18 maio 2006

foi bonita a festa, pá!

Carta que mcr escreveu do Porto para a Sílvia no Rio de Janeiro

Pois é Sílvia, as promessas são para cumprir ainda que as suas contínuas faltas com o infantil pretexto de que o Brasil é longe e à desamão, nos comecem a fazer pensar que V. não nos quer ver nem pintados. Pois desengane-se, que não tarda nada se publicará aqui uma fotografia do alegre grupo que ontem se reuniu no Porto, a pretexto da apresentação de um livro do José António Barreiros, nosso comentador ocasional e do 2º aniversário do blogue “incursoes” sem til.
E comecemos já por este pequeno facto: dois anos já! Nada à escala da nossa pregressa história e tanto se pensarmos no efémero mundo do ciber-espaço! Já cá andamos há dois anos e não parece que desistamos tão depressa. Como diz o JCP aí abaixo, a nossa pequena comunidade sente-se bem neste blog sem pretensões (nem til) e promete continuar. Desta vez fez-se coincidir a festa com a apresentação de um livro - “Nathalie Sergueiew”, uma agente dupla em Lisboa, primeiro título de uma nova editora “O Mundo em Gavetas” a que a nossa malta está sentimentalmente ligada por várias e boas razões. A editora tem um belo programa, é de pessoas da casa, o autor além de nosso comentador tem bom humor e gosta de contar histórias. Chega, ou quer mais molho? Já falei há algum tempo do livro pelo que me abstenho de juntar mais elogios. Espero apenas que a nossa excelentíssima administradora queira mostrar a capa do livro porquanto a acho muito bem feita. Um bom livro, apaixonante, uma bela capa. Venham mais!
O segundo ponto desta cabotagem vai, querida Sílvia, para um comentário “machista” é certo mas de uma verdade tal que decerto não sofrerá contestação. As mulheres do nosso blog estão que fervem! Como diria o meu querido Cela: “la mar de buenas!”. E como se verá na fotografia que há-de aparecer, em a Kami querendo, as mulheres dos contributors não lhes ficam atrás. Falo das presentes mas poderia, sem medo, falar das dos ausentes também, que as conheço. Ora aqui está um grupo de conspícuos cavalheiros que poderão ter todos os defeitos do mundo mas que também abundarão numa virtude: têm bom gosto! Nada mau para os tempos que correm.
Foi pois, cara contributor Sílvia, uma boa dúzia de alegres convivas que se reuniram nesta velha cidade, para celebrar o 2º ano do blogue. E depois do momento cultural nada melhor do que dar ao dente. O que se fez galhardamente num pequeno mas amável restaurante, já conhecido do nosso Carteiro, do JCP e deste que estas, modestamente, vai traçando. E, curiosamente, da nossa leitora, a prima Maria Manuel que, noutro dia, por acaso o do seu aniversário, me confessou ser este um dos sítios portuenses de que mais gostava. Se lhe juntarmos a minha enteada Ana que é uma espécie de agente public relations do restaurante, logo se verá que a coisa merece destaque.
Que contar do jantar, dos antecedentes e consequentes? Pois pouco que as histórias alegres e felizes têm em comum isso mesmo: não terem história. Portanto passemos à pequena crónica: o mais jovem dos nossos contributors, o temível frei Delfim das cinco Chagas, apresentou-se garbosamente à comunidade que estava ansiosa por lhe ver a cara. É que havia gente que jurava que ele usava uma coroa, que ele tinha bigodes farfalhudos e encerados à Kaiser Guilherme, que ele tinha uma halo de santidade atrás da cabeça, que ele usava hábito de franciscano, sandálias e tudo!, que ele tinha asas de anjinho da guarda... enfim um ror de coisas a dizer com o apostolado a que ele se dedica nestas páginas etéreas onde o laicismo tem tido forte primazia.
