
Lisboa, Paços do Concelho dia 1 Fevereiro, às 18h00 (às 16h00 visita aos locais do regicídio – concentração junto à estátua do rei D. José, no Terreiro do Paço)
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d' Oliveira
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Ao ler/ouvir o texto do vídeo, poderia imaginar exactamente a zona em que o meu pai "abancava" no café Aliança, não fora saber que, entre tantas outras coisa boas, ele se distinguia por não se encaixar nesse mundo socialmente estratificado que o vídeo refere... tinha entre os seus melhores amigos pessoas que se espalhariam por algumas das zonas do café descritas no vídeo, pelo que fico curiosa em saber se andaria de mesa em mesa ou se ia variando consoante os dias... Vou tentar averiguar :)
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Esta vai assim, directa, para o éter sem redacção prévia sem plano (como se eu fosse muito dessas coisas) como quem segue uma música ao longe. Morreu o Béjart. Quase diria morreu a dança mas isso ele nunca o permitiria.
eu não sei se o século XX teve muitos revolucionários. Duvido bastante, para falar com sinceridade. Mas se os teve, um deles, e não o menos importante foi este meteoro que agora se vai juntar à grande família das estrelas errantes. Morreu, diz o "le monde". morreu, vírgula! Enquanto se dançarem as suas coreografias não há morte que o leve, que o esconda, que o torne esqecido. E há os filmes, os vídeos e, sobre tudo isso, a nossa memória. E o nosso embevecido encantamento. Aquele homem punha um paralítico a dançar...
Deixo para os críticos, o relato frio e minucioso do que ele fez e não fez. Eu, e porventura muitos como eu, contentávamo-nos em assistir espantados aos espectáculos que ele montava.
Permitam-me que, dentre todos, recorde um, em Lisboa, onde no fim entre intermináveis aplausos, Maurice Béjart chegou-se à boca de cena e condenou o fascismo português. A plateia levantou-se ainda mais e se me lembro saiu-se do teatro numa arruaça tremenda. Béjart foi obviamente expulso nessa mesma noite. Mas o escandalo e a repercussão internacional do seu gesto fizeram o regime dançar freneticamente uma dança de S. Vito. Sem aplausos da plateia internacional e dos jornais de todo o mundo que relataram a acção do grande coreógrafo que de todo o modo ainda estava em início de carreira.
Nem que fosse só por isso, querido Béjart, muito obrigado.
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Por uma vez, provavelmente única, dou a palavra à Maria Manuel Viana que quis corresponder à amabilidade dos companheiros desta barca e enviar-nos um texto seu sobre o Eduardo.
Aqui o recebi e, por junto, copiei-o.
Juntei para o ilustrar uma fotografia de uma máscara Urhobo (Nigéria). Achei que o EPC gostaria dela, curioso como era.
para as incursões
ele teria gostado de ler as palavras do marcelo. ter-se-ia comovido. aquelas eram também as palavras dele. vagueio pelos blogs, à procura dum pequeno sinal, duma memória partilhada, para assim calar esta dor insuportável.
ele já não está.
em 73, cruzámo-nos num festival de cinema na figueira. ele falava da persona do bergman. eu tinha 18 anos. fiquei fascinada.
amámo-nos por entre muitos rostos, muitas outras pessoas, muitos filmes e muitos livros.
ele já não está.
adormeceu devagarinho, no sábado de manhã.
como o menino que era.
ele já não está.
dói-me acordar.
dói-me viver.
ele já não está.
fomos felizes enquanto os deuses o permitiram.
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Era um excelente actor, filmou com a nata da nouvelle vague, este filme, de resto é considerado o primeiro filme n.v. mas o que mais me interessa aqui dizer é que este homem tinha uma paixão descomedida pelo teatro, chegando mesmo a comprar um (les bouffes-parisiens) e a organizar um excelente festival (Anjou, primeiro e Ramatuelle, depois).
É natural, portanto, que a generalidade dos comentadores bem como dos amadores de teatro considerem esta morte - prevista - uma perda. E é.
O leitor MSP, cinéfilo impenitente e este que se assina sentem-se um pouco mais sós.
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Entre a vista que, a 25 de Abril de 1974, tinha da janela do meu quarto, em Caxias, e a que se tinha daqui, em Berlim, onde estou hoje, um mundo de diferencas e algumas semelhancas.
Por isso, nem o corpo esgotado, nem a mente cansada, nem o teclado sem acentos nem cedilhas me demovem de vir aqui gritar VIVA A LIBERDADE!
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(a ilustração é uma reprodução de uma das composições de Mondrian)
QUATRO POEMAS DE SAUDAÇÃO E MEMÓRIA
(para Adriano Correia de Oliveira)
1.
estamos todos fechados na parede do tempo
nessa teia bem triste onde os anos se perdem
no Penedo absortos descobrindo a Saudade
fomos espanto e guitarra ousadia e ternura
uma garra prendendo o terror que morria
nessa noite arrepio tão amarga tão espessa
o futuro era tanto o futuro era tudo
nessa noite onde fomos a mais louca semente
2.
a boémia bebida gota a gota com raiva
a boémia sorvida alegria tão breve
era então que nos ríamos do que havia de ser
uma casa cercando o bolor destes anos
o emprego roendo gota a gota levando
o que resta no fundo dessa larga memória
era então que aventura
era estar devagar nessa curva do tempo
onde a areia mais leve se perdia entre os dedos
dia a dia fugindo ansiosa e suave
era então que nos ríamos devagar sem saber
desta náusea futura que ainda havia de ser
3.
Na secreta raiz de algum poema
tu nasceste por dentro das palavras.
Cantar era para ti uma viagem.
Sentias a revolta, nervo a nervo,
como um pássaro ferido.
Neste tempo rasteiro e abafado,
guardavas o veneno precioso.
Ias para longe de mais e o tempo passa:
os milhafres do nojo prosseguiam,
rasgando a carne pura do teu sonho.
Matavas o silêncio.
Mas na sombra do tempo houve uma pausa,
um outono mais rápido,
um inverno mais súbito.
E as pétalas da noite desabaram,
corroendo o teu nome de grinaldas perdidas.
4.
Procura-se o criminoso !
Na treva mais remota,
nos pensamentos mais lisos,
na lógica mais fria,
nos lugares mais comuns,
nos sonhos mais seguros,
nos corações lineares,
no denso labirinto
das pequenas traições,
é possível encontrá-lo.
Procura-se o criminoso:
como encontrar o castigo?
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