17 junho 2005

Alvaro Feijó

Quinta feira, 30 de Junho pelas 18,30 na biblioteca Almeida Garrett no Porto é lançada a 6ª edição dos poemas de Alvaro Feijó, um dos mais talentosos autores do Novo Cancioneiro.
À especial atenção dos leitores de poesia e do já habitual leitor José.

5 comentários:

Magistrado de segunda disse...

DO ALTO MAR

Tripulação!
às gáveas e às enxárcias;
ao leme e aos cordames;
atenta à tempestade
que anda no Mar
e vai
no nosso coração.

Tripulação!
Ajuda a tempestade...
Deixa ruir o mastro da mesena!
Lança à boca das ondas o sextante!
Deixa ao sabor das vagas o navio!
Não tenhas pena!

Quando haja só convés ao raso de água:
Tripulação...
Atenta.


Coimbra, 1939

M.C.R. disse...

Com magistrados de 2ª destes não eram precisos de 1ª! Para nada... Obrigado pelo poema (a 1ª das 3 canções, se não estou em erro) com que ilustra a minha notícia: confeso que havia pressa em pô-la. O meu amigo Rui Feijó, irmão mais novo do Álvaro está em pulgas, como se em vez de oitenta e vários tivesse apenas 18 anos!... O convite é extensível a todos quantos gostem de poesia, claro. Vai ser uma bela jornada.
Um abraço, reconhecido do mcr

josé disse...

Amigo MCR:
Nada conheço deste Feijó que anuncia.

Mas conheço doutro: de POnte de Lima, já morto e que nos legou algums poemas com sentido: António de seu nome, legou-nos alguma poesia que se lê sem esforço e nos anuncia o futuro de quem já o viveu.
Repare neste que se encontra aliás, esculpido em pedra numa fonte dessa vila que os romanos conheceram:

"O AMOR E O TEMPO

Pela montanha alcantilada
Todos quatro em alegre companhia,
O Amor, o Tempo, a minha Amada
E eu subíamos um dia.

Da minha Amada no gentil semblante
Já se viam indícios de cansaço;
O Amor passava-nos adiante
E o Tempo acelerava o passo.

– «Amor! Amor! mais devagar!
Não corras tanto assim, que tão ligeira
Não corras tanto assim, que tão ligeira
Não pode com certeza caminhar
A minha doce companheira!»

Súbito, o Amor e o Tempo, combinados,
Abrem as asas trémulas ao vento...
– «Por que voais assim tão apressados?
Onde vos dirigis?» – Nesse momento.

Volta-se o Amor e diz com azedume:
– «Tende paciência, amigos meus!
Eu sempre tive este costume
De fugir com o Tempo... Adeus! Adeus!»
António Feijó, Sol de Inverno, 1922"

Maravilha!

Magistrado de segunda disse...

Descobri o Álvaro Feijó (a poesia descobre-se, no sentido em que se lhe tira a coberta) na colecção de poesia da Portugália. Morreu cedo. A morte é sempre cedo. Nasceu em Viana do Castelo, penso eu de que. Há um encanto discursivo na linha do António Nobre. O mundo, nesse tempo, era a preto e branco. Mas tinha a cor colorida da solidariedade. É uma poesia boa de ler, entre amigos. Ainda há amigos?

M.C.R. disse...

Caro Magistrado de Luxo: também eu tenho a edição da Portugália, com um belíssimo estudo do João José Cochofel. E é uma poesia de boa de se ler, claro. E quente. Tenho a sorte de ser amigo intimo do Rui, irmão do Álvaro, intelectual de fino trato e enciclopédico. e falo nele porque o nosso infatigável josé vem com o outro Feijó, o António (tio avô deste Álvaro) de quem ha meses saiu uma extensa correspondência (2 volumes) com Luis de Magalhães (notas e fixação de testo de Rui Feijó...) É, no meu fraco entender, um texto fabuloso para se perceber a evolução de Portugal nos estertores da monarquia e primeiros anos da república. Alem do mais há um humor fabuloso naquilo tudo e na escrita elegante de Feijó. Caro José leia o poeta das Bailatas, obviamente, mas não perca os poemas do sobrinho e tão pouco estas Cartas de que lhe falo. Não perderá nem o seu tempo nem o seu dinheiro, Julgo que V é minhoto, uma razão mais para não perder estes livros. sou pouco de bairrismos excepto quando estes se referem a coisas boas. A tribo Feijó vale a pena. Apareça no dia 30 na biblioteca do palaácio de Cristal. Terá a oportunidade de ver alguns desses Feijós e este Rui de que lhe falei.