30 junho 2026

estes diasquevpassam 1065

 


O escândalo dos números

mar, 30 -6-26

Somos mais, mais pobres e mais inseguros.

Passar de dez milhões e meio para onze e meio é obra! 

Estou a usar números redondos mas a verdade é que andámos demasiado tempo a julgar que eramos apenas dez milhões mais coisa menos coisa.

Agora a novidade dos onze milhões e meio (esperando que este seja o número verdadeiro e   que não apareçam mais uns quantos residentes começa a fazer ver que alguns dos problemas relativos à falta de médicos nas zonas mais expostas ao aumento populacional se devem apenas ou quase e só ao crescimento exponencial de população.

Não vale a pena divagar sobre o desastre da previsão das entidades oficiais  nem, ainda menos, nas causas de tão aberrante desconhecimento do país. 

Neste momento, as hostes do Chega devem estar a preparar-se para pôr o dedo infecto na imigração. Nunca perceberão (ou fingirão que não percebem) o facto simples de a maior parte dos imigrados estar a fazer o que ninguém quer fazer.

Como somos um país vagamente respeitador dos direitos humanos não podemos por os adeptos de Ventura a apanhar frutos vermelhos na canícula alentejana ou a servir  à mesa nos tascos algarvios. Menos ainda a serem trabalhadores de pá   e pica na construção civil.

Já agora aproveito o tema da imigração para perguntar que é que na cabecinha dos nossos mais altos responsáveis para no Luxemburgo “aperarem” ao regresso do 

emigrantes portugueses lá (felizmente) instilados.  Será que pensam que alguém que trabalha se pode dar o luxo de receber muito menos  apenas por amor à pátria dos egrégios avós?

 

 

29 junho 2026

estes dias que passam, 1068


 A bola perde-nos 

mcr. 29-6-26


Acautelando: sou avesso ao futebol. Nunca tive jeito para a bola e nas milhentas partidas de pai em que participei, punham-me à defesa (na época dizia-se "back") porque fintar não era comigo. Carreguei esse desgosto dez verões seguidos, depois, a família fez um interregno em Lourenço Marques  e descobri que a minha inépcia atingia o andebol er o voleibol que  a "nocidade portuguesa" propunha aos rapazes que estudavam. 

quando três anos depois à mesma praia e ao mesmo maravilhoso grupo  (stessa plagia, stesso mare. canção desses anos  que ainda hoje é sucesso na Itália)  podia dar-me ao luxo de não jogar futebol. Éramos adolescentes  e isso explica tudo mesmo se ser adolescente naquela época, fins de 50, dava asas à imaginação mas não à acção

Comecei a achar graça ao rugby mas não tinha corpo para a coisa. E assim terminou a minha inexistente carreira desportiva. Ou melhor, a partir do internato num colégio passei a ser jogador de pinguepingue e aí graças a ser canhoto e ter de ganhar para não ceder o lugar a outro, fiz um percurso glorioso que durou até à faculdade. 

Posso garantir que desde 1960/1 até hoje, apenas fui a dois jogos , ambos da Académica e apenas porque as crises fervilhavam em 1952 e 1969. A minha presença no estádio era apenas para me manifestar  contra a polícia, o Ministério da Educação e o governo em geral. 

Todavia, não faço parte dos que amaldiçoam, desprezam ou rosnam sobre o futebol. Percebo perfeitamente que aquilo é um motivo de alegria, de entusiasmo, de comunhão colectiva. 

dito isto, vamos à alegada "melhor selecção de sempre e às suas poucas aventuras. E começo por isso mesmo. Desde que me lembro, a selecção ºe  sempre a melhor de sempre. Aqui para nós só uma vez vibrei com ela e terá sido quando Portugal jogou num campeonato do mundo contra a Ccoreia do Norte e aviou os coreanos por 5 a 3. Se bem recordo, eles terão começado por marcar mas subitamente o Eusébio resolveu ensinar a dança foi um ver se te avias. 

Um jofgão, um jogaço, um brilharete de alto lá com ele.  

