24 maio 2006
O que não bate certo?
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o sibilo da serpente
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23 maio 2006
Falta de paciência
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Breve reflexão
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Os lápis Viarco e as memórias (algumas) da infância...
Lembro-me da minha primeira ida para a Escola Primária, um edifício lindo, uma moradia – Estado Novo já se vê… - vestido com uma linda bata branca, acho que se chamava "bibe"... e um grande "D" azul nela bordado como só as mães sabem fazer... e dos cuidados que coloquei nos meus “pertences”: a minha mala era de um cinzento claro, rígida, com um fecho que fazia um especial “clique” quando fechava, e uma pequena pega castanha, albergando o dito lápis, a caneta tinta permanente (obrigatória!), uns cadernos todos bonitos, alguns com aquelas linhas azuis, duplas, para nós aprendermos a desenhar a letra de forma uniforme (creio que isso hoje é peça de museu…).
Há que séculos não via tais lápis! Habituado à caneta, “esqueci” este imaginário, que sempre sobrevive, afinal, no subconsciente de cada um de nós.
A acompanhar o texto, vem uma fotografia, na qual ainda distingo umas caixinhas, com uma gravura de dois rapazinhos, à janela, um até sentado no parapeito da dita, e um outro, mais recolhido, a fazer bolas de sabão – uma brincadeira muito inocente dos anos 60…e ainda uma outra com uma menina, creio que no campo e a brincar com os seus lápis de cor…quantas destas caixinhas não terei usado!...
Também diviso uma caixinha com um rapazinho fardado a preceito da Mocidade Portuguesa….mas isso são outros contos…
Paradoxalmente, parecia um mundo mais gentil do que aquele que hoje nos é dado viver, pese embora a minha infância atribulada…
Mas nós, pequeninos, o que podemos modificar? Nada! Somos impotentes perante o mundo dos adultos…Resta-nos, enquanto crianças, esperar que nos amem!
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Revitalização urbana
Decorreu na passada sexta-feira um seminário na Exponor sobre “Revitalização urbana, qualidade de vida e competitividade das cidades”, que juntou especialistas sobre estes temas para reflectirem sobre aquilo que se passa nas nossas cidades e as boas práticas existentes por esse mundo fora.
Partindo do exemplo do Porto, cidade e área metropolitana, os presentes puderam apreciar a visão que os responsáveis políticos pela Junta Metropolitana têm para este espaço territorial – uma visão que precisa de mais estratégia e ambição, o que talvez só seja possível quando os líderes metropolitanos tiverem legitimidade eleitoral – e conhecer melhor os projectos da Sociedade de Reabilitação Urbana do Porto e os estudos de mobilidade desenvolvidos para a região.
Depois, veio a parte mais interessante, quando se pôde ouvir as experiências de requalificação de cidades como Estocolmo, Rennes e Bilbao e o relato de um académico português radicado nos EUA sobre as medidas implementadas em algumas cidades norte-americanas. Em todos os exemplos, esteve sempre presente a preocupação cimeira com a vivência das cidades, os espaços públicos, a mobilidade, a primazia dos transportes colectivos, a circulação pendular entre os centros e as periferias.
Quando se estuda e analisa estes bons exemplos, custa a entender por que tantas vezes se persiste no erro e nas opções mais penalizadoras para os cidadãos. Não é só na gestão de empresas que se deve acompanhar as boas práticas. O benchmarking na actividade política e na gestão do espaço urbano devia ser uma prática habitual dos nossos decisores.
Já agora, contam-se pelos dedos das mãos os autarcas e responsáveis políticos presentes neste seminário. Deviam estar ocupados a despachar facturas de fornecedores de rotundas e fontes luminosas…
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Apito Dourado suspenso por escusa do Procurador
Se a moda pega…
A ler no Público on-line.
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o leitor (im)penitente 3
Eu não queria, leitoras gentis, fazer desta série, um conjunto de historietas dispersas, sem rei nem roque, aos saltos pelas idades que vou ou fui vivendo. Mas que querem? O homem põe (ou será a galinha?) mas Deus dispõe. Estava eu a pensar relatar os meus primeiros “Vernes” e eis que a força das coisas (“la force des choses”, prima feminista, la force des choses...) me obriga a voar mais de cinquenta anos e chegar até hoje fins de Abril e à Rª Mártires da Liberdade, no Porto. Melhor: à Livraria Académica, rainha das livrarias alfarrabistas, prazer de bibliófilos viciosos, alegria de leitores mais pobres que aqui encontram sempre algo a que meter o dente por dez reis de mel coado.
