11 março 2009

Alegre caminho

A saga de Manuel Alegre continua e a entrevista de sábado passado ao "Expresso" foi a cereja no topo do bolo. Aí revelou a habitual acidez, o queixume por não ter sido eleito presidente da Assembleia da República em 2005, o reconhecimento de que esticou a corda até ao limite, a vontade de concorrer como independente, logo contra o PS, em próximas eleições, o desdém pelo congresso cuja Comissão de Honra aceitou integrar.

Se juntarmos a isto as constantes votações contra o partido, colocando em risco opções estratégicas do Governo, e as festas com o Bloco de Esquerda, adversário declarado do PS, parece evidente que Alegre pretende seguir outro caminho, provavelmente alinhado pelo meridiano de Belém. É livre de o fazer.

Contudo, como alguém já escreveu, Alegre faz este discurso mas não prescinde do lugar de deputado do PS (nem das sinecuras de vice-presidente do parlamento), porque essa é uma das razões da sua força - estar dentro, embora com os dois pés (quase) de fora. Seria melhor para ele e para o PS que fizesse o seu caminho. Negociar com Alegre e a sua "plataforma" como se se tratasse de um subpartido dentro do PS seria um erro tremendo. Era ficar refém dentro da própria casa.

5 comentários:

JM Coutinho Ribeiro disse...

De vez em quando estamos de acordo :-)

O meu olhar disse...

Completamente de acordo JCP.

M.C.R. disse...

1 V acha que Alegre está zangado por não ter sido eleito presidente da AR?
2 alegre votou contra o partido em cerca de 2 ou 3% das votações. será isso a que chama constante?
3 Acha que alguma destas votações (sobretudo esta última que até recomenda uma mudança de atitude para 2010 ou 2011) se pode considerar "estratégica"?
4 Acha que era mesmo melhor o Alegre estar de fora, apesar de pelo que se vê, toda a gente, excepto o pobre do Lello!, tenta ter o Alegre lá dentro?
5 O meridiano de Belém é Cavaco? Ou refere-se à campanha em que alegre sem meios nem máquina bateu a máquina com meios do PS?
É Alegre que negoceia ou o PS? E pelos vistos ainda não os vi considerarem-se reféns...
Caro JCP
O PS arrisca muito nestas próximas eleições. Para começar quer a maioria absoluta. Sem Alegre (e se calhar até com ele) é uma miragem.
Depois quer mãos livres ao centro com a esquerda quieta; sem alegre dentro, não tem hipóteses. finalmente, e esse é -a meu ver o erro de Alegre - o PS pretende à viva força parecer de esquerda. E sem alegre essa parecença será aqinda mais grotesca.
Por último: está ao par das discussões nos partidos socialistas europeus, maxime o alemão ou o francês? É que lá os Alegres são às dezenas...

jcp (José Carlos Pereira) disse...

1. Alegre disse na entrevista que gostaria de ter sido presidente da AR e que agora não iria tirar o lugar a Jaime Gama;
2. Votou contra nas ocasiões em que votar contra era notícia e causava mossa;
3. Eram estratégicas na medida em que a oposição via nelas uma oportunidade para "bater" no PS e no programa de Governo;
4. Acho que era melhor Alegre estar fora;
5. O meridiano de Belém é a indisfarçada vontade de Alegre em que o país faça justiça aos seus dotes políticos. Na presidência, pois então. Sócrates, ao sondá-lo, está a ser tacticista com o tacticista-mor.
É verdade que o PS arrisca muito e que por essa Europa fora não faltam Alegres, muitos deles "ressuscitados" com a crise que aí está. Por mim, prefiro sempre a clarificação, mesmo que ela não permita maiorias.

Viktor Kevês disse...

V. bem quer encostar Manuel Alegre ao Bloco de Esquerda.

Mas,pergunto, com quem se entendeu o PS quando fez aprovar os casamentos gay?

É uma questão de dar jeito...