Depois, e pouco a pouco, para minha surpresa (mas em questões de futebol a minha ignorância permite-me espantos contínuos) as equipas portuguesas começaram afirmar-se, os jogadores aa ser contratados pelos melhores clubes do mundo, os treinadores a brilhar nos quatro cantos da Terra e oa títulos a cair-nos em cima. 

Não vale a pena historiar esse percurso que qualquer leitor/a sabe muito melhor do que eu. Apenas quero dizer que se partiu para este mundial  com a equipa embrulhada num fogueteiro tremendo. 

Eu ainda ouvi um comentador explicar que as equipas europeias partiam em desvantagem dado que as congéneres sul americanas estavam mais frescas porque os respectivos campeonatos iam ainda a meio. Provavelmente o mesmo acontecerá com as equipas africanas, mas não faç finca pé nessa hipótese. 

O primeiro sinal foi o empate com o Congo, o tal resultado que sabia a derrota.  Ronaldo passou de bestial a besta e foi crucificado pela falta de golos. Eu, por minha parte, teria atirado a primeira pedra pelo comportamento da criatura no fim do jogo, saindo do campo sem saudar os  seus muitos admiradores, sem cumprimentar como todos os outros jogadores fizeram,aclaque. foi uma birra de menino parvo o que num homem de 40 anos mais parece uma estupidez e um sinal feio de mau perder. 

claro que no jogo seguinte averbou dois golos contra uma equipa que vem de um campeonato de casados contra  solteiros e de novo voltaram os elogios

O jogo contra a Colômbia foi o que se viu e um jornal titulou que os sul-americanos trouxeram o café (que aliás, é bem bom) e os portugas o sono! 

Pior não era possível. todavia lá conseguimos passar para a fase seguinte com o treinador a debitar insanidade sobre a qualidade da prestação nacional. 

Não vou alargar-me sobre as qualidades do sr Martinez, sobre a sua pertinácia em obrigar Ronaldo a jogar os 90 minutos, sobre as suas escolhas. O homem já ganhou um europeu, que diabos! 

Agora, Portugal vai para Toronto, num país carregado de portugueses emigrados. Já ouvi dizer que a Croácia tem um saldo negativo contra Portugal mas nestas coisas a surpresa é a grande rainha.

É provavelmente o momento das pessoas se acalmarem , de se lembrarem que um mundial é só um mundial e que  o mundo em que vivemos está neste momento diante de problemas de tal modo importantes que passar ou não passar à fase seguinte perde importância frente ao Verão que aí vem. e não estranhar o  calor, ou do preço dos combustíveis. O fogo espreita, e, por exemplo, mo Sudão  morre-se de tudo até de tiros.  Mas o Sudão é aonde?




28 junho 2026

estes dis que passam 1064








Marilyn, Marylin

Mcr, 28-6-26

 

Faria 100 anos e mesmo assim continua um mito absoluto, um ícone como agora (e imprudentemente...) se diz. 

Eu arrisquei-me a nascer dentro de uma sala de cinema mas o meu pai que era um jovem médico prudente entendeu que devia levar a minha mãe para Coimbra e para a maternidade que, na época estava situada mnum belo edifício frente ao jardim botânico. 

Falhei, pois, o nascimento na   terra que considero minha e numa sala onde posteriormente vi centenas de fitas pendurado com o meu irmão e mais outros meninos num camarote lateral à esquerda do primior balcão. 

