24 julho 2004

Uns e os outros

Às vezes, dá-me para levar as coisas a brincar, outras vezes, quando tenho mais tempo pensar, levo as coisas demasiado a sério. E hoje deu-me para pensar que, enquanto andam por aí alguns a brincar aos ministros e secretários de Estado, outros há que, no país real, dão a cara nos combates contra as tiranias e na tentativa de preservar as coisas mais básicas da democracia.
É um combate que custa tempo, que custa dinheiro, que custa incompreensões, é um combate desigual, que se trava todos os dias, sem apoios, sem uma palavra de alento, com boicotes de quem deveria apoiar, com insultos, com o estreito escrutínio da vida privada, com vigilâncias (e com outras coisas mais graves, que não se dizem, porque também são verdade). É um combate em que nada se ganha, a não ser o sentido do dever de cidadania que se cumpre. Fica a sensação amarga de ser apenas carne para canhão, que se usa enquanto dá jeito.
Mas é bem feito! São estas coisas que nos ensinam a dizer não, quando, nos momentos de aperto, nos batem à porta, nos apertam nos braços, nos dizem que somos heróis, para nos levar a ir à luta que os outros não ousam, porque é difícil.

Adenda de L.C. - Este post merece ser acompanhado de uma boa música de Mozart:
Concerto para piano e orquestra nº 21, K467 "Elvira Madigan" (1785)

36 comentários:

Primo de Amarante disse...

E continuando na linha intimista. Estou feliz! Alma amiga ofereceu-me um cão; ou melhor, uma elegante cadela. disse-me: «foste sempre um cavalheiro, trago-te uma cadela da raça do teu mondego e espero que fiques mais reparado do desgosto de teres perdido o Mondego. Fiquei feliz e fui, toda a tarde, passeá-la para a serra da abobereira, bem perto da terra do carteiro. Foi uma alegria correr com a minha cadela. Passei junto aos dólmens e lembrei-me da generosidade de Ferreira Torres aos microfones da rádio: "se eu mandasse -- disse a edil criatura-- deitava abaixo aquelas pedras e com elas fazia casas para pobres!» Agora a Teggy, mulher de grande sensibilidade polivalencial está no lugar certo para fazer a vontade ao único autarca do seu partido.

Joaquim Manuel COUTINHO RIBEIRO disse...

Sempre a surpreender, o aparentemente distraído L.C.. Além disso, esta música fez-me regressar a Outubro de 1998, numa incursão à magnífica Viena...

Joaquim Manuel COUTINHO RIBEIRO disse...
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Primo de Amarante disse...

Tem de se fazer justiça: "há sempre mais alguém que resiste,há sempre mais alguém que diz não!"

Joaquim Manuel COUTINHO RIBEIRO disse...

Parabéns pela cadela, compadre. Eu sei quanto procurava um novo bicho de estimação. Quanto ao excerto da música, devo dizer-lhe, caso não saiba, que foi uma das que passava diariamente nos carros de som da minha campanha eleitoral. Deve ser a minha costela de esquerda... E na Aboboreira, ainda havia as tais pedras? Ou estarão num muro imenso, ali para os lados de Tuias?

Joaquim Manuel COUTINHO RIBEIRO disse...
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L.C. disse...

Compadre, esta música também é para o cão. Se for macho, chame-lhe "Mozart"; se for cadela, "Elvira".

Joaquim Manuel COUTINHO RIBEIRO disse...

Desculpem, estou aqui com um qualquer problema que me repete os comentários e,depois, não sou capaz de os remover.

L.C. disse...

Já pus mais um link: Um pouco mais de azul.

L.C. disse...

É falta de saliva no dedo, Carteiro!

Joaquim Manuel COUTINHO RIBEIRO disse...

Já reparei no novo link.Acho bem. É um blogue de uma pessoa de quem gosto.

Joaquim Manuel COUTINHO RIBEIRO disse...
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Primo de Amarante disse...

Tudo bem para o nome da minha cadela. Mas essa de "saliva no dedo" tem que se lhe diga!!!....

Joaquim Manuel COUTINHO RIBEIRO disse...

ESte compadre é mesmo malicioso...

Joaquim Manuel COUTINHO RIBEIRO disse...
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L.C. disse...

Pois!... Está escrito também na parte final deste post. Distracções...

Primo de Amarante disse...

A malicia está em quem descobre más intenções. Eu penso, logo expresso.

L.C. disse...

Ainda bem que o link do post falhou. A conversa já não é comigo.

Joaquim Manuel COUTINHO RIBEIRO disse...

Pois falhou, não consegui ir lá. Mas a conversa é sempre aberta....

Joaquim Manuel COUTINHO RIBEIRO disse...
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Zu disse...

Muito obrigada pelo link. Sabe bem ter tais laços com quem gostamos de ler.

Zu disse...

Tinha-me esquecido de dizer que gosto imenso desse concerto de Mozart. Há bom gosto musical por aqui!

marinquieto disse...

