21 julho 2004

Outras palavras


Não me venderam as palavras que eu pretendia. Estavam esgotadas. É um pequeno mercado, esse em que se vendem as palavras. Que passasse por lá depois, talvez já houvesse as palavras que necessitava. Foi simpática a mulher gorda que vende as palavras inúteis. Sabe, é sempre assim no fim de semana, Segunda-feira será mais fácil encontrá-las. Tenho 48 horas para sobreviver sem as palavras de que gosto. Serei capaz?

3 comentários:

Joaquim Manuel COUTINHO RIBEIRO disse...

As palavras são tão bonitas quando são bem usadas...!

Gastão disse...

«ESTÃO PODRES AS PALAVRAS....»
Estão podres as palavras - de passarem
por sórdidas mentiras de canalhas
que as usam ao revés como o carácter deles.
E podres de sonâmbulos os povos
ante a maldade à solta de que vivem
a paz quotidiana da injustiça.
Usá-las puras - como serão puras,
se caem no silêncio em que os mais puros
não sabem já onde a limpeza acaba
e a corrupção começa? Como serão puras
se logo a infâmia as cobre de seu cuspo?
Estão podres: e com elas apodrece a mundo
e se dissolve em lama a criação do homem
que só persiste em todos livremente
onde as palavras fiquem como torres
erguidas sexo de homens entre o céu e a terra

Jorge de Sena

Silvia Chueire disse...

48 horas. É muito tempo. Não haverá alguém que aceite trocá-las com alguma que vc tenha a oferecer?
Sempre é possível, os gostos variam, vc sabe. Eu se fosse vc, tentaria. Melhor do que a certeza da abstinência, dar uma chance à sorte.