Regresso de terras de Espanha carregada de comparações:
- A alegria de viver que se respira nas praças floridas de Andaluzia e os ares macambúzios que se arrastam pelos passeios estreitos portugueses;
- Os campos cultivados a preceito em imensas extensões que nos acompanham desde Granada até à fronteira e o mato abafador a cortar a paisagem cultivada do lado de cá;
- A vigilância policial nas estradas espanholas e o oásis dos prevaricadores das nossas estradas;
- Os traços sempre presentes da arquitectura espanhola nas casas e edifícios e a mistura indecifrável dos povoados portugueses;
- O cultivo da língua espanhola e o atropelo da palavra em português;
- A conservação de edifícios de lá e a degradação acentuada dos de cá;
Claro que sempre podemos ver tudo isto pelo lado positivo: por cá há muito a fazer.
Portugal é a terra das queixas e incompreensões. Temos todos direito a algo que ainda não nos deram. Somos alvo de injustiças institucionais, familiares, profissionais, pessoais, corporativas, direccionadas, intencionadas. Ai de quem nos diga que, se quisermos, podemos fazer e pensar diferente: claro que não! Então esse tipo pensa que inventou a pólvora? Não sabe que isso não funciona na minha situação, comigo, connosco?
E assim, a seguir às queixas, vêm as justificações sobre as razões pelas quais não podemos deixar de ser vítimas. Só lamúrias inconsequentes. Ou antes, muito consequentes, já que o resultado é um conformismo instalado.
Quanto aos outros, esses sim, é fácil perceber que têm que mudar. É evidente! Só os próprios não vêem: os agricultores, os professores, os políticos, os empresários, os magistrados, os…
Temos todos uma grande capacidade de diagnóstico alheio. Está tudo estudado. Somos todos treinadores. Quanto a cada um de nós: bom, fazemos o nosso melhor.
Desculpem o desabafo. Também eu estou a fazer aqui, de certa maneira, o exercício do lamento, como portuguesa genuína que sou.
Por falar em comparações, isto aqui no Incursões, contrariamente ao país, está cheio de novidades, dinamismo, histórias de vida e não só, que me fazem estar satisfeita pela companhia e por cá estar. Curiosamente encontro também aqui muita Espanha, com tabaco e sem ele.
Aproveito para dar as boas vindas aos novos contributors, Fortes e Contraverso, e desejar que continuem como iniciaram!
1 comentário:
Bem regressada. Também eu partilho dessa melancólica visão quando comparo os dois países .
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