Nunca esquecerei  “E tudo o vento levou”, um par de filmes do Tarzan  personificado pelo Johnny weissmuller, um atlético americano naador, campeão olímpico, ou o Danny Kaye danando à chuva. Todavia o principal filme, aquele que mais recordo, porque terá assustado ou profundamente impressionado o menino que eu era, foi  “Não há paz entre as oliveiras” (nom c’e pace tra gli olivi) uma película de Giuseppe de Santis, com Raf Valone e Luci Bose—

Porém, foi muito mais tarde já no fim do liceu ou .mesmo em Coimbra que encontrei a Marylin

E digo-o assm com sta desenvoltura porque travei épicas discussões defendendo-a dos que a acusavam de ser uma espécie de produto cinematográfico de exportaçãoo americano. Era já a rapaziada dos cahiers du cinema (que eles não liam, era o que faltava) do “Positif”  a bíblia  do cimema progressista, dos defensores a outrance do neo-realismo cinematográfico, sem perceberem qual o papel dersta escola e qual a sua real importância. De resto, muita dessa maralha ignorante torciam o nariz aos melhores (De Sica a Visconti) e nunca por nunca souberam quem eram Cesare zavatini ou  Ennio Flaiano dois argumentistas formidáveis, dois escritores d corpo inteiro. 

Para eles havia apenas o politicamente correcto  e la se iam, pela borda fora, John Ford e o western, quase todo  ocinema musical e muto dos policiais franceses, das comédias italianas ou do subversivo cinema húngaro . 

Hoje, sabe-se que essa loira tímida e inteligente, lia Faulkner e Joyce, escrevia poemas e conseguia criar personagens fabulosas. 

 

De pouco lhe serviram a inteligência, o talento, a simpatia e a bondade. Morreu, vítima de um cocktail fatal de barbitúricos, traída por muitos e não entendida por outros tantos ou mais. 

Nem Kennedy, nem Miller perceberam quem tinham à suafrente. Ou recusaram-se a ver para além do corpo esplendoroso que a atirou para a fama e para a incompreensão quase generalizada.

Fui um cinéfilo quase militante desde o ano de caloiro. De facto, um das primeiras mobilizações de que fiu alvo consistiu na obrigaçãoo de ir varrer a dala do Centro de Estudos Cinematográficos, uma secção da Associação Académica naaltura chefiada pelo Alfredo Tropa que havis, mais tarde, se converter rm realizador de cinema. 

Já não sei como mas a partir desse dia torneu sócio do CEC e não perdi nem uma sessão quese organizava. Do CEC para o cineclube foi um passo rápido e recordo com saudade os magníficos textos de apresentaçãoo de filmes escritos por Orlando de Carvalho que ainda náõ era o temível catedrático em que se tornou.

Agora, a doença mligna (macula)  que desvasta os meus pobres olhos impede-me de respirar o ar das salas onde o mistério do cinema ocorre.Há todo um universo de actrizes e actores, de realizadores e músicos de salas majestosas de cinema ou da recordaçãoo do cinema ar livre, sobretudo dosquartel de bombeiros de Coimbra onde os filmes apareciam infamemente ratados depois de inúmeras sessões em que perdiam  fotogramasobre fograma. Ainda recordo uma fita onde sem se saber vomo apareceia um cortejo impoente com uma bela rapariga num palanque. Alguem perguntava”quem é? E aresposta vinha rápida”É a filha do Grã Mogul , Depois o filme continuava sem a rapariga sm o tal gão Migul . O público delirava, reclamava e quae sempre havia um habitué que berrava;”Ó mareco, corta a fita, nós não queremos amor, queremos é mocaria!” )mocaria significava, avisaram-me, porrada a valer e em boa verdade, volta e meia estalava uma zaragata que envolvia os espectadores  até algum bombeiro começar a dar mangueiradas que deixavam tudo calmo e ensopado. E o filme láseguia aos trancos e solavancos noite fora, um “Verão violento” `moda portuguesa e coimbrã (desculpem a pequena homenagem a Zurlini e a belíssima E leanora Rossi Drago

Sessenta anos, depois , eis que à notícia do centenário da Monroe me ci em cima um marmoto de filmes, de paixões que tornam dolorosa esta “estate” que só é violenta porque a velhice que mecerca é irremediável e cruel.

Na imagem a gata Kiki de Montparnasse com Marylin ao fundo

 

 

 

estes dias que passam 1063

As desgraças nunca são apenas fruto do acaso

mãe, 27.6.26


A venezuela , melhor dizendo o povo venezuelano vive horas medonhas. E pior, vai viver, dias, meses, ou mesmo anos, sob o peso deste desastre. 

