Ali ao lado, os meus filhos dormem, finalmente, depois de uma conversa em espanhol - coisas inventadas, por supuesto -, com risadas pelo meio e com o pai, atolambado de sono, meio a rir, meio a brincar, mas com ar severo a tentar pôr ordem na coisa.
Com 14 anos, ela, cheia de garra, bonita, namoradeira como o pai foi namoradeiro, e ele, com nove charmosos anos, um pinga-amor e, por isso, sofredor como o pai foi sofredor.
Estão aqui, ali ao lado, inopinadamente amigos, coisa certa que amanhã não me vão deixar trabalhar, porque eles têm coisas mais importantes para fazer e eu não posso ser "cortes", por muito que tudo isto me angustie, que tenho coisas que não posso atrasar, o que acaba por ser pouco se escutarmos que, isto sim, é Natal e Natal - ao contrário do que se diz por aí - não é quando um homem quiser, mas só quando se pode, seja em Dezembro ou não.
Não tenho árvore de Natal em casa. Tenho um presépio, ali ao lado. Um presépio que ficará completo, dia 24, quando nos deslocalizarmos para o Marco, onde os meus pais e o meu irmão estão à espera.
Um BOM NATAL e um GRANDE ANO NOVO para todos.
22 dezembro 2005
Um carteiro de Natal
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o sibilo da serpente
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21 dezembro 2005
Embarquei num espelho nómada
e fui deixando a pele aos repelões
rente ao chão num minarete
exposta.
A vertigem amarrada aos dias soltos.
O exercício solitário de um abraço.
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Anónimo
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estes dias que passam 10
A minha luta é esta:
sagrado de saudade
divagar pelos dias.
Rilke, Poemas
Conheci Paulo Quintela, antes mesmo de pisar Coimbra: a minha mãe fora sua aluna no colégio de S. Pedro, era ele jovem assistente e assim arredondaria os fins de mês. Falava dele como de um professor brilhante e interessado. Ainda nesses tempos de menino, terá vindo à Figueira, alguma vez, o TEUC, com o Auto da Barca do Inferno (à barca, à barca que temos gentil maré) e ter-me-ei entusiasmado a pontos, conta-se, de ter decorado muitas falas de Todo o Mundo e Ninguém. Mal sabia que a ressurreição de Mestre Gil (nos palcos) se devia quase por inteiro a Quintela.
Mal pisei as íngremes calçadas coimbrãs e descobri a Faculdade de Letras ali mesmo à beirinha do forno crematório de Direito, para lá me transferi nos intervalos e mesmo durante as inúmeras e saborosas gazetas às aulas nos Gerais. E vi o Homem pela primeira vez: tonitruante, cachimbante, mordente, um rosto arredondado dominado por uns olhos asiáticos (não seria assim mas é como o vejo tantos anos passados), fato completo com colete, a beber uma bica ao balcão do bar. Não era Quintela que ali me trazia mas apenas a pletora de raparigas que, ao contrario de Direito, enchiam aquela faculdade. Mas Quintela conseguia o prodígio de nos surpreender e a vontade de o conhecer.
Então eu, que tinha copiado à mão os dois inteiros volumes de poemas de Rilke e o de Nietzsche traduzidos por ele, ardia por lhe chegar à fala. O diabo era a imponência do homem e o respeitinho que impunha. Ficou para mais tarde, para as tertúlias da “Brasileira”, café sito ao “canal” mesmo perto da Atlântida e da Almedina livrarias que durante uma década me sorveram os parcos maravedis que a família mandava.
