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11 março 2009

Alegre caminho

A saga de Manuel Alegre continua e a entrevista de sábado passado ao "Expresso" foi a cereja no topo do bolo. Aí revelou a habitual acidez, o queixume por não ter sido eleito presidente da Assembleia da República em 2005, o reconhecimento de que esticou a corda até ao limite, a vontade de concorrer como independente, logo contra o PS, em próximas eleições, o desdém pelo congresso cuja Comissão de Honra aceitou integrar.

Se juntarmos a isto as constantes votações contra o partido, colocando em risco opções estratégicas do Governo, e as festas com o Bloco de Esquerda, adversário declarado do PS, parece evidente que Alegre pretende seguir outro caminho, provavelmente alinhado pelo meridiano de Belém. É livre de o fazer.

Contudo, como alguém já escreveu, Alegre faz este discurso mas não prescinde do lugar de deputado do PS (nem das sinecuras de vice-presidente do parlamento), porque essa é uma das razões da sua força - estar dentro, embora com os dois pés (quase) de fora. Seria melhor para ele e para o PS que fizesse o seu caminho. Negociar com Alegre e a sua "plataforma" como se se tratasse de um subpartido dentro do PS seria um erro tremendo. Era ficar refém dentro da própria casa.

09 março 2009

Miguel Bombarda - um must do Porto

Estive no último sábado no programa de inaugurações das galerias de arte instaladas na zona da Rua Miguel Bombarda, no Porto. Aquilo que já era um must da cidade, conheceu neste dia um revigoramento com a inauguração do troço pedonal daquela rua, com desenho de Ângelo de Sousa. Rui Rio e o ministro da Cultura, Pinto Ribeiro, associaram-se a esta jornada

Foram milhares de pessoas a circular na zona, a visitar as galerias, as lojas de mobiliário retro, de design, de moda e até de vinhos. Muitos jovens e também gestores e quadros de relevo da cidade. Por ali andavam, por exemplo, Rui Moreira, presidente da Associação Comercial, Ângelo Paupério, presidente da Sonaecom, Carlos Moreira da Silva, presidente da Barbosa & Almeida, ou Joaquim Azevedo, director da Universidade Católica. Disseram-me que também Elisa Ferreira andou por ali.

Senti o Porto a mexer e isso conforta-me, porque é sinal de que há massa crítica disposta a (fazer) viver a cidade. Neste caso concreto, regozijo-me que um dos principais impulsionadores deste movimento em torno de Miguel Bombarda tenha sido o meu particular amigo Fernando Santos, cuja galeria tem patente a obra de Gerardo Burmester e Manuel Botelho, para além de outros artistas em exposição colectiva.

Um lamento: vindo de Miguel Bombarda passei pela baixa, por volta das 20H00, e o que se via era "meia-dúzia de gatos pingados". Há que trazer as pessoas para a baixa e essa parece-me uma equação de difícil resolução se não houver uma estratégia concertada entre todos os agentes, públicos e privados.

03 março 2009

Quando o exemplo não vem de cima

Esta notícia do JN do passado domingo deu conta de uma realidade por muitos desconhecida - a sistemática ausência de alguns presidentes de Câmara às sessões das respectivas Assembleias Municipais, o órgão deliberativo e fiscalizador da actividade dos executivos autárquicos. A Lei diz que a Câmara se deve fazer representar pelo presidente nas sessões da Assembleia e que só em caso de justo impedimento este se pode fazer representar pelo substituto legal. Contudo não é isso que acontece designadamente com Luís Filipe Menezes e Valentim Loureiro, em Gaia e Gondomar respectivamente. Rui Rio também costuma faltar bastante.

Os presidentes usam de todos os expedientes para se furtarem ao debate político com as oposições, sempre mais vivo e acutilante nas Assembleias do que no próprio executivo. Em Gaia, vê-se que até o vice-presidente Marco António Costa falta sempre que pode, como se tal fosse um incómodo que convém evitar à melhor oportunidade. É verdade que muitas vezes a qualificação dos membros das Assembleias Municipais, presidentes de Junta de Freguesia e eleitos directos, não é a melhor, mas não se pode aceitar este menosprezo pelo principal órgão autárquico em favor de um crescente presidencialismo. Convivi de perto com esta realidade em Marco de Canaveses, onde muitas vezes Avelino Ferreira Torres faltava às Assembleias Municipais por motivos fúteis, e nunca me resignei com esse facto.

