03 dezembro 2005

se



se todas as palavras forem gestos,

e todos os gestos, corpo e alma,
e todo corpo e alma for delírio,
e todo delírio, gozo,
e todo gozo for abismo,
e todo abismo, nossa natureza,
e toda natureza for palavras,


e todas as palavras novamente gestos,
e todos os gestos, canções,
e todas as canções, amor,
e todo o amor for vida,
e toda vida um suspiro,
e todos os suspiros, sentimento,
e todo sentimento um poema,
como este que pode não acabar,
aí então, tudo terá valido a pena.



silvia chueire

7 comentários:

Primo de Amarante disse...

E se todo o sentimento é um poema
a brisa traz-nos uma andorinha
que pedala numa nuvem
voando sobre uma praia
feita da saudade de um amor
selado no espanto
sempre reconhecido
sempre amado.

Silvia Chueire disse...

obrigada, compadre. muito.

abraços,
silvia

M.C.R. disse...

Excelente.

Silvia Chueire disse...

Obrigada, MCR, pela gentileza.

Abraços,

Silvia

Cabral-Mendes disse...

Ainda se diz por aí que as palavras estão gastas...

A nossa Sílvia reinventa-as, plenas de gestos mágicos...

M.C.R. disse...

Isto quase que me faz gostar do Se do Kipling.
E antes que me batam: eu não gosto do Se mas gosto bastante de outras coisas dele e nomeadamente de um livro de memórias (ao que julgo) chamado em inglês "Stalky and Co." e de que existia uma tradução portuguesa com o título "Três como tantos". este livro aliás, que ali tenho na estante (adquirido pela 3ª vez!!!) tem a particularidade de ser um dos livros que Borges recomendou deu ao Alberto Manguel, como há dias tive prazer de saber via entrevista de Bernard Pivot.

Silvia Chueire disse...

Não conhecia o "Se" do Kipling, mas por cinta de comentários em outra parte acabei por lê-lo. Não foi exatamente o que me agradaria. Mas agora vou procurar o livro que vc menciona, MCR, obrigada. : )

Delfim,

Também vc muito gentil comigo. Obrigada pelas suas palavras.


Abraços,
Silvia