29 dezembro 2005

O saldo de Avelino Ferreira Torres

Os resultados da gestão de Avelino Ferreira Torres começam a vir ao de cima. «Dívidas de mais de cinco milhões de euros apareceram na Câmara do Marco de Canaveses desde que se iniciou o mandato de Manuel Moreira, o novo presidente e sucessor de Avelino Ferreira Torres. O montante refere-se maioritariamente a facturas de serviços datados dos últimos meses da anterior gestão e não pára de crescer todos os dias», refere o JN de hoje.

Ferreira Torres só enganava quem queria ser enganado. Foi sempre o que se noticia hoje dele.

Mas, quem denunciou a sua prepotência, as suas ilegalidades e os seus abusos na gestão da autarquia do Marco, foi acusado de difamação agravada e esta medida (não podemos esquecer) foi criada por um dos actuais candidatos a PR, tendo como efeito funcionar como um cutelo sobre o exercício da cidadania.

Não poderemos deixar de repetir que, se, em vez de tal acusação, fossem feitas as averiguações das denúncias, muito se teria poupado ao erário público, poupança que poderia ter servido, por exemplo, para dotar o Marco das estruturas básicas, como saneamento e abastecimento de água, que lhe faz falta.

Os processos contra Avelino andam de Anás para Caifás, enquanto ele se passeia triunfalmente por Amarante.

Enquanto a Justiça não funcionar, nada neste País pode funcionar.

7 comentários:

Primo de Amarante disse...

Reparei, agora, na noticia de que Abílio Curto, o tal que está a cumprir pena de prisão por corrupção, faz parte da Comissão de Honra (coisa que é bem um sinal dos tempos) de Mário Soares. Suponho que a honra é um valor de referência. Percebo,então, porque os cidadãos que dão provas de se baterem pela transparência na gestão dos interesses públicos não tenham comendas nem lugar nessas comissões.

Defendo que se devria escrever em letras gordas em todas as paredes dos bairros, das auto-estradas, dos edificícios públicos, o seguinte:--«há milhões de vigaristas a florir, por cada um que fica impune ou é agraciado com uma distinção de honra.» Talvez isso nos ajudasse a compreender o Páis que temos.

Coutinho Ribeiro disse...

Compadre, agora é que não percebi; quem é o candidato presidencial que é culpado e de quê? É curiosidade técnica, nada mais...

Primo de Amarante disse...

Compadre. faço-lhe lembrar a Marinha Grande pelo telefone e vai ficar esclarecido.

Coutinho Ribeiro disse...

Já percebi o comentário do Compadre. Não estava a perceber ao que se referia. Agora já sei: tem a ver com a circunstância agravativa dos crimes de difamação que remete para a al. j) do artº 132 do CPenal, atenta a qualidade do ofendido. E também co facto da ofensa ao PR se ter tornado crime público, se não estou em erro. Não me lembrava é que essas alterações tinham a ver com a Marinha Grande.

Primo de Amarante disse...

E legislar por medida nunca me pareceu que se harmonizasse com o espirito republicano que alguns tanto apregoam.

AC disse...

De vez em quando lá se entrega um ao domínio público para que o cidadão entenda que há leis e justiça. Queimar um para proteger os restantes. Quem segue a vida pública só pode concluir que portugal está ao nível de qualquer república bananeira. É o resultado destes 30 anos de partidocracia: O país mais pobre da UE; 2 milhões de pessoas a viverem na miséria. 500 mil desempregados. Desigualdades gritantes entre quem está ligado aos partidos políticos e o povo em geral. População endividada à banca a 118%. Endividados ao estrangeiro (cada um de nós deve 2.000 contos). Custo de vida insustentável. O que esperamos para mudar isto, nós povo!
http://desgovernos.blogs.sapo.pt/

Primo de Amarante disse...

A história demonstra-nos que, apesar de tudo, o regime democrático é o único que permite o progresso sem derramamento de sangue e com respeito pelos direitos humanos. Os partidos deveriam ter uma escola de formação politica para não serem meras legendas para acção politica. E, por outro lado, não há nenhum direito divino que diga serem os partidos a unica forma de intervenção politica. So numa sociedade aberta, como é, por natureza,a sociedade democrática, é possível este debate.