Pois nada disso: o farsante apresentou-se de mulher a tiracolo, uma bonita juíza que dá por Ana, olho azul e ar calmo, enquanto o cavalheiro em questão se mostrava de gravata cor de rosa sobre camisas de riscas idem, circunspecto e barbudo, q.b. - aquele género de barba que a gente não sabe se é barba propriamente dita ou se é apenas preguiça, está a ver? Fora isto ria-se como os demais e teve a ousadia de me oferecer um catecismo! Que aceitei e vou ler: não creio que me aumente a fé inexistente, mas mal também não me fará e até, sabe-se lá, pode ser leitura boa para umas malditas insónias de que vou padecendo. A ver vamos.
A segunda novidade, para este seu criado e admirador, foi a aparição do “Mocho Atento”. Finalmente um cavalheiro com uma barriga maior do que a minha! E com uma piada que nos escangalhou várias vezes em gargalhadas. V., que não é destas bandas, não sabe o que é um típico portuense a falar, com a pronúncia castiça desta cidade, mas tenha a certeza que isso (a pronúncia), aliada a uma natural graça e às expressões do mais vernáculo português tripeiro, fazem deste nosso companheiro uma companhia excelente. Mocho amigo, vamos lá ver se nunca mais falta. Sem si estas reuniões já não parecerão as mesmas.
O jantar foi pontuado por ruidosa e bem disposta crítica a alguns aspectos da vida colectiva portuguesa com forte incidência no panorama da nossa magistratura. Não admira se nos lembrarmos que dois terços dos convivas trazem nos genes o ferrete de terem frequentado uma qualquer faculdade de direito. Terá sido por isso que o nosso JCP, um historiador “vendido” ao grande capital, se recusou a fumar um daqueles imensos e caríssimos charutos, daqueles que são enrolados nas coxas generosas de mulatas cubanas, heroínas do trabalho socialista e cantoras de rumbas e boleros. O JCP confidenciou-me que não ia gastar um charuto que custa o ordenado de cinco trabalhadores cubanos durante um ano para ouvir uma conversa insipidamente jurídica. Tinha carradas de razão, convenhamos. Os charutos não se dão em conversas sobre a insanidade mental que reina no pais dos três pastorinhos.
Mas também não se deve deixar passar em claro que, acabado o jantar, regressados uns a Lisboa(Kamikaze e JAB), outros a Viana (o José e a Ana), outros ao Porto (a nossa "o meu olhar" e respectivo que é um simpatiquíssimo caladão!), houve um pequeno grupo que ainda se manteve por uma boa hora à porta do restaurante à conversa. Até o Carteiro lá estava. Estava digo, que depois, solicitado por afazeres urgentes de carácter jurídico, foi raptado por duas senhoras que também não estavam nada mal. Coitado do nosso Carteiro: ter de trabalhar pela madrugada fora!
A reunião da porta só terminou quando a chuva até então esporádica ameaçou virar aguaceiro. E de certo modo continuou até à pouco porquanto o das Chagas intimou este seu criado para um almocinho. Lá tivemos de abater um arroz malandro de mílharas que acompanhava um belo peixe galo grelhado (oferta do "missionário" a este descrente a pretexto que eu lhes teria servido de motorista; é verdade mas se a paga for sempre esta para a próxima apareço fardado ou, pelo menos, com boné!; ‘brigados' Ana e Delfim e “sempre às ordens”).
Querida Sílvia, espero que esta descolorida prosa tenha pelo a utilidade de a fazer vir até cá para o 3º aniversário. Senão teremos nós de ir aí! Valeu? Um beijo do seu amigo
mcr

