01 novembro 2008

Au Bonheur des Dames, 147


Portugais, encore un effort…


Há gente muito má. Mesquinha mesmo. Isto para não falar da falta de patriotismo. E estou a ser generoso. Poderia, inclusivamente, falar de traição.
Porque é traição inventar atoardas sobre os governantes sacrificados que suam as mil estopinhas para levar o país para a frente. Pior do que atoardas. No texto de que vos vou falar (aliás, escrever) acusa-se um alto governante de ser mentiroso. Ou seja conta-se uma história da sua mais longínqua meninice e tiram-se daí ilações simples: ou o governante é um mentiroso patológico ou então é um fenómeno do Entroncamento.
A história é simples: começa por dizer-se que Sª Exª o senhor Primeiro Ministro deu uma longa entrevista onde teria afirmado o seguinte:
"Sou, digamos assim, da geração Kennedy. Essa eleição representou já um momento histórico. Lembro-me do debate que houve na América quando, pela primeira vez, um católico se candidatou a presidente. O próprio Kennedy teve de vincar bem que nunca receberia ordens do Papa enquanto presidente dos EUA. Lembro-me bem do que isso significou."
Ora, sempre segundo as bífidas línguas que se acobertam no pantanoso terreno da calúnia gratuita, bolchevista e anti-nacional, se a biografia oficial está correcta, José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa nasceu no dia 6 de Setembro de 1957 em Vilar de Maçada, concelho de Alijó, distrito de Vila Real. E John F. Kennedy foi eleito presidente dos EUA em Novembro de 1960. Isto é, nesse tempo José Sócrates tinha três anos de idade.
Acusa-se pois um impoluto cidadão, dotado das mais variadas e excelsas virtudes, licenciado por uma universidade prestigiada que nada fica a dever ao M.I.T. (e com a vantagem de ter no curriculum a disciplina de “inglês técnico”) de mentir urbi et orbe.
De facto, ninguém com três tenros aninhos segue um debate presidencial estrangeiro que por cá pouco eco teve por via da censura, da escassez de televisões na província (e mesmo em Lisboa…, como os mais velhos se lembrarão). J.F. Kennedy foi eleito com alguma surpresa, dada a escassez de votos a seu favor (mesmo dando de barato que não houve a famosa “chapelada” do Illinois, como também alguém recordará…) e sobretudo porque era católico, coisa mais grave nesse tempo do que ser negro agora numa idêntica corrida presidencial.
Claro que S.ª Ex.ª não deu nenhuma entrevista, não disse essa patacoada, não ouviu nenhum presidente americano em nenhuma inexistente televisão, não leu nenhum censurado jornal português dos idos de 1960, não assistiu a nenhum aceso debate na casa paterna, onde se calhar ninguém sabia que a América elegia presidentes ou, sabendo-o, estava-se nas tintas ou, não estando, não distinguia Kennedy de Nixon a não ser pelo bigode farfalhudo que nenhum deles usava.
Tudo isto não passa de um ulular de “víboras lúbricas”, de agentes do cosmopolitismo dissolvente e anti-nacional, do bolchevismo soviético (pensavam que ele tinha morrido? Não morreu não senhor. Basta ler as teses do partido subversivo que dá pelo nome de PCP e ver a mão vermelha de sangue de Moscovo nas manifestações de rua, na movimentação dos malandrins da Função Pública, na pesporrência dos magistrados, na resistência passiva das hordas de professores que não querem trabalhar e muito menos ser avaliados, enfim na contínua chinfrineira anti-portuguesa que anima algumas fracções do indigenato local.) e de outros vários conspiradores que nada mais fazem do que atacar o partido socialista e o seu governo legitimado pelo voto popular.
Quando se vota, vota-se! Quando se é votado, governa-se. Quem não quer ver isto, quem não percebe que o vencedor das eleições tem um mandato indubitável e indiscutível, tenta através de todos os meios, sem sequer recuar perante a utilização de golpes baixos, desmoralizar o público ordeiro e votante, desautorizar o Governo, achincalhar as personalidades mais relevantes e semear a zizânia.
Corre na Internet, lugar de todas as desvergonhas, de todos os desacatos, de todos os assombros, sede supina da dissidência e da maledicência, uma artigalhada brejeira sobre esta suposta entrevista (inexistente, evidentemente) de S.ª Ex.ª o Presidente do Conselho.
Se eu não fosse um democrata, mas mesmo sendo-o não sei se o não faria ou proporia, atrever-me-ia a sugerir a criação de um Tribunal Especial, como os antigos Tribunais Plenários, por exemplo, para pôr fim a estas práticas peçonhentas cujo objectivo é seguramente derrubar o Governo legítimo e sufragado pelo voto entusiástico dos portugueses e das portuguesas dignos desse nome, e substituí-lo por alguma junta revolucionária anarquizante, pelos adeptos do quanto pior melhor, pelos iberistas (que os há…), pelos inimigos da liberdade responsável e da responsabilidade limitada.
Leitoras e leitores: Alerta! Alerta por Portugal! Alerta pelo futuro! Esmaguem a hidra dissolvente e ateia. Viva a Pátria! Morte aos traidores e a quantos os acobertam, os apoiam, ou simplesmente encolhem os ombros. A Pátria não se discute. E as opiniões inexistentes de uma inexistente entrevista a um inexistente jornal são isso mesmo.
A menos que, por um imponderável milagre de Santa Rita de Cássia, padroeira das mulheres espancadas e dos impossíveis, se verificasse o contrario, ou seja que um primeiro ministro recorde, quarenta e oito anos depois, uma eleição ocorrida no outro lado do mundo quando ele tinha tenríssimos três anos de idade. E se foi assim, então temos de escrever já para o Guiness que o país também precisa de algo mais do que de computadores Magalhães (aliás Classmat e já com barbas compridas na estranja…Mas isso é outra ((triste)) história.)


Vai esta para as manas Feijó e para a Isabel Pinto a título de celebração dos respectivos aniversários que ocorrem nestes próximos dias; para o Horta Pinto que esse sim tinha idade para saber quem era o Kennedy e ao que vinha; para o João Vasconcelos Costa, idem, aspas e para o Manuel Sousa Pereira solicitando-lhe um pequeno serviço de marcenaria fina cá em casa.

* O título é pilhado de uma obra de Sade, claro.












1 comentário:

A disse...

Ainda não estou certo que a corrupção material (fico à espera de mais dados sobre o caso da mota engil/jorge coelho, para julgar outros casos) já tenha pousado no tal engº pinto de sousa- O Sócrates. Mas que a corrupção intelectual já se pavoneia impunemente de braço dado (pelo menos)com o engenheiro e sus muchachos disso já não duvido.