28 agosto 2026

estes dias que passan 1076

"Cuando ya nada s+de personalmente exaltante"
mcr, 26 de Agosto de 2026 

O título pertence ao início de um poema de Gabriel Celaya poeta que com Blas de Otero representou em meados do século passado o melhor da poesia comprometida espanhola Convém referir estes dois grandes poetas não vá alguém dar por inexistente a coragem e a enorme coragem de que eles deram provas para não falar na grande, luminosa, qualidade poética dos seus textos Deixemos, porém, a Espanha w passemos a outras latitudes e realidades pungentes e que, de tão habituais parecem ser esquecidas. Comecemos pela guerra dita da Ucrânia como se este país fosse actor da agressão iniciada pela “operação militar especial" da Rússia Contra todos os cálculos, todos os progmósticos, todos os comentári0s, a Ucrânia resistiu, conseguiu expulsar os invasores do norte do seu território e aguenta uma frente de mais de mil quilómetros com quase 20% do seu território ocupado. Uma campanha pensada para duas ou três semanas vai no seu quarto ano e ninguém vê probabilidades de terminar tão cedo. 

 O império russo terá já perdido meio milhão de soldados, mas escudado no seu temível arsenal atómico e com a cumplicidade de meio mundo, mantém uma guerra em que só os mísseis obtêm resultados. E isto apenas porque quem tem as armas defensivas não as fornece a tempo e horas. Não vale a pena vir dizer que Putin é um louco perigoso e um criminoso exemplar. 

A criatura criou-se num universo concentracionário, alimentou-se de sonhos imperiais não perdoa a quem tentou salvar o que poderia ser salvo da antiga URSS que já não é uma potencia dominante mesmo se perigosa e "um tigre de papel com dentes atómicos" (a frase vem dos anos do chamado conflito sino-soviético e teria sido proferida por um russo mais lúcido em contraponto a uma propaganda maoísta que qualificava os EUA como tigre de papel) Entre nós um triste partido que se gaba de representar a "verdadeira esquerda" ainda não percebeu que os seus antigos patrões estão convertidos numa oligarquia gangster e rapinante. a quem a humanidade, mesmo a sua parte de povo, não tem qualquer importância servindo tão só como se vai revelando no campo de batalha como carne para canhão. A segunda tragédia destes tempos tumultuosos passa-se escondida no leste de África numa guerra fratricida entre dois exércitos que se não se aniquilam como seria desejável e útil vão destruindo o povo sudanês metralhado, em fuga e esfomeado. aqui ninguém é capás de dar o número exacto de vítimas sempre ou quase sempre civis, velhos, mulheres e crianças O terceiro caso também nada tem de recente e remonta aos fins do terceiro quartel do século passado quando um punhado de judeus resolveu “regressar" a uma terra que não era sua desde há quase vinte séculos. Fugiam do racismo e do mais que provável genocídio que os ameaçava. Acreditavam numa promessa de um lorde inglês que qualificara a Palestina como um provável "homeland “judaico como se aquilo fosse terra sem gente, baldia. Esta proposta de um tal senhor Balfour, membro do gabinete britânico sucedia-se a outras mormente a duas que indicavam Madagáscar e depois o sul de Angola como territórios aptos a receber os judeus que ninguém queria nos seus territórios. A Palestina. era então um mandato britânico criado depois do desabar do império otomano. Pelos vistos a sua população não era tida nem achada naquela solução. Ao fim e ao cabo, tratava-se de camponeses beduínos, muçulmanos que habitavam um território quase desértico. Não vale a pena voltar a referir o que aquele espaço foi desde então, nem sequer o último e infame ataque de um grupo nascido à sombra de Israel que quase o criou para combater o Fatah de Arafat Ainda alguém me há de explicar o cálculo do Hamas que o levou ao ataque hediondo de Outubro como se não soubesse que Israel responderia braços por braço, olhos por olho, pernas por perna. Também é verdade que a resposta do estado hebraico ultrapassou tudo o que seria imaginável e que todos os duas em Gaza ou na Cisjordânia um exército gangster e colonos ultra gangsters matam tranquilamente "terroristas” pelos vistos travestidos em crianças ( e já lá vão quase dez mil) e camponeses árabes da Cisjordânia. Um gauleiter israelita, ministro, ainda por cima aconselha a liquidar 40 árabes por dia. A média tem sido bem menor mas lá se chegará E chegar-se-á e enquanto a Europa, a nossa, a UE, mantiver tranquilamente os laços económicos com Israel que até à data conta dom esse fortíssimo apoio europeu que importa e esporta bens para Israel sem rebuço nem vergonha. Aliás, e por cá, continua na ordem do dia uma lei celerada que atribui aos israelitas a nacionalidade portuguesa mediante umas extravagantes, mas vagas provas que são descendentes de judeus expulsos no seculo XVI. pior atribui-se ás comunidades judaicas portuguesas a organização dos determiadas personalidades directamente envolvidas. Até um oligarca russo do qual não se conhece qualquer ascendência ibérica já ostenta um passaporte português ao mesmo tempo que vai apoiando a chacina ucraniana levada a cabo pelo seu amigo Putin . A lei aberrante que deu azo a isto nem sequer previu um período para a sua duração. Consequentemente ainda estarão pendentes uns milhares de pedidos de naturalização de gente que não fala português não quer viver em Portugal, mas que gosta imenso de se poder passear pela Europa (a mesma que não quis os seus antepassados... A História com H grande ou h pequeno tem destas ironias...

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