11 dezembro 2004

A propósito do texto de Anaximandro

Poema de um livro destruído

Como é estranha a minha liberdade
As coisas deixam-me passar
Abrem alas de vazio para que eu passe
Como é estranho viver sem alimento
Sem que nada em nós precise ou gaste
Como é estranho não saber


Sophia de Mello Breyner

4 comentários:

Rebeldino Anaximandro disse...

Obrigado compadre Esteves pelo conforto que me traz este poema da Sophia, que continua mais viva do que nunca na sua poesia.Também eu serei em parte judeu, como a maior parte dos portugueses. Os processos da inquisição estão cheios dos nossos nomes e apelidos. Escrevi há pouco tomado de raiva, que não é boa conselheira, eu sei.Podemos sempre dizer mais do que é devido e arriscamo-nos a perder a razão e sermos mal entendidos. Felizmente, a poesia da Sophia e o exemplo dos militares israelitas que todos os dias vão para a prisão por recusarem fazer o que estes fazem, anima-me. Bem haja. E já viu como este blog está bonito, L.C. regressou, trazendo Ravel, Monet e Gauguin, o meu amigo contribuiu com a Sophia eu convidei o Prévert. Tenhamos esperança em melhores dias, também na Palestina.

Joaquim Manuel COUTINHO RIBEIRO disse...

Como é estranha a minha liberdade, também...

Kamikaze (L.P.) disse...

Amigo Anaximandro, um escrito teu despido da tua ironia-imagem de marca! Gosto, gosto mesmo muito... (sem desprimor para a imagem de marca, entenda-se...). E eu, que te conheço há tanto tempo, só te ouvi falar (sim, falar) assim uma ou outra rara vez em que te conseguiram irritar (não é fácil, mesmo nada fácil, eu sei: até para dar a volta às provocações a ironia é uma boa "safa"...)

Ao compadre Esteves, aquele abraço.

Primo de Amarante disse...

Outro para si e muito obrigado por se lembrar deste compadre Esteves.