Faça-se aqui um parêntesis, porque a gratidão assim o reclama. A Almedina era o glorioso resultado do trabalho do Joaquim Machado que de sebenteiro passou a livreiro e a editor de livros jurídicos. Este Machado, que já descansa à mão direita de Deus Pai, era um homem das arábias. Sabia-a toda (como ele em livreiros só me ocorrem o saudoso Hipólito da Opinião, o Fernando Fernandes da Leitura, o Domingos Lima da Lello e a minha querida Maria Helena Alves da figueirense Havanesa. Esta gente vendia livros mas amava-os, destinava-lhes donos de confiança, falava deles como filhas casadoiras, em suma se vivessem num pais civilizado seriam tão célebres quanto o François Maspero da Joie de Lire) e logo que me tirou a bissectriz, pimba, entrava na Brasileira à sorrelfa com três pacotões de livros endereçados respectivamente ao Américo Caseiro, ao António da Cunha Pinto (que sob o nome de Leonel Brim assina “Magistério e desgosto” e “Talvez Pinóquio”, imperdíveis mesmo se de leitura esforçadíssima) e a mim. Cada pacote era um tiro de canhão ao nosso orçamento. E nós reclamávamos: “Machado, isto é pior do que o terramoto, já lhe devo um balúrdio sei lá se alguma vez lhe consigo pagar...” E ele: “Paga, claro que paga, eu espero”
Paguei, evidentemente, mas se não fosse o gesto generoso do Joaquim nunca teria tido a coragem de me atirar ao gigantesco “traité des maniéres de table” de Lévi Strauss ou sequer ao primeiro Marcuse cá entrado nos idos de 68 e que dava ao “Homem unidimensional” o título de “ideologia da sociedade industrial” na edição brasileira da Zahar(?).
O Joaquim Machado morreu deixando uma rede de livrarias, jurídicas e não só, e ao que sei, raros foram os jornais a falar dele. Eppure ali estava um homem que prestou à cultura portuguesa relevantíssimos serviços... Assim vai o mundo ou, pelo menos, este nosso mundo.
Voltemos a Quintela: logo que me fiz mais crescidinho na faculdade, comecei a partilhar os meus longos tempos de café entre a praça da república e a baixa assentando arraiais na Brasileira.
A Brasileira era um café sui generis: frequentavam-na não só malta de esquerda mas também a de direita mais ou menos radical. Ao entrar logo se via quem puxava pelo reviralho ou quem apoiava a situação. E era simples: à esquerda os nossos (ou melhor os meus) e à direita a peonagem do jovem Portugal, da Causa Monárquica & similares. Com uma gloriosa excepção: a mesa junto à montra do lado direito (dita “o aquário”) tinha donos indiscutíveis pelo menos entre as 11 da manhã e as 2 ou três da tarde. E eles eram Paulo Quintela, Joaquim Namorado, os manos Vilaça, Luis de Albuquerque, Rui Clímaco e Fred Fernandes Martins: ou seja um cacharolete de comunistas confessos e com várias estadias na cadeia, um anarquista brilhante (Fernandes Martins) e Quintela e Albuquerque que representavam (com FFM) desde sempre a honra e a resistência universitárias. Ser admitido naquela távola era prémio que poucos conseguiam e que, graças ao facto de ser membro da redacção da Vértice, por vezes me coube. É impossível dar conta do que ali se ouvia e aprendia: aqueles mafarricos eram intelectuais da melhor cepa: da que ensina divertindo, da que discute sorrindo, da que ouve um galispo estilo mcr aos vinte anos com afectuosa atenção e depois lhe malhavam com firmeza e amizade. Se alguma coisa sou e sei dali o retirei (e doutra tertúlias em Lisboa e Porto que para isso sempre tive atrevimento e, sobretudo oportunidade).
Na nossa mesinha, à esquerda, claro , o mais possível, eu o Cunha Pinto e o Caseiro de vez em quando cortávamos na casaca daqueles “jarretas” do “aquário” pois eles não se coibiam de discutir alto e bom som.
Cem anos! Há cem anos nascia o doutor, por extenso, Paulo Quintela. Hoje o JL traz e muito bem uma comovida homenagem ao Mestre.
Amigos e companheiros, juntem-se a essa celebrativa romaria e corram à Gulbenkian a comprar pelo menos os três enormes volumes de traduções de Quintela. Ofereçam-se a Vocês próprios um presente digno dos três Reis Magnos. E depois de começarem a ler os Rilke, os Goethe os Schiller e os Brecht ...
Vós que haveis de surgir das
Cheias
Em que nos afundámos
.............................
pensai em nós
com indulgência.