26 fevereiro 2009

Madrid com Bacon

Ir por estes dias a Madrid permite que nos reconciliemos com uma certa forma de viver a cidade. Madrid está nas suas ruas e bares, nas lojas e nas esplanadas. Não há horas de encerramento generalizado das lojas e, noite dentro, é possível ver os passeios cheios de gente. E não são só os turistas. São os madrilenos que vivem a cidade, frequentam-na, defendem-na. Também não se vê prédios a cair, mas sim uma recuperação continuada das fachadas e dos edifícios, pelo menos nas áreas nobres da cidade. É claro que não é alheia a esta forma de viver a cidade, ainda para mais na capital de um país perseguido pelo terrorismo, a permanente presença da polícia nas ruas, que aí está e se insinua na vida das pessoas, transmitindo-lhes tranquilidade.

Por outro lado, ir por estes dias a Madrid torna obrigatória uma visita ao Museu do Prado para ver a exposição de Francis Bacon, comemorativa do centenário do seu nascimento. Instalada na parte nova do museu, uma ampliação muito feliz projectada por Rafael Moneo, a exposição percorre a obra do pintor, falecido em Madrid em 1992, a evolução das suas técnicas e as suas obsessões sobre o homem e a natureza humana. Uma exposição que nos revela as facetas de um artista que marcou o século passado.


Na foto, uma das variações de Francis Bacon sobre o Retrato do Papa Inocêncio X, de Velásquez.

17 fevereiro 2009

Os municípios também vão pagar

O Programa Pagar a Tempo e Horas e o Programa de Regularização Extraordinária de Dívidas do Estado foram criados pelo Governo com o objectivo de reduzir os prazos de pagamento a fornecedores praticados por entidades públicas, permitindo uma injecção de capital na economia que ajudará as empresas, em particular as PME’s, a ultrapassar as suas actuais dificuldades de tesouraria.

Relativamente aos pagamentos de dívidas a fornecedores por parte dos municípios, no âmbito do Programa de Regularização Extraordinária de Dívidas do Estado, a Direcção-Geral do Tesouro e Finanças recebeu 79 candidaturas de municípios que se candidataram a financiamentos de médio e longo prazo, no valor de cerca de 485 milhões de euros. A lista final das 69 candidaturas aprovadas, num montante global superior a 415 milhões de euros, foi ontem publicada aqui.

13 fevereiro 2009

Lobbying

Esta notícia dá conta da vontade, hoje, de Ângelo Correia em substituir Manuela Ferreira Leite na liderança do PSD. Esta outra dá conta das intenções do mesmo Ângelo Correia, mas na passada terça-feira, em que dizia que era necessário respeitar a líder. Está bonito o PSD.

Ângelo Correia, como se sabe, é o mais-que-tudo de Pedro Passos Coelho e deve estar na origem do verdadeiro lobbying em defesa do putativo candidato a líder. Passos Coelho foi entronizado na conferência do jornal “The Economist” e nos almoços do “American Club”, ainda ontem, e tem sido levado ao colo pela redacção do “Diário de Notícias", como bem tem denunciado Pacheco Pereira, no Abrupto.

Julgo que nunca se terá visto uma campanha tão profissional e empenhada na promoção de um candidato à liderança de um partido por forças estranhas ao mesmo. Novos tempos e novas desconfianças sobre o que faz mover os partidos.

12 fevereiro 2009

Relação arquiva "caso da fruta"

O Tribunal da Relação do Porto confirmou o arquivamento do famoso "caso da fruta", negando provimento ao recurso da equipa de Maria José Morgado. A obssessão parece que vai cair por terra, assente que estava em testemunho(s) de credibilidade nula. Como se percebia desde o início.

Quando se procura combater a corrupção, desportiva ou não, com semelhantes pés de barro não se vai longe. E os beneficiados são os verdadeiros corruptos.

10 fevereiro 2009

Para reflexão

O JN de hoje publica um oportuno artigo do Prof. Alberto Castro, em que nos fala da crise, de algumas verdades adquiridas, de mudanças que se fazem e de outras que não parece possível fazer. A ler.

