06 janeiro 2006

In memoriam

Nação

Aqui jazes
entalada na dobra dos tecidos
num esgar enfeitado de sargaço.

como gelatina do mar
esmagada entre dedos
esvai-se-te o sangue pútrido das veia.

Secularmente se te acumularam os adubos
ao longo das dunas domesticadas
e na brisa os chorões gastaram as sementes.

A água salgada veio com peixes mortos
realimentar-te as prais.

Agora, devagarinho lambida pelas ondas
jazes esventrada.

do livro "Gracejos à Solidão" (Inova, Porto, 1972) de Margarida Losa (1943-1999).

Quem aqui passar relembre com alegria a Ilse, o Arménio ("Carmo") e a Margarida Losa. RIP

1 comentário:

Anto disse...

Sim, são-me particularmente (como dizer?)queridos.
O Arquitecto Losa foi o autor do projecto do edifício onde está instalado o Centro Distrital de Segurança Social, na Rua António Patrício. E tive várias reuniões com ele, para as adaptações a fazer. Em 1980/81.
Para o Sihd e para a Maya o meu abraço.