Nota: o texto acima termina com um fragmento dos poemas de Svendborg de Brecht e vai em memória de Paulo Quintela, Joaquim Namorado, Fred Fernandes Martins, Luis de Albuquerque, Orlando de Carvalho e Marcos Viana. Em todos se combinaram a defesa da democracia, a pedagogia lúcida, o amor pelas artes e letras e uma genial verticalidade. Bem hajam!
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M.C.R.
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Christmas time
Cheguei a este grupo incursionista há precisamente um ano, em vésperas de Natal, guiado pelo meu amigo Carteiro e convidado por LC. Nos debates e conversas que entretanto por aqui se travaram, reflecti e aprendi muito e considero que fiz novos amigos. Estou reconhecido a quem se lembrou de mim e me trouxe para cá e a todos os que vão lendo e comentando os meus modestos escritos.
Como vou partir de férias durante alguns dias e provavelmente vou estar desligado da blogosfera, quero desde já deixar aqui um abraço amigo e fazer votos de Feliz Natal e Bom Ano Novo, pleno de sucessos pessoais e profissionais, para todos os que dão vida ao Incursões.
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jcp (José Carlos Pereira)
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"Somos diferentes até na linguagem!"
Se porventura tivesse de destacar uma frase no debate que opôs Soares a Cavaco, seguramente que seria esta discreta mas fundamental afirmação de Cavaco Silva.
(...)
Mário Soares, numa atitude inqualificável, tem-se arrogado uma superioridade sócio-cultural sobre Cavaco Silva. Ficou hoje demonstrado (para quem não sabia) que foi Mário Soares quem não tomou chá em pequenino. Se eu tivesse algumas dúvidas, a diferença na linguagem dissipou-as por completo.»
Vasco Lobo Xavier, in Mar Salgado
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"A pobreza da arrogância" : Manuel Adérito, in blog Do Contra
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Kamikaze (L.P.)
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Les Inrockuptibles
"A secção de Corrupção da Polícia Judiciária vai ser extinta durante o próximo mês. As mudanças estão a provocar mal-estar junto dos inspectores. A direcção da Polícia fala em reestruturação e reforço da investigação nesta área, mas a associação sindical discorda com o desmantelamento de uma estrutura que tem sido incómoda para vários poderes instituídos.
As mudanças estão a provocar mal-estar junto dos inspectores e a SIC sabe que já provocou um pedido de transferência do responsável. Nos últimos dias, os boatos das mudanças foram crescendo no edifício da Polícia Judiciária.
O combate à corrupção tinha direito, até agora, a uma secção autónoma com cinco brigadas. A partir do próximo ano, passam a ser nove brigadas, divididas em três secções, mas com muitos mais crimes para investigar.
A Judiciária garante que não houve pressões do poder político e argumenta que tudo vai ser feito para rentabilizar a força de trabalho, que não é muita. As alterações só deverão ser comunicadas oficialmente nos próximos dias.
Maria José Morgado já esteve à frente deste departamento da Judiciária e, em declarações à SIC, diz que todas as recomendações internacionais são no sentido da especialização. Maria José Morgado acredita que a redução de competências na área da corrupção poderá traduzir-se em menor eficácia."
In SIC on line
Mais desenvolvimento no JN
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Kamikaze (L.P.)
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20 dezembro 2005
estes dias que passam 9
Nasceu
Foi numa cama de folhelho
Entre lençóis de estopa suja
Num pardieiro velho
..........................
Ninguém há-de cantar a história do menino
ninguém lhe vai chamar o Salvador do Mundo
Álvaro Feijó
2. A buliçosa Associação dos Professores de Português saiu a terreiro com um comunicado em que lamentava que o Ministério da Educação tivesse abandonado a extinção dos exames naquela disciplina. Que os exames além duma maçada não provam nada e põem em causa o aturado labor de um par de anos de eficiente ensino. Ora toma, que é para tabaco! Estes cavalheiros (e cavalheiras, acrescento para não me chamarem misógino) não acham que o panorama que daqui se descortina quanto aos frutos dos seus ingentes esforços pedagógicos é raquítico para não dizer antes um palavrão mais apropriado. Suas Excelências entendem que sendo o exame uma sanção às suas justas aspirações de trabalhadores da educação melhor seria (mesmo no naufrágio completo que se conhece) que se não realizasse. Uma coisa assim como o jogo dos quatro cantinhos: não agarraste canto. Não tem mal. É tudo uma brincadeira. Aceitando que terão razão, eu até proporia que se não ensinasse português às criancinhas inocentes, coitadinhas. E, já agora, que se dispensassem os senhores professores. A porta é por aqui, pedagogos. Desandem e vão inscrever-se no centro de emprego mais próximo.