Já alguém, por estas bandas bloguistas (muito provavelmente o José Carlos Pereira ou o Coutinho Ribeiro, meus amigos), escreveu sobre esta casa. E digo casa com plena consciência pois a “Académica” ficava a meio caminho entre o colégio Almeida Garrett (onde meu pai e eu penámos como internos) e a livraria Leitura, outra rainha, mas de livros novos e estrangeiros. Um peregrino leitor ia assim de cem em cem, ou duzentos em duzentos metros, de livraria em livraria até atingir carregado de compras o “Ceuta”, o “Avis” ou o Piolho. Dependia das rotas e dos amigos ou das namoradas que nos esperavam.
Que de livros terei comprado por estas bandas! Mas passemos adiante. Hoje venho falar-vos de um desses pequenos milagres a que nós incréus também temos direito. O sol quando nasce é (eventualmente) para todos. E aqui está.
Nos idos de sessenta, aportei á Coimbra de “lavados ares” para tirar um inútil curso de Direito e um mais interessante curso de vida. Prestamente comecei a frequentar gente sinistra, da sinistra, do reviralho, como então se chamava esta pequena tribo que ia sobrevivendo sob a mão pesada de Salazar. Leitores vorazes quase todos. E, noblesse oblige, leitores de tudo o que era proibido, mormente alguma literatura marxista, muita poesia, uns romances (entre eles sempre, “Os subterrâneos da liberdade” valente estucha perpetrada pelo Jorge Amado com quem apanhei uma das poucas borracheiras da minha vida, na saudosa republica dos “1000-y-onarius” sic) e um livro curiosíssimo chamado “Estes tempos tumultuosos”, (biografia de uma geração desesperada) de Pierre van Passen.
Li-o, emprestado possivelmente pelo João Quintela ou pelo José Luís Nunes, já não recordo. Seria dos meus dezoito anos, do ambiente vivido naqueles anos de brasa, do exotismo das paisagens, das situações, sei lá, o livro impressionou-me. E de tal modo que nunca me esqueci e dei a uma das minhas séries de croniquetas um título em homenagem a essa leitura juvenil.
Ora, hoje, resolvi demandar a Académica para tentar encontrar dois volumes da “Rumos do Mundo” que me faltam. Algum amigo do alheio, passou por eles, e achou-os a mais na minha estante. Conformado, por tantas razzias, efectuadas à minha biblioteca, e sabendo que livro desaparecido não volta por seu pé, lá fui ver se o Nuno Canavez tinha os livrinhos. Este Nuno é todo uma personagem: cinquenta anos de livreiro, uma voz tonitruante, trasmontano até dizer basta, sabe mais de livros do que uma inteira faculdade de letras. Graças a ele, a biblioteca de Mirandela tem um fundo de quatro ou cinco mil livros sobre Trás-Os-Montes, um conjunto precioso, de incalculável valor, que ele foi reunindo, pagando e oferecendo á terra que o viu nascer. Conversador nato e incorrigível, disfarça sob um vocabulário rico e vicentino uma gentileza fidalga e antiga.
Hoje, depois de ver frustrado o projecto de compra, nem o Nuno tinha os dois volumes que me faltavam!, e depois de me rir largos minutos com uma das suas histórias, perguntei-lhe por este livro, ou melhor por qualquer coisa com um nome semelhante, sem menção de autor, sem nada.
Acreditem ou não, o diabo do homem nem pestanejou. - Será o van Passen? -Isso!, bradei já com uma fezada que faria inveja a meia dúzia de peregrinos de Fátima. Num minuto, e estou a medir as minhas palavras, tinha o livro na mão, com um desconto de cinco euros sobre o preço marcado e levando de prenda os “dessins politiques” do Siné na colecção “libertés” da J. J. Pauvert. Como já o tinha foi a prima Maria Manuel que adora os anos sessenta que presume conhecer (mania inocente a dela...) como se ter entre seis e quinze naqueles anos fosse suficiente...
