tantos para um lado, e raramente falham; correm os outros para o outro lado, e quase nunca falham. Confirme-se a teoria com o número de pontos que os tipos fazem. O rugby é mais aliciante, mas eu nunca percebi propriamente as regras. Ok. Nunca tentei. Nem tenciono. É mais ou menos a mesma coisa que o xadrez, que também não sei nem tenciono. Mas tenho algumas dúvidas - por muito que possam insistir - que seja um jogo de cavalheiros. MCR fala do rugby de Coimbra. Tem tradições. Mas, ó meu amigo, tanto quanto me lembro aquilo não era jogo de cavalheiros, mesmo quando é certo que alguns dos que por lá jogavam na década de 80 eram meus amigos, o que, por si só, é abonatório. Mas eu lembro-me bem: festas no clube de rugby corriam sempre mal, porque havia sempre uma auréola de violência associada. E, depois disso, lembro-me muito bem do que dizia o A., do alto do seu corpanzil, que não havia nada que mais lhe agradasse do que, num jogo, pisar a cara do adversário no chão. Ele há gostos para tudo.

06 setembro 2007

missanga a pataco 26

Outro feito notável, notabilíssimo


Um desporto puramente amador, feito por malta que, e não foi assim há tanto tempo, até as viagens para os jogos pagava.
Isto quando, como uma vez vi em Coimbra, não se pedia ajuda aos espectadores para arranjar o campo...
Portugal está no VI Campeonato do Mundo de Rugby que amanhã começa em França. Está de pleno direito, pese a ser, uma selecção classificada na terceira divisão mundial da modalidade.
Não se esperam, não esperamos (nós os parcos entusiastas deste desporto fraterno, leal, amador, bem disposto) resultados sensacionais. Estão lá os neo-zelandeses, os sul africanos, os argentinos, os franceses, ingleses galeses etc... Equipas fortíssimas, com um longo historial, com um presente glorioso, animadas por legiões de apoiantes que não estragam coisas, não batem nos oponentes, não causam zaragatas, mas cantam do primeiro ao último minuto, divertem-se e aceitam, contrariados mas aceitam, a derrota limpa em campo.
Esperamos luta, espírito de sacrifício, alegria e o melhor jogo possível.
Vamos lá a ver o qe a têvê nos dá... sem grande espectativa, claro, mas isso a malta já está habituada.

na gravura: o que se arranjou. Gostaria de pôr a fotografia da selecção mas não a encontrei. O título é uma vénia ao camarada JCP.

02 setembro 2007

19 agosto 2007

Futebol


Ontem fui ver o Braga-Porto. Isto constitui um acontecimento na minha vida já que, até agora, só fui ver cinco jogos, sendo que o primeiro foi há perto de trinta anos. Um Sporting-Porto, em Alvalade. A memória que me ficou desse jogo não foi a qualidade do mesmo, nem tão pouco o resultado. Não me lembro qual foi. O que ficou foi o ambiente de agressividade, os palavrões. Para compreenderem melhor do que falo apenas digo isto: fiquei do lado dos adeptos do Sporting. Não pude, portanto, dar largas ao meu entusiasmo. Lembro-me que fiquei calada, todo o jogo, com uma vontade danada de sair dali para fora.

O segundo jogo foi nas Antas. Tratou-se da despedida de Rui, guarda-redes do Porto, na época meu vizinho.

O terceiro foi a Selecção Portuguesa, em Agueda. Um jogo para esquecer pelo péssimo futebol.

O quarto foi a selecção dos Sub 21, no Bessa. Jogo muito bom, que Portugal ganhou.