Para quem, independente de esquerda, que entrou na Vértice cerca de dez anos depois, é consolador saber agora com todos os pormenores esta história de dignidade e resistência. Para quem foi amigo do Joaquim e do Luisinho (era assim que meu Pai o chamava...) é uma imensa alegria. E não pequeno orgulho, cela va de soi, mon cher lecteur José.
4. O Eduardo Prado Coelho, escreve no Público de 19 pp. que tem um fraco pelo “Natal dos hospitais” (!!!) Para quem o não conhece isto torna-o mais humano e próximo. Para quem é seu amigo desde os tempos heróicos do festival de cinema da Figueira, isto explica certos gostos cinematográficos do Eduardo ( agarra esta Eduardo...). Todavia o abaixo assinante não tem muito que galhofar à custa desta “horterada” do E.P.C. É momento de confessar que de há muitos anos a esta parte não perco o desfile militar do 14 de Julho nos Campos Elísios (via televisão, claro... Mas se lá estivesse juro que não falhava...). então quando passa a Legião Estrangeira é o fim da picada. Eu bem que tento justificar-me com a leitura do Beau Geste em pequeno, com a Revolução Francesa e o Povo em Armas contra a nobreza opressora mas, aqui à puridade, nem eu mesmo acredito em mim. Gosto daquele maldito desfile e pronto... Não há volta a dar-lhe.
5. Anda por aí um banco a fazer publicidade, pespegando (em página inteira, há que dizê-lo) com uma reprodução do Fils de l’homme de Magritte. Meu Deus ao que chegaram os meus heróis surrealistas...
6. Vai um cidadão pela rua e só vê uns bonecos raquíticos vestidos à Pai Natal agarrados às janelas e varandas como quem sobe carregado de prendas. Parece que são de fabrico chinês. O mau gosto ocidental aliado à capacidade oriental de massificar dá nisto. Do horizonte que seria vermelho resta-nos só esta imagem pífia que, entretanto, prova como o Ocidente se conquista mais facilmente com o mau gosto do que com as máximas do “pequeno livro vermelho”.
7. Tendo começado com um excerto de Álvaro Feijó entendi acabar este meu bilhete de Boas Festas com um outro desse magnífico poeta que se chamou Malcolm de Chazal:
a noite
veria
o corpo de Deus.
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M.C.R.
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O “crime” compensa
Todas as sondagens sobre as presidenciais mostram que é praticamente certa a vitória de Cavaco Silva na primeira volta. Escrevo pouco tempo antes do aguardado debate Cavaco-Soares, mas creio que só um cataclismo poderia virar estas eleições.
Já aqui disse de que lado estou nesta disputa, mas não posso deixar de reflectir um pouco mais sobre o “passeio” de Cavaco Silva. O que é que contribuiu para esta vitória anunciada de um candidato que perdeu há dez anos a eleição presidencial?
Os anteriores presidentes foram eleitos na sequência das respectivas intervenções militares, políticas ou cívicas. Eanes tornou-se o candidato do consenso após o 25 de Novembro e a sua passagem pela RTP, tendo depois congregado apoios mais à esquerda na reeleição de 1980; Soares fora um dos “pais” do regime democrático, líder histórico do PS e primeiro-ministro por três vezes; Sampaio era presidente da Câmara de Lisboa, tinha sido líder do PS e um histórico activista contra a ditadura desde os tempos de estudante.
