15 março 2008


Por Teresa Ribeiro

Fiquei muito satisfeita com esta nova proposta de lei do PS que proibe os piercings na língua. De facto, se as pessoas são inconscientes e decidem fazer mal a elas próprias, a atitude responsável de qualquer governo que esteja verdadeiramente empenhado em contribuir para o bem estar da população é proibir esses comportamentos desviantes.
Na minha opinião esta proposta só peca por defeito. Para arrumar de vez com os maus hábitos dos portugueses eu propunha que se fosse até ao fim e interditasse também:

1 – O acesso às praias entre as 11h e as 16h
2 – A venda de chupa-chupas, gomas e rebuçados às crianças
3 – O consumo de álcool
4 – O consumo de fast-food
5 – O consumo de tabaco
Também veria com bons olhos a proibição de noitadas e da venda de sapatos com o salto demasiado alto a senhoras com excesso de peso.


Governo simplifica a língua,
por Ferreira Fernandes, no «DN» de 15 Mar 08

NUM PAÍS em que "a minha pátria é a língua portuguesa" era inevitável o sobressalto patriota. Aconteceu ontem: fica proibido pôr um piercing na pátria.
Comprova-se a vontade em simplificar a língua: depois do acordo ortográfico, tira-se o piercing. A pátria ficou mais coesa: havia portugueses com piercing na língua e portugueses sem piercing na língua - ficou um país de língua única (tirando o mirandês).
Quando a lei sair no Boletim, a língua oficial é sem piercing.
Tudo porque, parece, um piercing pode matar. Por isso o Governo decidiu perder o latim com o assunto: não quer uma língua morta. Legislou-se, pois, para que haja tento com a língua.
Mas se passa a ser proibido, passa a poder ser controlado. Como? Vejo o polícia: "Importa-se de nos mostrar a língua?"
É o tipo de caça à multa sem escapatória. Se um cidadão tem piercing, e mostra, multa-se por infringir a nova lei. Se não tem, multa-se por causa da lei antiga: mostrar a língua à autoridade é desrespeito.


O gosto do ayatolla Sampaio
por Coutinho Ribeiro, no Anónimo

A ideia foi de Renato Sampaio que - pode haver quem não saiba - é deputado e líder do PS do Porto e sintetiza-se assim (segundo o JN): os socialistas querem proibir os menores de 18 anos de fazer tatuagens, colocar piercings e aplicar maquilhagem definitiva. Mas atenção: o projecto-lei propõe-se proibir, para todas as idades, piercings na língua, na boca e noutros locais considerados de maior risco. O que diz Sampaio? Que é tudo por uma questão de saúde, mas também por «uma questão de gosto». Sampaio reconhece que distingue mal brincos de piercings e, por isso, entende que os piercings podem ser usados, desde que nas orelhas, onde são tradicionalmente usados os brincos.

Este cuidado de Renato Sampaio, meu colega de debates, enternece-me. Fico a pensar que se o líder socialista do Porto se tivesse lembrado mais cedo desta ideia, ter-me-ia poupado dois desgostos que a minha filha me deu, quando, um após o outro, colocou dois piercings. Eu não tive hipóteses de impedir. Mas o que não consegui eu, vai conseguir o ayatolla Sampaio, um homem que saiu da sombra para afinar o «gosto» dos portugueses.

Venha daí a burka!

1 comentário:

JM Coutinho Ribeiro disse...

Minha querida amiga: isto é um país de tolos!