04 março 2008

Au Bonheur des Dames 115


Como se fora minha filha...

É ridículo, é piegas, é tudo o que quiserem. Sei-o muito bem. Mas não resisto à alegria e, porque não?, ao orgulho. A Ana, minha enteada acaba agora mesmo de se formar. Em segredo, como é hábito dela (pensávamos que era quinta feira próxima o exame). Com 17 valores como também tem sido seu hábito. Em Direito, na Católica.
A mãe chora baba e ranho. Eu, comovido até mais não.
De repente, volto atrás, muito atrás, e vejo-me a sair de um exame (Internacional Privado, com o Doutor Férrer Correia) nos Gerais, em Coimbra.
Era um pano de vida que acabava e outro, desconhecido, que se abria. Era também a incerteza. Como agora. Mas durante alguns momentos eu senti-me o rei do mundo.
Não sei o que a Ana sente neste momento. Telefonou há pouco e tive até a honra de ser a primeira pessoa a saber. E creiam-me: senti mesmo que era uma honra, um sinal imperceptível de afecto. De ternura. Ser padrasto não é mau.
É ridículo, é infantil e é piegas mas não resisti a partilhar com um desconhecido grupo de leitores este pequeno momento de bonheur d’un vieux monsieur.

a gravura: Henry Matisse, fenêtre, Collioure, 1905

5 comentários:

jcp (José Carlos Pereira) disse...

Parabéns e felicidades!

Kamikaze (L.P.) disse...

Ainda bem que nos transmitiu a sua comoção aqui neste post, MCR. Foi um gosto lê-lo.

E parabéns e felicidades para a Ana :)

O meu olhar disse...

Mcr, parabéns e muitas felicidades para a sua enteada!
Um abraço

JM Coutinho Ribeiro disse...

Bonito o feito, bonito o gesto, bonito o registo, meu caro Marcelo.
É claro que nós todos sabemos que é agora que começam as dificuldades, mas terminar uma etapa é sempre um feito.
Parabéns à Ana e ao futuro esboçado.
E um abraço para si e para a mãe.

Silvia Chueire disse...

Foi mesmo um gosto ler este post tão afetivo.

Parabéns à Ana, MCR. E um abraço para você.

Silvia