13 março 2009

Au Bonheur des Dames 174


Emigrante da terceira idade

Ai leitorinhas, isto está que ferve! Então não querem lá ver que deu a louca nas nossas comandantes e vai daí parece que vamos todos para o Sapo. Eu não tenho nada contra estes amáveis anfíbios terrestres. Mesmo quando eles se transformam em príncipes por via de um beijo de uma princesa. Há-de ter sido um beijo e peras! Se é que foi só um beijo e não algo mais íntimo: é sabido que nas histórias infantis o beijo substitui outras actividades libidinosas de maior vulto e condenação garantida pelas igrejas.
Mas a verdade é que estamos de malas aviadas para o Sapo. Porquê?, perguntarão as mais atrevidas de vocês. Pois, se querem que vos diga a verdade, não sei. Coisas de mulheres, em especial de “o meu olhar” que agora é a almirante em chefe, visto a Kami ser a almirante resignatária e a Sílvia a nossa almirante in partibus. O pessoal masculino ouviu as ordens, bradou presente!, bateu tacões, pôs-se em sentido e depois de ouvir a arenga da comandante em chefe, voltou a bater tacões, fez a continência e destroçou. Se perceberam ou não, desconheço. Obedeceram como é devido e pronto. Às ordens, minha comandante!, foi o brado uníssono. “E que Deus nos ajude!”, terá sussurrado in imo pectoris o nosso Mocho Atento.
E por aí vamos. Ou iremos. Enfim, está para breve.
Claro que vocês já terão adivinhado o drama que isso representa para um analfabeto informático como este que estas vai dedilhando. Felizmente, o Sapo delegou num amabilíssimo Pedro a tarefa mil vezes ingrata, de conduzir esta ovelha tresmalhada ao bom caminho. O desinfeliz deve já rogar pragas quando recebe um mail meu a perguntar o que devo fazer a cada passo do processo de transferência. Ganhará o céu só com o que tem penado, e vai penar ainda, com este filho pródigo da internet.
Estou a até a pensar se não valeria a pena criar um novo tipo de castigo (divino ou humano) para quem se portar mal: vais aturar o mcr e outros da mesma laia em questões de internet! Vai uma apostinha em que os pobres além de pedirem misericórdia, ainda propõem uma pena de substituição, estilo prisão efectiva ou coisa idêntica ? só para se safarem de um brutinho coriáceo que não sabe o que é uma “URL”?
Voltando à vaca fria: vamos embora. De todo o modo isto, este incursões do google fica aqui parado no tempo, como uma mosca varejeira dentro do âmbar: e com uma nota, suponho, a dizer onde é que doravante (daqui a uns dias…) nos encontram.
Confesso que vou ter saudades. De quê?, não sei bem ao certo. Mas uma mudança é sempre uma mudança et quand on a soixante sept berges partir c’est finir un peu. Ou beaucoup! On va voir ce qu’on va voir. Isto em franciú tem outra pinta. E com argot pelo meio, ainda mais.
Vamos embora. Espero que em boa hora. Como dantes se dizia às parturientes: tenha uma boa hora. Que Nª Sr.ª do Ó nos acompanhe e proteja. E, claro que a Sr.ª da Encarnação, tão de Buarcos, nos deite uma mãozinha. E, já agora, que nunca é demais, que Santa Rita de Cássia, padroeira das mulheres vítimas de maus tratos e dos impossíveis vele por nós, ou por mim, que durante anos fui seu especial romeiro em Moledo (ou melhor em Caminha) assistindo com devoção e alguma surpresa à procissão desta santa.
E aqui um desvio: a procissão de Santa Rita era um prodígio. Já não falo do grupo final de mulheres amortalhadas em trajes sombrios e descalças que eram, ao que sei, as mal tratadas já referidas e que desfilavam ali não sei se para implorar as graças da santa ou simplesmente para acusar maridos e familiares mal tratadores, mas apenas dos restantes figurantes onde não faltava a “Rainha do Mar”, a “Rainha das Sardinhas” e, espantem-se, o “Marquês de Pombal”!!! O marquês desfilava acompanhado, ou precedido de um pagem. E havia também um grupo de soldados romanos a quem o Joãozinho Simas chamava “os homens da luta” exigindo em alta grita ao pai, o nosso confrade Simas Santos um fato igual. Nunca o teve, ficou-se por uma farda de “Homem Aranha”, horrenda e comprada no Corte Inglês de Vigo que causou grande sensação entre os meninos banhistas de Moledo. Foram dias de glória para o minorca do Joãozinho que, ainda por cima – luxo dos luxos! – tinha uma verdadeira cabana construída com todo o esmero pelo escultor marceneiro Manuel Sousa Pereira . Uma cabana, com porta e janela! Ai a criançada moledense morria de inveja… (aqui muito à puridade, a cabana serviu para muita coisa, coisas de adultos está bem de ver coisas que o João ainda não percebia…).
Mas vamos emigrar. Para o Sapo. Esperando que desta vez seja ele a parir uma montanha chamada incursões, melhor e mais participada do que esta que ora vai esmorecendo nas vascas da agonia da partida.
Celebremos pois a viagem, ò “amigas soo aquestas avelaneiras frolidas” e imaginemo-nos por uma vez na bela praia da Polana, num Maputo que se chamava Lourenço Marques em anos que não voltam. E, nostalgia exceptuada, ainda bem! Aí fica a imagem, outra imagem dessa praia de prodígios e primeiros amores. Passem um bom fim de semana.

* praia da Polana e rampa da Polana. em primeiro plano o Pavilhão de Chá e, mais ao fundo, as instalações do Club Naval. E a baía. A imensa baía que os ingleses chamaram "Delagoa Bay". quem primeiro nela teria navegado seria um certo Lourenço Marques, marinheiro e comerciante estabelecido em Sofala e que, uma vez por ano, aqui vinha "ao resgate". Trocava panos por presas de elefante e rodelas de cobre. Eventualmente também compraria escravos aos régulos Maputo e Catembe (estes régulos são epónimos respectivamente de um rio e de uma vila ou cidade).

2 comentários:

O meu olhar disse...

Olá Mcr, o que eu me ri com este seu postal! Quando o Pedro me disse hoje quem já tinha tratado dos procedimentos e me referiu o seu nome fiquei espantada. O mcr? Entre os primeiros? Fantástico. Agora percebo melhor, o que não lhe tira de forma alguma o mérito.

E pensava eu como haveríamos de dizer ao pessoal que vamos de abalada para o Sapo quando leio esta magnífica peça do mcr!
Não receie a mudança que esta não dói nada, até porque o que tivemos até agora se mantém e levamos o mais importante que é esta equipa de ouro com a respectiva comandante que é a Liliana, sempre. Eu agora apenas me limitei a tratar da mudança “de ares”.
Um abraço

JM Coutinho Ribeiro disse...

Nâo é caso para alarmes, MCR. Vai ver que se habitua em dois tempos. E vai ficar mais giro...