01 fevereiro 2006

Façamos as malas...

"As pessoas que escrevem nos blogues, como muitas que escrevem nos jornais, como as que falam na televisão, dão aquilo que elas julgam ser opiniões. Políticos falhados, jornalistas frustrados e tanta outra gente completamente iletrada, que não conhece os assuntos, e podiam dizer aquilo, ou o contrário, que era igual ao litro" - Vasco Pulido Valente, in Notícias Magazine - Janeiro de 2004.

Depois de ler estas palavras de VPV, acabei por perceber a agitação que a sua entrada na blogosfera provocou. O abalo telúrico. O orgasmo colectivo. A bajulação permanente. A concordância absoluta com o que o homem escreve. A palavra de deus. Com VPV, a blogosfera mudou. Como são diferentes os jornais onde VPV escreve e as TV's onde perora. Por isso, a blogosfera deixou de ser nossa - dos iletrados, dos falhados e dos frustrados. A blogosfera chama-se agora VPV. Não tem lugar para mais ninguém a não ser, talvez, para Constança Cunha e Sá. Façamos as malas...

12 comentários:

O meu olhar disse...

Para mim, Vasco Pulido Valente pode dizer isso, ou o contrário, que é igual ao litro.

Primo de Amarante disse...

Mas, os meus compadres não sabem que VPV é completamente doido! Precisam e estórias!?...

Cabral-Mendes disse...

Tenho que ter cuidado, caso contrário foi ficar traumatizado por causa de Sua Excelência o Senhor Ministro, perdão, o Senhor Escritor/Jornalista/Historiador Vasco Pulido Valente ( aqui não se pode ver a profunda vénia que ora faço...).

josé disse...

As crónicas de VPV, para mim, são das melhores que se podem ler nos jornais.
Por isso, o aparecimento dele num blog e a escrever da forma como o costuma fazer, só pode merecer encómios.
Por isso, deixei lá o seguinte comentário que reproduzo aqui:

"s blogs são um reduto de meia dúzia ( umas poucas centenas, vá lá...) de privilegiados pelo sistema educativo e pelo gosto em ler textos opinativos, com alguma informação à mistura.

Quanto à opinião, prescindo de ler a maioria da que se vai produzindo.
Presta pouco; é mal escrita e denota ignorância ou má-informação, numa boa parte dos casos. É fruto de diletâncias de indivíduos que em determinada altura, honrados pelos convites das luminárias que dirigem jornais, se julgaram aptos a catequisarem os indígenas.

Quanto à escrita e ao exercício prático, a qualidade é mediana com algumas excepções.

Uma delas, é exactamente a de VPV.
Escrever com estilo, não é o mesmo que debitar opiniões com outro estilo, mesmo caceteiro.

É pegar aí nos jornais e ler o que se produz no mercado da opinião.
Ler quem inventa novo uso para palavras esquecidas; quem adequa a semântica, tornando em moda certas expressões; quem sabe construir frases curtas e incisivas que dizem o que querem dizer e não se embrulham nas palavras.

Quem não aprecia isto, toma-me por mais um basbaque que vem para aqui tecer loas ao novo blogger, como se fosse o ídolo das matinées dos fim de semana em que se liam jornais.
Puro engano.
Escrever bem, é um dom. Não escreve bem quem quer, mas quem pode.
É uma arte, quoi! "

Cabral-Mendes disse...

REPITO: Tenho que ter cuidado, caso contrário VOU ficar traumatizado por causa de Sua Excelência o Senhor Ministro, perdão, o Senhor Escritor/Jornalista/Historiador Vasco Pulido Valente ( aqui não se pode ver a profunda vénia que ora faço...).

( a miopia dá nisto...trocam-se as teclas....). Pronto(s). Agora já está corrigido. UF! Se o VPV vê estes erros!...

Aproveito para acrescentar que é interessante analisar as interpretações dos factos históricos pela lupa de VPV; como aquele seu livro que há tempo li, com muito "gozo" intitulado "Marcello Caetano: as desventuras da razão" (já agora, diga-se com um belo retrato de MC na capa a preto e branco...).

Mas tal não impede que se reconheça que o homem tem cá “uma pancada”...

Como diz CR, resta-nos fazer as malas, indignos escribas que somos...

dlmendes

xavier ieri disse...

Fico abismado com tudo isto:"Políticos falhados, jornalistas frustrados e tanta outra gente completamente iletrada, que não conhece os assuntos, e podiam dizer aquilo, ou o contrário, que era igual ao litro".
Evidentemente que sim.
Mas o mesmo se passa nas praças, nos cafés, nos locais de trabalho, nos restaurantes... eu sei lá!, onde toda essa e outras gentes falam, falam, falam...
São espaços que diferem do virtual apenas em dois pontos: não carecem da intermediação de um teclado (e o mais associado) e, em regra, não deixam registo escrito.
E depois?
O VPV deveria ter percebido que o problema não é de quem escreve.
É de quem lê!
É o ónus da inteligência na selecção.
O contraponto é a arrogância intelectual com um misto de lápis azul.

O Hóspede disse...

VPV vê-se ao espelho quando fala (escreve) assim. E, claramente, não gosta do que vê.
Quanto ao mais: blá!, blá!, blá!

Luís Bonifácio disse...

É certo que aquilo que VPV escreveu se pode aplicar a blogues, mas se olharmos com detalhe, também se pode aplicar a VPV (Politico falhado, arquitecto sem qualquer projecto, mas bom historiador). Talvez por reconhecer isso chegou agora à blogoesfera.

Primo de Amarante disse...

Este VPV não é arquitecto, mas historiador. O arquitecto Polido Valente é um óptimo arquitecto, com obra.

Isabel Magalhães disse...

O VPV não tem comparação no que escreve. E o resto é conversa.

Coutinho Ribeiro disse...

... nem mesmo o Oscar Wilde, diria eu, isabel, depois de ler o seu perfil...

M.C.R. disse...

VPV escreve muito bem. Parece-me indiscutivel. Tem opiniões. Idem aspas aspas.
Muda muitas vezes: Já é pior.
É capaz do melhor e do pior. A coisa aquece.
Está a piorar. É da idade.
Leva-se muito a sério: é esse o seu pecado absoluto e capital.