26 maio 2008

Manif's

Unidos pelos protestos contra a introdução de portagens nas auto-estradas SCUT (sem custos para o utilizador), centenas de automóveis rumaram ao centro do Porto no passado sábado, manifestando-se contra as intenções do Governo (ver aqui todo o dossier do JN). Ao que parece vieram de treze pontos diferentes do Norte e Centro do país, sob a liderança de um autarca comunista da Póvoa de Varzim.
Não vou discutir hoje a justeza das suas reclamações e os princípios que guiam as decisões do Governo nesta matéria, mas incomodou-me que tenham vindo manifestar-se para o Porto. Porquê o Porto? Acaso somos alguma caixa de ressonância do Terreiro do Paço?
As cidades e as populações de fora do Porto passam a vida a insurgir-se contra os defeitos centralistas do Porto, dizendo mesmo que, se houvesse regionalização, o Porto repetiria os mesmos vícios de Lisboa. Dizem que o Porto quer “dominar” o Norte e que para capital já basta Lisboa. Não discuto essas “boutades”. Mas virem invadir o centro da cidade do Porto com manifestações que interessam sobretudo a essas periferias, não deixa de ser irónico.
Querem manifestar-se? Pois muito bem. Então comecem por provocar efeitos nas próprias zonas de residência dos manifestantes, junto dos respectivos poderes locais, e deixem os outros descansados. Querem protestar alto e bom som? Tomem o caminho de Lisboa e entupam o Terreiro do Paço e ruas adjacentes. É lá que está quem manda!

6 comentários:

JSC disse...

Então, o Porto não é a Capital do Norte? É natural que o povo do Norte queira manifestar-se na sua Capital. O problema é se ninguém ouve o povo, mas também não é coisa a que já não esteja habituado...

Antonio Almeida Felizes disse...

Dada a temática abordada, tomei a liberdade de publicar este seu "post", com o respectivo link, no
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Regionalização
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Cumprimentos

M.C.R. disse...

Estou de acordo quanto à inocência do Porto neste específico problema.
O Porto não é caixa de ressonância do Governo (deixe o Terreiro do Paço em paz, que lá já não se decide nada) mas talvez gostasse de o ser...
Estou farto de ver ministros do Porto a serem os ponta de lança do governo em matérias que nos afectam. E quem diz ministros diz deputados...OU NÃOÉ VERDADE?
as populações do Norte sempre viram o Porto como um distrito hegemónico e centralizador. Não é uma opinião, antes um facto. Não é uma boutade antes o fosse.
E não é só o Porto a fazer este papel de capataz. Coimbra faz o mesmo, e um figueirense que o diga... Em termos de regionalização foi exactamente isso que fez com que ela fosse rapidamente derrotada. Com uma inestimável ajuda de maiorais de partidos. eu mesmo participei involuntariamente num jantar em que alguns dos mais influentes dirigentes do PS não se coibiam de dizer todo o mal que pensavam do projecto de regionalização. E rezavam para que não passasse. Parece que as suas orações foram ouvidas...
No que toca ao motivo da manif eu acho que as estradas devem ser pagas pelos utentes. Pelo menos as do litoral. que se saiba a A 14 e a A 17 são pagas! E convém dizer que as alternativas, nomeadamente a EN 109 eram péssimas e mortíferas.

jcp (José Carlos Pereira) disse...

Caro António Almeida Felizes, tomo boa nota do interesse que lhe despertou o post.
MCR, a expressão do Terreiro do Paço vale sobretudo pela simbologia associada ao (enorme) poder central que aí se cimentou. E lá continua, entre outros, o todo-poderoso Ministério das Finanças.

templario disse...

Esta está boa!!! Que grande tiraço nos pés!

Uma oportunidade de ouro para mobilizar os portuenses numa grande jornada de solidariedade com vistas à defesa da regionalização! e ficaram enjoados?! engasgados?!

Não terá sido por estar aí sediado o Governo Civil?

Sendo eu contra a regionalização, não deixaria de estar ao lado dos manifestantes e não me importava se a manifestação tivesse sido convocada por um PSD, um CDS, um PS ou um PCP.

Bem... não é bem assim. Esta coisa de ir em grupos...

Mas a reivindicação é justa.

Lisboa é Portugal.Porto é Portugal.Coimbra é Portugal.

Com um Governo central em Lisboa e uma correcta e eficiente descentralização política.

Um só povo, uma só língua, um só Governo central, uma correcta democracia e políticos sérios (aqui há défice)

Nesta perspectiva "ça ira"!

JSC disse...

Na verdade "Lisboa é Portugal.Porto é Portugal.Coimbra é Portugal". Mas é em Lisboa que se concentram os grandes investimentos públicos. Os projectos anunciados para Lisboa e arredores equivalem aos projectados para o resto do país, o que pode levar a concluir que, nesta perspectiva, Lisboa é mais Portugal.