16 dezembro 2005

O apelo às desistências

O modelo dos debates com candidatos à presidência da República seguido pelas televisões tem servido o interesse público de esclarecer diferenças entre os candidatos.
O debate entre Mário Soares e Francisco Louça veio mais uma vez confirmar isso. Em política as diferenças não podem ser alienadas mesmo em nome de imperativos da luta contra a direita. Ficou bem a Mário Soares distanciar-se dos apelos dos socialistas para a desistência dos restantes candidatos de esquerda. Poderia ter havido uma estratégia de convergência de toda a esquerda e nesse caso não se podia falar na alienação das diferenças. Procuravam-se denominadores comuns e encontrava-se o candidato que desse garantias de assegurar essa convergência. Os dirigentes do PS, no pragmatismo utilitarista que cultivam, esqueceram-se de promover essa convergência. Devem, por isso, tirar as devidas consequenciais do seu autismo e não enveredar por um oportunismo quase chantagista.

1 comentário:

O Hóspede disse...

Subscrevo por inteiro o que acima está escrito pelo Compadre. Efectivamente, o esforço pela convergência deveria ter acontecido antes e não agora. Agora, todas as declarações nesse sentido só podem ser entendidas como patéticos apelos para salvar a face de quem não teve visão nem golpe de asa.
Soares vai perder e vai procurar arranjar uma vitíma. Mas o único responsável pela situação criada é o próprio Soares, por se ter deixado deslumbrar e contradizer nas suas próprias e recentes convicções.
Soares deveria ter funcionado como o congregador de um candidato de toda a esquerda. Se assim tivesse sucedido, Soares reforçaria o seu peso e importância na História.
Assim, ao aceitar intervir como agente desagregador, Soares sairá de cena como um derrotado, sem tempo nem destino que lhe sobre.