01 dezembro 2005

O Presidente da República

Só Presidente da República pode, e deve, tomar uma iniciativa que permita sair do desastroso impasse a que a Justiça chegou.

Não chega ainda a ser uma efeméride. Já foi, porém, há quase dois anos que se realizou o Congresso da Justiça, patrocinado pelo Presidente da República, com a participação de todos os operadores judiciários. Desejei, então, que não fosse «o Congresso da oportunidade perdida». Foi. Se não nas conclusões, apesar de tudo com bom «material» de reflexão e trabalho, pelo menos na falta de consequências. Agora, após mais congressos, incluindo os recentes de advogados e juízes, a situação, que era muito grave, continua igual ou... pior! E não se adivinham melhorias Há algumas intenções e (pequenas) mudanças positivas, mas no essencial tudo como dantes, quartel-general em Abrantes. Com a agravante de se estar a chegar, com culpas repartidas, a uma espécie de situação de não retorno, na impossibilidade de diálogo entre magistrados e Governo. Com Jorge Sampaio a fazer discursos certeiros sobre a Justiça, há dez anos dez, sem nenhum efeito prático! Assim, só o Presidente pode, e deve, tomar uma iniciativa que permita sair do desastroso impasse a que se chegou! Ou só ele pode tentar...
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José Carlos de Vasconcelos
VISÃO 1DEZ2005

4 comentários:

Dr. Salvador Cardos disse...

Para o contraditório ler aqui: http://www.semanario.pt/noticia.php?ID=2527

Paul disse...

Sendo que o mesmo Semanário dá como certa a substituição de Alberto Costa por um "juiz moderado".

M.C.R. disse...

Eu diria que todos nós podemos salvar a justiça se a cada momento soubermos distinguir o trigo do joio, o essencial do acidental, e calmamente obrigarmos as partes a vir aos foros de discussão.
Por exemplo: os magistrados fizeram há dias uma greve. Muito bem, não serei eu quem lhes negue tal direito, era o que mais faltava. Proporia porém, antes ou em vez de, uma jornada portas abertas. Para os portugueses verem o que é um tribunal por dentro, os gabinetes esconsos, os computadores antiquados, as resmas de processos, as mil e uma tracasseries que juizes e procuradores enfrentam e as milhentas burocracias que impedem de atempadamente se resolver o caso que trouxe até ali aflições, ameaças, desgostos e muito tempo e dinheiro perdidos. E Suas excelências a explicar em lingua de gente o seu cavernícola dia a dia. Mas explicar mesmo com serenidade e humildade...
tá, meus?

Primo de Amarante disse...

Uma coisa que me chocou (e deve ter tido um efeito de boomerang) foi saber-se que 30% dos ditos grevistas não foram verdadeiramente grevistas, apenas não compareceram ao trabalho. lembrei-me daqueles que apregoam a greve, mas no dia de greve metem atestado médico para não lhes ser descontado no vencimento esse dia.