Os dois sismos, sucessivos e fortíssimos , vieram juntar o seu sinistro palmares a uma situação que já era má, para não dizer péssima, desde há muitos anos. 

A desastrada "revolução bolivariana"conseguiu tornar um país rico, embebido em petróleo, numa miserável caricatura bananeira ponde a inflação galopante, , a repressão política,  a degradação das estruturas industriais ae aliaram à corrupção generalizada.

Tudo se conjugou para desesperar os cidadãos que votaram contra um regime que, como é hábito, desconheceu o facto e seguiu em frente  como se nada tivesse acontecido. 

A isto junta-se a dramática humilhação de assistir ao rapto do presidente, capturado com inacreditável facilidade por militares norte-americanos a mando de um alucinado sequaz da antiga doutrina Monroe.

Neste momento tal doutrina já não prevê um continente livre de colónias europeias mas tão só uma america central e do sul   transformada num quintal dos EUA que toleram todos os governos autoritários desde que obedeçam ao império e intervém com violência e violando as mais elementares regras   de convivência. 

Não vale a pena relembrar a guerra hispano-americana e a "libertação" de Cuba pois já em pleno século XX o Panamá  ou Granada para não referir outros territórios foram alvo da intervenção USA 

Paralelamente, osEUA conviveram amavelmente com um conjunto de ditadores  que foram torcionários dos seus próprios concidadãos  quando não os defenderam e ajudaram a maltratar as pessoas, a domar as instituições e a desviar a riqueza. 

Brevemente, a menos que Trump se lembre de outra proeza, Cuba poderá ser alvo de uma intervenção muscular. É só conseguir sair da catástrofe iraniana, fruto da mais tonta e maléfica  incursão no Médio Oriente. Na melhor das hipóteses, caso a paz sobrevenha, o Irão ficará na mesma, mesmo se mais enfraquecido e com mais uns milhares de mortos  como se não bastasse o morticínio  levado a cabo pelas hordas dos guardas da revolução.  Desta feita não se aprisionarão, e menos ainda, se julgarão os ayatolas e o novo Guia supremo. 

Entretanto, o bloqueio a Cuba foi reforçado e, como de costume, é a gente mais pobre q    ue sofre mais A proibição de  fornecimento de petróleo  destrói todas as possibilidades de manter a ilha sem apagões com os hospitais a funcionar, as poucas indústrias a tentar sobreviver, para não falar nos cidadãos que sem luz nem possibilidades tem de cozinhar, de se aquecer, ter agua em casa. 

A Gronelândia pode esperar, o Canadá pode continuar independente porque depois de outras façanhas militares ou pacifistas, Trump tem também pela frente eleições. E ainda há milhões de imigrantes para expulsar. Eis  um país criado por emigrantes a negar a sua própria história.

E, voltando à Venezuela, eis que temos um patético Maduro aferros em Nova Iorque, à espera de um julgamento que a acontecer dentro das circunstancias propiciadas pela actual administração será eventualmente uma farsa. 

é bom lembrar que, mesmo existindo traficantes importantes na Venezuela, o transporte da droga para fora, por via marítima, é incomparavelmente menor do que o trafico via México onde cartéis poderosos nação só fazem frente ao governo do país mas, sobretudo, estão intrinsecamente ligados às máfias norte-americanas seus principais e quase únicos clientes. Nação consta que uns e outros se sintam demasiadamente tementes das hostes de Trump ou por ele dirigidas. 

O terramoto veio, uma vez mais,  por a nu a má governação venezuelana, o descaso e o desprezo pelo ambiente, o abandono e falta de manutenção das estruturas industriais vitais (caso do petróleo)\e mais grave ainda a falta de regras de construção de habitação

Sob os escombros jazem milhares de vítimas  e poucas dúvidas há de que, quando for (se for... ) conhecido o su numero final e total. Até nisto, a falta de Maduro a responder num tribunal venezuelano mostra quão deplorável é a situação. A culpa de boa parte das mortes vai morrer solteira porque os responsáveis não serão julgados. Lá e já. 