Já Cavaco foi primeiro-ministro e líder do PSD durante dez anos, acabando por perder o duelo presidencial com Sampaio no início de 1996. Uma derrota clara. Desde então, teceu uma teia laboriosa para chegar onde está neste momento. Reservou-se, praticamente apenas interveio sobre questões económicas, distanciou-se de forma envergonhada do seu partido, não foi solidário com líderes que lhe sucederam no PSD, não se comprometeu nas questões mais delicadas da política nacional ou internacional, afastou-se do palco para que os portugueses se “esquecessem” dele. Dos seus defeitos, dos seus erros, do clientelismo dos seus governos e da saturação em que tinha mergulhado o país. Não concorreu há cinco anos por falta de coragem ou por falta de espaço?
Agora, aí está de novo, pretendendo passar uma esponja sobre as más recordações que, há dez anos, ditaram a sua derrota. Tudo foi sacrificado à vontade de se tornar Presidente da República da forma mais calculista e no momento mais oportuno. E parece que o “crime” vai compensar.
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não é por...
sobre os amigos
búzio sobre a memória
os amigos ou saliva no
ombro do menino conto
os amigos devassados no
sono mastigo sua paz e
o disperso bronze dos nomes
posto à revelia do autor por mcr seu amigo de há 43 anos (Chiça!) e companheiro de cela em Caxias sur mer nos idos de Maio de 1962
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M.C.R.
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Sondagem da Marktest
Segundo uma sondagem da Marktest para a TSF e o Diário de Notícias, Cavaco Silva ganharia as eleições à primeira volta com 58% dos votos, se as presidenciais fossem hoje.
Os resultados do Barómetro, que exclui as respostas «não sabe/não responde/não vota», dão 58% dos votos a Cavaco Silva, 16% a Manuel Alegre, 13% a Mário Soares e situa Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã nos 5%, com vantagem para o secretário-geral do PCP.
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Primo de Amarante
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19 dezembro 2005
Pensamento (em tempo de campanha)
«A razão, discernimento do verdadeiro e do falso, decisão e juízo, é coisa rara e pouco difundida. Assunto de elites e não de massas. Quanto a estas, elas são guiadas, ou melhor, movidas pelo instinto, a paixão, por sentimentos e ressentimentos. Não querem nem sabem pensar. Apenas sabem obedecer e acreditar. Acreditam em tudo o que se lhes diz, desde que o façamos com suficiente insistência. Desde que lisonjeemos as suas paixões, os seus ódios, os seus temores. É portanto inútil procurar mantermo-nos dentro dos limites da verosimilhança: pelo contrário, quanto mais grosseira, maciça e cruamente mentirmos, tanto melhor acreditarão em nós e nos seguirão.»
Alexandre Koyré. “Reflexão sobre a mentira” Ed. Frenesi.
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Primo de Amarante
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da impossibilidade
há tanto além das palavras.
tanto dentro e fora e em tudo que nos cerca.
corrente subterrânea de pensamentos,
rio invisível de pulsões,
abalos que galopam ondas
ou subitamente acalmam-se.
a ordem do mundo perfeita.
há um mundo de atos e sítios
de escandalosa beleza
que não se consegue escrever.
há um mundo cruel,
para o qual emudecemos.
não que sejamos mudos ou cegos
mas porque nos arranca as palavras,
é dor inclinada sobre nós
que só sabemos perguntar porquê.
há tantas coisas além do poema,
da tentativa de traduzir em palavras
a impossibilidade delas.
rolamos nosso parco talento
na insônia opaca de todas as noites.
silvia chueire
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Silvia Chueire
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18 dezembro 2005
A hipocrisia
«Os europeus têm conhecimento da prática da CIA de transferir prisioneiros suspeitos de terrorismo em aviões fretados pela agência, que fazem escalas em aeroportos da Europa»-- afirmou o ex-secretário de Estado norte-americano Colin Powell.
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Uma ideia brilhante para a renovação da classe política
«Infelizmente, não temos maneira de fazer políticos em barro, como nas Caldas se fazem...», disse Mário Soares.
E por que não tentar, recorrendo às novas tecnologias?!...
Talvez em barro fossem mais suportáveis !!!!...
