11 janeiro 2006

memória


carregas a minha boca na tua,

esta memória que arde em ti.
e ainda assim te vais,
teu corpo e tua alma marcados
pelo amor,
meu corpo, minha alma.

hão de falar-te de mim os teus lábios,
a tua pele onde andaram os meus,
as nossas vozes misturadas
de palavras e sussurros.
lembrar-te-ão a cada dia.


silvia chueire

9 comentários:

Primo de Amarante disse...

Como combinado por email, vou passar o texto para margemesquerda. Este blog vai ser totalmente renovado, com a colaboração de muito mais gente.

Viva a poesia!

Cabral-Mendes disse...

"a tua pele onde andaram os meus" [lábios]!
Até dá arrepios!

O meu olhar disse...

Gostei muito. Belo poema!

M.C.R. disse...

E vlam! na parte óssea da barriguinha!

Querida Sílvia, aquilo ali em cima é a transcrição de uma daquelas frases sem sentido ou seja carregadissimas de sentido que na minha longínqua mocidade universitária se diziam quanfo achávamos que alguém acertara na "mouche".
Na impossibilidade de repetir o nosso estimabilíssimo Delfim, entendi dever brindá-la com aquele prosaico plebeísmo que todavia valia meio dicionário

Cabral-Mendes disse...

Peço desculpa à Sílvia, mas gostaria de colocar aqui uma cartinha que expedi via e-mail para o nosso MCR, pois o tema é a poesia da vida, que ambos sabem tão bem contar...e creio que não é nenhuma inconfidência…ele afirmou aqui no blog que me iria enviar o seu livro “GAUDEAMOS IGITUR!”.

Ora aqui vai, nesta secção de Poesia!

Caríssimo Dr. Marcelo Correia-Ribeiro,


Pois cá recebi, em Lisboa, o seu livro “GAUDEAMOS IGITUR!”.


Pensei, pensei no que lhe havia de escrever, uma carta toda bonita, (sou fanático das cartas, com selos bonitos…existe muito de nós nas cartas que expedimos para alguém…) mas eis que reparo, “in extremis” que não entendo bem a sua direcção, colocada no envelope que guardei religiosamente. Bem, para não existir risco de extravio, remeto-lhe este “e-mail”, pobre substituto da dita.


Li, o mais vagarosamente possível, o seu “GAUDEAMOS IGITUR!”. Contristado, acabei-o ontem à noite, às 3H da manhã…que sou um noctívago aqui por casa…


Querido Amigo, deixe-me tratá-lo assim, adorei as suas aventuras, esplendidamente bem contadas como da sua parte já me habituou e a todos no “Incursões”. Faz-me pensar na maravilha que são os escritos “Au Bonheur des dames”!!!


De facto, na Europa dos anos 70, apesar da guerra fria, creio que se respirava uma incontida alegria e fé no futuro, uma Europa onde não tinham lugar Ministros que se lembrassem de dizer ao povo que no dia seguinte não haveria, entre outras coisas, dinheiro para reformas…


Enfim, não estamos aqui para tristezas.

Adorei todos os contos!


Aquela alegria perpassa por todos os seus textos! E é difícil escolher um, um que seja! São todos de uma beleza estonteante, para além de nos darem um retrato da época…


Olhe, meu caro amigo, gostei imenso da sua missiva que acompanhava o seu livro. Já não via uma letra como a sua desde tempos imemoriais! Que bela caligrafia!!!

(...)
E diga-me, esse que menciona, o Carlos de Oliveira, é o escritor? Deste tenho a obra completa, livros já amarelecidos do tempo, da velhinha Sá da Costa, e que me deram para muitos sonhos…embora hoje o neo-realismo não me diga quase nada…Mas a escrita, essa é de uma limpidez!

Mais uma vez muito obrigado, caro Amigo!

A amizade não tem preço e não escolhe nem pede licença para entrar nas nossas vidas.

Um Abraço! “GAUDEAMOS IGITUR!”.


Delfim Lourenço Mendes





(gostaria de colocar este texto no “ Incursões”…creio que vou arriscar…)

Coutinho Ribeiro disse...

Tudo muito bonito. Sobretudo quando se pára e se imagina...

M.C.R. disse...

Meu caro Delfim

Nem sei como lhe agradecer essa carta que, a boleia da nossa querida sílvia, me acaba de enviar.
Esses tempos foram de facto agradáveis embora também seja verdade que ali anda muita ficção e muita história desencontrada.
E claro, ali só perpassa o bom , a nata do tempo, e não o mau, a angústia da clandestinidade, os dias vazios da prisão, o medo e a traição de alguns.
A minha direcção é fácil: Rª Eugénio de Castro, 34, hab. 73 4100-225 Porto.

A lateres gosto bem de viver numa rua com o nome desse simbolista que foi o E. Castro:
na messe
que enlourece
estremece
o sol
o celestial girassol
....

Cabral-Mendes disse...

Meu Caro MCR, peço desculpa, pois a sua caixa de correio está cheia e, assim, foi aqui no "blog" que leu primeiro uma parte da carta. Da involuntária indelicadeza, peço desculpa.

Ai ai a sua direcção aqui no "blog"! Cuidado com os espias....

Um abraço

dlmendes

Silvia Chueire disse...

Caros amigos,

Fico feliz sempre que percebo que algum poema, alguma palavra minha, tocou a quem os leu. É uma das razões dos poemas tornados públicos.Suas palavras, não as esquecerei.

Abraços a todos,

Silvia