E agora, este Braga-Porto. E o que me levou a mim, adepta fervorosa do Futebol, mas na TV, a ir ver este jogo? Bom, o que me convenceu a ir foi o meu filho mais novo, o Pedro. Numa família normal quem iria acompanhar o filho seria o pai. Pois era. Só que a minha não é uma família normal. Somos três portistas e um benfiquista. Claro que já adivinharam quem é o vermelho cá da casa. Bom, para ser inteiramente sincera, o Pedro também foi do Benfica… até aos quatro anos de idade, altura em que começou a entender melhor o mundo que o rodeava e abriu os olhos…

Bom, lá fui para Braga, acompanhada também da curiosidade de conhecer o estádio que todos dizem ser lindíssimo. Confirmou-se. O estádio é uma maravilha de arquitectura. Vale a pena lá ir só para o ver. Quanto ao jogo gostei muito. Mesmo muito. Além disso o Porto ganhou, merecidamente. Digamos que fiquei com o bichinho de ir ver os jogos ao vivo. Como diz a campanha do Sporting, ao vivo é muito melhor. Pena foi o problema que ocorreu na bancada dos Super Dragões, quase no final do jogo, com cadeiras lançadas não se sabe por quem. Pena também foi que, já cá fora, assistisse a uma cena de agressão de dois indivíduos a um carro por, supostamente, o condutor deste ter batido no carro deles. Muita agressividade, a um nível assustador.

Quanto ao mais gostei muito. O colorido, a alegria, o desalento, a euforia, as palmas, os berros, os hinos, o agitar das bandeiras...O futebol é mesmo uma festa!...

07 janeiro 2007

Diferenças

Ontem
Ontem ao ver o jogo entre o Liverpool e Arsenal para a Taça Inglesa tive a sorte de ver:
- Um grande jogo, combativo, com técnica, com garra, com ritmo;
- Um campo cheio de adeptos,
- Adeptos do Liverpool que já quase no final do jogo, quando o Arsenal ganhava por 3-1, entoavam cânticos de apoio ao seu clube.
Tudo isto foi lindo, soube bem.

Hoje
Hoje ao ver o resumo dos jogos para a Taça de Portugal tive o desconsolo de ver:
- Pouca técnica, alguma garra (sobretudo dos ditos pequenos), pouco ritmo;
- Campos quase vazios na sua maioria;
- No Dragão, grande adesão de adeptos em número mas com falta de apoio, apenas o silêncio frio face ao resultado.

Realidades diferentes? Sobretudo culturas diferentes.

26 agosto 2004

A admirável globalização e o Olimpo dos excluídos

A globalização já não é um processo de liberalização e rápidas trocas comerciais. A globalização já não é, sobretudo, um inovador processo de intercâmbio de mercadorias e de capitais.
É, também, uma nova forma de permuta e oportunidade de materializar projectos de pessoas. Se o fenómeno de imigração ilegal do Sul (pobre e excluído) para o Norte (rico e integrado) embaraça os poderes constituídos, é bem certo que um acontecimento como o da conquista do 2.º lugar na prova de 100 metros dos Jogos Olímpicos por Francis Obikwelu é um bálsamo para consciências comprometidas.

Qual seria o destino previsível, em Portugal, de um jovem negro nigeriano, só, isolado e que quase não falava português (mesmo que esse jovem tivesse já um excepcional currículo como atleta)?
O destino que esse mesmo jovem experimentou: trabalhar na construção civil.
Quis o destino que uma boa alma (professora inglesa do Algarve) tivesse atentado nas aparentes capacidades do jovem e o tivesse encaminhado para um clube secundário (Belenenses), onde o aceitaram para praticar atletismo.
Uma vez aí, perante o infortúnio da solidão, mais uma vez, o destino levou esse jovem a «adoptar» uma família portuguesa que o apoiou, até entrar para um clube mais promissor com outros pergaminhos (Sporting).

Há cerca de dois anos, perante o ar incrédulo (mesmo escandalizado) da jornalista que lhe fez a pergunta, o jovem afirmou que tinha um objectivo: ganhar uma medalha nos Jogos Olímpicos de 2004.

No domingo passado (22/08/04) o jovem concretizou esse objectivo: ganhou a medalha de prata numa das provas rainhas das Olimpíadas (pelo caminho, acumulou os records nacional e europeu): o segundo lugar nos 100 metros, ombreando com as super-estrelas do firmamento das potências desportivas.

Esta história revela o poder da determinação de alguém que teve de abandonar o seu país para procurar cumprir o seu desígnio no Norte. Acidentalmente, em Portugal.

Para culminar, a candura da dedicatória dos louros (num português encontrado a custo, para outro sector de excluídos): os deficientes.

Obikwelu é bem o exemplo do que pode fazer uma determinação exigente e bem orientada.