A história que vos trouxe, é, convenhamos, fracota, mas só quem não andou anos à procura de um livro é que a desdenhará inteiramente. Não é a primeira vez que depois de anos de procura, um livro me aparece. Há uns anos, alertado por um pedido da mesma prima procurei em vão “É assim que se faz a história” do Eduardo Guerra Carneiro, ausente em parte incerta depois de anos de leal e paciente presença na estante, sector “amigos poetas”. Corri ceca e meca por outro exemplar. Nem o Eduardo me conseguiu valer. Quando já me resignava eis que uma livreirinha gentil da Cotovia, mais hábil do que eu e mais andarilha mo encontrou sei lá onde. E teve o trabalho de me telefonar, de o guardar enquanto não fui por ele. Tudo por um livro pedido por um desconhecido ao telefone. Como nestas coisas convém haver pelo menos uma trindade, aqui vai a terceira história. Um tio meu, Marcos Viana, homem que sabia de literatura muito mais do que nós suspeitávamos, falou-me uma vez de um romance que o tocara muito. “O único romance surrealista” dizia ele. “Passage de l’homme” de Marius Grout, prémio Goncourt de 43. Munido desta recomendação eis-me, dez anos mais tarde, numa pequena livraria de segunda mão em Paris. Um Grout intocado durante vinte ou trinta anos riu-se para mim. Viemos juntos para a pátria madrasta. Queria mostrá-lo ao meu tio, para ele, o voltar a ler. Um amigo caviloso pediu-mo por dois dias e até hoje. Mais dez anos de procura, França de novo. Outra livraria, outro exemplar, novo regresso triunfal. E novo desaparecimento desta vez absolutamente misterioso. Entretanto o tio Marcos morreu. Por teimosia, e um pouco em sua memória, fui procurando o terceiro exemplar. Mas foi só com a internet e com a livraria chapitre.com. que obtive o meu actual exemplar. Em finais de 2000. Esta busca durou quase quarenta anos. Agora com o google descobri quase vinte mil referências ao Grout. Nasci demasiadamente cedo.
Nota que não tem nada a ver: o meu prezado Delfim fica avisado que a livraria Académica tem a “História de Portugal” do Matoso em belíssimo estado por mais ou menos 150 euros. Não chega a vinte por volume.
Também (tendo tudo) não tem nada a ver: da nossa leitora Manuela Espírito Santo anda por aí um livrinho recentíssimo: Por um quinto poder em defesa do novo cidadão (arca das letras ed.). Ora aqui está um texto lúcido que tem muito a ver com o que neste blog, volta e meia, vamos falando: a nova censura e os meios de a combater. Boa malha, Manuela! Venham mais!
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M.C.R.
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Kamikaze (L.P.)
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Não percebo nada disto
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A história dentro da História.
Apesar do fim de semana. Ou por isso… A minha mulher diz-me que eu tenho cá uma genica! Bem, realmente, tenho muito mais genica do que nos meus 3o anos, lá isso é verdade (isto será um paralelismo com o vinho do Porto?)...Daí não querer comprar esse "slogan" que agora nos querem vender: os "velhos" já não produzem, lixo com eles! Velhos são os trapos! Mas dizia eu, cansa-me mais ficar em casa (caio fatalmente numas leituras de Direito ou a despachar algumas alegaçõeszinhas olá!...) do que, por exemplo, ir ao Porto, jantar ali para as bandas do Campo Alegre...ou ir ao Triplex certamente...
Após constatar a perfeita arrumação que o meu amigo MCR imprime aos seus livros, quadros, e outros documentos que tais, lanço-me à aventura de poder conseguir tal desiderato neste meu humilde lar. Haveria de inventar espaço. E espaço é um bem que já não abunda…
Pois passei o fim de semana nesta coisa de pôr e tirar de um lado para o outro, fazendo de conta que estou a arrumar a livralhada…e a papelada avassaladora...
Vem isto a (des)propósito do achamento (não de um novo caminho que nos colocasse deste rectângulo daqui para fora...) mas sim de um livro que estava convencido de ter “emprestadado”: o livro é precisamente “A Lusitânia dos Espiões” do nosso José António Barreiros. Edição da Hugin (gosto mais da “ O Mundo em Gavetas”…) que remonta a 1995.
Relida agora a obra na diagonal, (e esta vai direitinha para o igualmente muito nosso MCR) permitam-me que respigue este excerto com que deparei, encontrado a fls. 139, e que eu aqui reproduzo, com a devida vénia, que não quero infringir direitos autorais:
“Tudo começara em 1960, com a movimentação preparada pelo DRIL, o mesmo Directório Revolucionário Ibérico de Libertação que, utilizando o nome do comandante Henrique Galvão, planeou e executou a “operação Dulcineia”, de rapto e aprisionamento em alto mar do navio português “Santa Maria”.
Revolucionários profissionais ao serviço da causa de Leste orientaram-se para Angola, onde os primeiros movimentos de terrorismo fariam eclodir uma guerra civil que durou mais de trinta anos e reduziria a cinzas tão rico e promissor território, semeando a miséria entre os seus habitantes.
Neste particular, Oliveira Salazar, ao dizer, contra tudo e contra todos que em África defendíamos aqueles territórios contra o comunismo tinha afinal perversamente toda a razão.”
O Autor revisitou a História. Com efeito, a leitura desta raras vezes é unívoca. Frequentemente, mesmo por ínvios caminhos, ou até como aquele nos ensina, através de uma razão “perversa”, a História revisita-nos e deixa-nos perplexos.
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C.M.
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22 maio 2006
Futebol: a lusa paixão...
