12 fevereiro 2008

o leitor (im)penitente 32


Vem uma criatura das estranjas com o baú carregado de livros, catálogos e tudo o mais e pimba!, cai-lhe em cima um saldo de livralhada no Mercado Ferreira Borges.
Nem de propósito! É que vale mesmo a pena ir lá cheirar. Este que estas custosamente vai dedilhando, tem a pobre casa transformada num armazém de livros. Pois mesmo assim ainda encontrou umas dezenas largas de volumes para ajudar à sua iminente ruína.
E não falo de livrecos. Falo de excelentes edições, de Handke, de Tonino Guerra, de Ondjaki, de Luandino, de Mailer, de Durrell, do Marías e de mais um bom cento de autores dos bons que por má venda estão aqui a rastos de barato.
Quem quiser os best-sellers do momento escusa de ir. Não há, et pour cause. Também não faz mal que regra geral é literatura light a pedir uma ASAE urgente ou nem isso. Ao fim e ao cabo se há quem tem pachorra para os ler que os leia. Como dizia um amigo meu, Proust todos os dias também cansa.
Leitorinhas, asinha, asinha ao velho mercado da fruta. Há lá um livro para vocês. E se o encontrarem, desçam mais um bocado e leiam-no ao glorioso sol de inverno numa esplanada da Ribeira, com um “cimbalino” ou um “fino” a acompanhar. E um namorado a tiracolo. Os namorados são úteis: podem ir buscar o carro ao parque, ajeitar o guarda-sol ou simplesmente fazer companhia. Fosse este escriba mais novo e oferecia-se mas assim permite-se este desenfastiado tom enquanto pensa, como bom figueirense:
Quem não rema já remou; quem não tanoa já tanoou.

*a gravura: mais um par de estantes de uma biblioteca que procura casa maior e condigna para se instalar convenientemente

1 comentário:

ventoinha disse...

Sempre te conheci assim, impenitente, em matéria de livros.