13 junho 2005

Um pobre retrato

Quem leu ontem a revista “Pública” pôde ver um retrato, pintado muito ao de leve, da minha terra natal, o Marco de Canaveses. Está lá um pouco de tudo: o caos urbanístico, a proliferação do betão, a reduzidíssima rede de abastecimento de água e de saneamento, o elevado abandono escolar, a falta de oportunidades e de perspectivas dos mais jovens, a falta de indústria e de emprego, a cumplicidade entre alguns padres e o poder político, o peso do futebol, o controlo da comunicação social local, a ausência de infra-estruturas e de actividades culturais dignas desse nome, as agressões e os insultos a quem faz oposição. Para não falar do “sufoco” que os repórteres da “Pública” devem ter sentido de perto enquanto estiveram retidos no gabinete do presidente da Câmara, num “toma lá, dá cá” de fitas magnéticas e fotografias.
Para quem não conhecia esta realidade, pode agora imaginar o resultado de vinte e dois anos de governação autárquica de Ferreira Torres e das suas equipas. Além da falência financeira, Torres asfixiou o concelho e impediu o desenvolvimento social, económico e cultural que podemos ver em tantos outros municípios deste país.

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