Olá!
Gozada a folga (também de blogs), vim aqui, à pressinha - que são quase horas de voltar ao trabalhinho -, ver como estão as coisas.
E dizer-vos que um amigo, desconfiado destas minhas incursoes. deu-me ontem uma´fotocópia de um artido da revista LER nº60, do Outono de 2003, chamado "Blog: o maravilhoso mundo novo!", que começa assim:
"Há dias apareceu este "post" (entrada) no blog "noctivago" (http: //noctivago.blogspot.com):
"Segunda-feira, Agosto 18, 2003
Mais blog.
Naveguei pelos blogs que aleatoriamente me foram aparecendo. Meia hora, uma hora talvez. E já tenho o perfil da maioria. Mulheres acima dos 30 anos, muitas divorciadas, muitas desesperadas, homens que trabalham no jornalismo ou gostavam de trabalhar, literatos frustrados e adolescentes com problemas existenciais. E pouco mais.
posted by Nuno@4:30PM".
Este blog é do "pouco mais", não é?

marinquieto disse...

Que distracção a minha.
1poucomais até aqui escreve!

Zu disse...

A 1poucomais é leitora das Incursões e tem um blog chamado Um pouco mais de azul; daí o nickname, um bocado palerma mas foi o que me ocorreu quando criei o blog.
Não sei se há perfis de bloguistas. O que é citado é demasiado redutor. Há de tudo um pouco pela blogosfera, e motivos igualmente diversificados para por aqui andar. Mas não deixa de ser divertida uma leitura apreciação dessas, sobretudo vinda de quem tem também um blog. Resta saber em qual das categorias ele se enquadra ;-)

Primo de Amarante disse...

Marinquieto: esse rapaz perfilador que escreveu na revista "ler" e que tanto sensibilizou o seu amigo, está, por certo, acima da natureza, humana. Nada tem a ver com essa gentalha de intelectuais frustrados, divorciadas, etc., etc. É pura raça. Tem pedigree. E só tem um pequenino defeito: dar-se ao trabalho de percorrer os blogs para definir perfis. Pena é escrever na revista "ler", onde, sendo uma revista de qualidade, naturalmente terá gente com esse perfil a escrever.
De qualquer forma, marinquieto, deve ser uma felicidade ter amigos preocupados com estas questões!

marinquieto disse...

Compadre, não se amofine!
Encare a questão como eu a encarei quando ele me entregou a fotocópia: com humor.
E, a partir daí, até trocámos algumas ideias giras sobre o que cada um de nós acha dos blogs.
Acho que o convenci a experimentar.
Já percebeu que do que eu gostava era de conversar aqui sobre os blogs ? ... mas acho que vocês não estão na onda.

1poucomais, fui ao seu blog e constatei que se tornou fã da poesia da Maria do Rosário Pedreira.
Também eu! Depois de a ter conhecido aqui, pela Kamikase, sabe que, para além da poesia, descobri também um romance, que se chama "Alguns homens, duas mulheres e eu" (ed. Quasi)!

Zu disse...

O tal rapaz perfilador mantém o seu blog; foi no início da actividade bloguística que traçou tal perfil, ao qual acrescentou, uns posts mais tarde, as professoras. Com todo o respeito que me merece o referido rapaz, que como eu escreve decerto o que muito bem lhe apetece no seu blog e tem todo o direito disso, fiquei curiosa por saber em que perfil se enquadraria: candidato a jornalista? literato frustrado? Divorciada com mais de 30 anos não pode ser, obviamente. Em que categoria classificaria ele o Abrupto, o Causa Nossa ou o Barnabé, já agora?

Cara Marinquieto, de facto encantei-me. Não foi aqui que encontrei a primeira referência a essa autora, mas os versos publicados pela Kamikaze recordaram-ma e levaram-me a lê-la com mais atenção. Desconhecia o romance, mas vou ver se o encontro; muito obrigada pela referência.

Primo de Amarante disse...

Marinquieto: "Amofinar-me", porquê?!... Não deixa de ser curiosa a sensibilidade que lhe levou a ter necessidade de trazer tais considerações para este blog!!! E queira uma discussão sobre os blogs, começando pelas afirmações que trouxe. Muito pragmático!!!!
E para que não lhe fique dúvidas, devo dizer-lhe que estou bem casado (hà trinta anos), tenho duas filhas que são um encanto (já formadas) e publico os livros que quiser numa editora (onde dirijo uma colecção) e escrevo num jornal diário. Também já plantei uma árvore!

Primo de Amarante disse...
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Primo de Amarante disse...
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Anónimo disse...

Não responda, compadre, a provocações de soleironas loiras.

Anónimo disse...

Há questões menores que não devem fazer baixar o nível.

Joaquim Manuel COUTINHO RIBEIRO disse...

Tudo vale a pena ser discutido...

marinquieto disse...

Há sempre um democrata que vem em nosso socorro!
Para que não haja equívocos, aí vão alguns dados biográficos:
- Sou do sexo (não do género) feminino;
- Sou solteira, mas não sou solteirona;
- Não sou loura nem loira (signifique isto: "cor clara, entre o amarelo, o dourado e o castanho claro"; "libra esterlina"; "moeda de ouro"; "cerveja; "abrigo de animais"; ou "homem simplório ou bonacheirão");
- Profissão: "sou um poeta jogo-me aos dados" (Natália Correia);
- Local de habitação: o "território infinito da hipótese" (Ana Haterly);
- Idade: quando me perguntam e quero responder, cito Jorge de Sousa Braga - "Pergunta a um eucalipto/ a idade. Ele dir-te-á:/ Abraça-me".
- O que procuro no blog: informação sobre coisas que não sei e, principalmeente, um debate sem preconceitos com pessoas que também não sejam loiras.

Joaquim Manuel COUTINHO RIBEIRO disse...

Eu não tenho preconceitos e não sou loiro eheehehe