06 janeiro 2006

Ilse Lieblich Losa(1913)

Faleceu, hoje, na sua residência, na Pasteleira, Ilse Losa. Refugiou-se em Portugal em 1934, fugindo às perseguições nazis. Escreveu contos, sobretudo para crianças. Os motivos da sua obra encontram-se nas experiências da nazificação da Alemanha, sua Terra natal, e nas dificuldades de adaptação à sua pátria de exílio, Portugal. A sua obra foi publicada pelas editoras Afrontamento e ASA. Fazem parte da sua obra, O Mundo em Que Vivi (1949, volume de estreia), Histórias Quase Esquecidas (1950), Rio Sem Ponte (1952), Aqui Havia Uma Casa (1955), Sob Céus Estranhos (1962), Encontro no Outono (1965), Estas Searas (1984), Caminhos sem Destino (1991) e À Flor do Tempo (1997, Grande Prémio da Crónica de 1998).

Para crianças, escreveu A Flor Azul (1955), Na Quinta das Cerejeiras (1984, Prémio Calouste Gulbenkian), A Visita do Padrinho (1989) e Faísca Conta a Sua História (1994). Possui ainda uma obra de crónicas de viagem, Ida e Volta — À Procura de Babbitt (1959).

Em 1984, a Fundação Calouste Gulbenkian atribuiu-lhe o Grande Prémio de Livros para Crianças, pelo conjunto da sua obra.

Era de uma ternura imensa para com os amigos. Foi professora na antiga Escola do Magistério Primário do Porto e tive a honra de ser aí seu colega e a partir daí seu amigo. O seu marido e a sua filha já tinham partido.

3 comentários:

Anto disse...

Pois, ia eu dar a notícia, mas está assim mais completo o retrato desta Senhora tão delicada, tão simples, tão suave.
Escreveu dela própria: "Eu, a julgar pelas velhas fotografias, era uma menina frágil, de cabelo muito claro. Nas feições lisas, infantis, não vejo mais nada que valha a pena mencionar." (in "O Mundo em que Vivi").
Julgo que morreu como a mesma menina frágil que foi. Pena!

M.C.R. disse...

A Ilse e o Arménio eram muito lá de casa dos meus sogros. Ele era um verdadeiro arquitecto á antiga e deixou algumas obras notáveis pela cidade. A Ilse tinha imensa graça porque nunca conseguiu falr um português sem sotaque. No resto era uma portuguesa de corpo inteiro. E quando rapariga, pelas fotografias que vi, era uma bela mulher.
quanto á Margarida, a filha (há ainda outra ...) era uma criatura doce e determinada. O Anto e eu fomos amigos dela desde Coimbra. escreveu um livro de poemas "gracejos à solidão" que era uma interessante promessa. lutou denodadamente contra um cancro que a consumiu.

Rui do Carmo disse...

"... graças ao seu talento verdadeiro e outras virtudes natorais que sempre considerei e continuo a supor imprescindíveis na formação dum grande escritor (a bondade, a força generosa dos sentimentos, o amor da justiça, o desdém da glorieta fácil, etc.), conseguiu vencer a grande batalha de todas as mulheres que se entregam ao mundo num primeiro livro sensacional (no seu caso "O Mundo em que vivi", que tanto trouxe de novo para a nossa literatura). A maioria naufragou depois" - escreveo sobre ela, em 1956, o grande poeta José Gomes Ferreira.