11 junho 2005

As propostas do Procurador-geral Distrital de Lisboa para a melhoria da eficácia do sistema de Justiça

O Dr. João Dias Borges, em documento inserido a 9/6 no site da PGD, aponta alguns caminhos e, sobretudo, lança um " olhar para o mapa judiciário" conexionando-o com o volume processual", por forma a "perspectivar uma reorganização judiciária territorial."
Nesse exercício prospectivo "a frieza, mas também a objectividade, dos números inculcam logo a ideia de termos circunscrições que, pelo reduzido volume processual não justificam manter-se, outras que, também pelo volume processual ainda insuficiente, poderão subsistir mas agregadas a outras, permitindo melhor aproveitamento dos meios existentes e especialmente economia nos empenhados (instalações, pessoal, expediente).
"respeitando a continuidade territorial, deixando intocadas as fronteiras dos distritos e dos círculos judiciais e também das actuais comarcas, foi possível passar facilmente, dos actuais 58 círculos judiciais para 40, extinguindo ou agregando o número que constitui a diferença. E o assim fazer, desde logo economizaria pessoal (magistrados e funcionários) empenhado e consentia aumentar a especialização, especialmente nas jurisdições de família e menores e laboral, com evidentes benefícios para o resultado final da produção de justiça."

Tratando-se, do lado das instituições do MP, de (mais) uma iniciativa tão solitária quanto louvável, fazem-se votos de que o documento em causa seja ponto de partida para uma análise mais aprofundada das questões suscitadas e tomada de posições a transmitir ao Ministro da Justiça, ao menos no renovado Conselho Superior do Ministério Público.

7 comentários:

Paul disse...

Já que estamos em maré de "rewind histórico", não deixa de ser curiosa uma reflexão sobre o papel da PGR e da PGDL nos últimos anos.
Se andassemos dez anos para trás, seria possível um documento deste âmbito assinado pelo PGD?

Primo de Amarante disse...

Para quem reconhece que a Justiça é o pilar fundamental da coesão social, este esforço de contribuir para tornar a justiça mais eficaz e, por isso mesmo, mais dignificante, é de aplaudir; sobretudo numa altura em que tenderia a ficar a ideia de que os problemas dos agentes da justiça se reduziam a questões de privilégios.
Na verdade, estamos perante um novo paradigma e a luz já surge no fundo do túnel.

Kamikaze (L.P.) disse...

Virgílio V. Ribeiro said...
No Ciberjus:
"Cuidado !
O estudo é da Procuradoria Geral Distrital de Lisboa e refere-se só a Inquéritos.
É o ângulo de vistas do M.P.
E há muito mais mundo ...
Estas contas poderiam apenas servir como base de reflexão para uma eventual extinção de Delegações do M.P."

Ras al ghul (NS) disse...
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josé zaratustra disse...

Um brevíssimo comentário:
Quem alguma vez, para matar o fastio ou por mera curiosidade, se dedicou a ler e a estudar as estatísticas da justiça sabe que, em regra e de forma consistente, no quadro de todas as comarcas o número de entrada de inquéritos crime é equivalente à entrada de processos cíveis e de outras espécies. Esta a fria realidade dos números que sómente carecem de ser lidos, vistos e estudados. Considerações como as que remetem o "estudo" do Dr. Dias Borges para uma espécie de gueto de "procuradores" a extinguir com regosijo mantendo, impantes de glória, os outros sublimes operadores flanando em comarcas desertas sob o pó e a inclemência do sol, nada mais deixam escapar de que vícios antigos,a mesquinhez da visão corporativa ou umbiguista que, normalmente, conduz ao definhamento, ao apodrecimento e à completa ausência de perspectivas.
Diga-se e reafirme-se, porque esta é a realidade que os números há muito demonstram: as entradas de inquéritos equivalem ás de processos cíveis. Lançar iniquidades que traduzem o supremo gozo de contornos divinos de que a "nós, juízes, a lâmina não nos sangra" só pode ser desculpável porque, estou certo,nenhum dos comentadores ou bloguistas (ex. Verbo jurídico ou ciberjus) alguma vez versou esta matéria na perspectiva de dali retirar elemntos rentabilizadores do sistema (ao invés do Dr. Dias Borges que o pratica desde sempre).

Pseudoeter disse...

Descubra as equivalências

Porque foi brevemente comentado que «os números há muito demonstram: as entradas de inquéritos equivalem ás de processos cíveis», estribando-se tal afirmação na «fria realidade dos números», aqui ficam eles (dados oficiais publicados pelo MJ):

Geral
ano: 2001 - total de proc. entrados: 682800 - cíveis: 431887 - crime: 153 064
ano: 2002 - total de proc. entrados: 738882 - cíveis: 477224 - crime: 158119

(nota: a soma dos processos cíveis e dos penais não equivale ao número total, pois há ainda a considerar os processos laborais, designadamente)

Açores
ano: 2002 - proc. entrados cíveis: 5949 - crime: 2706

Distrito Jud. Coimbra
ano: 2002 - proc. entrados cíveis: 61274 - crime: 22031

Pseudoeter disse...
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