P.S. Caros companheiros bloguistas, gostei muito de estar convosco.

P.S. Kami já usei aqui o "edit post". Está a ver que eu sou bem mandado?

5 comentários:

C.M. disse...

Enquanto me dirigia, ao fim do dia de quinta-feira, para Lisboa, deixando para trás um ror de amigos e uma cidade de que tanto gosto, ia pensando que o meu bom amigo Marcelo bem seria capaz de estar no seu Castelo, a elaborar um texto como só ele sabe fazer!

E é verdade! Aqui chegado, após três horinhas de viagem (que a auto estrada deve ter para aí uns quantos radares…) abri o computador et voilá! Eis aí o sonhado texto…

Excelente, excelente…mas a verdade é que estamos, eu e a minha dona, em dívida para com o MCR: com efeito, ele esteve “por nossa conta”: foi buscar-nos e levar-nos ao hotel, deu voltas e mais na sua "máquina" para tudo quanto foi sítio…

Para além do fantástico ambiente que se criou na apresentação do livro do nosso amigo José António Barreiros (um grande humanista! mas isso dá para um outro postal...), e no jantar propriamente dito (onde pudemos confirmar os fortes laços que nos unem, apesar das diversas sensibilidades em presença – mas é precisamente esse facto que nos enriquece a todos…) encontrámo-nos, eu e a minha “razão de viver” na manhã de quinta-feira, com o nosso MCR, no Majestic sito ali na famosa Rua de Santa Catarina, conspirando “comme il faut”…bebendo uns cafezinhos...Mas mal ele sabe que afinal, e ainda antes do nosso encontro, em vez de termos dado uma vista de olhos nas lojas, não resistimos a entrar ali na Igreja da Capela das Almas e rezar um pouco por nós e pelos nossos amigos…e ainda assistimos à Missa (informo que esta é, aquela hora, das 12H15 às 12H 40 sensivelmente…) isto enquanto o nosso MCR lia tranquilamente e inocentemente o seu “L’Express”! Ele há coisas!...

Dali a um belo almoço, tardio como convém a um dia de preguiça, foi um passo!

Enfim, muitos pormenores aqui havia para relatar mas o dever de reserva impõe-me o silêncio!

Só vos digo, meus amigos, que acabámos por fazer um excelente AMIGO! É sempre tempo, na vida, de os fazer e cultivá-los com amor!

Isto sem falar dos outros “compagnons de route”, com os quais se criou uma excelente cumplicidade! A Kami, a marota que engana bem...essa mesma, a do pimpolho! “Elas hoje em dia enganam muito…” o Coutinho Ribeiro (uma excelente pessoa...não há hipótese de não se gostar dele!) o David (o Mocho, esse mesmo…quem me dera trabalhar com alguém assim...que alegria!), o José Carlos (JCP) que se vê mesmo que é muito bom rapaz...ele há empatias instantâneas...! E a nossa discreta e bem simpática “o meu olhar”… e o Forte, muito circunspecto este nosso rapaz…com a sua mais que tudo Ana…enfim, pessoas excelentes! O “Incursões” não é, de facto, um mero blog: é, antes de tudo, uma confraria de amigos!

Até poderia ser um segundo subtítulo para o blog: Incursões: uma Confraria de Amigos!

Silvia Chueire disse...

MCR,

Estou aqui roída de inveja, das grandes ! : )
E como me diverti com a sua crônica! Vontade de conhecer este restaurante...
Então as mulheres lindas, é? : ). E o Delfim de barba...Nunca pensei, imaginava-o mesmo assim, digamos, celestial.
Ah, não posso agora comentar um a um os seus comentários. Mas achei graça na surpresa com o Mocho, afinal um mocho não é soturno e calado? :)
E gostaria de ter conversado com a Kami ( por alguma razão que não sei bem, acho que teríamos muito a conversar ) e visto, lido, o livro.Com o JCP ( eu também não fumaria charutos, mas por outras razões, já cigarros...). E de conhecer a "o meu olhar". Assitir ao rapto, coitado, do Carteiro para trabalhar tantas horas e logo a horas tardias.
E conversar, rir, divertir-me com você, claro.
Bebendo um bom vinho tinto com todos, o que é mais que claro.

Bem, se quiserem vir fiquem à vontade, eu prometo abrigo, e ciceroneio. : )
Espero não ter que esperar até o ano que vem, MCR. Pretendo ir a Portugal antes disso. POrtanto preparem-se no segundo semestre!

C.M. disse...

UAU!!!

Silvia Chueire disse...

Tão bom saber, Delfim, tão bom saber. Gostei de ter notícias suas. : )
Barba, é? De quem tem preguiça ? : )

C.M. disse...

Bem, caríssima Eugênia, é uma barba suavíssima (gaba-te...)que uso há anos...ahahah...beijos, DLM