Conjugando a identificação do talento por uma inglesa, a afectividade da família portuguesa e a orientação técnica de uma treinadora espanhola, Obikwelu triunfou.

Deixou-nos mais contentes. Deixou-nos mais felizes, por ele, e pelo que ele representa, afinal. O (merecido) Olimpo dos excluídos.

Para ele, o nosso reconhecimento, lembrando uns versos de Manu Chao

Solo voy com mi pena

Mangadalpaca©

27 julho 2004

Postais do Sul

O Ciclista

Aquela pequena rotunda à entrada de Loulé (para quem vem da EN125/cruzamento das quatro estradas), com uma escultura de vagas reminiscências giacomettianas, não me saía da cabeça.
Era diferente, parecia fazer sentido, ali mesmo à entrada da cidade, inesperada na sua elegância e singeleza, no final da longa avenida de quatro faixas e palmeiras a proclamar “somos uma cidade próspera com os olhos no futuro”.
As burocracias camarárias têm-me obrigado a calcorrear estes caminhos mais frequentemente do que seria desejável para quem, sendo um pouco filho pródigo, se sente, sobretudo e ainda, apenas mais um que vem de férias, em busca do olvido das obrigações e obssessões quotidianas.
Mas, com 43º graus e um vento sahaariano na praia, mais a rotunda que não me saía da cabeça, pensei: perdido por cem, perdido por mil.
E dei por mim, em plena canícula, a perguntar aos poucos transeuntes da avenida, onde ficava o departamento cultural da Câmara, para onde me haviam já reenviado dos paços do concelho.
Quando já desesperava, eis que um louletano improvável sabia onde era e, daí a nada, enfrentava eu, de novo, a administração autárquica.
Sem deixar de comer o seu iogurte, a autarquia despachou-me, em três tempos, para outro departamento. Ensaiei uma segunda investida ( que já não ia chegar antes do fecho e com todo aquele calor a minha determinação investigatória começava a esmorecer) - património histórico? mas se a rotunda não tem mais de um ano...
Não consegui tocar uma única corda sensível do ali rosto da edilidade que, entretanto, continuava placidamente a comer o seu iogurte. Despertei, contudo, a curiosidade de outro funcionário que por ali passava.
Tinha todas as pistas que eu precisava para descobrir o mistério da rotunda que não parecia de plástico. Deu-mas com prazer, encantado por poder falar, de forma tão inesperada, do seu passado de ciclista profissional, do trabalho que desenvolve na Câmara, ligado ao ciclismo e BTT, da falta de ciclovias sentida por moradores e turistas (a que eu contrapunha os 4 Kms de picada entre a estação da CP e Loulé/entrada no IP1, a necessitar de arranjo urgente), das tradições de Loulé (e Tavira) no apoio a esta modalidade, do sistema de patrocínios às equipas (que dá nomes tão interessantes como Imoholding Loulé Jardim e Whurt Bom Petisco-Tavira), da inauguração do grupo escultórico “O Ciclista”, da autoria do holandês Jits Bakker, no dia 7 de Agosto de 2004, quando da passagem por Loulé da Volta a Portugal (que maldade, este ano Loulé fica fora do percurso), da outra rotunda maior, no início da avenida, com “gente feliz dançando” também do mesmo escultor, aliás internacionalmente afamado . Mas o melhor, mesmo, era contactar o gabinete de imprensa da Câmara.

Quando saí, transeuntes e lojistas sem movimento esticavam o pescoço olhando para o céu. Olhei também. Havia dois: a poente o mesmo azul desmaiado de neblina dos últimos dias, a nascente, por cima de uma fita do mesmo azul, uma massa cor de ferrugem, que dava à cidade um sombreado telúrico. Ardia uma zona do Campus de Gambelas, a universidade de Faro plantada à beira da Ria Formosa.
À noite, um deslocado cheiro a lareira.
Hoje , cumpridas as burocracias e fornecida de press releases q.b., segui caminho por entre cinzas de um dos ex-libris da serra de Loulé: ardia Alte!

25 julho 2004

Azevedo para a posteridade

José Azevedo segurou o quinto lugar na geral no dia das últimas grandes decisões.