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Coisa Amar
Contar-te longamente as perigosas
coisas do mar. Contar-te o amor ardente
e as ilhas que só há no verbo amar.
Contar-te longamente longamente.
Amor ardente. Amor ardente. E mar.
Contar-te longamente as misteriosas
maravilhas do verbo navegar.
E mar. Amar: as coisas perigosas.
Contar-te longamente que já foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te longamente como doi
desembarcar nas ilhas misteriosas.
Contar-te o mar ardente e o verbo amar.
E longamente as coisas perigosas.
Manuel Alegre
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Primo de Amarante
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FOI HÁ DOIS ANOS
Realizou-se nos dias 18 e 19 de Dezembro de 2003, na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, o Congresso da Justiça, cujos Relatórios Temáticos nunca foram publicados.
Uma realização que mobilizou as organizações sindicais e profissionais do sector da justiça durante mais de dois anos e se esvaiu nestes dois dias do encontro final.
Um fracasso, que foi mais um capítulo da justiça em Portugal.
Fica aqui, para assinalar a efeméride, o relatório sobre o tema A FORMAÇÃO DAS CARREIRAS JURÍDICAS, que elaborei.
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17 dezembro 2005
Transcrição de gravações
Li hoje num qualquer jornal que pelo Dr. Rui Pereira terá sido proposto que as gravações de audiências passassem a ser transcritas por quem recorre.
É uma vergonha a fortuna que se paga pelas transcrições de gravações. É ainda vergonha que esse negócio seja feito, segundo a notícia, através de escritórios de advogados. É uma vergonha que essas empresas sejam seleccionadas pelos tribunais, a seu arbítrio, sem que se conheça qualquer critério.
Mas não seria mais simples oferecer um gravador a cada um dos Magistrados dos tribunais superiores para que ouvissem as gravações? Poupava-se muito tempo e muito dinheiro. Aumentava-se a eficácia e eficiência da Justiça. Mas, certamente, o que é preciso é aumentar os custos dos cidadãos, complicar o funcionamento do sistema e assim contribuir para o aumento do PIB (não esqueçamos que quanto maior for o PIB menor é o défice público; o controlo do défice faz-se quer por redução da despesa pública, que por sumento do PIB!!!)
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16 dezembro 2005
O apelo às desistências
O modelo dos debates com candidatos à presidência da República seguido pelas televisões tem servido o interesse público de esclarecer diferenças entre os candidatos.
O debate entre Mário Soares e Francisco Louça veio mais uma vez confirmar isso. Em política as diferenças não podem ser alienadas mesmo em nome de imperativos da luta contra a direita. Ficou bem a Mário Soares distanciar-se dos apelos dos socialistas para a desistência dos restantes candidatos de esquerda. Poderia ter havido uma estratégia de convergência de toda a esquerda e nesse caso não se podia falar na alienação das diferenças. Procuravam-se denominadores comuns e encontrava-se o candidato que desse garantias de assegurar essa convergência. Os dirigentes do PS, no pragmatismo utilitarista que cultivam, esqueceram-se de promover essa convergência. Devem, por isso, tirar as devidas consequenciais do seu autismo e não enveredar por um oportunismo quase chantagista.
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"Não há disponibilidade"
Recebi hoje no mail esta anedota:
"No outro dia, quando me ia deitar, notei que havia pessoas dentro da minha garagem, a roubar coisas. Eu liguei para a Polícia, mas disseram-me que não havia ninguém por perto para ajudar, mas que iriam mandar alguém, assim que fosse possível. Eu desliguei. Um minuto depois liguei de novo: "-Olá - disse eu - Eu liguei há bocado porque estavam pessoas na minha garagem. Já não é preciso virem depressa, porque eu matei-os." Passados alguns minutos, estavam meia dúzia de carros da Polícia na área, uma ambulância e uma unidade do INEM. Eles apanharam os ladrões em flagrante. Um dos polícias disse: "- Pensei que tivesse dito que os tinha morto!", ao que eu respondi:"- Pensei que me tivesse dito que não havia ninguém disponível."
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Anónimo
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