 


estes dias que passam 1062

As desgraças nunca são apenas acasos


A Venezuela, melhor dizendo  o povo venezuelano, tatá a viver horas medonhas.v E o pior ´w que serão dias, meses, provavelmente anos.

Dois siemos de violência inaudita porque muito superficiais, vieram juntar o seu sinistro recorde a uma situação que era má, ou péssima,  desde há muitos anos. 

A desastrada "revolução bolivariana" conseguiu  tornar um pais rico, embebido em petróleo numa miserável caricatura bananeira  onde a inflação galopante, a repressão política, a  degradação das estruturas produtivas se conjugaram para desesperar os venezuelanos e para engordar uma elite saída de um golpe de Estado travestido em "revolução".
A isto juntou-se a dramática humilhação de assistir ao rapto do Presidente da República cometido com inacreditável facilidade por militares americanos a mando de um alucinado  sequaz da antiga doutrina Monroe  que, neste momento se pode definir assim. Toda a restante América  não governa pelos EUA é um quintal, um galinheiro desta potência. 
Não vale a pena tentar distinguir a antiga política que tse opunha  ao  aparecimento de colónias europeias no continente americano e aquilo que  actualmente se passa.
 Os EUA actuaram sempre como os "protectores (no sentido mafioso do termo) das republicas e republiques americanas  todas  (à excepção do Brasil) situadas no cento e n o Sul. Só o Canada escapou mesmo se, como se viu há poucos meses , a criatura que ocupa a Casa Branca tenha   tido a ousadia de o considerar como um potencial Estado dos EUA. 
A América  imperial interveio em Cuba, a pretexto de a salvar da Espanha e no século passado atacou e submeteu temporariamente vários países  e entendeu prender e julgar os seus presidente  normalmente candidatos a ditadores,. O Panamá foi criado à custad a Colombia, e foi alvo de posteriores intervenções, o mesmo sucedendo com outros Estados vizinhos.
Por outro lado, o poder norte americano conviveu  sem dificuldades com outros facinorosos ditadores e para já,  há o anúncio de uma possível intervenção em Cuba. Não seria a primeira e, mesmo que o regime cubano seja o que é, creio que compete ao seu povo, resolver o seu atribulado presente e construir um futuro melhor para a ilha. Para já os EUA estão a bloquear Cuba, a impedir que o petróleo lá chegue. Ora o petróleo no caso cubano é como o sangue no nosso corpo. Sem ele nada funciona e tudo se vai deteriorando . 
Trump está com pressa de sair  da catástrofe iraniana para tentar atropelar Cuba. No caso da Venezuela, gaba-se de agora ter ali um aliado, uma boa amizade enquanto mantém o patético Maduro numa prisão nova-iorquina sob a acusação de marco traficante. 
Aliás, em vez de combater as suas máfias que elas sim são poderosas organizações culpadas de toda a espécie de crimes incluindo a distribuição da droga, Trump entendeu mandar aprisionar Maduro que provavelmente nada terá a ver com o tráfico.  Era e ainda será um patife, mas pode duvidar-se da acusação provavelmente forjada de principal responsável  pela droga que entra nos EUA. 
  não escamoteando o contrabando marítimo, é mais que sabido que são os poderosíssimos cartéis mexicanos os principais fornecedores  dos gangs americanos.  
Até nisso, a Venezuela sairá defraudada se, e quando se puder libertar do "madurismo", do bolivarianismo  e do poder ainda lá intocado. 
Este terramoto veio, mais uma vez, pôr a nu a má governança venezuelana, o descaso, e o desprezo, pelo ambiente, , a corrupção, o abandono a que foram votadas  milhares de infra-estruturas e e património construído. 
 Não basta referir as estruturas petrolíferas em ruína, a falta de maquinaria pesada, o não cumprimento das mais elementares regras de segurança construtiva. 
Sob os escombros jazem milhares de vítimas (os desaparecidos, ou alguns deles) é é duvidoso que sejam resgatados a tempo.  E por tudo isso é que Maduro e a multidão dos seus amigos, aliados e cúmplices deviam ser julgados. Lá- E já. 