07 fevereiro 2009

Se eu fosse militante do PS

Aproxima-se o congresso do PS e decorre por esta altura a campanha, junto dos militantes, para esclarecimento sobre as moções de estratégia e preparação da eleição dos delegados ao congresso. Não sou militante do PS, mas se o fosse empenhar-me-ia na defesa da candidatura de José Sócrates. Sem dúvidas e sem reservas.
A reeleição do secretário-geral do PS, desta feita sem adversários na corrida interna, é de importância acrescida nestes tempos conturbados. A crise que aí está exige lideranças fortes por parte dos partidos de poder e, no caso do PS, essa liderança de Sócrates deve ser reforçada a pensar no próximo acto eleitoral. Por isso, é pena que os seus adversários, que os há, não tenham assumido nenhuma candidatura a este congresso.
Nem tudo foi excelente nestes quase quatro anos de governação, é verdade, mas basta recordarmo-nos do que foram os anos antes de Sócrates para imaginarmos o que seria o regresso ao passado. Por outro lado, um PS refém das minorias, à direita e à esquerda, poderia trazer sérios problemas de (in)governabilidade.
O governo do PS interveio em sectores como a segurança social, a solidariedade, a justiça, a educação, a reforma da administração pública. Apostou na quebra de alguns monopólios instalados. Enfrentou com coragem as forças de pressão de algumas corporações. Umas vezes melhor, outras menos bem. O balanço que faço, no entanto, é bastante positivo. Sei que muitos dos leitores não concordarão, mas estou certo que a maioria acompanhar-me-á nesta avaliação. Veremos nas próximas eleições quem está mais próximo da razão.

26 janeiro 2009

O Porto ainda mexe

Em tempo de crise, económica, social e motivacional, tem-se dito e redito que o Porto está submerso e enredado nas suas próprias debilidades. Abundam os exemplos nesse sentido, seja a nível político ou empresarial. Apesar disso, o Porto tem nas suas raízes mais fundas as forças que permitem acreditar que é possível recuperar deste estádio. O desporto dá-nos um excelente exemplo.
A cidade que que vibra com o seu FC Porto, à excepção, claro está, do senhor presidente da Câmara, tem assistido com mágua ao definhar do Boavista. Em contraponto, viveu ontem um momento de fervor digno de registo, que orgulha os que gostam do Porto e das suas gentes. Um jogo do campeonato da 2ª divisão distrital, o último escalão de competição oficial, entre o Ramaldense e o renascido Salgueiros juntou cinco mil (!) portuenses no Estádio do Bessa, mais do que grande parte dos jogos da primeira liga profissional. Venceu o Salgueiros, mas verdadeiramente quem venceu foi a cidade, que mostrou estar viva e acreditar nas suas mais genuínas instituições. Haja quem perceba isto.

24 janeiro 2009

Aliança CDS/CGTP

A Assembleia da República chumbou ontem o projecto-lei do CDS-PP que conduzia à suspensão do processo de avaliação dos professores. Uniram-se em torno da proposta daquele partido, apenas por mero oportunismo político, o PSD e toda a esquerda, incluindo cinco deputados do PS. Não foi contudo suficiente para aprovar a proposta do CDS, uma vez que a maioria de deputados socialistas prevaleceu.
O que unia os deputados não era a vontade de encontrar uma saída para o diferendo que afasta Governo e professores. O que pretendiam era infligir uma derrota ao Governo. Tout court. E ver Mário Nogueira, o excelso sindicalista da Fenprof, militante do PCP, nas tribunas da Assembleia a torcer pela vitória do projecto do CDS, além de caricato, ficou para a história das (in)coerências da luta política e sindical em Portugal.

16 janeiro 2009

O veto

Manuela Ferreira Leite anunciou ontem o veto do seu partido à candidatura do inefável Gonçalo Amaral, ex-inspector da PJ no Algarve, à presidência da Câmara de Olhão. Fez bem. MFL não quis misturar os casos de Maddie e de Joana, os livros, as teses e os comportamentos de Amaral, mais as ideias (?) deste para o concelho algarvio.
Contudo, MFL não assumiu essas razões e preferiu dizer que Amaral ainda há pouco era um agente da justiça e que o PSD não quer criar uma imagem de promiscuidade entre a política e a justiça. Ora essa! A toda a hora há magistrados e inspectores a transitar entre a justiça e os mais variados cargos de nomeação política. Para não ir mais longe, não foi o PSD, com MFL a vice-presidente, que foi buscar o juiz Fernando Negrão, após uma saída abrupta da direcção nacional da PJ, e fez dele secretário de Estado, ministro, deputado e candidato às presidências das Câmaras de Setúbal e Lisboa?
MFL deveria ter personalizado este caso e dizer abertamente por que é que Gonçalo Amaral não serve. Para se ficar a saber do que a casa gasta, como bem fez Marques Mendes a este propósito.

