Aproxima-se o congresso do PS e decorre por esta altura a campanha, junto dos militantes, para esclarecimento sobre as moções de estratégia e preparação da eleição dos delegados ao congresso. Não sou militante do PS, mas se o fosse empenhar-me-ia na defesa da candidatura de José Sócrates. Sem dúvidas e sem reservas.
A reeleição do secretário-geral do PS, desta feita sem adversários na corrida interna, é de importância acrescida nestes tempos conturbados. A crise que aí está exige lideranças fortes por parte dos partidos de poder e, no caso do PS, essa liderança de Sócrates deve ser reforçada a pensar no próximo acto eleitoral. Por isso, é pena que os seus adversários, que os há, não tenham assumido nenhuma candidatura a este congresso.
Nem tudo foi excelente nestes quase quatro anos de governação, é verdade, mas basta recordarmo-nos do que foram os anos antes de Sócrates para imaginarmos o que seria o regresso ao passado. Por outro lado, um PS refém das minorias, à direita e à esquerda, poderia trazer sérios problemas de (in)governabilidade.
O governo do PS interveio em sectores como a segurança social, a solidariedade, a justiça, a educação, a reforma da administração pública. Apostou na quebra de alguns monopólios instalados. Enfrentou com coragem as forças de pressão de algumas corporações. Umas vezes melhor, outras menos bem. O balanço que faço, no entanto, é bastante positivo. Sei que muitos dos leitores não concordarão, mas estou certo que a maioria acompanhar-me-á nesta avaliação. Veremos nas próximas eleições quem está mais próximo da razão.