25 junho 2026

estes dias que passam, 1062

 continuar, (é difícil começar algo mas fácil acabar com tudo)

mar ,24 de Junho de 2026

Ao longo dos ano, e já são muitos, quiçá demasiados,  participei em diversas iniciativas culturais de que, por várias razões, apenas destaco duas: a Editora Centelha  e a livraria Erva Daninha. 

A editora nasceu em Coimbra, um pouco como produto da Crise Académica de 1969 e teve como primeiro grande impulsionador o João Bilhau.
Naquela altura, como alguém ainda recordará, davam-se os primeiros passos na publicação de clássicos marxistas, campo onde a Centelha, ainda com o nome "nosso Tempo" rapidamente se distinguiu. 
Na verdade, para além dos Marx, Engels, Lenin , cedo se começaram a editor heterodoxos vários para forte irritação dos que seguiam a cartilha soviética.
Além dessa pequena mas importante via editorial, cedo se iniciou a publicação de poesia que, calculo terá atingido mais de uma vintena de títulos.
Mais tarde a Centelha criou uma colecção dedicada à música pop e ao rock que também se tornou importante  e que igualmente terá ultrapassado a mesma vintena de títulos
Houve, entretanto a ideia de publicar "O Capital" mas a tentativa ficou-se pelo primeiro volume  na edição (e  tradução?)  de Vital Moreira. Mais tarde ainda se publicaram  alguns volumes de poesia alemã graças à generosidade de Paulo Quintela..
A joão Bilhau sucedeu como principal responsável, Alfredo Soveral Martins  que também morreria cedo demais. 
A editora tinha uma multidão de sócios, muitos dos quais vinham da fileira de tradutores  que recebiam acções como pagamento do seu trabalho.
Eu mesmo, organizei uma antologias sobre os "Black Panther" (com a  inestimável colaboração de Maria João Delgado que, aliás começou aí a sua  sólida carreira de tradutora). 
(como nota curiosa, o livrinho por mim organizado foi proibido ainda antes de estar impresso porquanto a  PIDE/DGS  descobriu numa tipografia exemplares já prontos da capa. Tanto lhe bastou para perseguir um livro que ainda estava por imprimir)
Entretanto, instalei-me no Porto e a minha colaboração começou a traduzir-se na aquisição de acções. A Centelha tinha uma crónica falta de capital, fora lesada por distribuidoras várias que nunca pagaram  e  perdeu igualmente muito dinheiro relativo a remessas importantes de livros para angola.
Finalmente, o entusiasmo inicial de muitos dos fundadores foi desaparecendo, a concorrência cresceu desmesuradamente e a morte do Alfredo marcou o inicio do fim. 
Desde há vários anos tenho sido abordado por um eventual comprador do espólio (que nem sei onde para...)  mas o principal problema reside  na dispersão dos accionistas.para não falar na morte de muitos e no desconhecimento de eventuais herdeiros.

