14 julho 2004

Leituras

"Saíram da piscina. Mergulharam no quarto de Vânia. Escuro, sem nenhuma luz acesa, os cortinados corridos para trás, deixando entrar a luz do cosmos pela enorme janela da varanda. Um mundo em formação, imitação de todo um cosmos. Verdade encontrada num corpo. Na cama, dois seres, molhados, trocavam sensações. Despiam-se. Sombras. Duplos. Encaravam-se nus, última fronteira do tocar. Pele. Beleza intensa. Pertenciam-se. Suor. Ternura. Partilha. Bocas. Mãos. Pernas. Peitos. Corpos por inteiro. Vogavam na escuridão do quarto por entre a cor branca de uma lua que lhes permitia saber que se entreolhavam e se viam. Enluarados. Um novo mundo havia nascido e os astros regozijavam-se. Ouviam-nos. Falavam. Eram também soletrados; boiando na noite que Eros bordara."

João Hespanhol, Flor da Rosa, Edições Caixotim

1 comentário:

Silvia Chueire disse...

Gostei de ter lido este texto. Muito.