16 julho 2004

A função das palavras

O objectivo de uma armadilha para coelhos é caçar coelhos. Quando estes são agarrados, esquece-se a armadilha. O objectivo das palavras e dos nomes é transmitir o sentido do ser, a melodia da existência. Quando esta é apreendida, as palavras são esquecidas.
 
Chuang Tzu 

19 comentários:

marinquieto disse...

Eu diria que as palavras são absorvidas pelos sentidos.
Natália Correia falava da "poesia para comer"; também se pode afirmar com igual verdade que ler poesia faz os olhos lindos.
Um exemplo relacionado com o anterior post (de Kamikase): mantemos uma intensa memória das CARTAS que recebemos porque as quisemos receber, mas esquecemos já o que elas diziam exactamente. Sabemos o que nos disseram. E como as reescrevemos. Direi até - ao que nos cheiram e ao que nos sabem. E se as relêmos não é para decorar a sucessão das palavras nelas escritas, mas para as voltar a inalar e saborear.

Silvia Chueire disse...

Eu diria que para além disto tudo, os sentidos são articulados pelas palavras ( ou seria pela linguagem? ). Mesmo quando elas não são ditas.
Gostei do texto e do comentário ao texto .

Kamikaze (L.P.) disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Kamikaze (L.P.) disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Kamikaze (L.P.) disse...

Ao "nosso" Carteiro
Ao Compadre Esteves, à laia de "resposta" a um certo desafio...
À marinquieto, quiçá uma nova descoberta em poesia
À Eugénia, leitora assídua e poeta
A L.C., sempre
A todos que o queiram saborear
Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas florestas venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua possição

Entre nós e as palavras, surdamente,
As mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras e nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis á boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmos só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, o nosso dever falar

Kamikaze (L.P.) disse...

Desculpem, já é a treceira tentativa e não consigo que apareça o espaço que deixo, ao escrever, entre as dedicatórias e o poema.

Kamikaze (L.P.) disse...

Agora saiu-me treceira em vez de terceira...

Kamikaze (L.P.) disse...

E finalmente dou conta que me esqueci de referir o nome do autor do poema (é o que dá estar a blogar e a ouvir as notícias ao mesmo tempo...). Grave falta, a que deve ser aplicada a PENA CAPITAL - Mário Cesariny .

marinquieto disse...

Então, compadre, não vem à conversa?

Kamikaze (L.P.) disse...

Deita-se cedo.

marinquieto disse...

Ah!

Silvia Chueire disse...

Kamikaze, obrigada. O poema é belíssimo.

marinquieto disse...

E levanta-se tarde?

Primo de Amarante disse...

Ainda não acordei do jantar cinegético e do poema colocado por kamikaze.
É preciso dar tempo ao tempo, para que o tempo não dissolva o sentido das palavras.

Kamikaze (L.P.) disse...

"é preciso dar tempo ao tempo para que o tempo não dissolva o sentido das palavras."
Tem razão, compadre. E às vezes precisamos relembrar.
fico a aguardar o seu tempo de dar troco à nóvel comentadora marinquieto que parece ter chegado ao Incursões cheia de garra. Aceitou um desafio seu que "contornei" e assume-se como cidaDÃ, o que me agrada, já que este blog me parece bastante dominado pelo género masculino (sem desprimor, entenda-se...).

Silvia Chueire disse...

Isto ainda acaba mudando. Agora pensando cá com os meus botões, será que mudando serão criadas "cotas"?
( perdoem, mas não resisti :)

Primo de Amarante disse...

Aceitar cotas não será subscrever uma indignidade?!...Cotas no que deve ser igual não será fazer do "igual" menos igual!?...

Silvia Chueire disse...

Rindo aqui...Agora parecemos concordar, compadre. Começava a pensar que nunca concordaríamos : )
É um absurdo a criação de cotas, por isso ironizei.
Nós as temos aqui por uma razão, vocês as têm aí ( ou estão apenas ameaçados, penso) por outra.

Primo de Amarante disse...

Penso que o nosso destino é concordar: é o destino que as musas traçam, quando sopram ao ouvidinho!