24 julho 2004

Mais Azevedo

Já agora, não esqueçam: amanhã, José Azevedo, vai tentar segurar o seu 5º lugar no Tour de France, ao longo de um contra-relógio de 55 Km. Lance Armstrong já quase garantiu a sua 6ª vitória na Grand Boucle. Mais uma bandeira para o vilacondense Azevedo. O Tour acaba Domingo. Depois, a partir de dia 29, começa a Volta a Portugal.

21 julho 2004

Falando de coisas sérias: uma bandeira por Azevedo

Neste país, embriegado de futebol e demasiado preocupado com o tempo político, poucos saberão quem é José Azevedo. José Azevedo tem 30 anos e é de Vila do Conde. Não é juiz, nem procurador, nem funcionário judicial, tão-pouco advogado - é corredor de bicicletas da toda poderosa equipa norte-americana U.S. Postal, e está a disputar a Volta a França em bicicleta.
Poucos saberão, também, que, primeiro nos Pirinéus, e, agora, nos Alpes, Azevedo tem sido  a "alma grande" de Lance Armstrong, o texano que, há poucos anos, venceu um cancro aparentemente fatal e que, agora, caminha, a passos largos, para ser o primeiro ciclista a ganhar, pela sexta vez consecutiva, a Volta a França.
Apesar de estar no "Tour" para velar por Lance, Azevedo tem sido um herói e subiu, hoje, ao 6º lugar da geral.
José Azevedo merece a nossa bandeira.
Daqui até domingo (final em Paris), haverá mais Alpes e mais Azevedo. Vamos todos prestar-lhe um bocadinho de atenção.
 

25 junho 2004

E depois?

Ontem, mal pude, zarpei de Chaves e "voei" para Miranda do Douro (onde tinha de estar hoje de manhã), aproveitando as melhores estradas de Espanha para tentar chegar a tempo de ver na TV o jogo entre Portugal e a Inglaterra. Uma vertigem surpreendente para quem, como eu, é adepto de dois ou três jogos por ano, de preferência no conforto do sofá.
Mas, ontem, eu sentia a excitação dos grandes dias. E pelas mais recônditas terras transmontanas eu vi, tal como nos grandes centros, a agitação da hora que se aproximava, os milhares de bandeiras nas varandas e nos automóveis, o ar ansioso das pessoas que queriam chegar a casa a tempo de ver o jogo.
Cheguei à Estalagem mesmo em cima da hora, ainda a tempo de mudar de roupa, mas esquecido de jantar, num dia em que também não tinha almoçado.
Vi o jogo com o meu colega de escritório e com uma série de pessoas locais que não conhecia. Depressa passamos a ser todos amigos por uma horas. A partir do prolongamento do jogo e sobretudo na hora do penalties, o "animador" de serviço - sempre a aparentar uma falsa calma - sugeriu que fizessemos uma corrente. E fizemos. E gritámos a cada golo. E sofremos com o falhanço do Rui Costa. E vibrámos no final, entre abraços e espumante.
Minutos depois, a pacata cidade de Miranda inundava-se de gente e de automóveis, numa euforia indescritível, tal qual como a que se via nos vários canais de televisão, a partir de diversos pontos do país.
Soube hoje que o Portugal-Inglaterra foi o jogo de futebol mais visto de sempre no nosso país. Seis milhões de telespectadores!!! O que significa que, mesmo aqueles que não são aficionados do futebol, ontem se prostaram junto à Tv para ver o grande jogo.
Sofremos. Sofremos muito, mas valeu a pena. Fomos melhores - ganhámos, ganhámos de uma forma épica.
Há já muito tempo que Portugal não se mobilizava para um grande desígnio. Mobilizou-se agora. À custa do futebol. Com uma energia contagiante, sobressaltando todas as indiferenças, lavando as amarguras da alma, suscitando-nos pensamentos positivos, lembrando-nos que, quando acreditamos, somos capazes de ombrear com os melhores.
Fica a questão: e porque não somos assim em tudo? Precisamente porque, ao contrário do crédito que demos ao valorosos jogadores, temos muito pouco mais a quem dar crédito. Não nos revemos em quem nos lidera, nem em quem, previsivelmente, venha a governar-nos. Porque, em boa verdade, não há líderes em Portugal. Nem há quem tenha visão de fundo para perceber que temos potencial. Nem há quem invente projectos que nos mobilizem. Nem há quem tenha inteligência para nos levar a acreditar que vale a pena canalizar a nossa energia para outros desígnios mais importante do que o futebol. É que, depois do futebol, há mais vida e Portugal pode não ganhar sempre e o Euro não dura sempre. E, no fim do Euro, a sensação de vazio será porventura ainda maior do que a que havia antes do Euro.
Não haverá em Portugal ninguém capaz de romper com a "lógica da mercearia"?