13 janeiro 2009

Presidência estranha

Cavaco Silva não teve o meu voto na sua caminhada para a Presidência da República. Não me revejo nem na forma nem na substância do nosso Presidente, que nos últimos tempos tem andado muito agitado politicamente. Depois do Verão quente, sob o “anticiclone” dos Açores, Cavaco começou a preocupar-se em demasia com a agenda mediática e com aquilo que os jornais dizem ou presumem.
Após o magnífico comunicado na sequência de rumores que o relacionavam com o BPN e com os seus gestores, surge agora um outro comunicado a desmentir fontes não identificadas e que defendiam que o Presidente tinha ideias fixas e definidas quanto ao agendamento dos próximos actos eleitorais, em oposição ao Governo. Cavaco desmente rumores e fontes, mas não se fica por aqui. Segundo Mário Crespo denunciava ontem no JN, o chefe da Casa Civil do Presidente, o experimentado Nunes Liberato, ex-secretário de Estado e ex-secretário-geral do PSD sob a liderança de Cavaco, escreveu à administração (!) da SIC, desmentindo as referências que Mário Crespo fizera aos rumores que fizeram transparecer para os meios de comunicação que a Presidência se preparava para não promulgar a Lei do Orçamento de Estado.
Tanta efervescência e tanta irritabilidade, em tempo de crise e a dois anos ainda das próximas presidenciais, são motivo de estranheza e incompreensão. Será estilo ou falta dele?

06 janeiro 2009

Falar verdade

Muito embora fosse a Noite de Reis, com direito a bacalhau, vinho, rabanadas, bolinhos de chila e aletria, pois claro, ainda assim foi possível saber o que Sócrates ia dizendo na entrevista à SIC ontem à noite. Falou verdade, é o que é. Não foi isso que Cavaco pediu na mensagem de ano novo? Sócrates reconheceu as dificuldades, admitiu que vem aí a recessão técnica, porque a outra, a verdadeira, sabemos que já cá mora, mostrou energia para combater os tempos difíceis, anunciou a (esperada) candidatura a secretário-geral do PS e a disponibilidade (hélas!) para ser de novo candidato a primeiro-ministro, disse que ia pedir uma maioria absoluta aos portugueses.
Só não sei se falou verdade quando manifestou vontade de convidar Manuel Alegre para as listas do PS. Mas jogou a cartada certa. Se Alegre não aceitar o convite, ele é que se auto-exclui e Sócrates não fica com o ónus de postergar os adversários internos.
Será difícil, por este andar, travar o passo a José Sócrates.

01 janeiro 2009

Um novo olhar sobre Marco de Canaveses

Eu e o amigo carteiro começamos hoje a aventura de construir um novo blogue sobre o Marco de Canaveses, a nossa terra. Quem quiser dar uma olhada sobre o que vamos escrevendo por lá pode aceder a marco2009.

30 dezembro 2008

Bom Ano Novo

A poucas horas de iniciarmos um novo ano, o Senhor Presidente da República persiste em fazer um grande alarido institucional em torno do Estatuto Político-Administrativo dos Açores, aprovado, recorde-se, sem votos contra pela Assembleia da República, após dois vetos presidenciais. Concedo que os partidos políticos fizeram porventura demasiadas cedências aos seus correligionários açorianos, mas dizer que esta questão "afecta o normal funcionamento das instituições da República", talvez soe a exagero para o cidadão comum, arredio das preocupações com a constitucionalidade material, sobretudo em tempos de crise aguda. Veremos se o Tribunal Constitucional encerra o assunto em tempo útil.

Este diferendo político entre o Presidente e a maioria que suporta o Governo, alargado neste caso concreto aos restantes partidos que não se opuseram ao Estatuto, faz antever um ano pleno de tensão, na justa medida em que teremos três disputas eleitorais – europeias, autárquicas e legislativas. A que devemos acrescentar a recessão económica e as respectivas consequências sociais.

Um ano em cheio, portanto, propenso para o debate e o confronto de ideias.

Um Bom Ano Novo para todos!

23 dezembro 2008

Feliz Natal

A todos os incursionistas - colaboradores, comentadores e demais leitores - desejo um Feliz Natal, na companhia de seus familiares e amigos.

Um abraço

11 dezembro 2008

Extraordinário centenário!

Manoel de Oliveira faz hoje cem anos. É fantástico! Ver um homem, qualquer que ele seja, chegar aos cem anos é sempre extraordinário, mas ver alguém consegui-lo, mantendo todas as suas faculdades, uma energia inesgotável e uma interminável vontade de trabalhar é absolutamente fabuloso.

Oliveira comemora cem anos a filmar “Singularidades duma rapariga loira”, uma adaptação de um conto de Eça de Queiroz. E há mais projectos em carteira. Como se o mundo não acabasse nunca para si. Pelo menos a vontade de viver não cessa, o que é de aplaudir. Como há 66 anos, quando filmou “Aniki Bobó”, a sua primeira longa-metragem.