Em época de (acrescido) futebol arrisco o seguinte "prognóstico":
Para os pimpolhos do nosso Carteiro: aqui fica a equipa juvenil do FCP;
Para o (muito cá de casa) MCR, e visto que lhe fica perto...o Boavista!

Para o JCP...hum... Benfica?
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C.M.
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Portugal kitsch
Não poderíamos ser um país normal, em que as pessoas se limitassem a gostar de futebol e da sua selecção, sem todos estes excessos? Por que razão se pretende demonstrar que somos capazes de vencer o campeonato das emoções e dos afectos?
Enfim, pobre país que esgota as suas energias neste nacionalismo serôdio.
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jcp (José Carlos Pereira)
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Do Poder Político e a sua visão jacobina do Poder Judicial
Acrescenta aquele que “Todos defendemos o Estado de direito desde que não nos bata à porta”.
Ora, aqui está o busílis! A partir do momento em que determinados senhores, detentores do poder (sempre transitório…) político foram “apanhados” nas malhas da Lei, aqui d’El Rei!, perdão, para esses, “aqui d’El Afonso Costa”! Que num Estado de Direito somos todos iguais, mas há uns mais iguais que outros!
Pena é que ainda existam Magistrados que pactuem com o “inimigo”, aceitando as mais diversas comissões…
Se os Magistrados são assim tão maus tão maus, então porque é que o poder político gosta de os ter junto a si? Será para lhe resguardar as costas?
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C.M.
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Chateado no calabouço 4
(sobre a arquitectura prisional)
Tendo sido hóspede da cadeia de Caxias (reduto norte) durante algum tempo, muito excitante de resto, e sendo um profundo admirador de Mestre Raul Lino, como aliás também de mestre Henrique Medina, pintor de fina água, do doutor Amândio César, escritor de robusto talento e de outras grandes figuras do nosso panteão artístico e cultural, cujo é, sem falsas modéstias, relevante pedra de toque da civilização ocidental e cristã que Portugal tão galhardamente defende nas plagas africanas frente ao gentio infiel que tenta meter uma lança na Europa, dirijo-me a V.ª Ex.ª para expor o que se segue:
Caxias, Il.º Senhor Director Geral Interino, é uma pequena obra prima da ingeniosidade lusitana dos anos 20: belas vistas, bons ares, brandura de costumes, proximidade da capital e seu bulício frente ao Tejo e seu ventício e diante de um pobre mas honrado bairro de lata com seu excrementício.
Para quem passa na estrada a vista do soberbo edifício é algo que nunca mais esquecerá. Parece, em grande, um desses maravilhosos moinhos de vento de que a nossa paisagem é tão rica e que constituem para o estrangeiro que nos visita motivo de constante pasmo e admiração arquitectónicos.
Porém, vista de mais perto, algo destoa e nos dói: pois não é verdade que no pais da casa portuguesa de Mestre Raul Lino e de Amália Rodrigues, as casas e construções similares (casinhas, cabines telefónicas, apeadeiros de transportes colectivos, faróis e marcos quilométricos) devem ser portuguesas?
Ora tal não se passa com esta notável instituição de recuperação social. A construção é pesada, algo tosca, sem graça. Vá lá que sempre está pintada de branco, mas isso não chega, Ex.º senhor, não chega.
Por estas razões, e por outras que não vale a pena salientar, tenho a honra de propor:
1º alto do telhado três cata-ventos em forma respectivamente de galo, sol e barco à vela;
2º nas paredes exteriores andorinhas de barro preto (vidrado) artisticamente cravadas;
3º no peitoril de cada janela um pequeno canteirinho de sardinheiras;
4º as grades em ferro forjado do norte;
5º as portas com alpendres de granito
6º nos dias feriados e santos de guarda colchas em todas as janelas;
7º na sala de espera das visitas propõem-se ainda:
dois vasos de louça de Alcobaça com avencas e jarros de plástico (são mais baratos e não precisam de água);
um “invisual” tocador de harmónio a cantar fados;
um rancho de guardas prisionais regido pelo senhor Dr. Pedro Homem de Mello (danças recomendadas: corridinho, chula do Minho, vira da Nazaré);
uma placa com os dizeres: é proibido cuspir ou urinar no soalho”;
idem com os dizeres:”construído durante a Ditadura Nacional”
um cartaz com o slogan “o Exército é o espelho da Nação” ou na falta dele outro com o mapa de Portugal e províncias ultramarinas sobrepostos ao mapa da Europa com os dizeres “Portugal não é um pais pequeno”.
A bem da Nação
em Caxias, 1971
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M.C.R.
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21 maio 2006
Delírios (II)

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O top do Expresso
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Delírios
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O Filósofo plural
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C.M.
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20 maio 2006
Transitoriamente bloqueado
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