Já no Porto e anos ainda viçosos do post 25 A, um amigo meu, regressado de frança lançou a ideia de criar uma livraria Quand, sabedor da minha compulsão livreira,  me abordou aceitei participar prevenindo-o entretanto que considerava o meu investimento como completa e integralmente perdido. 
A "Erva Daninha" lá nasceu e cedo comecei a verificar o resultado da minha sombria previsão.  O produto livreiro em venda na livraria  era óptimo mas reservado a uma minoria de leitores. Recordo que, entre outros autores, vendia-se o João Bernardo, um heterodoxo entre os heterodoxos, revistas francesas e italianas que quase não tinham leitores e toda uma série de edições que  pecavam  pela falta de popularidade  entre leitores comuns. Tenho a vaga sensação de que  terei sido um dos principais compradores ,mas um leitor impenitente e demasiado curioso não chega. A Erva teve algumas iniciativas pioneiras entre elas uma série de passeios organizados pela cidade com a colaboração de arquitectos que orientavam  o quarteirão de internados nos meandros da arquitectura e urbanismo do Porto.  Ainda. e à semelhança da Centelha,  se tentou editar alguma poesia mas, se berm me lembro a tentativa focou-se por M"memórias do Contencioso" de Fernando Assis Pacheco que fora um grande impulsionador da colecção de poesia da Centelha.  Na época a grande referência livreira  era a "Leitura (que começara como Divulgação ainda nos anos 50) logo seguida da Lello  e da "Latina". (é bom lembrar os seus grandes livreiros, Fernando Fernandes, Domingos Lima e a dinastia Perdigão, avô, filho e neto  )A 1ª acabou definitivamente este ano, a Latina subisiste com outros moldes e a Lello é apenas um invólucr artístico  que talvez ainda venda livros a turistas apressados que apenas pretendem encher os telemóveis de fotografias sem especial sentido .
Tenho um sinistro palmarés de livrarias desaparecidas em Coimbra ou em Paris, na figueira ou em Roma, em Madrid ou em Lisboa. O mesmo, se passa aliás com as livrarias alfarrabistas cá ou lá fora.
Por outras e últimas palavras: o deserto cresce, ai de quem acoita desertos  (Nietzsche, outro admirável poeta que devo a Paulo Quintela)
É por tudo isto que teimo em continuar o blog incursões  em incursoes.blogspot.com  onde comecei e desejo  reincidir
Agora é convosco, leitores

 

23 junho 2026


  1. "à Barca, à barca
  2. oh que gentil maré"
  3. mar, na vespera do S João
  4. (oh que saudades...)

  5.  Como anunciei , estou a tentar continuar o blog incursões com este ou outro nome que, a acontecer, se chamará  "Homem aso mar".
  6. Nunca frequentei as redes sociais  porquanto  entendo que um blog permite mais e melhor o confacro com os leitores e, sobretudo, a possibilidade de poder entrar em diálogo com aqueles que o queiram encetar.
  7. Como pelo menos os habituais saberão, isto é, na melhor das hipóteses, uma vaga espécie de diário.
  8. A pergunta que eventualmente me farão é porque não um autêntico diário?
  9. A resposta é fácil : sou preguiçoso e trapalhão. Um diário implica uma escrita quotidiana  que a minha propensão para-a indisciplina dificilmente permitiria. Em segundo lugar  por muito curioso que eu continue a ser, por muito interessado que ainda seja, não é todos os dias que deparo com algo que olha a pena comentar, meter-lhe o dente, ou a faca.
  10. a ,minha  queda para a trapalhice radica em duas fatalidades: pouco (ou nenhum) jeito e uma propensão para a asneira. Sempre fui alguém pouco pouco prático e demasiado dado a digressões longas quando trato de qualquer tema.
  11. Durante toda a minhavida profissional, esforcei-me demasiadamente mas com algum sucesso para  fazer berm (ou razoavelmente) e rapidamente  o quer tinha de ser feito.
  12. Logo que me apanhei livre de encargos profissionais votei-me à áurea mediocrizas e à observância da regra  da abadia de Theleme  d0o meu adorado Rabelais: "fais ce u'il te plait"
  13. Pensando melhor, é bem provável que essa regra  tenha regido toda a minha vida. 
  14. Portanto, e para encurtar: se as coisas correrem como, apesar de tudo. espero, continuarei  a intervir como até agora, e ao longo de 2000 posts fiz sem entraves de qualquer espécie, pensar o mundo em     que vivo  ou sobrevivo praticando as necessárias incursões no éter internetico
  15. Mesmo agnóstico de longa, longuíssima data, remato com o britânico "so help me God"que na Buarcos da minha infância poderia ser o nome de uma bateira valente q  ue se faz ao mar (que é um cão) Assim Deus me ajude!


22 junho 2026

Estes dias que passam 1060

 De regresso à casa antiga?