Desfraldar bandeiras

Nunca fui futeboleiro, mas nessa impaciência electrificante do derby , o entusiasmo da vitória gerou um desejo irresistível de partilhar com uma bandeira a glória de Portugal. Procurei atrás do guarda-roupa uma esfarrapada que assinalou muita esperança de dias melhores e comigo viveu os momentos sublimes do “viva a liberdade”. O MDP-CDE ficou, então, hasteado no quarto andar, desfraldando, como em outros tempos, a partilha de emoções, alegrias e esperanças. E senti-me, então, envolvido no mesmo entusiasmo. Mas eis, senão quando, ouço dizer que ali, mesmo na varanda onde eu estava, morava um escandinavo. E de repente, há alguém que diz: aquela bandeira é de um árabe. Fui, então, aconselhado a retirar a bandeira, em nome da “real-politik”.
E interroguei-me: por que se desperdiçam, com muito egoísmo e algum preconceito, as energias que uma bandeira desfraldada galvaniza?!....

24 junho 2004

PORTUGAL


Portugal vence Inglaterra nos penalties
Portugal é o primeiro semi-finalista do Euro'2004, após eliminar a Inglaterra com 2-2 no tempo regulamentar que se manteve no prolongamento e 6-5 nas grandes penalidades.

22 junho 2004

Ainda a bola a saltitar ou de novo «a força de bloqueio».

A propósito de uma acção (ou várias?) instaurada(s) pelo Ministério Público num Tribunal Administrativo contra o Instituto do Desporto de Portugal e, alegadamente, vários clubes de Futebol profissional, José Luís Arnaut afirmou:
«Qualquer um pode pedir, por razões de dúvida, necessidades de protagonismo ou outras, esclarecimentos sobre matérias sobre as quais tenha dúvidas. Contudo, esse é um assunto que não causa qualquer preocupação ao Governo, sendo que também estou certo que o anterior Governo, quando assinou os contratos, fê-lo de forma consciente e transparente».

O responsável governamental pelo Euro 2004, atrapalhado pelo impacto que tal iniciativa processual possa ter em pleno Campeonato europeu de Futebol, apressou-se a desvalorizar um problema que até parece sério.
Com efeito, é bom que se possa saber se os contratos de construção ou remodelação de estádios de Futebol foram subscritos de acordo com a lei, designadamente no âmbito de contratos-programa, em que fiquem salvaguardadas as condições da sua utilização pela comunidade, em geral.
Caso contrário, será importante esclarecer porque razão tal não aconteceu?

O ministro em causa veio invocar a existência de pretensos pareceres jurídicos que teriam permitido ao anterior governo (do PS) a celebração dos ditos contratos, pela forma como o foram.

Pela primeira vez, um membro deste Governo concede que o trabalho do seu antecessor foi louvável. Curiosamente, logo, numa matéria que suscitou a apreciação contenciosa (judicial), pelo Ministério Público.

O responsável governamental pelo Euro 2004, em vez de menosprezar a iniciativa do Ministério Público – que, longe de pretender protagonismos, deve querer suscitar a apreciação judicial da legalidade de contratos públicos milionários que envolvem dinheiro dos contribuintes –, deveria ter tido uma reacção de humildade e transparência, admitindo com naturalidade o escrutínio judicial de tal tipo de negócio.
E pensava eu que foi o PSD que se «opôs» ao Totonegócio!...

P.S.:
Enquanto um Ministro (ele é ministro de quê?) se permitir dizer coisas destas, não nos podemos admirar do que se passa na Polícia Judiciária.

enviado por mangadalpaca©