01 janeiro 2006

Crónica de um ano que começa

Foi um 31 daqueles, porque quando acordei ontem, desalmado, estava convencido de que era ainda dia 30 e que a passagem de ano era só a seguir e só percebi que não era quando vi que estava tudo fechado e não havia onde almoçar e disse para mim - que merda - é sempre a mesma coisa nos últimos anos.
Fiquei por casa a ler coisas e depois lembrei-me que tinha de jantar e que não tinha combinado nada com ninguém, é sempre assim!, e fui procurar sítios abertos onde pudesse jantar, depois de ter ido levar umas botas à minha filha que ela tinha deixado esquecidas em minha casa e que eram fundamentais vá-se lá saber por quê, mas há coisas que temos de fazer e pronto.
Desatei a enviar mensagens e alguns telefonemas e falei com a Ju, a minha amiguinha querida que estava no Porto com o João, verdadeiro alfacinha que é do Belenenses coisa inóspita como eu ser da Académica e que além disso tem humor e acabei convencido, sim, convencido, porque sou tímido, a ir jantar a Leça a casa do Jorge que eu não conhecia e que adorei conhecer. Também estava a Luísa que nunca sei se é optimista ou pessimista mas que é uma alegria e é jornalista como a Ju e como eu fui, já lá vai tempo e esse não volta, e estava a Carla que é irmã do Jorge e que eu nunca tinha visto mas que vi e que ainda, a esta hora, hora tardia, ainda continuo a ver. A ver, sim, que a imaginação é fértil e eu sou dado a essas coisas de imaginar o que gosto de imaginar.
Demorámos imenso tempo para irmos aonde tínhamos de ir que a cidade estava cheia e fomos, já com baixas porque a Ju e o João desistiram, mas veio a Ana que é uma boa onda e sabe de mim, a uma festa numas caves do Oporto em Gaia onde havia pessoas bonitas mas não resisti e disse que hoje em dia não basta ser bonito, é preciso ter atitude ou se preferirmos ter classe, coisa que escasseia por aí, mas que a Carla tem e eu disse-lhe e ela com classe desmarcou suavemente, mas eu continuo a vê-la por aqui e hei-de vê-la por aí, estou certo disso porque a atitude é assim mesmo.
Pouco ou o acaso pode fazer a diferença entre o tudo e o que é nada e eu hoje percebi isso mais do que nunca, porque estive na eminência de ir jantar a uma área de serviço como já jantei no Natal de 1999, ou começar o ano bem, coisa a que dou importância desde há alguns anos porque a vida é assim e eu espero ter sido claro quando lhes disse, a eles, que era assim mesmo, e porque sinto que o ano começou bem e a Carla tem atitude e é um ano novo cheio de graça, coisa em que não fui tão explícito quando disse, porque não, coisas que todos percebem, eu sei que percebem, porque já todos passaram por aí e sabem que há coisas que não se explicam.
BOM ANO. Para todos. E já agora para mim também. (8 da manhã do primeiro dia do ano da Graça de 2006).

4 comentários:

Silvia Chueire disse...

Feliz Ano Novo, carteiro! Que tudo corra bem como correu a noite passada. : )

Abraço grande,
Silvia

Cabral-Mendes disse...

Adorei este postal do Coutinho Ribeiro. Nele a vida aparece-nos a palpitar, com as suas dificuldades, as dificuldades connosco próprios, com os outros, as nossas relações, os nossos amores, os nossos desejos.



Um muito feliz no de 2006!

dlmendes

M.C.R. disse...

E ainda por cima o cavalheiro tem "atitude"...

Coutinho Ribeiro disse...

Obrigado. Mesmo.