10 março 2008

“Os Números Não Enganam”

O Padre Jardim Moreira, Presidente da Rede Europeia Anti-pobreza em Portugal proferiu um conjunto de declarações ao Primeiro de Janeiro que deveriam merecer ampla reflexão e ponderação pelas entidades governativas.

Considera que o grande erro da acção governativa tem passado pela extinção da classe média. É que o poder económico, diz, está concentrado cada vez em menos mãos, bem como a produção. Sucede que a classe média está a desaparecer.

Se há quem considere que a pobreza é a doença do sec.XXI, também encontramos testemunhos que ditam que a pobreza começa a ser vista como uma verdadeira «fonte de rendimentos» para quem quer fazer «nada»!

Lá no centro histórico do Porto os menores de 18 anos masculinos, nas quatro freguesias, são 330. Este é o número dos que recebem mensalmente um subsídio de 180 euros por mês. Não estudam e não trabalham e vivem em casa dos pais. E recebem apenas porque o solicitaram.

“Quanto às raparigas, menores, na mesma situação são 348. Esta é a nossa governação. Os jovens não têm qualquer culpa. Reconhecem-lhes esta possibilidade, dão-lhes o dinheiro e não lhes pedem contrapartidas. Digo então que esta governação é criminosa. Não está a ajudar os jovens. Estão apenas a ser alimentados par o crime e para a marginalidade. Isto é humanamente desonesto”.

“A nível de agregados familiares, no CHP, são actualmente 924 que estão a receber o rendimento mínimo. Posso dizer que só na Freguesia da Vitória, o ano passado apenas 62 pessoas foram acompanhadas. O que quer dizer que a maioria recebe o dinheiro de uma forma inócua e sem qualquer compromisso de responsabilidade. Porque o Estado está a criar uma subsídio-dependência. Esta a criar-se uma sociedade que a curto e médio prazo não vai ter capacidade de se integrar na vida activa. Posso ainda avançar os resultados de um estudo feito de porta-a-porta em São Nicolau, pelo centro social. Os activos são apenas 30 por cento e a freguesia não tem mais de 900 residentes. Os outros vivem do rendimento mínimo, da reforma…e é este o drama”. As causas estão por resolver.

“O flagelo que está a contaminar a sociedade e que como diz o Padre Jardim, está a alimentar esta sociedade que está na “rota do capitalismo selvagem”. Para Jardim Moreira a “situação catastrófica” a que se está a chegar tem responsáveis, e esses têm nomes, e têm que prestar contas do que estão a fazer, “das más políticas” que têm seguido e que estão a colocar Portugal num patamar que «me envergonha como cidadão”.

3 comentários:

JM Coutinho Ribeiro disse...

Não pode ter mais razão. E quem anda no terreno, sabe bem que assim é.

Primo de Amarante disse...

O neo-liberalismo é um neodarwinismo: os pobres ficam mais pobres e em maior número; os ricos mais ricos e em menor número.
O pior é que isto acontece com um gverno dito socialista.
Amanhã, quando se falar em socialismo os nossos netos lembram-se dos governos socialistas de Africa e do governo de José Sócrates.
E poderia ser de outra maneira, mesmo em tempos de globalização neoliberal!

JSC disse...

Esta questão da subsídio dependência creio que já foi anteriormente abordada neste blogue. O problema está em se atribuir subsídios a pessoas com idade e saúde para trabalhar. O problema é tanto mais grave quanto o diferencial entre o valor do subsídio e o Salário Mínimo Nacional não compensa o esforço de trabalhar. A novidade, pelo menos para mim, é ser o Presidente da Rede Europeia Contra a Pobreza em Portugal a denunciar a situação.