O nome de Oliveira é hoje reverenciado um pouco por todo o mundo. Os elogios vêm de todo o lado. Pela obra, pela singularidade, pela energia, pela arte que sai da sua câmara de filmar. Oliveira faz cem anos e Portugal deve-lhe uma homenagem sentida. Até pelo incentivo que o seu exemplo pode constituir para os menos novos.

Podemos discutir a sua obra, podemos gostar mais ou menos dos seus filmes, mas quem venceu os mais importantes prémios do cinema europeu, quem teve como protagonistas dos seus filmes actores como Deneuve, Mastrioanni ou Malkovich, para além de alguns dos melhores intérpretes portugueses, terá sempre um lugar ímpar na nossa cinematografia.

Ao fim de cem anos, só falta a reconciliação com a sua cidade. Oliveira negou receber as Chaves da Cidade, porque diz que não foi ouvido pela autarquia. Creio, no entanto, que o arrastado folhetim da Casa-Museu que deveria ter o seu nome, um edifício construído e desocupado há vários anos, onde aliás Oliveira nunca entrou, contribuiu sobremaneira para essa atitude. Será que Rui Rio vai desaproveitar mais uma das suas bandeiras internacionais?

27 novembro 2008

Fiel ao Norte

Esta crónica traz-nos verdades duras e cruas sobre o Norte, com a subtileza (!) da pena de Jorge Fiel. O Norte está em perda permanente e não se vê como recuperar deste estado. Ainda há dias também aqui escrevi sobre alguns outros indicadores preocupantes, relativos sobretudo ao interior do distrito do Porto.

A recessão que bateu à porta, o encerramento de muitas e muitas indústrias de mão-de-obra intensiva e pouco qualificada, com a consequente perda de emprego, os elevados índices de abandono e insucesso escolar, a quebra dos rendimentos e do poder de compra exigem acção por parte do Governo, através de medidas activas que permitam atenuar esta realidade e alavancar um futuro diferente.

Carlos Lage, presidente da CCDRN, dizia esta semana que há um problema de governabilidade na região. É um facto, que se traduz numa factura pesada. Aqui e no resto do país que está à margem de Lisboa. Contudo, como nunca fui maoista, não creio que o poder deva estar na ponta da espingarda, mas sim na força da palavra e da razão. Porque urge lutar contra o centralismo que asfixia o país.

16 novembro 2008

Tão perto do Porto e tão longe de tudo

A recente notícia do JN sobre o aumento do número de beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI), independentemente do que possamos julgar sobre a bondade do instrumento e as fraudes praticadas na sua atribuição – muitos de nós conheceremos por certo casos de atribuição indevida daquele subsídio – veio chamar mais uma vez a atenção para a realidade deprimente que se vive hoje no distrito do Porto. No conjunto dos seus 18 municípios reside mais de um terço dos beneficiários do RSI, totalizando 114.722 pessoas. Nos últimos quatro anos, o número de beneficiários neste distrito cresceu 42% e só nos últimos doze meses houve um aumento de 13%. O Porto tem mais do dobro de pessoas a receber o RSI do que Lisboa. Uma em cada 17 pessoas do distrito do Porto recebe RSI!

Este retrato, aliás, já tinha sido pré-anunciado quando a Rede Europeia Anti-Pobreza apresentou o estudo “O Impacto do (Des)emprego na Pobreza e Exclusão Social no Porto-Tâmega – Pistas de Acção Estratégicas”, que se debruçou sobre os oito concelhos do distrito do Porto que integram a NUT III (Tâmega): Amarante, Baião, Felgueiras, Lousada, Marco de Canavezes, Paços de Ferreira, Paredes e Penafiel.

A finalidade deste estudo visava analisar as dinâmicas de emprego/desemprego nesses oito concelhos do distrito do Porto e a sua correlação com as situações sociais relacionadas com a pobreza e a exclusão social. Perante os resultados encontrados, conclui-se que é urgente elaborar planos de intervenção estratégica adaptados às características de cada concelho, numa lógica de intervenção supra municipal. Isso mesmo tive oportunidade de defender nos órgãos autárquicos em que participo, a nível concelhio e intermunicipal.

Esta realidade deve também ser cruzada com as insuficientes verbas que o PIDDAC destina a esta sub-região para 2009. Não se compreende que os autarcas, os responsáveis partidários e os deputados do círculo do Porto permaneçam indiferentes à realidade que se vive no Tâmega e Sousa e não façam o trabalho de casa que lhes compete, de modo a porem de pé projectos que promovam a integração, o desenvolvimento económico e social, a qualificação dos recursos, o empreendedorismo. Só assim se pode almejar atrair investimentos, fixar quadros, fomentar a atractividade dos territórios. Em suma, virar a página e deixar de estar nas páginas dos jornais apenas por más razões.